por Milton Assumpção em  15/08/2017  às 12h17

VIAGENS...VINHOS...e Muitas Histórias – Região de Champagne - FRANÇA

DEGUSTAÇÃO DE CHAMPAGNE COM ARQUEOLOGIA

Se você pretender visitar as regiões de produção do champagne, na França, minha recomendação é ir à Épernay, Troyes ou Reims. Épernay fica muito próximo de Reims e a 100 quilômetros de Troyes.

Reims é a cidade maior, onde estão localizadas a Taittinger, Veuve Clicquot, Martell e outras. Possui um centro comercial intenso com hotéis, lojas e restaurantes. A grande a atração é a Catedral de Notre-Dame onde foram coroados todos os Reis da França.

Em Épernay, na Avenue de Champagne, estão localizadas várias produtoras entre elas Möet & Chandon, Mercier. Perrier Jouet, De Castellane. É uma cidade muita pequena, com várias opções de degustações.

Muito próximo está a cidadezinha de Hautvillers, onde viveu e está enterrado o lendário Dom Pérignon. À sua volta, várias vilas e pequenas cidades com diversos produtores, entre elas a charmosa Oger, que produz um champagne de alta qualidade e sempre vencedores de prêmios.

Avenue de ChampagneTúmulo de Dom Perignon in Hautvillers

Troyes é a capital oficial da região de Champagne. Foi até o século XIX, a mais importante cidade produtora do champagne quando os grandes produtores se instalaram em Épernay.

Lá estão os produtores pequenos e familiares centenários. É uma cidade belíssima banhada pelo rio Sena.

Centro de Troyes   

Na última viagem, conheci um lugar incrível, e que recomendo fortemente que visitem. A indicação foi de uma atendente no Escritório de Turismo, que fica logo no início da Avenue de Champagne.   

La Cave aux Coquillages é a produtora do champagne Legrand Latour.

Fica na pequena vila de Fleury-la-Rivière a vinte minutos de Épernay.    Saindo de carro em direção a Paris pela D3, cinco quilômetros depois há uma indicação para a vila de Damery. Passa por dentro dela, atravessa o rio Marne, alguns poucos quilômetros se chega a Fleury-la-Rivière.    É uma pequena vila de uma só rua, e a La Cave aux Coquillages fica quase no fim desta rua. Muito fácil de chegar.

A indicação e a reserva para as 14h30 foram feitas pela assistente no Escritório de Turismo, que explicou que eram poucos tours, com número limitado de pessoas.    Ela nos deu um mapa e indicou a direção.    Chegamos ao local 15 minutos antes. Era uma residência antiga, encostada em um morro, onde estavam os vinhedos. Tocamos a campainha do portão e veio atender o proprietário, um senhor de meia-idade, magro, alto e muito simpático.    Levou-nos até um salão, que percebi que era da degustação, e lá estavam um outro casal e duas crianças de cerca de 7 anos de idade, que iriam no tour conosco.    No horário certo, às 14h30 nos deu um protetor de plástico para os sapatos, e iniciamos o tour.

Túnel de FósseisMuseu de Fósseis

Abriu uma grande porta e apareceu um túnel escavado por dentro do morro, no qual nós entramos.

Encravados nas paredes do túnel foram aparecendo fósseis, caramujos de todos os tamanhos, peixes, milhares de conchas. À medida que caminhávamos, ele ia explicando a que período da história geológica pertenciam. Chegamos a um pequeno museu onde havia uma exposição dos diversos fósseis já catalogados e separados por ordem dos períodos geológicos.

Pesquisando Fósseis   

Caminhamos pelos túneis até um lugar onde estavam dois jovens estudantes de arqueologia, coletando material do solo.    Ele então pegou uma pequena pá, raspou do chão uma quantidade de uma terra arenosa, peneirou e mostrou uma quantidade grande de pequenas conchas.   

“Aqui há 55 milhões de anos era mar!” Seguimos e entramos em um laboratório onde havia mais três estudantes limpando e selecionando os fósseis. Ele se sentou e mostrou como os fósseis eram identificados e selecionados.

