por Milton Assumpção em  05/04/2018  às 17h47

VALE DE ACONCÁGUA, VALE DE CASABLANCA, E PABLO NERUDA, CHILE

Nesta minha viagem ao Chile em Fevereiro de 2018, programei visitar vinícolas nas regiões do Vale do Rio Aconcágua, Vale de Casablanca, e a casa do poeta Pablo Neruda em Isla Negra.
Na maioria das vezes, os turistas do Brasil que vão ao Chile, visitam as vinícolas no Vale do Rio Maipo, praticamente dentro de Santiago.
Além de serem mais conhecidas, como Concha y Toro, De Martino, Santa Rita, Viña Carmem, Undurraga, são mais próximas e recebem mais atenção das agências de turismo.
Há uma oferta grande de tours regulares para esta região.

Alguns turistas brasileiros visitam também o Vale de Colchágua.
A cidade de Santa Cruz está a cerca de três horas ao sul de Santiago.
Ali estão a Lapostole, Montes, Viu Manent, Santa Cruz e Los Vascos.
No caminho, em San Fernando está a Casa Silva, muito bonita e com ótimos vinhos.

 Vinhedos nos Vales de Aconcágua e Casablanca


VALE DO RIO ACONCÁGUA

O nome não tem nada a ver com a maior montanha das Américas, o Aconcágua.
Está relacionado com um pequeno rio que corre pelo vale e serve de referência para o local.
Fica a 60 minutos a noroeste de Santiago, na direção da rodovia internacional que vai para Mendoza na Argentina.
É uma região de pequenas cidades, vilarejos, com estradas vicinais, com pouco tráfego de veículos.
Em todo o vale há vinícolas grandes, pequenas e familiares.

A produção de vinho nesta região representa cerca de 3% do total produzido no Chile.
Vale lembrar que a Concha y Toro, sozinha, representa 75% do total.

 Vinhedos no Vale de Aconcágua


Terroirs e Castas

Pelo vale, além do rio, correm alguns riachos provenientes de águas do desgelo.
No verão, o rio Aconcágua é mais caudaloso, mesmo assim, a região é muito seca.
Chove muito pouco e a irrigação dos vinhedos é feita por gotejamento.
São mangueiras de plásticos, com pequenos furos, que vão gotejando água diretamente no pé das cepas. O solo de todo o vale é de argila e pedras.
A amplitude térmica é grande, pode chegar a 28 graus de dia e cair para 5 graus à noite.
Como não há nuvens no céu para segurar o calor, à noite esfria bastante.

A colheita começa no fim do mês de Fevereiro e vai até o fim de Abril.
Produzem vinhos tintos monocasta e blends com várias uvas, mas as mais determinantes são a Syrah, Pinot Noir, Cabernet Franc, Merlot e Cabernet Sauvignon.
Os vinhos brancos são produzidos principalmente com Chardonnay e Sauvignon Blanc.
Aqui também, como o terroir não é tão determinante, estão sempre plantando e fazendo experiências de vinhos com várias castas.


A Uva Carménère

A uva Carménère, muito utilizada no Maipo e Colchágua, tem sido bastante utilizada no Vale de Aconcágua, também.
A Carménère segundo os estudiosos é originária de Bordeaux, mais precisamente da região do Medoc. No entanto há controvérsias principalmente pelas suas características.
Carménère produz bem em solo seco, com pouca umidade e muito sol.
Totalmente o oposto do Medoc, próximo do mar, dos rios Garone e Dordogne, onde há muita umidade e, relativamente, pouco sol.
É uma uva que pode ter se desenvolvido na Itália, Espanha ou Portugal.
Acredita-se que foram os Romanos que a introduziram na região de Bordeaux.
É de colheita tardia. Seu nome vem de Carmin, porque no Outono suas folhas ganham tons avermelhados.
Além da maturação tardia, comparada à uva Merlot, a cor avermelhada das folhas no Outono, também chamou a atenção do ampelógrafo Jean-Michel Boursiquot, para redescobrir a Carménère na Viña Carmen no Chile, em 1994.

 Cepas de uva Carménère

Hospedagem em Santiago

Já me hospedei em Santiago, em três regiões. No centro da cidade, no Hotel Mercure.
Esta região é bem movimentada, e não há lojas ou restaurantes de bons níveis no entorno.
Depois, hospedei-me no Hotel W, em Las Condes. A região é nível classe média alta, com lojas de marcas e muitos bons restaurantes. O hotel é também de alto nível.
Em Las Condes ha vários outros hotéis de cadeias internacionais.

Desta vez, optei pelo Hotel Solace no bairro da Providência.
Foi ótima surpresa, rua tranquila, atendimento muito bom. Muito próximo da Avenida Providência, onde estão as principais lojas e restaurantes do bairro, tipo classe média/média alta.
Há várias opções de bons hotéis nesta região.


Programação de visita às vinícolas

Minha intenção era visitar três vinícolas por dia, e almoçar em uma delas. O ideal era que as visitas fossem privadas para colher mais informações para o blog. Como sempre faço, contratei uma agência local especializada, Seasons Travel Spa, que fez todas as reservas e marcações.

