por Milton Assumpção em  04/09/2018  às 19h30

CHAMPAGNE – Épernay, Troyes, Bar-sur-Seine, Les Riceys, Essoyes

Este é o texto de uma nova viagem que fizemos à região de Champagne, que inclui roteiros e visitas a vários produtores da região de Troyes, na Champagne-Ardene.
No livro VIAGENS, VINHOS, HISTÓRIA e no www.blogdomilton.com.br você vai encontrar roteiros e narrativas das visitas que fizemos, anteriormente, a produtores de champagne em Épernay, Reims e Troyes.

As histórias das dominações dos Celtas, Romanos e Francos nesta região, a cultura e evolução do champagne estão muito bem detalhadas no livro, inclusive a contribuição de Don Perignon no desenvolvimento da produção.

O livro aborda ainda a cidade de Reims, onde estão a Taittinger e Veuve Clicquot.
Se você leu o livro VIAGENS, VINHOS, HISTÓRIA, estará sabendo todas as narrativas.

Vinhedos da região de Champagne

  
NOVA VIAGEM, NOVO ROTEIRO

Nesta nova viagem, fizemos o trajeto de avião, São Paulo – Paris. Alugamos um carro no Aeroporto Charles de Gaulle e fomos direto para a região de Champagne.
Nossa programação era ir a Épernay, onde estão os grandes produtores, entre eles a Möet et Chandon, Mercier, Boizel, Demoiselle, e seguir depois para Troyes.

Em toda a região de Champagne, há cerca de 2.000 produtores, e a grande maioria na região de Troyes. Troyes é a capital oficial. Até o século XIX, era onde se concentrava a maior produção, com milhares de pequenos produtores, com famílias em várias gerações.
No fim do século XVIII e início do século XIX, as grandes corporações, com dificuldades de adquirir grandes áreas em Troyes, decidiram investir em Épernay, onde havia ainda disponibilidade, e o preço por hectare era bastante conveniente.
Foi neste período que a Möet & Chandon adquiriu em Hautvillers, todos os vinhedos que pertenciam a Ordem dos Beneditinos, da qual Don Perignon, pertencera.

Convento dos Beneditinos em Hautvillers e Vinhedos


PROGRAMAÇÃO EM ÉPERNAY

La Cave aux Coquillages

O objetivo era voltar a visitar a La Cave aux Coquillages, na pequena vila de Fleury-la-Rivière.

No livro VIAGENS, VINHOS, HISTÓRIA, faço uma interessante descrição desta vinícola que combina arqueologia com a produção de champagne.
Assim que publiquei o livro em Outubro de 2017, enviei-lhes um exemplar, e mantivemos contatos.

Para esta viagem, marquei a visita com antecedência, também com a finalidade de fotos e vídeos para meu canal no YouTube.
Desta vez, o tour foi conduzido pela guia Frédérique Houchard.

Como o trabalho de pesquisas arqueológicas continua, desta vez passamos por um túnel novo, recém-aberto, com enormes caramujos e conchas marinhas nas paredes.
No laboratório, além das explicações sobre os diversos fósseis encontrados, pude experimentar e limpar um deles.

A degustação foi feita pelo proprietário arqueólogo/viticultor Patrice Legrand, que explicou como as raízes de seus vinhedos descem de seis a doze metros de profundidade para buscar estes nutrientes especiais e minerais.

O champagne produzido é de uma qualidade excepcional. Na degustação, percebe-se claramente um toque diferenciado de sabor.A marca comercial do champagne é Legrand-Latour.

 Visita à La Cave aux Coquillages com o arqueólogo e viticultor Patrice Legrand

A marcação das visitas é feita com reservas antecipadas.São três tours por dia, pela manhã às 10h, e à tarde às 14h e 16h. São sempre pequenos grupos, no máximo sete a dez pessoas.
Importante reservar com bastante antecedência.
O contato pode ser feito pelo email: p.legrandlatour@wanadoo.fr
Fique à vontade para citar meu nome e meu livro quando fizer o contato.
 

Möet et Chandon

É também uma visita obrigatória em Épernay, pela importância que representam no mercado mundial.
No livro anterior, há uma narrativa detalhada da história desta vinícola do século XVIII.

Decidimos visitar novamente por duas razões. Haviam feito recentemente uma grande reforma nas instalações ligadas ao enoturismo, e queríamos conferir.
Também porque queríamos participar de um tour especial, geralmente o último do dia, em que a degustação é com champagnes especiais e nos jardins da mansão.

O tour é o clássico, com a guia contando a história da vinícola, o passeio pelos corredores subterrâneos, onde estão armazenadas milhares de garrafas em evolução, e a degustação.
O jardim é arborizado e com muitas flores.

Monumento em homenagem a Don Perignon

Com Ruth, a guia Marina Thouvenin e o sommelier Lilian Ponsin – Möet et ChandonTúnel iluminado nos corredores subterrâneos

Há tours regulares, praticamente o dia inteiro, em francês e inglês. Não há necessidade de fazer reserva antecipada. Para este tour especial no fim do dia, recomendo fazer reserva.

Em Épernay há vários produtores que atendem o enoturismo, entre eles a Mercier, Boizel, Demoiselle, Perrier & Jouët, e Pol Roger.
 

Cidades e Vilas na Região

Ao redor da cidade de Épernay há várias vilas com pequenos e médios produtores.
São todas muito próximas e é muito agradável passear de carro pelas pequenas estradas, no meio dos vinhedos e em cada uma delas parar para degustar ótimos champagnes.

Ao norte de Épernay, nas margens do rio Marne está a linda vila de Damery. Em seguida vem Fleury-La-Riviére, onde fica a La Cave aux Coquillages, que descrevi anteriormente. Na mesma estrada, estão Pomery e Hautvillers.

Dos dois lados da pequena estrada, estão os vinhedos dos Beneditinos comprados pela Möet et Chandon e os da Champagne Taittinger, cuja sede fica em Reims.
Na vila de Hautvillers, na Igreja da Abadia Saint-Pierre está o túmulo de Don Perignon.
Seguindo, chega-se em Aizy e Ay-Champagne. Em ambas, há opções de degustações.
Ay é uma cidade um pouco maior, com um interessante Museu do Champagne.

 Cidade de Damery às margens do Rio Marne 

 Cidade de Fleury-La-RiviéreVinhedos da região

Todas estas vilas e cidades estão a trinta minutos do centro de Épernay.
Indo para o sul, a paisagem é a mesma, vilas e cidades rodeadas de vinhedos.
Eu recomendo ir à vila de Oger degustar o premiado Champagne Milan.

Um pouco mais ao sul, fica uma das mais importantes vilas, Vertus.
É a maior da região, com um bom hotel, restaurantes e diversas vinícolas para degustação, entre elas o L’Atelier de Degustation.
Uma das atrações é a famosa vinícola Duval-Leroy, fundada em 1859.

Vertus é reconhecida e classificada como uma vila que produz champagne Grand Cru da mais alta qualidade.

Vinhedos da região de Oger e Vertus

Todas as vezes que vou para esta região, eu dedico um dia inteiro para passear de carro por estas pequenas vilas. É muito prazeroso guiar pelas pequenas estradas, passando pelo meio dos vinhedos e descobrir lugares especiais.

As castas que predominam são Chardonay, Pinot Blanc e Meunier. Há alguns anos em uma análise genética, descobriram que a Meunier não era Pinot, e passaram a se referir a ela como, simplesmente, Meunier.

Eu recomendo dedicarem dois dias inteiros para a região de Épernay. Se incluir Reims, a principal cidade de Champagne, onde estão a Taittinger e Veuve Clicquot, acrescentem um dia mais.
 

Hospedagem em Épernay e Região

Não há muitas ofertas de bons hotéis. Há alguns de cadeias internacionais, como Best Western e IBIS, e alguns independentes.

Já nos hospedamos nos dois, e voltamos desta vez ao IBIS. Fica no centro de Épernay. Apesar de o padrão ser de quartos pequenos, acaba sendo conveniente pela localização e tranquilidade. O café da manhã surpreende.
Nas pequenas cidades há hotéis em Ay-Champagne e Vertus.
 

PROGRAMAÇÃO NA REGIÃO DE TROYES

Troyes fica a cerca de cem quilômetros ao sul de Épernay No livro VIAGENS, VINHOS, HISTÓRIA há uma descrição histórica da cidade.
Foi até o século XIX a grande produtora de champagne da França.
Continua uma cidade linda, charmosa, movimentada, com um centro comercial cheio de vida, restaurantes, lojas e muitos turistas.
Resolvemos dedicar três dias inteiros para Troyes e região.

Ao sul de Troyes, está a maior concentração de pequenos produtores, com famílias produzindo champagne há várias gerações. São dezenas de pequenas cidades muito próximas
Há vilas com cerca de trezentos habitantes e trinta produtores.
Produzem um número relativamente pequeno de garrafas por ano, e vendem principalmente para o mercado regional, França, Alemanha, Inglaterra e EUA.
A grande maioria destes champagnes não chega no Brasil.

Programamos visitar as cidades de Troyes, Montgueux, Bar-sur-Seine, Essoyes e Les Liceys.
 

Cidade medieval de Troyes

  
TROYES

Às margens do rio Sena, é uma cidade grande para a região.
O centro antigo e histórico mantém edifícios dos séculos XV e XVI bem preservados.

A Catedral de São Pedro e São Paulo, do século X, uma das principais atrações da cidade, passou por incêndios e destruições. A última reconstrução, e que se mantém até hoje, é do século XVII.