Com o arqueólogo / viticultorCatalogando Fósseis

De lá, fomos para o salão de degustação. Ele explicou que era apaixonado por arqueologia e que aliava este trabalho como prazer de produzir champagne. As raízes do seu vinhedo descem mais de nove metros e atingem este terreno arenoso, com fósseis marinhos, e trazem nutrientes especiais para as uvas, que, por sua vez, dão um sabor todo especial para o champagne.Difícil descrever o sabor, mesmo porque a gente fica contagiado pelo que viu no tour. Posso garantir que é diferente dos outros que degustei. Trouxe duas garrafas.  O lugar é utilizado para práticas de estudantes de arqueologia.  É um passeio de três horas, mas que vale muito a pena.

Champagne Legrand LatourSalão de degustação

A maioria das visitas é feita às caves e a degustação, esta visita envolve arqueologia.  

Este texto faz parte do www.blogdomilton.com.br e estará no livro VIAGENS... VINHOS... e Muitas Histórias, que estarei lançando em Outubro.

Se quiserem outras dicas contatem-me pelo e-mail:
miltonassumpcao@terra.com.br

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por Milton Assumpção em  27/03/2017  às 15h41

USHUAIA, TERRA DO FOGO E EL CALAFATE, PATAGÔNIA.

USHUAIA – TERRA DO FOGO

A cidade está localizada ao sul do Parque Nacional da Terra do Fogo, às margens do Canal de Beagle, a última cidade ao sul das Américas, considerada a Cidade do Fim do Mundo.

Terra do Fogo e Patagônia

Este nome foi dado a esta região pelo navegador Português Fernão de Magalhães, na sua expedição de dar a volta ao mundo, em 1519-1522. Naquela época os navegadores levavam seus barcos em direção ao Leste pelo Cabo da Boa Esperança, na África do Sul. Magalhães decidiu dar a volta ao mundo pelo lado Oeste, cruzando o sul do continente Americano. Quando chegaram a um estreito que ligava os dois mares Atlântico e Pacífico, ao ancorar em uma praia para buscar suprimentos e água doce, viram muita fumaça e fogo que vinham do meio da neve. Eram os índios Teuelches com suas fogueiras para se aqueceram. Eram índios pacíficos. Fernão de Magalhães referiu-se primeiro a este lugar como a Terra da Fumaça e, posteriormente, a chamou de Terra do Fogo.

Os Teuelches eram relativamente grandes, se vestiam com peles de guanacos, uma espécie menor de lhamas, e utilizavam proteções nos pés para caminhar na neve. A marca dos pés na neve e na areia da praia deixava pegadas grandes. Os portugueses passaram a se referir a eles como os Pés Grandes. Mais tarde quando chegaram, os espanhóis passaram a chamá-los de os patagones, “pés grandes” em espanhol. Patagônia é a terra dos patagones.

Fernão de Magalhães
  
Mapa da Patagônia, com estreito de Magalhães em Punta Arenas e o Canal de Beagle em Ushuaia.


Fundação de Ushuaia

Em 1884, o Exército Argentino para marcar posição e tomar posse efetiva daquela região da Terra do Fogo, decidiu criar um posto avançado na Baia de Ushuaia, no Canal de Beagle.

Ushuaia na língua dos Yamanas, índios que habitavam a região, significa Baia no Pôr do Sol, ou do Poente.

Já com a base instalada, o governo argentino decidiu construir no local um presídio de segurança máxima.

Com a construção do presídio, a cidade começou a se formar ao seu redor. A maioria das ruas e casas foi construída pelos presos. Construíram também uma ferrovia de 10 quilômetros em direção a uma floresta. O objetivo era cortar e trazer lenha para o aquecimento do presídio e dos poucos habitantes da cidade. Os presos faziam vários trabalhos pela cidade. Para eles era uma oportunidade de sair das celas. Fugir era impossível. A cidade estava isolada do mundo, além do frio intenso. Os que tentaram, retornaram por vontade própria ou morreram de frio.

A cidade cresceu e em 1948 o presídio foi desativado pelo presidente Juan Peron, sob a alegação das condições sub-humanas que viviam os presos, em virtude do frio e da humidade.

Até 1991, o Farol do Fim do Mundo ficava em Ushuaia, hoje está no Cabo de Hornos, que pertence ao Chile.