O atendimento desta agência foi muito bom, Cristiane Ortiz de Oliveira, que nos atendeu o tempo todo, foi tremendamente prestativa.
Solicitei também um guia com conhecimentos em história, para que durante o tempo que estivéssemos juntos, pudéssemos conversar à vontade.
Leonardo Castro conhece tudo de história, vinícolas, muito simpático e ótimo papo.
Este tipo de programação custa mais caro, mas estava dentro dos meus objetivos.

Você pode contratar tours para visitar as vinícolas em grupos.
Neste caso, a escolha das vinícolas é de responsabilidade da agência.
Eles vão programar vinícolas reconhecidas, com um atendimento profissional de alto nível e de vinhos de ótimas qualidades. A grande maioria dos visitantes faz visitas em grupos.

No Chile, o turismo é de alto nível e, independentemente, da escolha dos tours ou agências, com certeza, você será muito bem atendido.


Visita às Vinícolas

No primeiro dia, programamos visitar a região do Vale do Rio Aconcágua.
Em Fevereiro, os vinhedos estão com muitas folhas e cachos de uvas, quase prontos para serem colhidos.


Viña Errazuriz

Em 1870, Don Maximiano Errazuriz fundou em Panquehue, a Viña Errazuriz.
Neste período, a maioria das vinícolas estava concentrada no Vale do Rio Maipo, nos arredores de Santiago. Don Maximiano preferiu o Vale de Aconcágua, pois, segundo ele, o terroir desta região era mais propício e adequado aos vinhedos.
Através do tempo a Errazuriz consolidou-se através das administrações de seus descendentes.

Alguns deles adquiriram projeções políticas importantes no Chile, inclusive um Presidente da República, Eduardo Chadwick. O nome de família foi mudando através das gerações porque, em duas delas, os patriarcas só tiveram filhas mulheres, não preservando o sobrenome dos pais.

Fica a aproximadamente 100 quilômetros a noroeste de Santiago.
O paisagismo é muito bonito. Há um edifício central para receber os turistas, onde são realizadas as degustações. Ali perto em um outro edifício, está a área industrial e os barris de carvalho.

 Vinícola Errazuriz no Vale do Aconcágua

O tour é tradicional. A guia conta a história da vinícola, um passeio pelos edifícios e depois a degustação. Há um restaurante para almoços, mas só atendem grupos com reserva antecipada.
Para visitar é desejável que se faça reserva com antecedência. Há horários específicos para os tours.

Errazuriz é sem dúvida a mais importante vinícola do Vale do Rio Aconcágua.
Produz ótimos vinhos tintos, com as uvas Cabernet Sauvignon, Carménère, Shiraz e Pinot Noir.
Os brancos com Chardonnay e Sauvignon Blanc.
Esta é uma vinícola obrigatória de se visitar no Vale do rio Aconcágua.

 Vinícola Errazuriz no Vale do Aconcágua


El Escorial

Originariamente era uma fazenda de propriedade do espanhol Santiago Carey Spinoza, com uma área grande de terras, com diversas culturas.
Até 2009, a atividade principal era a produção de mudas enxertadas de uvas.
A partir de 2010, sua filha e o genro resolveram recuperar a tradição do pai, e iniciaram uma produção regular de vinhos.

Reformaram as instalações e criaram um espaço para receber visitantes. A casa principal da fazenda passou a ser a sede da vinícola. É uma vinícola familiar, pequena, com produção limitada.
Para visitar é ideal que se marque a visita com antecedência, mas atendem quem chegar.

 Vinícola El Escorial no Vale do Aconcágua


O tour é o tradicional, ou seja, a história da vinícola, um passeio por um viveiro de castas a área industrial, as barricas de carvalho e a degustação. O guia Fernando Bahamóndez é muito simpático e torna o tour muito agradável.

Eles oferecem almoço com harmonização dos vinhos. Você pode escolher o cardápio quando da reserva. Há também degustações com tira-gostos. Tudo muito simples e rústico.

Quando da nossa visita, pudemos conhecer o agrônomo responsável pelos vinhedos e também pela enologia, Ítalo Montenegro. Foi muito importante para saber sobre o terroir de toda a região e das castas que melhor se adaptaram.
Sempre que viajo procuro conhecer as grandes vinícolas e também as pequenas e familiares.
Muitas vezes, o atendimento nestas menores é mais coloquial e interessante.

 Vinhedos na El Escorial no Vale do Aconcágua Com o guia Fernando Bahámondez e o enólogo Ítalo Montenegro


Sanchez de Loria

Fica muito próxima da El Escorial. Também pequena e familiar. Fundada em 1890, a vinícola está sob controle da família Sanchez de Loria até hoje. O lugar é simples e muito arborizado.
As instalações são antigas, e na apresentação da vinícola valorizam o fato do vinho ser produzido à moda antiga.

A prensa das uvas é mecânica. Não há tanques de inox. A fermentação é feita em antigos e grandes barris de carvalho. Os barris pequenos, utilizados para fermentar e envelhecer os vinhos, são também antigos, de muitos usos. Mesmo assim, produzem um vinho de muito bom sabor, preço e qualidade.

Fomos recepcionados por um dos proprietários, Felipe Cruz Sanchez, que fez uma apresentação da vinícola. Em seguida, fizemos um tour pelos vinhedos.