Reúne antiguidade e modernismo. Os vitrais são lindos.
Relíquias da Virgem Maria, São Pedro, Maria Magdalena, São Bernardo e da Cruz de Cristo, são atrações especiais.

RelicárioPlaca em homenagem a Joana Darc

Troyes é reconhecida pelos Outlets, centros de compras com produtos de marcas e preços super atraentes. O mais conhecido é o McArthur Glen, fica nos arredores da cidade.

É uma cidade prazerosa para passear durante o dia e com ótimas opções de bares e restaurantes à noite.

Hospedagem em Troyes e Região

Todas as vezes que fomos a Troyes, nos hospedamos no Best Western, da Rua Emile Zola, no centro da cidade. A localização é perfeita e é muito tranquilo.
Há opções de hotéis, de vários níveis e bolsos, inclusive de cadeias internacionais muito bem localizados também. Recomendo sempre consultar o Trip Advisor.

Montgueux

É considerada a “região de champagne” de Troyes.
Quem vai a Troyes e quer fazer enoturismo, a indicação é Montgueux.
É uma vila que fica em uma pequena colina a quinze minutos do centro, onde há uma concentração de pequenos produtores e revendedores. Os mais conhecidos são Champagne Jean Velut, Didier Doué, Etienne Doué, Jacques Lassaigne, Romain Rivière, e Urbain Père et Fils.

Recomendo marcar com antecedência as visitas para degustação, e pode ser feito pelo pessoal do hotel. Mas você pode também ir lá por conta própria. Há vários locais para degustação e vendas, abertos o dia inteiro. Além dos locais de degustações e compras de champagne, Montgueux não tem outras atrações, por isso recomendo programar e dedicar apenas algumas horas.

No entorno de Montgueux, há quinze pequenas vilas com pequenos produtores de champagne, mas que não têm um enoturismo. Algumas delas, Torvillers, Macey, Saint-Germain, Messon, Prugny e Saint-Lye, ficam a poucos quilômetros de Montgueux.

Se tiver tempo, visite algumas delas. São muito próximas uma das outras. A região é muito bonita.

Vinhedos da região de Troyes


Bar-sur-Seine

Fica a cerca de sessenta minutos ao sul pela Rodovia D671, que vai para Dijon.
A região é denominada Champagne-Ardene, e está bem próxima da Borgonha.
É uma pequena cidade, com uma boa infraestrutura, com hotéis, restaurantes e uma rua de comércio bem atraente. Nesta região, há uma grande concentração de produtores. Vale a pena dedicar um dia inteiro para visitar as vinícolas.

Hospedando-se em Troyes, vai levar sessenta minutos para ir e outro tanto para voltar.
A vantagem é que Troyes é uma cidade grande com muitas outras atrações.
Mas você pode também se hospedar em Bar-sur-Seine e evitar o ir e vir a Troyes.

Rio Sena em Bar-sur-SeineVinhedos da região

A maioria das vinícolas e vinhedos está no vale formado pelo rio Sena e seus pequenos afluentes.
Há também vinhedos em algumas pequenas colinas, com um visual muito bonito.

A região toda é muito arborizada. A amplitude térmica é propícia ao plantio de vinhedos, com dias quentes e noites frias. O solo é de argila com pedras.
As castas mais utilizadas são a Pinot Noir e Chardonay.

Há monocastas e blends de ambas as castas. Nos blends, a porcentagem maior é sempre da Pinot Noir. Por exigência das normas DOC, o método obrigatório é o Champenoise.
 

Chateau Devaux

A sede principal da vinícola fica na beira da Rodovia D671, e muito próxima de Bar-sur-Seine.
Os vinhedos estão espalhados por toda a região.
A visita é feita na sede principal, onde há um pequeno museu e o atendimento de enoturismo.

É um pequeno palacete, no meio de um jardim muito arborizado, com o rio Sena correndo ao fundo.
Fundada em 1846 pelos irmãos Jules e Auguste Devaux, ficou instalada por muitos anos na Avenue de Champagne em Épernay.

Em épocas diferentes, três mulheres da família Devaux, viúvas, comandaram os destinos da vinícola com muito sucesso. A Devaux ficou então conhecida como o “Chateau das Três Viúvas”.

Durante o século XX, mudou sua sede para Bar-sur-Seine, onde está hoje.
Em nossa visita, fomos muito bem atendidos pelo somellier Pierre Lejus, um ótimo papo.
Degustamos vários champagnes monocastas e blends Pinot Noir e Chardonay, todos excelentes.

Chateau Devaux é considerada uma vinícola grande para a região.
Solicitei então que nos recomendasse uma pequena e familiar para visitarmos em seguida.
Na mesma hora, contatou a vinícola Louise Brison, em Essoyes.

Recomendo visitar a Chateau Devaux. Além de muito bonita, o atendimento é ótimo, fica próximo de Bar-sur-Seine e o champanhe é excelente.

Chateau Devaux em Bar-sur-SeineDegustando champanhe na Chateau Devaux

Essoyes

É uma cidadezinha muito charmosa, às margens do rio L’Ource, afluente do Sena.
Além das vinícolas, a atração maior é o pintor impressionista francês Auguste RENOIR.
Em Essoyes, ele viveu uma grande parte da sua vida e criou seus filhos.
Vamos falar de Renoir logo a seguir.

É também uma cidade de pequenos viticultores, vinícolas familiares, que produzem pequenas quantidades. Seus champagnes são absorvidos na própria região, na França, em países da Europa e nos EUA.

O terroir e as castas utilizadas são as mesmas citadas em Bar-sur-Seine. Solo de argila e pedras, amplitude térmica ideal, noites frias e dias mais quentes. As castas são Pinot Noir e Chardonay .

Rio L’Ource, afluente do Sena, em Essoyes


Chateau Louise Brison

Fica em Noé-Les-Mallets, muito próximo da vila de Essoyes.
É uma vinícola familiar de várias gerações, e Louise Brison foi bisavó da geração atual.
Está toda rodeada de vinhedos, inclusive nos morros à sua volta.

É considerada uma vinícola Vintage.
Só produzem champagne quando as uvas colhidas estão dentro do controle mínimo exigido de qualidade. Utilizam somente uvas de seus próprios vinhedos.

Dependendo do clima, da chuva, sol, da amplitude térmica, as uvas colhidas, a cada ano possuem características próprias. Assim, o champagne produzido a cada ano tem seu próprio sabor, e é diferente do ano anterior. Por isso é chamado de Vintage.

Seus fiéis clientes acompanham a produção e esperam sempre com grande expectativa como vai ser o sabor de cada ano. Louise Brison está sempre focada em surpreendê-los com sabores extraordinários.

A maioria dos produtores, principalmente os grandes, produz champagnes dentro de um padrão de sabor que os identifica. Diferente dos Vintages, cujos champagnes reproduzem o impacto do clima em seus terroirs e nas características das uvas, a cada ano.

Fomos recepcionados pela engenheira-enóloga Delphine Brulez. Ela é responsável pela agronomia e enologia, cuida dos vinhedos, das uvas, das colheitas e da produção. Em nossa visita, fizemos um tour pelas instalações, as barricas de carvalho e as garrafas em evolução. Depois levou-nos em um passeio pelos vinhedos.
Subimos até o alto do morro, de onde se tem uma vista privilegiada de toda a região.
São vinhedos a perder de vista.

Com a engenheira-enóloga Delphine BrulezPedras com pequenas conchas do mar

O solo é de argila com pedras.

Foi surpreendente descobrir no alto do morro pedras com pequenas conchas do mar.
Ali, há milhões de anos, era mar. Com a movimentação das placas tectônicas, estes morros emergiram do fundo do mar e deixaram estas pedras.
Toda a região de Champagne e uma pequena cidade da Borgonha, Chablis, possuem sítios arqueológicos com fósseis marinhos, nutrientes e minerais.

No meio dos vinhedos, os proprietários da Louise Brison, preservam uma pequena reserva florestal para o cultivo de cogumelos e trufas.

Na degustação, percebe-se claramente a diferença de sabores e características de cada ano, do champagne Vintage.

As principais castas utilizadas na produção são Pinot Noir e Chardonay, com predominância nos blends para a Pinot Noir.

Com a engenheira-enóloga Delphine BrulezPrensa antiga

Como outros produtores desta região próxima de Troyes, estes champagnes dificilmente chegam no Brasil. E se chegarem são a preços excepcionais.
Aproveitamos a viagem e trouxemos garrafas de todos os produtores que visitamos.

Outras importantes vinícolas em Essoyes são a Champagne Banfontarc e Philippe Fourrier.

Auguste RENOIR

Depois de viver e se tornar um pintor impressionista consagrado em Paris, RENOIR escolheu a pequena cidade de Essoyes para morar e criar seus três filhos.

Pierre Renoir, o primogênito tornou-se um ator de palco e cinema.
Jean Renoir, que herdou do Pai o lado artístico e criativo, é considerado um dos mais importantes diretores de cinema da França. Viveu e dirigiu filmes até 1979.
O caçula Claude, dirigiu sua arte para a cerâmica.
Estão todos enterrados juntos, com suas esposas no pequeno cemitério da cidade.

O museu Renoir está no centro de Essoyes, às margens do rio L’Ource.
A visita e o tour iniciam dentro do museu.
Primeiro, um filme narrando a história do pintor.