Ushuaia vista do Canal de BeagleEra o Farol do Fim do Mundo até 1991, hoje é no Cabo Hornos


Turismo

O turismo cresceu partir de 1995, com a chegada principalmente de turistas brasileiros e argentinos. A partir do ano 2000 começaram a chegar turistas dos EUA, Canadá e Europa. Recentemente começaram a aportar grandes navios de cruzeiros, trazendo um número grande de visitantes.

A temporada vai do meio do mês de Setembro até meados de Abril. A temperatura neste período varia de 5 a 12 graus em média. Depende muito do vento que vem da Antártida. Quanto chega este vento, a temperatura pode cair em minutos de 5 a 10 graus. Nesse período é possível se ter, em um único dia, as quatro estações do ano.

No resto do ano, de Abril a Setembro, vários passeios são suspensos, restaurantes e pequenos hotéis fecham suas portas.

Segundo os locais, o lugar fica muito bonito com tudo branco, mas com um frio muito mais intenso, chegando a vários graus negativos.

Neste período do Outono e Inverno, cai bastante o movimento na cidade. Os dias ficam mais curtos, com pouco tempo de sol, e mais escuro. As pessoas sentem uma espécie de solidão, nostalgia e isso influencia muito a qualidade de vida. Quem pode viaja para o norte da Patagônia, Buenos Aires ou para o Brasil. Aproveitam para tomar um pouco de sol e absorver vitamina D3.

Canal de Beagle e Ushuaia 


Programação da Viagem – Hotéis

Hoje a cidade está muito estruturada para receber visitantes. Há vôos diários de Buenos Aires e El Calafate, em aviões grandes.

Há opções de hotéis e pousadas de vários níveis. Os hotéis de melhor nível estão fora da cidade e oferecem transporte de vans para o porto e para o centro. Há bons hotéis na região central.

A rua principal – onde estão as lojas, alguns restaurantes e bancos – é a Av. San Martin. Há 3 hotéis de categoria média nesta rua. Depende da opção e do bolso de cada um. Os hotéis fora da cidade são mais caros, oferecem muito mais conforto, mas depende da van para se deslocar até a cidade. Ficar em um hotel de menor categoria no centro leva à vantagem de não depender da condução para ir e vir.

Normalmente, quem fica nestes hotéis fora da cidade já tem seus tours programados e cabe à agência de turismo fazer o transporte.

Ficamos hospedados no hotel Los Cauquenes, que fica fora da cidade e é bem recomendado pelas agências de turismo. É de bom nível, os quartos são amplos, têm um SPA com sauna, piscina e uma jacuzzi ao ar livre. Como fiz todas as reservas antecipadamente, todas as manhãs, a agência de turismo nos buscava para os passeios.

O ideal é ir com os tours já contratados. Mas se quiser vir e se hospedar em uma pousada e contratar os tours localmente também é possível. Há só um problema, em Janeiro e Fevereiro, principalmente, há uma limitação de disponibilidade. O turista pode chegar e não encontrar lugar disponível no tour que desejar.

TOURS E PASSEIOS

Há várias opções de tours pelos arredores da cidade. Se contratar uma agência de turismo, ela pode enviar todas as opções, com a descrição de cada um. Você pode também entrar na Internet e no Trip Advisor e ver os mais interessantes, com avaliações de quem já os fez.

O tour clássico é o passeio de barco pelo Canal de Beagle, passando por ilhas com pinguins e lobos marinhos, e terminando na Estância Harberton. Ali algumas pessoas descem para visitar, almoçar e voltar de ônibus. Quem não optar por visitar a estância volta de barco. O passeio todo é longo. Sai às 9 horas e volta às 16 horas.

Ilha dos Pinguins, Canal de BeagleIlha dos Lobos Marinhos, Canal de Beagle

  
Estância Harberton

Foi fundada em 1886 por Thomas Bridges, missionário inglês, que chegou para a catequização dos índios Yamanas alguns anos antes. O trabalho dele foi importante para a tomada de posse do Exército Argentino da região, pois não houve conflito. Em reconhecimento, o governo cedeu-lhe vários hectares de terras para a criação de ovelhas e extração da lã.