 Equipamentos e instalações antigas na Vinícola Sanchez de Loria

Juan Manoel Arancibia Araos, funcionário que nos conduziu no tour, foi bastante objetivo em suas explanações e respondeu a todas as perguntas que formulei de terroir, castas, umidade, sol e produção. Quando perguntei se era agrônomo ou enólogo, respondeu que não possuía nenhuma formação universitária.
— Aqui eu faço o que me pedem! Eu cuido dos vinhedos, das podas, da vindima, da produção, do engarrafamento, só não faço as vendas!

A produção maior é de vinhos tintos com Cabernet Sauvignon, e brancos com Sauvignon Blanc. No entorno das instalações, há um grande viveiro de castas, para utilização de produções experimentais de vinhos. Há cepas de Cabernet Sauvignon, Merlot, Sirah, Carménère, Malbec entre outras.

Mais ao fundo, um enorme parreiral de uvas brancas para comer.
As uvas ficam totalmente na sombra e não podem receber raios do sol, para não amarelar. Para vendas e exportação, as uvas nos cachos têm de ter obrigatoriamente a cor verde.
O cacho quando brota tem aproximadamente 400 uvas. É feita uma poda para deixar somente 120 uvas. Com isto, as uvas crescem e ficam em um tamanho ideal para venda. Este trabalho é feito manualmente por um profissional que ganha por cacho podado. Ele consegue podar, por dia, 300 cachos de uva.

Apesar da reserva de origem controlada do vinho do Porto, em Portugal, eles produzem um vinho licoroso, com Cabernet Sauvignon, e que no catálogo aparece como Oporto.
É um vinho licoroso normal, saboroso, mas um pouco distante do verdadeiro Porto.

 Com Felipe Cruz Sanchez, um dos proprietários  

 Com Juan Manoel Arancibia Araos

Viña San Esteban

É uma das importantes vinícolas do Vale de Aconcágua e deve fazer parte de sua programação de visitas. Seus vinhedos ocupam um grande espaço já no entorno da sede principal, e vai até a beira do rio Aconcágua.

Uma das atrações é o Parque Arqueológico Paidahuén. É um sitio arqueológico com inscrições e desenhos nas pedras, feitos por antigos nativos. Os símbolos não foram decifrados, mas acreditam terem sido feitos por povos ligados à civilização Inca.

 Vinhedos na vinícola San Esteban Parque Arqueológico Paidahuén

Interessante desta vinícola, é a variedade de terroirs com vinhedos plantados às margens do rio Aconcágua e em cima dos morros. O solo além da argila e pedra, é também arenoso.
Por estarem mais perto da Cordilheira dos Andes, recebem mais frescor, e umidade, principalmente nas noites. A amplitude térmica favorece o desenvolvimento de uvas de ótima qualidade para os vinhos.

Fomos muito bem recebidos e conduzidos pela Angelina Morelli, responsável pela recepção dos visitantes. Passeamos pelos vinhedos, pelas instalações industriais, galpão das barricas de carvalho e por último a degustação. Nas paredes, há cerca de 100 quadros com diplomas e premiações de seus vinhos em diversos eventos e países.

A marca do vinho é bem conhecida e original, IN SITU. Chamou muito minha atenção o bom gosto dos rótulos. São muito bonitos e atraentes.

Produzem diversos vinhos tintos e brancos com as uvas Syrah, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Pinot Noir, Petit Verdot, Sangiovese, Malbec, Chardonnay e Sauvignon Blanc. As principais linhas de vinhos são as premiadas Signature Wines, Private Collection, QV e Laguna del Inca.

Os tours de Santiago para a região do Vale de Aconcágua não são diários. Há de conferir com sua agência a programação. Geralmente visitam a Errazuriz e mais duas outras vinícolas.
Vale a pena colocar esta região em sua programação.

 Com Angelina Morelli na vinícola San Esteban 


VALE DE CASABLANCA

Fica a cerca de 90 quilômetros de Santiago, pela Rota 68, em direção a Valparaiso. É um vale relativamente pequeno, cercado pelas colinas da Cordilheira da Costa e o Oceano Pacífico.
O terroir é bem interessante e diferente.

Pelo fato de estar a cerca de 20 quilômetros do mar, sofre influência dos ventos que trazem umidade e maresia. Dependendo da época do ano, os ventos são muitos frios e podem causar o congelamento dos cachos de uva. A amplitude térmica varia muito.
Não possui nenhum rio ou riachos importantes. A irrigação é feita por gotejamento de água obtida através de poços artesianos.
Na maioria das manhãs, o vale é coberto por uma neblina trazida do mar, conhecida como vaguada costera, que tem a função de trazer a umidade para toda a região.

A Rota 68 entra no Vale de Casablanca através de um túnel.
É surpreendente, depois de vir pela estrada com o sol brilhando forte, ao atravessar o túnel se deparar com uma névoa, densa, compacta, que impede a visão da paisagem.
Esta nevoa se esvai perto do meio dia, deixando o vale ensolarado.
O solo é de argila, pedra e areia, propício para castas brancas.

 Grande loja de produtos no Vale de Casablanca Don Elias Figueroa, agora produtor de vinhos

Historicamente foi uma região muito ocupada pelos conquistadores espanhóis no passado.
Era uma posição estratégica entre Santiago e o Porto de Valparaiso.
É uma região muito nova na produção de vinhos.
Diferente do Vale de Aconcágua, além de alguns produtores pequenos e familiares, aqui estão as vinícolas grandes e internacionais.