A partir daí, o visitante sai do museu e segue caminhando pelas ruas da cidadezinha seguindo marcas e indicações de um roteiro que o leva, ao alto da cidade, até a casa e o atelier.

Isadora e Natalia Mira contemplando o
quadro de Renoir no MAM de New York
Rio e paisagem de Essoyes

A primeira visita dentro da propriedade é no atelier externo. Ali estão algumas reproduções e um grande divã, onde ficavam os modelos.
Em seguida um tour pela casa e o atelier interno, na sala principal.

A visita é feita em todas as dependências, sala de estar, cozinha e os quartos, conservados com os móveis e objetos utilizados na época.
A última visita e opcional é no pequeno cemitério, onde estão enterrados o pintor, a esposa e os três filhos.

Com calma, dá para fazer toda a visita em duas horas. É tudo muito perto.
De carro, de Essoyes a Bar-sur-Seine leva no máximo quinze minutos, e até Troyes sessenta minutos.

Renoir - casa e atelier interno em EssoyesLápide de Renoir e familiares


Les Liceys

Ao sul de Bar-sur-Seine está a cidade de Liceys, a maior e mais importante da região de Champagne-Ardene.

Se Épernay é reconhecida pelos importantes produtores, como Möet et Chandon e Mercier, Liceys tem seu reconhecimento pela excepcional qualidade de seu champagne e principalmente pelo Rose de Ricey, preferido do Rei Luiz XIV.
A casta predominante é a Pinot Noir. Alguns produtores fazem blend com a Chardonay.

Les Liceys fica muito próxima da Borgonha que produz vinhos tintos com a Pinot Noir.
Conforme me explicou Morize Guy, proprietário da Morize Père & Fils, a uva Pinot Noir de Liceys é um clone da Pinot Noir da Borgonha.
Há uma disputa sobre qual Pinot Noir é a original.
Liceys diz que é a deles, em Borgonha dizem o contrário.
A verdade é que ambas as Pinot Noir produzem champagne e vinhos tintos excepcionais.

É a minha uva preferida para vinhos tintos e agora para o champagne.

Foto antiga de evento em Les LiceysHotel e restaurante La Magny em Les Liceys


Morize Père & Fils

É uma vinícola familiar do século XII, e vem passando por gerações desde então.

A vinícola conserva ainda a tradição dos antepassados e é muito visitada e apreciada pelos franceses e turistas em geral.

Em nossa visita, fomos recepcionados pelo proprietário Morize Guy.

Visitamos a cave subterrânea, onde estão os barris de carvalho e as garrafas em evolução.

A sala de degustação é ampla e muito bonita. Degustamos vários champagnes e, em especial, o seu Rose de Ricey. É realmente especial, excepcional.

A maioria de seu champagne é produzido com a uva Pinot Noir, segundo ele, a que mais aprecia e melhor se adaptou ao terroir da região.

Com o proprietário Morize Guy

Aliás, este é um diferencial importante nos champagnes desta região.
A predominância da casta Pinot Noir, como monocasta ou blend.
Uma das razões é que a região da Champagne-Ardene é bem próxima da Borgonha, e seus terroirs são muito parecidos.
Na Borgonha, o reino é da uva Pinot Noir.

Outras importantes vinícolas em Les Riceys são a Vincent Lamoureux, Arnaud Tabourin, Alexandre Bonnet, Michel Chevrolat e Guy Lamoureux.


Hotel e Restaurante

Em Les Liceys, há um hotel e restaurante de muito bom nível, Le Magny, 15 rue de la Voie Pouche, Les Riceys.

O hotel e a cidade são muito tranquilos, e o restaurante é de um nível especial em todos os sentidos, cardápio variado, lista de vinhos e o atendimento muito profissional.

Confiram no site www.hotel-lemagny.com


Tour de Paris de 2 dias

Há um tour de dois dias, que sai de Paris para esta região. São duas horas de Paris-Troyes em TGV.
O primeiro dia é todo em Troyes. O segundo dia é todo em Les Ricey e região.
Retorna a Paris no início da noite, também de TGV.

Você encontra a indicação deste tour no site www.closdriver.com

Trigal da regiãoGirassóis da região


Roteiros de carro

Épernay, Troyes e toda esta região ao sul de Champagne estão muito próximas de Chablis e, principalmente, de Beaune e Dijon na Borgonha.

Você pode fazer um roteiro Paris – Épernay – Troyes e região – Chablis – Paris.
Eu recomendaria no mínimo seis dias.

Ou então, Paris – Épernay – Troyes e região – Beaune e região – e daí voltar a Paris ou seguir em direção sul para Lyon.
De Lyon a leste, seguir para Geneve, na Suíça, vale a pena passar um dia inteiro em Anecy.
Ou de Lyon para o sul, para Provence, Avignon, Saint-Rémy, Nimes, Carcassone, Marselha, Côte D’Azur.

Vai depender do tempo que programar para sua viagem.

Estou à disposição para dúvidas, dicas e recomendações. Contate-me pelo email:
miltonassumpcao@terra.com.br

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por Milton Assumpção em  28/06/2018  às 12h55

VIAGENS, VINHOS, HISTÓRIA – RIOJA, ESPANHA

A região vinícola de Rioja é considerada a mais importante da Espanha.
Está situada ao norte e compreende cinco províncias – La Rioja, Navarra, País Basco, Castilla y Leon e Alava.São 607 bodegas e aproximadamente 18.000 viticultores.
Processam anualmente cerca de 450 milhões de quilos de uva.
A região vinícola é denominada RIOJA. A província de La Rioja faz parte da região vinícola.

O nome vem de um pequeno riacho que nasce nas montanhas, o Rio Oja, rio das pedras.
É banhada pelo importante Rio Ebro que corta toda a Espanha e deságua no mar, próximo de Barcelona.
A cidade mais importante e capital da Província é Logroño, onde há vários hotéis, lojas, restaurantes e vinícolas.
Próximo de Logroño, está a cidade histórica de Haro, também com várias vinícolas importantes.

Mapa da região vinícola de Rioja

UM POUCO DE HISTÓRIA

Como todas as regiões da Europa, os romanos foram os responsáveis pelo desenvolvimento da produção de vinhos. Nos séculos seguintes, os povos que dominaram esta região, deram continuidade.
Na dominação dos mulçumanos, o vinho era usado como remédio. Com a retomada da região pelos cristãos, voltou a ser consumido como bebida.

Do século XI ao XVIII a produção de vinhos estava concentrada na cidade medieval de La Guardia, no Reino de Navarra.
Em uma colina e cercada de muralhas, o transporte das uvas com carruagens e cavalos foi sempre muito difícil.

No século XIX, com a Revolução Industrial, a produção de vinhos saiu de La Guardia e foi para os vales, principalmente dos Rios Oja e Ebro.

 Vinhedos em Briones  

OS FRANCESES

Em 1865, a Filoxera atacou os vinhedos da França. Os franceses decidiram arrancar todos os vinhedos, plantar troncos americanos e fazer os enxertos com as suas principais castas de uvas.

Como iria levar um tempo para voltar a produzir, os produtores de Bordeaux decidiram investir em vinhedos na Espanha, onde a Filoxera não havia ainda atacado.
Levaram consigo toda a tecnologia e, principalmente, os recursos financeiros. A cidade escolhida foi Haro.

No fim do século XIX, toda a região floresceu. Haro foi a primeira cidade da Espanha a ter eletricidade, antes mesmo de Madri e Barcelona.
Em 1863, foi construída uma linha férrea ligando Navarra e Castilla ao porto de Bilbao, passando por Haro, o que incrementou as exportações de vinhos para França, Inglaterra e EUA, por navios.
Circulava tanto dinheiro na época, que o governo espanhol abriu uma agência do Banco de Espanha, na cidade.
Alguns anos depois, com os vinhedos na região de Bordeaux voltando a produzir, os franceses abandonaram Rioja.

FILOXERA

Em 1899, a Filoxera finalmente chegou em Rioja. 70% dos vinhedos foram perdidos. Os espanhóis, no entanto, já estavam preparados.
Como precaução, haviam feito uma grande reserva de vinhos, que os ajudou a se manter enquanto recuperavam os vinhedos.

 Diferença entre uma Cepa Velha e uma Nova, na Primavera

DENOMINAÇÃO DE ORIGEM CONTROLADA – CASTAS E VINHOS

Em 1926, foi criada a Denominação de Origem Controlada, com seus critérios e padrões.
Foram escolhidas cinco castas para a produção dos tintos – Tempranillo, Garnacha, Graciano, Mazuelo e Maturana.Para os brancos foram Viura, Garnacha Branca, Verdero, Tempranillo Branca e Malvasia.

A classificação dos vinhos ficou:
Jovem – Vai direto da fermentação para as garrafas e para o mercado.
Crianza – 12 meses nos barris de carvalho + 12 meses nas garrafas.
Reserva – 12 meses nos barris de carvalho + 24 meses nas garrafas.
Gran Reserva – 24 meses nos barris de carvalho + 36 meses nas garrafas.

O vinho mais vendido e mais consumido, inclusive internacionalmente é o Crianza.Em português seria Criação.


SOLO E TERROIR

A região é dividida em Rioja Alta, com solo calcário e ferroso, e Rioja Baixa com mais argila e pedras. Algumas regiões da Rioja Alta recebem influência do clima mediterrâneo que vem do mar.