Thomas Bridges desenvolveu um dicionário da língua Yamana, o que facilitou a sua comunicação e aceitação pelos índios. Quando o Exército Argentinou chegou em 1884 para fundar a cidade, o fato de ter alguém que dialogasse com os índios foi de grande ajuda.

Com a queda do preço da lã, toda a atividade econômica foi desativada. Hoje é uma estância histórica e turística. O passeio inclui visitar as antigas instalações, com as máquinas de tosquiar as ovelhas e um museu com esqueletos de diversos mamíferos marinhos da região. O almoço é bem simples.

Estancia HarbertonMuseu de fósseis marinhos, Estancia Harberton

 
Índios Yamanas

Esta tribo vivia na região sul da Terra do Fogo há milhares de anos. Andavam nus, viviam da pesca e caça principalmente de lobos marinhos e pequenas baleias. Dominavam o fogo para se aquecer, habitavam pequenas tendas feitas de casca de árvores. Aos poucos, a população indígena foi sendo dizimada, primeiro pelo sarampo e depois por outras enfermidades trazidas pelos novos habitantes. Quando Thomas Bridges chegou havia cerca de 2.000 índios, 20 anos depois restavam 20%. Hoje em 2017 há somente uma mulher Yamana, de 65 anos, a última dos Yamanas. Seus filhos já são mestiços.

Os Índios Yamanas andavam nus e dominavam o fogoForam dizimados com a chegada do europeu


Outros Passeios

Há passeios para todos os gostos e condições físicas. Por isso é muito importante verificar a descrição de cada um para poder escolher.

Há várias caminhadas com graus de dificuldade diferentes. Nós, por exemplo, fizemos uma trilha de 6 quilômetros em 3 horas com um alto grau de dificuldade, beirando o lago Apataia. A caminhada tem várias subidas e decidas pelo meio da floresta que circunda o rio. Há, no entanto, trilhas mais planas, mais curtas com menor grau de dificuldade.

Fizemos uma canoagem de 6 quilômetros pelo rio e lago Apataia, com um grau de dificuldade médio. Foi muito gratificante. A água do lago estava a 6 graus de temperatura.

Há passeios com jipes 4x4 para lugares exóticos, complementados com trilha, e almoço preparado pelo guia em uma cabana no meio da mata. Quando fizemos este passeio, o cheiro da comida atraiu uma raposa cinzenta. Não é permito alimentar os animais na mata.

Refúgio compartilhado, na florestaRaposa Cinza, introduzida na região pelo homem

Lago Apataia, água de desgeloCaminhada pela floresta, 6 quilômetros

Canoagem pelo lago e rio Lapataia, 6  quilômetrosCriação de cães para o Inverno

O Trem do Fim do Mundo é um passeio pela ferrovia construída pelos presidiários e que hoje é uma atração turística. Durante o trajeto, você vai ouvindo toda história da construção da ferrovia. Este passeio é complementado por uma trilha e visita ao Parque Nacional da Terra do Fogo.

Neste local, termina a Rota 3 que liga o Alaska a Ushuaia, são 17.848 quilômetros de extensão passando por diversos países do continente americano.

São várias as opções de tours, e é importante que cada um leia com atenção a descrição de cada um deles, para escolher dentro dos seus gostos e condições físicas.

Uma opção no Inverno é a Estação de Esqui da Serra do Castor. Fica muito próximo da cidade de Ushuaia, no caminho do Lago Escondido. O hotel fica bem próximo da estrada, e há um teleférico para levar os esquiadores até as pistas na montanha. Há opções para principiantes e experientes.

Estação do Trem do Fim do MundoTrem do Fim do Mundo

Placa indicando o fim da Rota 3, Alaska – Ushuaia


Castores e Raposas

Devido às condições climáticas, não há praticamente nenhum grande mamífero terrestre original nesta região.

Foram introduzidos castores, raposas e coelhos.