O Enoturismo é profissionalizado. A maioria das vinícolas está preparada para receber muitos turistas. Muitas possuem restaurantes e espaços dedicados a quem deseja simplesmente tomar vinho, saborear alguns tira-gostos e jogar conversa fora.


Visita às Vinícolas

Quando da programação, solicitei que a agência marcasse visitas a três vinícolas, com almoço em uma delas. A agência nos informou que as visitas seriam feitas junto com grupos, ou seja, sem muitas condições de se fazer perguntas mais específicas.

Casas del Bosque

Imponente, impressiona já na entrada, com uma alameda rodeada de árvores. Fundada em 1993 pela Família Cúneo, originários de Rapallo na Itália. Em 2012, introduziram um Enoturismo de alta qualidade, com atendimento profissional e um ótimo e espaçoso restaurante.
Há tours em Espanhol e Inglês saindo de tempos em tempos, e não é necessário reservar com antecedência.

 Vinícola Casas de Bosque, vinhedos de Pinot Noir e o restaurante


Nós entramos em um grupo em língua espanhola. Antes do nosso tour saíram dois grupos em Inglês, sendo um deles fechado para uma agência.
Os tours saem com dez minutos de diferença para não acumular no trajeto. Os guias usam uma linguagem padrão, dentro de um roteiro pré-estabelecido, com uma ou outra tirada engraçada.
O especial neste tour é que no início levam os visitantes a um deck com uma visão muito bonita sobre um vinhedo de Pinot Noir.

No meio do vinhedo, há vários postes com enormes ventiladores no topo. A finalidade é proteger os vinhedos em noites de geada. O vento frio do Oceano Pacífico, no Inverno, pode congelar os cachos de uva. O resto do tour é igual aos outros.

Apesar de ser uma região propícia aos vinhos brancos, estão produzindo ótimos tintos, com as uvas Pinot Noir, Syrah, Carménère e Cabernet Sauvignon. As uvas brancas mais usadas são a Sauvignon Blanc, Chardonnay e Riesling. O espumante é produzido com Chardonnay e Pinot Noir, um ótimo blend.

 Tour de visitação na Casas del Bosque


Viña MATETIC

Como a maioria das outras vinícolas de Casablanca, apesar da Família Matetic ter chegado ao Chile, vinda da Croácia em 1892, somente em 1999, a 4ª geração iniciou a produção e comercialização do vinho. Foram os pioneiros na plantação e utilização da uva Syrah no Chile.

Em 2004, decidiram investir forte em Enoturismo com um projeto de arquitetura supermoderno, incluindo o processamento da produção pelo método gravitacional. São três níveis da entrada das uvas até o armazenamento nas barricas. Possuem vinhedos em quatro regiões.

Os mais importantes estão nos Vale de Rosário e Santo Antonio, ao sul de Casablanca, a 13 quilômetros do mar. O terroir é bem especial. O solo é arenoso, com uma ótima drenagem. É pobre em nutrientes, mas rico em minerais.

Na entrada da propriedade, há um hotel/agroturismo, com um restaurante de nível internacional. Foi o local que a agência escolheu para almoçarmos, e bem.

As marcas mais importantes de seus vinhos são Corralillo ( muito conhecida dos chilenos) EQ e Matetic. As uvas para os tintos são Pinot Noir, Carménère e Cabernet Sauvignon. As brancas Sauvignon Blanc e Chardonnay.                              

 Vinhedos na vinícola Matetic
  

 Tour e degustação na vinícola Matetic


Viña INDÓMITA

Fica no alto do morro e pode ser vista da Rodovia 68 que vai em direção a Valparaiso. Pertence ao Grupo Familia Bethia desde 2006. Aqui o Enoturismo é o grande negócio.
O tempo todo está cheia de turistas, grupos e muita agitação. Pessoas circulando por todos os lados.

Há uma grande varanda com vista para o vale, com mesas, poltronas e cadeiras, para que o turista possa beber vinho e comer sanduíches e tira-gostos.

 Espaço para curtição dos turistas Vinhedos na Indômita

Muitos visitantes vão à Indómita para curtir como se fosse um “point”. O tour é o mais simples e fraco de todos. O objetivo mesmo é vender vinhos, artesanato e artefatos ligados à cultura vinífera.
Do lado de fora, em frente ao prédio, há um vinhedo de uva Merlot, que vale a pena visitar. Não precisa de guia, pode ir por conta própria.

A maioria de seus vinhos são produzidos com Cabernet Sauvignon, Carménère, Merlot e Pinot Noir, Chardonnay e Sauvignon Blanc.

A visita à esta vinícola é ideal para turistas que gostam de curtição, agitação e estão mais interessados em beber vinho, comer alguns tira-gostos e jogar conversa fora.

Além destas três grandes vinícolas que visitei, recomendo  Loma Larga e Bodegas Re. São muito bonitas e o atendimento é mais personalizado.

 Vinhedos de Merlot na Indômita


PABLO NERUDA – Isla Negra

Além dos dois dias que reservei para visitar vinícolas, programei um dia inteiro para conhecer Viña de Mar, Valparaiso e a casa de Pablo Neruda em Isla Negra.