A amplitude térmica é bastante grande, com dias quentes e noites muito frias. O frio do Outono muitas vezes chega mais cedo e prejudica o amadurecimento das uvas mais tardias, como a Graciano. A uva tempranillo amadurece sempre em Setembro.

Vinhedos muito próximos com solos totalmente diferentes

2ª GUERRA MUNDIAL

Durante a 2ª Guerra Mundial, a Espanha se declarou neutra e com isso pôde aproveitar e exportar vinhos para a Alemanha. Até hoje, a Alemanha é uma grande importadora e consumidora dos vinhos espanhóis de Rioja.
 

PROGRAMAÇÃO DAS VISITAS

Na nossa programação de viagem, optamos por ficar em Haro e de lá sair para as visitas. Nos hospedamos no Hotel Los Agustinos, um edifício antigo, adaptado, muito bonito, e que fica no centro da cidade. A cidade é pequena, muito fácil de se locomover.

Quando da programação, contratamos os serviços de turismo da Riojatrek através da guia Yara Carignato. Yara é espanhola, filha de brasileiros e fala português fluentemente. Trabalha há vários anos na região, conhece tudo de vinho. Coube a ela escolher as vinícolas a fazer o roteiro.

A meu pedido, no primeiro dia foram marcadas visitas às vinícolas pequenas e familiares.
Visitar vinícolas familiares é muito importante pela oportunidade de conversar com os próprios donos ou com o agrônomo/enólogo. Saber sobre os terroirs, as castas, ouvir suas histórias e, também, degustar ótimos vinhos.

No segundo dia, programamos as grandes vinícolas, onde as visitas são feitas em grupos. Há também possibilidades de fazer perguntas e degustar com calma os vinhos.

Podem contatar a Riojatrek pelo e-mail yara.carignato@riojatrek.com. Eles programam visitas individuais e em grupos.

Briones e San Vicente de la Sonsiera

VISITAS ÀS VINÍCOLAS – Primeiro Dia

Neste primeiro dia, visitamos algumas vinícolas familiares. Além de recebermos um atendimento individual, temos mais tempos para conversar, fazer perguntas, aprender e degustar os vinhos.

FINCA LA IMPERATRIZ – Rioja Alta

A história desta vinícola começa em 1878. Foi quando, Eugenia de Montijo, esposa de Napoleão III e Imperatriz da França, apresentou, em uma Exposição Vinícola em Paris, um vinho produzido em uma Finca de sua propriedade na região de Baños de Rioja, e que foi premiado.

Nos anos que se sucederam, a vinícola passou por vários donos até que em 1996, os irmãos Eduardo e Victor Hernáiz compraram a propriedade.
Comprometidos em produzir vinhos de alta qualidade, dividiram seus 101 hectares em vários vinhedos de acordo com os terroirs. Com isso puderam plantar as uvas que melhor se adequavam a cada terroir.

Seus vinhedos estão a 570 metros de altitude, uma das mais altas da região. O solo é de argila, coberto por pedras brancas, com uma drenagem perfeita. O reflexo do sol, das pedras nos cachos, potencializa os polifenóis da uva. Polifenóis são as substâncias antioxidantes encontradas no vinho

Na visita, fomos recepcionados por Coralie Saint Martin, responsável pelo Enoturismo.
Visitamos os vinhedos, as instalações industriais e degustamos os vinhos.
Produzem tintos monocastas e mesclas com as uvas Tempranillo, Garnacha e Graciano e brancos com Viura. O fato de adequar as castas aos terroirs específicos dá uma qualidade excepcional aos seus vinhos.

 Com Coralie Saint Martin e Yara Carignato, em La Emperatriz

BODEGAS GOMEZ CRUZADO

Fundada em 1886 por D. Angel Gomes de Arteche, um nobre mexicano, durante o período em os franceses estavam investindo na região. Foi a primeira vinícola a ser construída ao lado da Estação do Trem em Haro.
Em 1916, os espanhóis D. Augusto e D. Jesus Gomez Cruzados, compraram e deram o nome à Bodega, que conserva até hoje.
Em 2001, foi comprada pela Família mexicana Baños Carrera.

Como muitas bodegas em Rioja, possuem vinhedos, aqui chamados de parcelas, em vários lugares. Há sempre uma preocupação em adequar as uvas cultivadas às especificidades dos terroirs de cada vinhedo. Esta cultura é um legado dos franceses.
O entrosamento entre o agrônomo e o enólogo é sempre muito importante.
Quando se visita a Gomez Cruzado valorizam e fazem sempre muitas referências aos seus enólogos David Gonzalez e Juan Antonio Leza, que se tornaram sócios na bodega.

A Gomez Cruzado é considerada uma bodega boutique. Produzem 200.000 garrafas por ano. Exportam principalmente para os EUA e México.
Nossa visita foi na histórica sede, próxima da Estação do Trem, recepcionados por Casilda Dominguez.
O tour foi o padrão, pelas instalações industriais, os salões das barricas de inox e carvalho.
Depois tivemos uma degustação de vinhos superinteressante, com o David San Roman narrando as histórias da Gomez Cruzado e da região de Rioja.
A presença de um historiador foi uma solicitação minha.

Com Casilda Dominguez, na Gomez Cruzado

Os vinhos da Gomez Cruzado oferecem duas categorias de vinho.
A primeira chamada de Família Gomes Cruzado, com as classificações Crianza, Reserva e Gran Reserva, com uvas Tempranillo. Na lista inclui um branco com uma mescla de Viura e Tempranillo branco.
A segunda categoria, chamada de Terroirs Especiais com dois vinhos específicos, Pancrudo e Cierro Las Cuevas, com uvas Garnacha.
O vinho Pancrudo tem sido premiado internacionalmente.
Nesta segunda categoria, inclui um branco com uma mescla de Viura e Tempranillo branco.

Na degustação provei alguns deles e gostei muito do Pancrudo. É feito com 100% de uvas Garnacha, de vinhas velhas. Foi o vinho que escolhi para trazer.

 Com Casilda Dominguez, Yara Carignato e David San Roman, na Gomez Cruzado

BODEGA MIGUEL MERINO

É uma história de empreendedorismo. Em 1994, Miguel Merino, depois de trabalhar vários anos como exportador de vinhos, decidiu abrir a sua própria bodega.

O conceito era produzir um número relativamente pequeno de garrafas, mas com muita qualidade, utilizando principalmente uvas de vinhas velhas.
Aos poucos foi adquirindo vinhedos com essas características. Em relativamente pouco tempo já estava produzindo 40.000 garrafas por ano e exportando para 30 países.
Seu relacionamento comercial da época que era exportador ajudou bastante.

A bodega é bem enxuta. Os trabalhos nos vinhedos, as colheitas, a separação das uvas, são feitos pelos donos e os poucos funcionários que dispõem.
O filho Miguel Merino e a nora Erika Du Baele Meeser são os responsáveis pela operacionalidade da bodega. Miguel Merino (Pai) é responsável pela parte comercial. A sede está localizada na pequena vila de Briones, entre Haro e Logroño.

Com Erika Du Baele Meeser na Bodega Miguel Merino

Em nossa visita, fomos recepcionados pela Erika e pelo Miguel (Filho). As instalações são pequenas, mas muito bem distribuídas e organizadas. Ficamos um bom tempo conversando sobre o foco de mercado de seus vinhos e da preocupação quem eles têm em sempre surpreender seus clientes.

Eles conseguiram passar a um nicho importante de mercado, uma imagem de sofisticação e qualidade. E mantêm clientes fieis na Espanha e em vários países. Como produzem poucas garrafas, seus vinhos são procurados e disputados.

Na degustação, provamos vários vinhos tintos, entre eles o Miguel Merino Gran Reserva, 96% Tempranillo e 4% Graciano. Graciano é uma uva tardia que potencializa a longevidade e a cor do vinho. O Gran Reserva fica 28 meses em barricas de carvalho americano e francês.

Os outros vinhos são produzidos com as castas Tempranillo, Garnacha e Mazuelo e ficam nos barris vários meses, dependendo da programação e orientação do enólogo. O vinho Miguel Merino Reserva fica 22 meses nos barris, já o Crianza fica 16 meses.

A produção de seus vinhos está sempre em sintonia com a expectativa de seus clientes. Estão sempre preocupados em surpreendê-los com vinhos de qualidade excepcional. E têm sido muito bem-sucedidos.

Degustando vinhos com a Família Miguel Merino

As visitas às Bodegas La Imperatriz, Gomez Cruzados, Miguel Merino são para as pessoas que desejam além da degustação, mais conhecimentos. Vá preparado para fazer perguntas, tirar dúvidas e usufruir de uma atmosfera mais intimista.

As reservas são feitas com bastante antecedência. Ao contratar a Agência de Turismo, você pode indicar as vinícolas que gostaria de visitar.


VISITAS ÀS VINÍCOLAS – Segundo dia

Neste segundo dia, optamos por visitar as grandes vinícolas e que participaríamos dos tours em grupos. Os tours geralmente são padrões. O guia conta a história da vinícola, às vezes há um pequeno vinhedo, o passeio pela parte industrial, e ao fim a degustação.
 

BODEGAS CAMPO VIEJO

É a maior de Rioja. Produzem cerca de 30 milhões de garrafas por ano.
Pertence ao Grupo Pernot Ricard, multinacional francesa, uma das líderes em bebidas de todo o mundo. O maior cliente é a Inglaterra, onde, com seu vinho Campo Viejo – Crianza, domina este mercado.

Vendem também para os EUA, Alemanha, Rússia e Brasil.