Os castores vieram do Canadá para a indústria de roupas de pele. No entanto, na adaptação ao meio ambiente sofreram uma transformação na qualidade dos pelos que tornou inviável a utilização na produção dos vestuários. Essa indústria foi então desativada, e os castores foram deixados vivendo na região. Como não há predadores, a população cresceu assustadoramente e tem causado um dano terrível para o meio ambiente, destruindo grande parte da floresta da região. É proibido caçar a tiros, só é permitido caçar com armadilhas. Os castores se reproduzem rapidamente e têm sido uma praga que precisa ser resolvida com rapidez. Hoje se estima que haja 250 mil castores na região.

As raposas-vermelhas e as cinzentas foram introduzidas há vários anos. Aqui são chamadas de zorro. As vermelhas foram muito caçadas para a indústria de peles e mantêm esse medo dos humanos no DNA. São ariscas e fogem a qualquer contato. Já as raposas cinzentas não são dóceis, mas se aproximam um pouco. No nosso passeio 4x4 quando estávamos preparando a comida no meio da floresta, o cheiro da carne na brasa atraiu uma raposa cinzenta, que ficou rondando por perto.

Os coelhos foram trazidos da Espanha e estão espalhados por toda a região.

Na Terra do Fogo não há puma, a onça da Patagônia. O clima frio e a pequena oferta de alimentos não atraiu este predador.

Há várias aves marinhas, e algumas nas florestas, como o carpinteiro, uma espécie de pica-pau, mais colorido e bonito.

As aves migram durante o Inverno.

Floresta derrubada por castoresOs castores são hoje uma praga na Terra do Fogo

 
EL CALAFATE – CIDADE DOS GLACIARES

Não há uma data de fundação específica da cidade. Era um ponto de parada e pernoite dos criadores de ovelha e viajantes em direção ao porto de Rio Gallegos, no Atlântico.

Há 20 anos a cidade tinha 3.000 habitantes, hoje, com o crescimento do turismo, a cidade possui cerca de 20.000 moradores.

El Calafate está localizada na margem sul do lago Argentino formado por águas de cor turquesa, de glaciares da Cordilheira dos Andes. O lago tem cerca de 120 quilômetros de comprimento e 20 quilômetros de largura, em média. Em alguns pontos, a profundidade chega a 750 metros.

A cidade fica a 80 quilômetros da Cordilheira do Andes.

É uma cidade pequena, bonita, bem arborizada com uma Avenida central, El Libertador, onde estão as lojas, agências de turismo, bancos e restaurantes.


Turismo

O período de turismo também é de meados de Setembro a meados de Abril.  A temperatura média na Primavera e no Verão gira em torno de 5 a 14 graus. Quando venta, e venta muito, a temperatura cai bastante. De manhã, às vezes, amanhece com uma chuva fina, fria, e antes do meio-dia, o sol brilha forte. O tempo muda muito rapidamente no mesmo dia. Por isso recomendam vestir-se adequadamente sempre.

Outra recomendação é consultar todos os dias a previsão do tempo, o clima é elemento fundamental para aproveitar os passeios na região.

Todas as principais atrações de El Calafate ficam a vários quilômetros de distância. Ou seja, você sempre vai ter de subir em uma van ou ônibus e viajar algumas horas para chegar ao destino. Todos os passeios demandam um tempo.  A programação da saída dos tours é fundamental.


Perito Moreno

Francisco Moreno foi apelidado de Perito Moreno por sua perícia no trabalho que executava. Cientista, naturalista e explorador argentino, foi responsável pela marcação das divisas territoriais com o Chile na Cordilheira dos Andes. Foi o descobridor das geleiras, das montanhas, rios e dos lagos, desta região da Patagônia. Coube a ele dar nome à maioria destes lugares.

Reverenciado como herói nacional, foi homenageado levando o nome do glaciar mais importante – Perito Moreno.

É o glaciar mais perto de El Calafate e fica a 80 quilômetros. O tour pega você no hotel às 9h e retorna às 17h.

Perito Moreno é a maior atração da região. É um glaciar que termina em uma ponta de terra, diferentemente de todos outros que terminam em um lago. O tour inclui um passeio de barco bem próximo do paredão de gelo. Depois, você pode caminhar por uma extensa  passarela, muito perto, da parede de gelo. Este é um passeio obrigatório.