Viña del Mar lembra muito o Guarujá em São Paulo, ou Camboriú em Santa Catarina. É um balneário à beira do Pacífico, com várias Faculdades, que torna a cidade também universitária. Há vários hotéis, restaurantes, lojas, muitos prédios residenciais e de veraneio, muito bonitos.

Como curiosidade, foi a sede dos três primeiros jogos do Brasil na Copa do Mundo de 1962. O Brasil sagrou-se Campeão do Mundo, vencendo a Checoslováquia por 3x1 no jogo final em Santiago. Esta Copa é conhecida como a Copa do Garrincha.

Valparaíso tem uma história importante. O nome foi dado em 1536, pelo navegador espanhol Diego de Almagro, mas foi o Governador do Chile, Pedro de Valdívia que em 1544, mandou construir o porto de Valparaiso.
Pedro de Valdívia é considerado também o fundador da cidade de Santiago. Durante 370 anos foi importante para reabastecimento dos navios que atravessavam o Estreito de Magalhães, ligando Oceano Atlântico e o Pacífico. Neste período, a cidade floresceu com edifícios imponentes, bairros e residências suntuosas.
Para a elite de Santiago era importante ter uma residência de veraneio em Valparaiso.

Foi por este porto que entraram as primeiras mudas de uvas trazidas pelos novos ricos voltando da Europa, no fim século XIX. Com a construção do Canal do Panamá em 1914, a cidade entrou em decadência. O porto continua funcionando, mas já não tem o movimento de antigamente.
A cidade tem hoje cerca de 300.000 habitantes.
 

PABLO NERUDA (12/07/1904 – 23/09/1973) – Isla Negra

Indo à Viña del Mar ou Valparaiso, uma das atrações é visitar a casa do poeta Pablo Neruda em Isla Negra, um pequeno povoado à beira-mar. Neruda, poeta chileno, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1971. Foi Adido Cultural na Europa no Governo de Salvador Allende.
É considerado um dos maiores poetas e escritores latino-americanos do século XX.

Pablo Neruda (1904-1973)

A casa onde vivia e onde escreveu muito da sua obra, fica de frente para o mar. É uma casa simples, térrea, com diversas salas, cada uma decorada com um tema. Muitos deles relacionados ao mar.
O tour é feito em grupos, para não haver um acúmulo de pessoas nas dependências.
Não há guias, cada visitante recebe um headphone no início do tour. É proibido fotografar.
A visita começa às 10 horas, e recomendo chegar cedo, antes dos tours das agências.

Chamou a atenção que na narrativa gravada nos headphones em nenhum momento falam onde ele e sua última esposa estão enterrados. Ele pediu que, quando morresse, fosse enterrado em uma cova simples, discreta sem identificação.

Ao terminar o trajeto dentro da casa, o visitante sai de frente para o mar em uma sacada que parece a proa de um navio. No meio há uma pedra grande e preta sobre um canteiro de flores. Aí está o túmulo de Neruda.

Eu notei que as pessoas passam ao lado do canteiro de flores, tiram fotos da paisagem e não se dão conta disto. Preferi atender à recomendação do poeta, e reverenciei-o discretamente.

Casa de Neruda em Isla Negra e seu túmulo

  Casa de Neruda em Valparaiso

Se desejar alguma dica ou sugestão extra, por favor, contate-me pelo e-mail:
miltonassumpcao@terra.com.br

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por Milton Assumpção em  07/02/2018  às 15h30

PARQUE NACIONAL DO ACONCÁGUA E A PUENTE DEL INCA - MENDOZA... ARGENTINA

PARQUE NACIONAL DO ACONCÁGUA E A PUENTE DEL INCA - MENDOZA

Se você for à Mendoza para visitar as vinícolas e degustar seu ótimos vinhos, este é um passeio, de dia inteiro, que eu recomendo. Inclusive é muito bom para quebrar um pouco a sequência de visitas às bodegas.

O Aconcágua é a mais alta montanha das Américas, com 6.962 metros.

O Parque Nacional fica a 191 quilômetros de Mendoza, na estrada que atravessa os Andes em direção a Santiago, no Chile.

O percurso leva cerca de duas horas e meia. Parece muito, mas a paisagem, as paradas para fotos, a visão da Cordilheira, compensam o tempo que leva.

A visão do Aconcágua, a maior montanha das Américas, justifica o passeio.
 

Na entrada do Parque há um edifício para recepção dos turistas, com um mural de fotos da região.

A montanha fica a cerca de 30 quilômetros dali.

Os turistas podem passear até um mirante, de onde se vê a montanha ao longe.

Há uma agência que oferece a possibilidade de um tour especial para chegar aos pés da montanha.

 

Próximo ao Parque, estão as ruínas da Puente del Inca, e do vilarejo que compunha a estação do Trem Transandino, desativado há muito anos.

Durante as obras da ferrovia transandina, foi construída neste lugar uma estação com pátios de movimentação, manutenção e parada dos trens que faziam a rota Mendoza-Santiago.

Em volta da estação, cresceu um vilarejo.

O Rio Cuevas com suas águas medicinais já atraia pessoas para virem se banhar e tratar suas doenças.

O nome Puente del Inca deve-se à lenda de um jovem rei Inca que se curou de uma enfermidade ao banhar-se no rio.

Durante a implantação da estação do trem, foi construído um hotel com termas.

Era regularmente frequentado por personalidades da Argentina e do Chile.

Hoje só há ruínas.