Possuem vinhedos espalhados por toda a região de Rioja. Os controles dos vinhedos são feitos por satélite e drones.
Assim, podem acompanhar a evolução das cepas, dos cachos e do amadurecimento das uvas.
É uma vinícola com tecnologia de ponta.

Vinhedos e loja na Campo Viejo

A Visita e o Tour

Há tours o dia todo, em várias línguas. Não há necessidade de marcar com antecedência, mas na alta temporada é sempre conveniente.
O tour segue o padrão tradicional, mas com uma grande surpresa, um salão enorme com 70.000 barris de carvalho, com vinhos da categoria Crianza. É impressionante a visão desta quantidade imensa de barris, e o aroma que fica no ar. A sala de degustação é muito bonita, com uma vista para os vinhedos.

Os Vinhos

Possuem marcas importantes como Campo Viejo, Azpilicueta, Alcorta, nas categorias, Jovem, Crianza, Reserva e Gran Reserva, com uvas Tempranillo, Garnacha e Mazuelo.
O vinho Campo Viejo – Crianza representa 70% da venda total da empresa.

Fiz questão de selecionar esta vinícola para visitar, pela importância que tem no mercado consumidor de todo o mundo.

 70.000 barricas em estágioDegustando vinhos em grupo, com o guia Alvaro Garcia Ogara

BODEGAS MARQUÊS DE RISCAL

Também escolhida pela sua importância, e por ser uma das mais conhecidas no Brasil. Foi fundada em 1858 pelo Marques de Riscal VI, um apaixonado pelos vinhos de Bordeaux. Implantou em sua bodega técnicas francesas.

A sede principal está na cidade de Elciego, na região de Alava. Lá estão os edifícios originais antigos e os novos. A partir de 1883, aproveitaram o crescimento da produção local, a chegada da linha férrea, e expandiram a vinícola. Já em 1895 um de seus vinhos tintos recebeu um Diploma de Mérito em uma Exposição em Bordeaux. Desde então a Marques de Riscal só cresceu.

Em 2006 inaugurou o Marques de Riscal Luxury Hotel, projeto do arquiteto canadense, Prêmio Pritzker (1989), Frank Gehry. O hotel está dentro das instalações da vinícola e é uma atração à parte. Em 2011, Marques de Riscal foi escolhida por uma importante revista americana, como uma das 10 marcas de vinhos mais admiradas no mundo.

Produz atualmente cerca de 5 milhões de garrafas por ano, e exporta 60% sua produção para 151 países, inclusive para o Brasil.

 Marques de Riscal Luxury Hotel e a loja

A Visita e o Tour

Há vários tours durante o dia. É recomendável que faça reserva com antecedência, mas pode chegar e entrar em algum, que esteja saindo. O tour é o tradicional, inclui um pequeno vinhedo e um passeio pela parte externa do hotel. A degustação é feita em uma sala confortável ao lado da loja.

Os Vinhos

As uvas mais utilizadas na produção dos vinhos são tempranillo, garnacha e mazuelo. A tempranillo sempre em uma porcentagem bem grande, acima de 80%. O vinho Marques de Riscal Reserva estagia dois anos na barrica de carvalho, mais um ano na garrafa, antes de ir para o mercado.
O vinho Marques de Riscal Gran Reserva, três anos no carvalho, mais três anos na garrafa. Marques de Riscal 150 Aniversário, fica 32 meses na barrica de carvalho.Possuem um vinho da categoria Crianza, Arienzo que fica 18 meses no carvalho e mais 12 meses antes de ir para o mercado.

Nesta região de Rioja, os produtores estagiam seus vinhos um tempo bastante grande, tanto nas barricas de carvalho como nas garrafas, antes de colocarem no mercado.
Considero a visita à Marques de Riscal obrigatória, pelo que ela representa em Rioja e, também, no Brasil.

  Com Ruth Assumpção, degustando vinhos na Marques Riscal

BODEGAS CONDE VALDEMAR

Fiz questão de visitar esta vinícola porque já conhecia e apreciava seus vinhos.
Em nossa visita, tivemos uma atenção muito especial da Marisa Alonso, responsável pelo Enoturismo, e do guia Francisco Fraguas. Francisco é argentino de Mendoza, muito simpático, e está terminando um curso de Enologia em Rioja. Durante o tour, falamos muito de enologia que é um tema que eu gosto muito.

A história desta vinícola começa no século XIX. Em 1889, Joaquim Martinez Bujunda fundou em Oyon, uma pequena vinícola. Nos anos seguintes, as gerações que vieram deram sequência à produção de vinhos.
Em 1982, Jesus Martinez Bunjunda, já na 4ª geração, aproveitando o crescimento do mercado de vinhos e sua visão de negócios, adquiriu novos vinhedos e fez a empresa se desenvolver.

A partir de 2008, os filhos Ana e Jesus Martinez Bujunda se incorporaram à empresa e iniciaram novos projetos.

  Barricas de vinhos CrianzaBarricas separadas por regiões e vinhedos

A Visita e o Tour

Nossa visita foi à sede principal, onde estão as instalações industriais, o salão dos barris de carvalho, as garrafas em estágios, e a loja. Já de saída, fiquei surpreendido com a limpeza e a organização de todos os ambientes. É de chamar a atenção.
É uma das exigências do proprietário, limpeza total.

  Garrafas em estágio na Conde ValdemarDegustando vinhos com Ruth Assumpção e Francisco Fraguas

Tours para Pessoas Especiais

Conde Valdemar oferece tours para pessoas com necessidades especiais, como cadeirantes e cegos. Para estes tours, foram desenvolvidos materiais específicos, como tabelas de aromas em braile. Francisco fez uma demonstração do tour oferecido aos cegos, mostrando como através do toque e do teste de aromas eles usufruem.

Fizemos duas degustações, a primeira durante o tour e a segunda na loja.
 

Os Vinhos da Conde Valdemar

Sob a marca Conde Valdemar, produzem a classificação Crianza, Reserva e Gran Reserva, com as uvas Tempranillo, Garnacha e Graciano. Tempranillo sempre dominante, com mais de 85%. Ficam estagiando nos barris de carvalho 13 meses, 27 meses e 30 meses, respectivamente.

Um outra linha importante é a Conde Valdemar Magnun, também Crianza, Reserva e Gran Reserva. Também a Tempranillo, com mais de 80%, e em quantidade menor Graciano e Maturana. Estagiam em barris de carvalho 13 meses, 26 meses e 30 meses.
Produzem 500.000 garrafas por ano.

Se em sua programação de viagem tiverem tempo e puderem incluir a Conde Valdemar, vai valer a pena. É muito bonita, bem organizada, ótimos vinhos e atendem muito bem.
É preciso fazer reserva antecipada.

  Com Marisa Alonso, Ruth Assumpção e Francisco Fraguas na Conde Valdemar

Nestas viagens é sempre uma ótima oportunidade para comprar vinhos a preços muito bons, comparados com os do Brasil.
Eu sempre levo pelo menos uma garrafa de cada vinícola que visito, de preferência o melhor vinho. Comprar estes vinhos no Brasil seria quase proibitivo.


PROGRAMAÇÃO DA VIAGEM

A melhor maneira de vir para a região de Rioja é por Madri.
Recomendo alugar um carro e guiar em direção a Logroño, capital da província de La Rioja, ou Haro, a cidade histórica. As vinícolas e os vinhedos estão em sua maioria nesta região.

Logroño é uma cidade de porte médio, com boa opções de hotéis, lojas e restaurantes. Haro é bem menor, com menos opções de restaurantes, lojas, mas com um ótimo hotel, Los Agustinos.
Agência de Turismo pode também recomendar ou reservar o hotel.
Nós optamos por ficar em Haro, no Hotel Los Agustinos e de lá, pela manhã, saíamos para as visitas.

A guia nos apanhava em seu próprio carro às 10 horas e voltávamos no fim da tarde. O almoço estava dentro da programação das visitas.
 

Cidades Importantes Próximas

Logroño e Haro ficam relativamente próximas de várias cidades interessantes, como Bilbao, S.Sebastian, Burgos, Valladolid, Ávila, Pamplona e Biarritz, no sul da França.

Com tempo e de carro, dá para incluir algumas destas cidades em seus roteiros. Pelo site do Guia Michelin você pode ter uma ideia de distância e tempo.
 

CIDADES MEDIEVAIS – E O CAMINHO DE SANTIAGO DE COMPOSTELA

Como sempre faço em minhas viagens para regiões vinícolas, aproveito para conhecer lugares e pequenas cidades ou vilas que tenham alguma história, ou que são simplesmente bonitas.
Há duas cidades medievais muito próximas de Haro que valem a pena visitar, San Millan de La Cogolla e Santo Domingo de La Calzada.
Ambas fazem parte do Caminho de Santiago de Compostela.

É impressionante o número de peregrinos, de todas as idades, com seus cajados, caminhando entre estas duas cidades.

Como estas duas cidades são muito próximas, saindo logo cedo do hotel, é possível visitá-las em meio dia. Se tiver mais tempo, eu diria que um dia inteiro seria o ideal.
 

SAN MILLAN DE LA COGOLLA

São dois monastérios da Ordem dos Agostinianos Recoletos. O mais antigo chamado de Suso, que fica em cima da montanha. E o mais novo, do século VI, chamado de Yuso, em baixo, no centro da cidade. Ambos são considerados Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.