Fotos do Glaciar Perito Moreno 

 
El Chatén Lago e  Glaciar Viedma

O tour para El Chatén leva o dia inteiro. Sai do hotel as 7h e volta as 20h30. No trajeto, que leva cerca de três horas, há uma parada no Hotel La Leona. Todo o tempo que ficamos dentro do ônibus é compensado pela beleza do passeio.

El Chaltén, fica a 220 quilômetros de El Calafate, e é considerada a capital argentina do Trekking. A opção de caminhadas e trilhas nesta região atrai um número muito grande de caminhantes.

Monte Ritz Roy, o maior da região

Uma das maiores atrações é o Monte Fitz Roy. Com  uma  altitude de 3.375 metros, relativamente pequena para os Andes, tem sido um desafio para os alpinistas . As suas paredes verticais exigem técnicas perfeitas para a escalada. Somente profissionais tem conseguido atingir o cume.

Em dias claros o monte é visto de muito longe, se destacando no horizonte.

Perito Moreno colocou o nome em homenagem a Robert Fitz Roy, capitão do navio HSM Beagle, da expedição de Charles Darwin.

Estrada para El ChalténMonte Fitz Roy

A atração maior do tour é o passeio de barco pelo lago até o glaciar Viedma.  É simplesmente maravilhoso. O barco navega por entre pedras enormes de gelo, brancas e azuis.

 Perito Moreno colocou no lago e glaciar o nome de Viedma, em homenagem ao espanhol  Antonio de Viedma, que em 1782, descobriu este lugar.

Fotos do Glaciar Viedma em El Chatén 

 
Lagos e Rios

Para quem aprecia é muito interessante identificar os rios e lagos.

O lago Argentino é formado por diversos glaciares, incluindo o Perito Moreno, e contribuição de pequenos rios, incluindo o rio Caterina, caminho dos salmões.

O lago Viedma é formado por águas provenientes dos glaciares e por rios, entre eles, e principalmente o rio La Vuelta.

Do lago Viedma sai o rio Leona, que desemboca no lago Argentino, próximo de El Calafate.

Do lago Argentino sai, então, o rio Santa Cruz que percorre 383 quilômetros e deságua no Oceano Atlântico.

Durante os tours é possível identificar bem os cursos dos rios e os lagos. O que surpreende é a cor azul turquesa, das águas vindas dos glaciares.


Hotel La Leona – Butch Cassidy e Sundance Kid

Foram dois famosos bandidos americanos que estavam sendo procurados nos EUA por roubo a bancos e decidiram fugir e se esconder na América do Sul. Há um ótimo filme com Paul Newman e Robert Redford, com o nome de Butch Cassidy e que conta a história dos dois bandidos.

Como tinham amigos em Buenos Aires, foram para lá primeiro. Preocupados de que notícias mundiais chegassem até lá, decidiram, por sugestão do amigo, se esconder na Patagônia. Compraram uma pequena estância e se apresentaram como negociadores de ovelhas e gado.

Depois de algum tempo, decidiram voltar à ativa e assaltar o Banco de Londres e Tarapaca em Rio Gallegos, que fica a 200 quilômetros do hotel La Leona, onde pretendiam se esconder por alguns dias.

O planejamento do assalto incluía trocar de cavalos várias vezes durante a fuga, já que a polícia não estaria preparada para isso e não os alcançaria.

No caminho de Rio Gallegos foram negociando com alguns estancieiros a troca de cavalos, sem detalhar a finalidade.

Chegaram em Rio Gallegos e abriram uma conta no Banco. Durante uma semana foram todos os dias ao Banco e saíam de cavalo em disparada.

No dia do assalto, saíram em disparada com seus cavalos e as pessoas não ficaram surpresas, tinham feito isso todos os dias.

No caminho, foram trocando de cavalos, estabelecendo uma distância grande da polícia e se hospedaram no hotel La Leona.

Quando a polícia chegou e mostrou as fotos dos bandidos, os donos do hotel reconheceram que eles haviam ficado hospedados ali, e tinham ido embora.

Dali, foram para a Bolívia. Há três versões para o que aconteceu com eles.