A ferrovia foi desativada há muitos anos, e um terremoto destruiu o vilarejo e o hotel à beira do rio.

Sobrou em pé somente a igrejinha.

 

Como atração há no local uma colorida feira de artesanato dos Andes.

tours regulares programados pelas agências e levam cerca de três horas.

Com transporte privado, um remís/táxi, há a vantagem de poder parar no caminho, para fotografar.

Se contratar um motorista bom de papo, com conhecimentos de história, melhor ainda.

No caminho há a opção de conhecer o belo vilarejo de Uspallata, com lojas e um bom comércio. É aqui que fica a última bomba de gasolina antes de atravessar os Andes.

Este passeio é bom para quebrar um pouco a programação de vinícolas.

 Parque Provincial Aconcagua 

Puente del Inca e a ferrovia transandina 

   

Se desejar alguma dica ou sugestão extra, por favor, contate-me pelo e-mail:
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por Milton Assumpção em  17/01/2018  às 20h17

VINHOS DE ALTITUDE - VACARIA Rio Grande do Sul - SÃO JOAQUIM Santa Catarina - Inclui ESTRADA DA SERRA DO RIO DO RASTRO

Tenho postado em meu Blog referências à produção de vinhos na região chamada Campos de Cima da Serra, ou Campos de Vacaria. Além dos produtores locais, vários viticultores do Vale dos Vinhedos têm adquirido propriedades para expandir suas plantações.
É uma região onde se produz trigo, flores e principalmente frutas, como maçãs, morangos e framboesas.
A produções de vinhos e espumantes cresceu bastante nos últimos anos.
Próximo dali, já na serra de Santa Catarina, em São Joaquim, conhecida pelo turismo da neve, há uma crescente produção de Vinhos de Altitude. Os vinhedos estão acima de 1.300 metros.

PROGRAMAÇÃO DA VIAGEM
Aproveitando os feriados prolongados de Novembro fizemos uma programação de viagem bem dinâmica.
Saímos de São Paulo de avião para Caxias do Sul, em um voo de manhã que leva 75 minutos.
Alugamos um carro no aeroporto e fomos direto para a região do Vale dos Vinhedos.
Na hora do almoço, já estávamos hospedados no Castello Benvenutti entre Garibaldi e Bento Gonçalves.

Curtimos por dois dias vinícolas no Vale dos Vinhedos e Pinto Bandeira.
No meu blog de Dezembro/2017, faço um relato detalhado das visitas às vinícolas de Pinto Bandeira.

No terceiro dia, logo bem cedo, subimos a serra em direção a Vacaria, onde degustamos vinhos e seguimos para São Joaquim, para visitar vinícolas de altitude.

Saímos de São Joaquim e descemos a incrível Estrada da Serra do Rio do Rastro.
Devolvemos o carro no aeroporto de Florianópolis.

Foram cinco dias bem dinâmicos, mas que deu para fazer com tranquilidade.

Rio das Antas, Rodovia 116,Campestre da Serra

  
CAMPOS DE CIMA DA SERRA – VACARIA

O nome da cidade foi dado pelos jesuítas espanhóis que viviam na região das Missões, hoje pertencente à Argentina. Eles chamavam de Vaqueria de los Pinares, ou seja, Vacaria dos Pinhais. Era uma região de criação de gado para suprir aos jesuítas e às comunidades onde atuavam.
Mais tarde tornou-se parada e pernoite dos tropeiros que vinham da região do Sul e do rio da Prata para o Centro Oeste, tocando a boiada.


Para ir a Vacaria, saindo de Garibaldi, há de voltar a Caxias do Sul e pegar a Rodovia 116 sentido norte. O trajeto da serra é muito bonito. Vale a pena subir devagar e com cuidado, apreciando a paisagem. A mata verde compacta, rios e riachos dão um toque mágico. Eu não imaginava haver tanto verde nesta região.

Quando se atinge o planalto, já em uma altitude de 970 metros, começam a aparecer os campos de trigo e as plantações de maçãs, a perder de vista.

Esta região é reconhecida como a maior produtora de maçãs do Brasil.

O clima é propício para frutas, maçãs, morangos, framboesas, vinhedos, flores e pecuária.
É um clima subtropical com médias máximas de 27 graus no Verão e 7 de mínima no Inverno.
É propício para as uvas brancas utilizadas na produção dos espumantes.

Já há uma produção de vinhos e espumantes regulares. A maioria dos produtores ainda processa a produção em Caxias do Sul e Bento Gonçalves.

Produção de maçãs em Vacaria 

  
PRODUTORES EM VACARIA

Os mais reconhecidos são FAZENDA SANTA RITA. ARACURI VINHOS, CAMPESTRE, RAVANELLO E RAR – Raul A. Randon.

Raul R. Randon é um dos proprietários da Randon S/A que produz carrocerias e reboques de caminhões.
Em 1970 criou a empresa RASIP para investir na plantação de frutas, produção de vinhos e criação de gado para leite e corte.

Os vinhedos estão espalhados pela região, muitas vezes, ao lado de plantações de frutas e outras culturas.Aracuri Vinhos, por exemplo, tem seus vinhedos no município de Muitos Capões.