Segundo a tradição, foi o berço do castelhano, a língua espanhola que é falada hoje na Espanha.
No convento, estão os documentos com os primeiros registros escritos em castelhano. Na região, hoje, falam também o basco.

San Millan ou Santo Emiliano foi um eremita que viveu nas montanhas e que pregava a fé cristã. Após alguns milagres a ele atribuídos, uma comunidade foi sendo instalada a seu redor.

A Ordem dos Agostinianos Recoletos construiu um pequeno convento no alto da montanha no século I. No século VI, o Rei de Navarra mandou construir um grande convento para abrigar os restos mortais de San Millan.

A principal visita é ao Convento Yuso, no centro da cidade. São dois tours pela manhã, e dois na parte da tarde. Como o convento está habitado pelos religiosos, os tours são rigorosos nos horários. As instalações internas do convento são muito bonitas.
Há uma coleção de Hinários, do século XV, que eram utilizados para os cânticos religiosos.
Em uma capela está a urna com os restos mortais de San Millan.

É possível visitar o Convento Suso, na montanha. Alguns sobem caminhando. Mas a atração maior é mesmo o Convento de baixo, Yuso.

  Interior e exterior do Convento de San Millan

SANTO DOMINGO DE LA CALZADA

Com um centro histórico totalmente preservado é a cidade que recebe os peregrinos que se destinam a Santiago de Compostella, vindos da França, Alemanha, Aústria e outros países do norte e leste europeu.
De lá, os peregrinos seguem uma única rota, de aproximadamente 600 quilômetros. São cerca de 25 dias de caminhada.

A cidade possui vários pequenos hotéis, hospedarias e albergues. Tudo muito simples, sem qualquer sofisticação. É considerado um santuário cristão-católico.

Domingo Garcia foi um ermitão que se instalou às margens do pequeno Rio Oja, e que passou a dar assistência aos peregrinos que passavam pela região.
Com o tempo, construiu uma ponte rústica de madeira sobre o rio, um pequeno hospital para assistir os que chegavam enfermos na viagem, e uma pequena igreja.
Para facilitar a caminhada dos peregrinos, restaurou parte da estrada e das calçadas romanas.

Daí o nome Santo Domingo de La Calzada. Em 1106, fundou a Casa da Confraria do Santo que existe até hoje. Morreu em 1109 com 90 anos.
Em 1158, iniciaram a construção da Catedral em sua homenagem, onde está sepultado.

 Rua e interior da catedral de Santo Domingo  

 Albergue dos Peregrinos e o símbolo do Caminho de Santiago de Compostela

A Lenda do Galo e da Galinha

Diz a lenda que um casal de peregrinos alemães hospedou-se com seu filho na cidade. A filha do dono da hospedaria se apaixonou pelo rapaz. Como não foi correspondida, com ódio, colocou uma taça de prata nos pertences do rapaz. Descoberto, foi preso, julgado e enforcado.

Os pais muito tristes oraram e pediram a Santo Domingo por um milagre. Seguiram viagem a Santiago de Compostela e na volta decidiram passar pelo local do enforcamento. Encontraram o filho vivo. Correram para contar para o Juiz da cidade.
O Juiz estava almoçando e respondeu: “Ele está vivo como este galo e galinha assados aqui no meu prato!”. Neste momento, o galo e a galinha saíram voando.

Dentro da catedral em frente ao mausoléu de Santo Domingo há um galinheiro, em uma linda arquitetura gótica, com um galo e uma galinha de verdade. É uma atração à parte.
A catedral é muito bonita e grandiosa para o tamanho da cidade.
Anexo há um pequeno, mas muito bonito museu com objetos, obras e quadros sacros.

  
  Galinheiro na Catedral em Santo Domingo e o Caminho de Santiago de Compostela

A região de Rioja não é muito visitada por brasileiros.
Em nossas visitas não encontramos ninguém falando Português.
O foco das exportações dos vinhos são para os mercados da Inglaterra, EUA, México, Alemanha e outros países. Mas há bons vinhos de Rioja no Brasil.

Se puder, em uma viagem à Europa, combinar com uma passagem pela região vinícola de Rioja, você vai com certeza se surpreender. É muito linda!

Se desejar alguma dica ou sugestão extra, por favor, contate-me pelo e-mail:
miltonassumpcao@terra.com.br

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por Milton Assumpção em  05/04/2018  às 17h47

VALE DE ACONCÁGUA, VALE DE CASABLANCA, E PABLO NERUDA, CHILE

Nesta minha viagem ao Chile em Fevereiro de 2018, programei visitar vinícolas nas regiões do Vale do Rio Aconcágua, Vale de Casablanca, e a casa do poeta Pablo Neruda em Isla Negra.
Na maioria das vezes, os turistas do Brasil que vão ao Chile, visitam as vinícolas no Vale do Rio Maipo, praticamente dentro de Santiago.
Além de serem mais conhecidas, como Concha y Toro, De Martino, Santa Rita, Viña Carmem, Undurraga, são mais próximas e recebem mais atenção das agências de turismo.
Há uma oferta grande de tours regulares para esta região.

Alguns turistas brasileiros visitam também o Vale de Colchágua.
A cidade de Santa Cruz está a cerca de três horas ao sul de Santiago.
Ali estão a Lapostole, Montes, Viu Manent, Santa Cruz e Los Vascos.
No caminho, em San Fernando está a Casa Silva, muito bonita e com ótimos vinhos.

 Vinhedos nos Vales de Aconcágua e Casablanca


VALE DO RIO ACONCÁGUA

O nome não tem nada a ver com a maior montanha das Américas, o Aconcágua.
Está relacionado com um pequeno rio que corre pelo vale e serve de referência para o local.
Fica a 60 minutos a noroeste de Santiago, na direção da rodovia internacional que vai para Mendoza na Argentina.
É uma região de pequenas cidades, vilarejos, com estradas vicinais, com pouco tráfego de veículos.
Em todo o vale há vinícolas grandes, pequenas e familiares.

A produção de vinho nesta região representa cerca de 3% do total produzido no Chile.
Vale lembrar que a Concha y Toro, sozinha, representa 75% do total.

 Vinhedos no Vale de Aconcágua


Terroirs e Castas

Pelo vale, além do rio, correm alguns riachos provenientes de águas do desgelo.
No verão, o rio Aconcágua é mais caudaloso, mesmo assim, a região é muito seca.
Chove muito pouco e a irrigação dos vinhedos é feita por gotejamento.
São mangueiras de plásticos, com pequenos furos, que vão gotejando água diretamente no pé das cepas. O solo de todo o vale é de argila e pedras.
A amplitude térmica é grande, pode chegar a 28 graus de dia e cair para 5 graus à noite.
Como não há nuvens no céu para segurar o calor, à noite esfria bastante.

A colheita começa no fim do mês de Fevereiro e vai até o fim de Abril.
Produzem vinhos tintos monocasta e blends com várias uvas, mas as mais determinantes são a Syrah, Pinot Noir, Cabernet Franc, Merlot e Cabernet Sauvignon.
Os vinhos brancos são produzidos principalmente com Chardonnay e Sauvignon Blanc.
Aqui também, como o terroir não é tão determinante, estão sempre plantando e fazendo experiências de vinhos com várias castas.


A Uva Carménère

A uva Carménère, muito utilizada no Maipo e Colchágua, tem sido bastante utilizada no Vale de Aconcágua, também.
A Carménère segundo os estudiosos é originária de Bordeaux, mais precisamente da região do Medoc. No entanto há controvérsias principalmente pelas suas características.
Carménère produz bem em solo seco, com pouca umidade e muito sol.
Totalmente o oposto do Medoc, próximo do mar, dos rios Garone e Dordogne, onde há muita umidade e, relativamente, pouco sol.
É uma uva que pode ter se desenvolvido na Itália, Espanha ou Portugal.
Acredita-se que foram os Romanos que a introduziram na região de Bordeaux.
É de colheita tardia. Seu nome vem de Carmin, porque no Outono suas folhas ganham tons avermelhados.
Além da maturação tardia, comparada à uva Merlot, a cor avermelhada das folhas no Outono, também chamou a atenção do ampelógrafo Jean-Michel Boursiquot, para redescobrir a Carménère na Viña Carmen no Chile, em 1994.

 Cepas de uva Carménère

Hospedagem em Santiago

Já me hospedei em Santiago, em três regiões. No centro da cidade, no Hotel Mercure.
Esta região é bem movimentada, e não há lojas ou restaurantes de bons níveis no entorno.
Depois, hospedei-me no Hotel W, em Las Condes. A região é nível classe média alta, com lojas de marcas e muitos bons restaurantes. O hotel é também de alto nível.
Em Las Condes ha vários outros hotéis de cadeias internacionais.

Desta vez, optei pelo Hotel Solace no bairro da Providência.
Foi ótima surpresa, rua tranquila, atendimento muito bom. Muito próximo da Avenida Providência, onde estão as principais lojas e restaurantes do bairro, tipo classe média/média alta.
Há várias opções de bons hotéis nesta região.


Programação de visita às vinícolas

Minha intenção era visitar três vinícolas por dia, e almoçar em uma delas. O ideal era que as visitas fossem privadas para colher mais informações para o blog. Como sempre faço, contratei uma agência local especializada, Seasons Travel Spa, que fez todas as reservas e marcações.