Assaltaram um banco e foram cercados em um rancho pelo exército boliviano, que os matou. Outra versão diz que cercados cometeram suicídio atirando nas próprias cabeças. E uma terceira, que voltaram para os EUA, se entregaram e passaram a colaborar com a polícia para prender assaltantes de bancos.

Cartaz americano de Procura-seQuadrilha de Butch Cassidy e Sundance Kid nos EUA

Banco assaltado em Rio GallegosHotel Leona, às margens do rio Leona, onde se escoderam

 
Glaciar Upsala

O passeio a este glaciar faz parte do tour da Estância Cristina. Foi para mim o melhor de todos.

O barco atravessa uma grande parte do lago Argentino, cercado de montanhas com picos nevados e vai direto para frente do Upsala. Pelo meio dos blocos de gelo brancos e azuis o barco se aproxima do paredão do glaciar. É indescritível a beleza que podemos ver. As fotos que tiramos não reproduzem o que os olhos registram.

De lá, seguimos para a Estância Cristina, que foi também durante muitos anos criadora de ovelhas e produtora de lã. Os novos tecidos criados pela indústria jogaram para baixo o preço da lã, desestimulando o investimento. Hoje são poucas as estâncias que continuam criando ovelhas para extração de lã.

Caminhando, o guia conta a história do lugar enquanto visitamos as antigas instalações de tosquia das ovelhas.

Uma atração especial é o rio Caterina de onde tiram a água doce para o lugar. No século passado era uma roda d’água, ainda preservada no local. Hoje há um motor elétrico.

Fotos do Glaciar Upsala 

 
Rio Caterina e Lago Pearson

O rio Caterina, de tom azul turquesa, tem no máximo 3 quilômetros. Nasce no lago Pearson, mais acima, que é formado pelas águas dos glaciares. Caudaloso, deságua no lago Argentino, ainda dentro da Estância.  Mede cerca de 15 metros de largura e tem uma profundidade variável de 2 metros.

Lago Pearson é o lugar escolhido pelos salmões para desova. Os salmões sobem 383 quilômetros, do Oceano Atlântico pelo rio Santa Cruz, até o lago Argentino. Atravessam os 120 quilômetros do lago, entram no rio Caterina e chegam no lago Pearson para desova. Isso ocorre de Janeiro a Abril. São salmões de 80 centímetros a 1 metro de comprimento. A fêmea desova e morre. O macho choca as ovas e também morre. Em Abril, os moradores não podem apanhar água do rio Caterina, de tanto salmões mortos que descem a correnteza. De lá, os novos fazem o trajeto, 506 quilômetros de volta para o Oceano Atlântico.

Como as tartarugas marinhas, eles voltam para desova no lugar onde nasceram.

Estância Cristina- Lago ArgentinoCabana em El Chatén


Glaciar Upsala visto de cima

Depois de um ótimo almoço – cordeiro ensopado com um bom copo de vinho tinto –, seguimos para um passeio muito especial.

De 4x4 subimos a Cordilheira dos Andes por uma estrada estreita, sem guard rails confiando na perícia do motorista. Os jipes chegam até uma determinada altura e depois subimos a pé montanha acima.

É impressionante o impacto que causa ao atingirmos o topo ver o glaciar Upsala de cima da montanha. Dali é possível ver dois outros glaciares que alimentam o Upsala.

Eu tirei várias fotografias e filmei, mas é impossível, de novo, registrar o que os olhos vêem.

É uma sensação gratificante de ter força para ter subido a montanha e poder apreciar esta maravilha da natureza.

Quando o guia diz que vamos descer, dá uma vontade de ficar mais apreciando toda aquela beleza.

Trilha íngreme até o alto da montanha
 
Glaciar Upsala visto do alto da montanha

Glaciar Upsala e lago 
 
Outro glaciar que alimenta o Upsala

Glaciar Upsala visto de cimaMontanhas nevadas na região

 
Sítio Arqueológico Leona

Pelas dificuldades, esse é o tour escolhido por poucas pessoas.
De van você vai até o Hotel La Leona e dali entra em uma Estância, onde está este sítio arqueológico com fósseis de dinossauro, de outros animais e uma floresta petrificada.

Durante três horas você caminha por uma trilha sinuosa, estreita, com muitas subidas íngremes.