TURISMO DE VISITAÇÃO

Não há Enoturismo regular. Uma estrutura para visitação de turistas está ainda em fase de organização.
Quando fiz minha programação de viagem incluindo Vacaria, contatei por telefone e email alguns produtores para marcar visitações. Foram todos muito atenciosos. Informaram que na cidade há neste momento somente duas lojas para degustação e venda de vinhos.

Se seu plano de viagem tem como foco o Enoturismo, minha recomendação é que dedique somente algumas horas para visitar as lojas especializadas, degustar e comprar alguns vinhos e seguir viagem. Foi o que fizemos.

Dependendo de seu planejamento pode ser um bom lugar para pernoitar.
Há várias opções de hotéis e restaurantes. Vacaria é uma cidade histórica e muito bonita.

FAZENDA SANTA RITA tem sua loja na cidade à Av. Militar 808, onde é possível fazer a degustação e comprar seus vinhos. Recentemente inauguraram na vinícola um espaço para eventos e recepção de turistas. Neste momento, funciona somente com eventos especiais. No futuro, deverá tornar-se um centro de atendimento de turistas regular.

O SPACCIO RAR no KM 33 da Rodovia 116 oferece degustação e venda de seus vinhos.
Nesta loja, além dos vinhos há degustação de queijos, manteigas e azeites produzidos por eles.
Uma das maiores atrações é o queijo italiano Grana.
Visitei a Spaccio e degustei, entre outros, o seu Espumante Brut.
Posso afirmar sem dúvida que é muito bom. Intenso, mas leve, elegante, passa uma sensação de frescor muito boa. Gostei bastante. O atendimento no local é muito profissional.

Degustando vinhos no Spaccio RAR, Vacaria

 
SÃO JOAQUIM, Santa Catarina

De Vacaria guiamos em direção a Lages, já em Santa Catarina. A estrada é muito boa, e tem pouco movimento de caminhões.
De Lages sai uma estrada também de pista simples, mas bem pavimentada para São Joaquim.
Chegamos no início da noite, para pernoitar.
Há várias opções de hotéis e pousadas na cidade.

SÃO JOAQUIM é conhecida pelos brasileiros pela neve que cai durante o Inverno. Neste período, a cidade fica cheia de turistas, curtindo o frio.

Igreja matriz de Vacaria
  
Tábua meteorológica em São Joaquim


VINHOS DE ALTITUDE

Não estando no Inverno e não havendo a possibilidade de neve, a cidade, muito pequena, tem poucas atrações.

Passa a ser quase obrigatório visitar as vinícolas.

O vinho é classificado com sendo “De Altitude”, porque os vinhedos estão a mais de 1.300 metros de altura.
O solo é argila com muita pedra, uma umidade média, mas com possibilidade de chuvas de granizo.
A amplitude térmica é muito elevada. Dias quentes moderados e noites muito frias.


VISITA ÀS VINÍCOLAS

Há várias vinícolas, e as mais conhecidas são Villa Francioni, D’Alture, Villagio Barsetti e Leone de Veneza.

VILLA FRANCIONI é a mais importante de todas. É a maior atração turística de São Joaquim, depois da neve!

No início dos anos 2.000, o empresário Manoel Dilor de Freitas idealizou uma vinícola ao estilo das mais bonitas da Europa.
Em 2002, plantou os primeiros vinhedos, e começou a construção de uma Cantina de 4.400 m² para produzir o vinho e receber visitantes.
Faltando poucos meses para inauguração, faleceu de um enfarte.
Coube aos seus filhos continuarem a obra do Pai, e inaugurar a vinícola.

É uma das mais lindas do Brasil.
Construída na parte alta do terreno, o projeto de arquitetura privilegiou o visual de toda a região.
A produção do vinho obedece à utilização de níveis gravitacionais proporcionando uma facilidade para a circulação das uvas sem que haja qualquer sofrimento.
O sistema de engarrafamento é todo maquinizado, seguro e limpo.

Além da visita às instalações e da degustação, há uma Galeria de Artes, com quadros de Juarez Machado e Camille Claudel.
Há também um espaço gastronômico para lanches e refeições.

Não é uma simples vinícola, é uma atração turística completa.

Como há um fluxo grande de turistas, é obrigatória a reserva antecipada.
Pode ser feita pela Internet ou pelo Hotel onde está hospedado em São Joaquim.

Vinícola Francioni, São Joaquim


A VISITA E OS VINHOS

VILLA FRANCIONI

Há vários guias fazendo os tours simultâneos. Fui recebido pelo responsável pelo Turismo, José Bernardo Carvalho Junior.
Contou a história do lugar, descreveu as características dos vinhos e conduziu a degustação.

São várias as opções de Tintos, Brancos e Espumantes.

Nos Tintos, predominam as uvas Cabernet Sauvignon e Merlot.
Nos Brancos e Espumantes predominam a Chardonnay e Sauvignon Blanc.

Possuem algumas linhas, como Aparados, São Joaquim e VF. Esta última com uma sublinha dedicada ao Pintor Juarez Machado.
O espumante leva a marca JOAQUIM – Brut Blanc de Blancs.

Uma característica do Vinho de Altitude é a acidez da uva, que obriga um tempo maior de fermentação. Por outro lado, o vinho fica mais leve, intenso, mas relativamente moderado.
Percebe-se claramente a diferença de intensidade de um Cabernet Sauvignon de altitude, de outros, produzidos em altitudes menores.
O mesmo se dá com os Espumantes.