O atendimento desta agência foi muito bom, Cristiane Ortiz de Oliveira, que nos atendeu o tempo todo, foi tremendamente prestativa.
Solicitei também um guia com conhecimentos em história, para que durante o tempo que estivéssemos juntos, pudéssemos conversar à vontade.
Leonardo Castro conhece tudo de história, vinícolas, muito simpático e ótimo papo.
Este tipo de programação custa mais caro, mas estava dentro dos meus objetivos.

Você pode contratar tours para visitar as vinícolas em grupos.
Neste caso, a escolha das vinícolas é de responsabilidade da agência.
Eles vão programar vinícolas reconhecidas, com um atendimento profissional de alto nível e de vinhos de ótimas qualidades. A grande maioria dos visitantes faz visitas em grupos.

No Chile, o turismo é de alto nível e, independentemente, da escolha dos tours ou agências, com certeza, você será muito bem atendido.


Visita às Vinícolas

No primeiro dia, programamos visitar a região do Vale do Rio Aconcágua.
Em Fevereiro, os vinhedos estão com muitas folhas e cachos de uvas, quase prontos para serem colhidos.


Viña Errazuriz

Em 1870, Don Maximiano Errazuriz fundou em Panquehue, a Viña Errazuriz.
Neste período, a maioria das vinícolas estava concentrada no Vale do Rio Maipo, nos arredores de Santiago. Don Maximiano preferiu o Vale de Aconcágua, pois, segundo ele, o terroir desta região era mais propício e adequado aos vinhedos.
Através do tempo a Errazuriz consolidou-se através das administrações de seus descendentes.

Alguns deles adquiriram projeções políticas importantes no Chile, inclusive um Presidente da República, Eduardo Chadwick. O nome de família foi mudando através das gerações porque, em duas delas, os patriarcas só tiveram filhas mulheres, não preservando o sobrenome dos pais.

Fica a aproximadamente 100 quilômetros a noroeste de Santiago.
O paisagismo é muito bonito. Há um edifício central para receber os turistas, onde são realizadas as degustações. Ali perto em um outro edifício, está a área industrial e os barris de carvalho.

 Vinícola Errazuriz no Vale do Aconcágua

O tour é tradicional. A guia conta a história da vinícola, um passeio pelos edifícios e depois a degustação. Há um restaurante para almoços, mas só atendem grupos com reserva antecipada.
Para visitar é desejável que se faça reserva com antecedência. Há horários específicos para os tours.

Errazuriz é sem dúvida a mais importante vinícola do Vale do Rio Aconcágua.
Produz ótimos vinhos tintos, com as uvas Cabernet Sauvignon, Carménère, Shiraz e Pinot Noir.
Os brancos com Chardonnay e Sauvignon Blanc.
Esta é uma vinícola obrigatória de se visitar no Vale do rio Aconcágua.

 Vinícola Errazuriz no Vale do Aconcágua


El Escorial

Originariamente era uma fazenda de propriedade do espanhol Santiago Carey Spinoza, com uma área grande de terras, com diversas culturas.
Até 2009, a atividade principal era a produção de mudas enxertadas de uvas.
A partir de 2010, sua filha e o genro resolveram recuperar a tradição do pai, e iniciaram uma produção regular de vinhos.

Reformaram as instalações e criaram um espaço para receber visitantes. A casa principal da fazenda passou a ser a sede da vinícola. É uma vinícola familiar, pequena, com produção limitada.
Para visitar é ideal que se marque a visita com antecedência, mas atendem quem chegar.

 Vinícola El Escorial no Vale do Aconcágua


O tour é o tradicional, ou seja, a história da vinícola, um passeio por um viveiro de castas a área industrial, as barricas de carvalho e a degustação. O guia Fernando Bahamóndez é muito simpático e torna o tour muito agradável.

Eles oferecem almoço com harmonização dos vinhos. Você pode escolher o cardápio quando da reserva. Há também degustações com tira-gostos. Tudo muito simples e rústico.

Quando da nossa visita, pudemos conhecer o agrônomo responsável pelos vinhedos e também pela enologia, Ítalo Montenegro. Foi muito importante para saber sobre o terroir de toda a região e das castas que melhor se adaptaram.
Sempre que viajo procuro conhecer as grandes vinícolas e também as pequenas e familiares.
Muitas vezes, o atendimento nestas menores é mais coloquial e interessante.

 Vinhedos na El Escorial no Vale do Aconcágua Com o guia Fernando Bahámondez e o enólogo Ítalo Montenegro


Sanchez de Loria

Fica muito próxima da El Escorial. Também pequena e familiar. Fundada em 1890, a vinícola está sob controle da família Sanchez de Loria até hoje. O lugar é simples e muito arborizado.
As instalações são antigas, e na apresentação da vinícola valorizam o fato do vinho ser produzido à moda antiga.

A prensa das uvas é mecânica. Não há tanques de inox. A fermentação é feita em antigos e grandes barris de carvalho. Os barris pequenos, utilizados para fermentar e envelhecer os vinhos, são também antigos, de muitos usos. Mesmo assim, produzem um vinho de muito bom sabor, preço e qualidade.

Fomos recepcionados por um dos proprietários, Felipe Cruz Sanchez, que fez uma apresentação da vinícola. Em seguida, fizemos um tour pelos vinhedos.

 Equipamentos e instalações antigas na Vinícola Sanchez de Loria

Juan Manoel Arancibia Araos, funcionário que nos conduziu no tour, foi bastante objetivo em suas explanações e respondeu a todas as perguntas que formulei de terroir, castas, umidade, sol e produção. Quando perguntei se era agrônomo ou enólogo, respondeu que não possuía nenhuma formação universitária.
— Aqui eu faço o que me pedem! Eu cuido dos vinhedos, das podas, da vindima, da produção, do engarrafamento, só não faço as vendas!

A produção maior é de vinhos tintos com Cabernet Sauvignon, e brancos com Sauvignon Blanc. No entorno das instalações, há um grande viveiro de castas, para utilização de produções experimentais de vinhos. Há cepas de Cabernet Sauvignon, Merlot, Sirah, Carménère, Malbec entre outras.

Mais ao fundo, um enorme parreiral de uvas brancas para comer.
As uvas ficam totalmente na sombra e não podem receber raios do sol, para não amarelar. Para vendas e exportação, as uvas nos cachos têm de ter obrigatoriamente a cor verde.
O cacho quando brota tem aproximadamente 400 uvas. É feita uma poda para deixar somente 120 uvas. Com isto, as uvas crescem e ficam em um tamanho ideal para venda. Este trabalho é feito manualmente por um profissional que ganha por cacho podado. Ele consegue podar, por dia, 300 cachos de uva.

Apesar da reserva de origem controlada do vinho do Porto, em Portugal, eles produzem um vinho licoroso, com Cabernet Sauvignon, e que no catálogo aparece como Oporto.
É um vinho licoroso normal, saboroso, mas um pouco distante do verdadeiro Porto.

 Com Felipe Cruz Sanchez, um dos proprietários  

 Com Juan Manoel Arancibia Araos

Viña San Esteban

É uma das importantes vinícolas do Vale de Aconcágua e deve fazer parte de sua programação de visitas. Seus vinhedos ocupam um grande espaço já no entorno da sede principal, e vai até a beira do rio Aconcágua.

Uma das atrações é o Parque Arqueológico Paidahuén. É um sitio arqueológico com inscrições e desenhos nas pedras, feitos por antigos nativos. Os símbolos não foram decifrados, mas acreditam terem sido feitos por povos ligados à civilização Inca.

 Vinhedos na vinícola San Esteban Parque Arqueológico Paidahuén

Interessante desta vinícola, é a variedade de terroirs com vinhedos plantados às margens do rio Aconcágua e em cima dos morros. O solo além da argila e pedra, é também arenoso.
Por estarem mais perto da Cordilheira dos Andes, recebem mais frescor, e umidade, principalmente nas noites. A amplitude térmica favorece o desenvolvimento de uvas de ótima qualidade para os vinhos.

Fomos muito bem recebidos e conduzidos pela Angelina Morelli, responsável pela recepção dos visitantes. Passeamos pelos vinhedos, pelas instalações industriais, galpão das barricas de carvalho e por último a degustação. Nas paredes, há cerca de 100 quadros com diplomas e premiações de seus vinhos em diversos eventos e países.

A marca do vinho é bem conhecida e original, IN SITU. Chamou muito minha atenção o bom gosto dos rótulos. São muito bonitos e atraentes.

Produzem diversos vinhos tintos e brancos com as uvas Syrah, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Pinot Noir, Petit Verdot, Sangiovese, Malbec, Chardonnay e Sauvignon Blanc. As principais linhas de vinhos são as premiadas Signature Wines, Private Collection, QV e Laguna del Inca.

Os tours de Santiago para a região do Vale de Aconcágua não são diários. Há de conferir com sua agência a programação. Geralmente visitam a Errazuriz e mais duas outras vinícolas.
Vale a pena colocar esta região em sua programação.

 Com Angelina Morelli na vinícola San Esteban 


VALE DE CASABLANCA

Fica a cerca de 90 quilômetros de Santiago, pela Rota 68, em direção a Valparaiso. É um vale relativamente pequeno, cercado pelas colinas da Cordilheira da Costa e o Oceano Pacífico.
O terroir é bem interessante e diferente.

Pelo fato de estar a cerca de 20 quilômetros do mar, sofre influência dos ventos que trazem umidade e maresia. Dependendo da época do ano, os ventos são muitos frios e podem causar o congelamento dos cachos de uva. A amplitude térmica varia muito.
Não possui nenhum rio ou riachos importantes. A irrigação é feita por gotejamento de água obtida através de poços artesianos.
Na maioria das manhãs, o vale é coberto por uma neblina trazida do mar, conhecida como vaguada costera, que tem a função de trazer a umidade para toda a região.