A produção é de 300.000 garrafas ao ano. Há uma certa dificuldade de colocar os vinhos no mercado do Centro-Oeste, pelo excesso de competição.

Vinhos de Altitude são um diferencial competitivo que poderia ser trabalhado.

Se for a São Joaquim, a visita nesta vinícola é obrigatória, pela história, pelos vinhos, pela beleza.

Com Jose Bernardo Carvalho Jr na Vinícola Francioni
   

Vinhedos na Vinícola Francioni protegidos de chuvas de granizo

D’ALTURE

Fica praticamente em frente à Villa Francioni, do outro lado da estrada.
Seus vinhedos estão plantados em maior altitude, por isso o nome D’Alture.
O proprietário é boliviano e é um negócio pequeno de família.
É o oposto da Francioni. As instalações são rústicas, e o local é bem simples.
Atendem normalmente quem chegar.
Não há um tour pelos vinhedos. Fazem um passeio pelas instalações e em seguida a degustação.
A estrada até o alto, onde está a sede, é íngreme, de terra, pelo meio dos vinhedos.
Em alguns cortes desta estrada dá para ver a composição de terra e pedras características desta região.

Produzem mais vinhos tintos, predominando as uvas Cabernet Sauvignon e Merlot.

Na Villa Francioni, o grande número de visitantes são turistas que fazem o tour e depois compram algumas garrafas.

Já na D’Alture são pessoas da própria região ou que vem a São Joaquim com mais frequência e compram caixas de vinhos para consumo próprio, consumidores mais fiéis.
O preço do vinho aqui também é mais barato, e o vinho é muito bom.


Degustando vinhos na Vinícola D’Alture
   

Solos de argila e pedrasVinhedos a 1.300 metros de altitude


ESTRADA DO RIO DO RASTRO

Fica entre as cidades de Bom Jardim da Serra e Lauro Muller e faz parte da Rodovia SC 390.
É considerada uma das estradas mais incríveis do Brasil e do Mundo.
Desce de uma altitude de 1.421 metros até praticamente o nível do mar.
São 34 quilômetros com 284 curvas sinuosas e acentuadas.
A descida é no sentido de Bom Jardim da Serra para Lauro Muller.

HISTÓRIA DA ESTRADA

Por volta de 1870, os habitantes da região, abriram uma trilha na mata, serra abaixo, para buscar gêneros de primeira necessidade na cidade de Laguna. Na época, a trilha era conhecida como da Serra do Doze.
Posteriormente passou a ser chamada de Serra do Rio do Rastro.
Para percorrer o trajeto, que levava dias, utilizavam burros para transportar os produtos.

Na metade do século passado, transformaram a trilha em uma estrada de terra, com a circulação de pequenos carros.
Na década de 80, a estrada foi pavimentada e é hoje de grande circulação, ligando Laguna e Tubarão a São Joaquim e Lages, na Serra Catarinense.


A INCRÍVEL ESTRADA

De São Joaquim, pela Rodovia 390, você passa por Bom Jardim da Serra, uma cidade de turismo rural, e chega na beira do canyon, onde começa a descida.
No local há um Mirante, várias lojas de artesanato, bares e restaurante.
Do outro lado da estrada, também à beira do canyon está o Eco Resort do Rio do Rastro. Um hotel fazenda de alto nível.

Uma dica, entre a cidade de Bom Jardim da Serra e o Mirante há um restaurante, do lado esquerdo da estrada, na beira do rio Barrinha, com uma cachoeira, que vale a pena parar para almoçar ou mesmo para um lanche.
Dá para caminhar pela beira do rio e chegar bem perto da queda d’água.
O Restaurante da Cascata é self-service, come-se bem e não é caro.

Restaurante à beira do rio Barrinha 


A DESCIDA

A descida da estrada da serra é especial. As curvas são acentuadas e há de guiar com muito cuidado.
Há caminhões descendo e subindo o tempo todo. Há curvas em que é preciso esperar os caminhões passarem para poder continuar.
Fiquem atentos às buzinas, eles sempre avisam quando estão chegando próximo das curvas, em sentido contrário.
Logo no início, nos primeiros cinco quilômetros, há uma série de curvas em declive e muito acentuadas. Depois continuam as curvas, mas um pouco mais tranquilas, até chegar lá em baixo, na cidade de Lauro Muller.


Estrada da Serra do Rio do Rastro
   

Eco Resort do Rio do Rastro, à esquerda e o Mirante à direitaCom a Ruth conferindo a beleza do lugar


FINAL DA VIAGEM

Nossa programação de viagem foi devolver o carro no aeroporto de Florianópolis. Foi o que fizemos. Após Lauro Muller chegamos na BR 101 na altura de Tubarão. De lá seguimos para Florianópolis onde pernoitamos.
No dia seguinte, pela manhã, devolvemos o carro no aeroporto de Floripa, e pegamos o voo de volta para São Paulo.

Foi uma viagem de praticamente cinco dias inteiros, meio corridos, por que era o tempo que tínhamos para fazê-la.
Se tiver mais alguns dias disponíveis, vale a pena ficar um pouco mais em algum destes lugares que descrevi.

Se desejar alguma dica ou sugestão extra, por favor, contate-me pelo e-mail:
miltonassumpcao@terra.com.br

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