A Rota 68 entra no Vale de Casablanca através de um túnel.
É surpreendente, depois de vir pela estrada com o sol brilhando forte, ao atravessar o túnel se deparar com uma névoa, densa, compacta, que impede a visão da paisagem.
Esta nevoa se esvai perto do meio dia, deixando o vale ensolarado.
O solo é de argila, pedra e areia, propício para castas brancas.

 Grande loja de produtos no Vale de Casablanca Don Elias Figueroa, agora produtor de vinhos

Historicamente foi uma região muito ocupada pelos conquistadores espanhóis no passado.
Era uma posição estratégica entre Santiago e o Porto de Valparaiso.
É uma região muito nova na produção de vinhos.
Diferente do Vale de Aconcágua, além de alguns produtores pequenos e familiares, aqui estão as vinícolas grandes e internacionais.

O Enoturismo é profissionalizado. A maioria das vinícolas está preparada para receber muitos turistas. Muitas possuem restaurantes e espaços dedicados a quem deseja simplesmente tomar vinho, saborear alguns tira-gostos e jogar conversa fora.


Visita às Vinícolas

Quando da programação, solicitei que a agência marcasse visitas a três vinícolas, com almoço em uma delas. A agência nos informou que as visitas seriam feitas junto com grupos, ou seja, sem muitas condições de se fazer perguntas mais específicas.

Casas del Bosque

Imponente, impressiona já na entrada, com uma alameda rodeada de árvores. Fundada em 1993 pela Família Cúneo, originários de Rapallo na Itália. Em 2012, introduziram um Enoturismo de alta qualidade, com atendimento profissional e um ótimo e espaçoso restaurante.
Há tours em Espanhol e Inglês saindo de tempos em tempos, e não é necessário reservar com antecedência.

 Vinícola Casas de Bosque, vinhedos de Pinot Noir e o restaurante


Nós entramos em um grupo em língua espanhola. Antes do nosso tour saíram dois grupos em Inglês, sendo um deles fechado para uma agência.
Os tours saem com dez minutos de diferença para não acumular no trajeto. Os guias usam uma linguagem padrão, dentro de um roteiro pré-estabelecido, com uma ou outra tirada engraçada.
O especial neste tour é que no início levam os visitantes a um deck com uma visão muito bonita sobre um vinhedo de Pinot Noir.

No meio do vinhedo, há vários postes com enormes ventiladores no topo. A finalidade é proteger os vinhedos em noites de geada. O vento frio do Oceano Pacífico, no Inverno, pode congelar os cachos de uva. O resto do tour é igual aos outros.

Apesar de ser uma região propícia aos vinhos brancos, estão produzindo ótimos tintos, com as uvas Pinot Noir, Syrah, Carménère e Cabernet Sauvignon. As uvas brancas mais usadas são a Sauvignon Blanc, Chardonnay e Riesling. O espumante é produzido com Chardonnay e Pinot Noir, um ótimo blend.

 Tour de visitação na Casas del Bosque


Viña MATETIC

Como a maioria das outras vinícolas de Casablanca, apesar da Família Matetic ter chegado ao Chile, vinda da Croácia em 1892, somente em 1999, a 4ª geração iniciou a produção e comercialização do vinho. Foram os pioneiros na plantação e utilização da uva Syrah no Chile.

Em 2004, decidiram investir forte em Enoturismo com um projeto de arquitetura supermoderno, incluindo o processamento da produção pelo método gravitacional. São três níveis da entrada das uvas até o armazenamento nas barricas. Possuem vinhedos em quatro regiões.

Os mais importantes estão nos Vale de Rosário e Santo Antonio, ao sul de Casablanca, a 13 quilômetros do mar. O terroir é bem especial. O solo é arenoso, com uma ótima drenagem. É pobre em nutrientes, mas rico em minerais.

Na entrada da propriedade, há um hotel/agroturismo, com um restaurante de nível internacional. Foi o local que a agência escolheu para almoçarmos, e bem.

As marcas mais importantes de seus vinhos são Corralillo ( muito conhecida dos chilenos) EQ e Matetic. As uvas para os tintos são Pinot Noir, Carménère e Cabernet Sauvignon. As brancas Sauvignon Blanc e Chardonnay.                              

 Vinhedos na vinícola Matetic
  

 Tour e degustação na vinícola Matetic


Viña INDÓMITA

Fica no alto do morro e pode ser vista da Rodovia 68 que vai em direção a Valparaiso. Pertence ao Grupo Familia Bethia desde 2006. Aqui o Enoturismo é o grande negócio.
O tempo todo está cheia de turistas, grupos e muita agitação. Pessoas circulando por todos os lados.

Há uma grande varanda com vista para o vale, com mesas, poltronas e cadeiras, para que o turista possa beber vinho e comer sanduíches e tira-gostos.

 Espaço para curtição dos turistas Vinhedos na Indômita

Muitos visitantes vão à Indómita para curtir como se fosse um “point”. O tour é o mais simples e fraco de todos. O objetivo mesmo é vender vinhos, artesanato e artefatos ligados à cultura vinífera.
Do lado de fora, em frente ao prédio, há um vinhedo de uva Merlot, que vale a pena visitar. Não precisa de guia, pode ir por conta própria.

A maioria de seus vinhos são produzidos com Cabernet Sauvignon, Carménère, Merlot e Pinot Noir, Chardonnay e Sauvignon Blanc.

A visita à esta vinícola é ideal para turistas que gostam de curtição, agitação e estão mais interessados em beber vinho, comer alguns tira-gostos e jogar conversa fora.

Além destas três grandes vinícolas que visitei, recomendo  Loma Larga e Bodegas Re. São muito bonitas e o atendimento é mais personalizado.

 Vinhedos de Merlot na Indômita


PABLO NERUDA – Isla Negra

Além dos dois dias que reservei para visitar vinícolas, programei um dia inteiro para conhecer Viña de Mar, Valparaiso e a casa de Pablo Neruda em Isla Negra.

Viña del Mar lembra muito o Guarujá em São Paulo, ou Camboriú em Santa Catarina. É um balneário à beira do Pacífico, com várias Faculdades, que torna a cidade também universitária. Há vários hotéis, restaurantes, lojas, muitos prédios residenciais e de veraneio, muito bonitos.

Como curiosidade, foi a sede dos três primeiros jogos do Brasil na Copa do Mundo de 1962. O Brasil sagrou-se Campeão do Mundo, vencendo a Checoslováquia por 3x1 no jogo final em Santiago. Esta Copa é conhecida como a Copa do Garrincha.

Valparaíso tem uma história importante. O nome foi dado em 1536, pelo navegador espanhol Diego de Almagro, mas foi o Governador do Chile, Pedro de Valdívia que em 1544, mandou construir o porto de Valparaiso.
Pedro de Valdívia é considerado também o fundador da cidade de Santiago. Durante 370 anos foi importante para reabastecimento dos navios que atravessavam o Estreito de Magalhães, ligando Oceano Atlântico e o Pacífico. Neste período, a cidade floresceu com edifícios imponentes, bairros e residências suntuosas.
Para a elite de Santiago era importante ter uma residência de veraneio em Valparaiso.

Foi por este porto que entraram as primeiras mudas de uvas trazidas pelos novos ricos voltando da Europa, no fim século XIX. Com a construção do Canal do Panamá em 1914, a cidade entrou em decadência. O porto continua funcionando, mas já não tem o movimento de antigamente.
A cidade tem hoje cerca de 300.000 habitantes.
 

PABLO NERUDA (12/07/1904 – 23/09/1973) – Isla Negra

Indo à Viña del Mar ou Valparaiso, uma das atrações é visitar a casa do poeta Pablo Neruda em Isla Negra, um pequeno povoado à beira-mar. Neruda, poeta chileno, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1971. Foi Adido Cultural na Europa no Governo de Salvador Allende.
É considerado um dos maiores poetas e escritores latino-americanos do século XX.

Pablo Neruda (1904-1973)

A casa onde vivia e onde escreveu muito da sua obra, fica de frente para o mar. É uma casa simples, térrea, com diversas salas, cada uma decorada com um tema. Muitos deles relacionados ao mar.
O tour é feito em grupos, para não haver um acúmulo de pessoas nas dependências.
Não há guias, cada visitante recebe um headphone no início do tour. É proibido fotografar.
A visita começa às 10 horas, e recomendo chegar cedo, antes dos tours das agências.

Chamou a atenção que na narrativa gravada nos headphones em nenhum momento falam onde ele e sua última esposa estão enterrados. Ele pediu que, quando morresse, fosse enterrado em uma cova simples, discreta sem identificação.

Ao terminar o trajeto dentro da casa, o visitante sai de frente para o mar em uma sacada que parece a proa de um navio. No meio há uma pedra grande e preta sobre um canteiro de flores. Aí está o túmulo de Neruda.

Eu notei que as pessoas passam ao lado do canteiro de flores, tiram fotos da paisagem e não se dão conta disto. Preferi atender à recomendação do poeta, e reverenciei-o discretamente.

Casa de Neruda em Isla Negra e seu túmulo

  Casa de Neruda em Valparaiso

Se desejar alguma dica ou sugestão extra, por favor, contate-me pelo e-mail:
miltonassumpcao@terra.com.br

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