Há uma parada para que possamos descansar e comer um lanche que os guias trazem.

A maioria dos fósseis está em uma grande depressão do local. A volta é por uma trilha muito íngreme, que, se a pessoa não tiver um preparo físico adequado, não consegue subir. É preciso muito cuidado, porque do lado está o barranco da depressão e, se escorregar, atrás estão outras pessoas. É preciso subir bem devagar e com cuidado.

Eu só recomendo este passeio para quem aprecia muito o tema, e que está com o preparo físico em dia.

Eu e minha esposa Ruth, apesar da idade, conseguimos fazer, e bem, porque nos preparamos fisicamente nos últimos dois meses para esta viagem.

Sitio Arqueológico em Estancia Leona
  
Trilha estreita e íngreme no Sítio Arqueológico

Rochas do sítio arqueológico
 
Guia indicando e explicando os fósseis

Trilha de montanha no sitio arqueológico
 
Árvore petrificada

Há muitas opções de passeios, trekkings, à cavalo, canoagem e caminhadas sobre o gelo. Em Ushuaia e El Calafate as agências de turismo fazem recomendações dos graus de dificuldades e logicamente restrições pela idade.

É uma viagem dos sonhos, e que deve ser muito bem programada. O período ideal é de meados de Setembro a meados de Abril. O ideal é que já tenham os tours contratados.

É possível ir direto e contratar os tours no local. Mas, atenção, em Janeiro e Fevereiro a maioria das agências está com a lotação dos tours esgotada.

Nos outros meses, vai sempre ter muitos turistas, mas dá tranquilamente para ir. As cidades estão muito bem estruturadas para atender 3.000 turistas por dia.

Levar roupas de frio intenso, principalmente a utilíssima segunda pele. O gorro para cabeça é essencial e pode comprar lá, há varias opções. Uma bota antiderrapante também é fundamental. Antes de ir compramos botas da Timberland que nos ajudaram e muito, principalmente nas trilhas e subidas das montanhas.

Outras recomendações são levar alguns óculos de sol, protetor solar e labial, e máquina fotográfica. Com Smartphone dá para tirar ótimas fotografias. Próximo das geleiras e nas regiões mais frias, é preciso mudar para HDR. O modo automático não funciona.

Os hotéis têm ótimo sistema de calefação, pode levar peças leves para dormir.

Tanto em Ushuaia como em El Calafate, o atendimento ao turista é de alto nível e profissional.

Uma recomendação final e importante: eles colocam uma ênfase muito grande no meio ambiente e no descarte de resíduos.

     

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por Milton Assumpção em  10/11/2016  às 12h05

SOBRE UVAS, VINHOS E HISTÓRIA... TOSCANA, ITÁLIA.

A Itália é um país pequeno, mas muito lindo, dividido em regiões, cada qual com sua geografia, clima e características próprias. Regiões como Lazio, Úmbria, D’Abruzzo, Veneto e Piemonte possuem atrações culturais e turísticas diversas e especiais.

Toscana é uma região, no centro da Itália, rica em história, artes, turismo, uvas, queijos e vinhos.

Mapa da Toscana

O desenvolvimento desta região está ligado à história da civilização etrusca, aos romanos, ao Renascimento no final da Idade Média, às artes, à cultura, ao turismo e à produção, principalmente, de vinhos.

Os Etruscos e os Romanos

Há registros da civilização etrusca desde 1700 a.C. Eles dominaram toda a Toscana e parte da Úmbria, Lazio, incluindo algumas ilhas no Mediterrâneo, como a Ilha de Elba. Eram muito evoluídos. Foram os primeiros a dominar a extração e utilização do minério de ferro.

A maioria das cidades importantes da Toscana foi construída pelos etruscos. Volterra era a capital, por ter minas de ferro, sal e alabastro. A partir de 283 a.C., aliaram-se aos romanos e com o tempo foram incorporando sua cultura. Estes, por sua vez, aprenderam a dominar a utilização do minério de ferro na construção de armamentos e artefatos de guerra e tornaram-se poderosos. As armas de bronze utilizadas pelas outras civilizações eram mais frágeis e se rompiam nas batalhas.

Durante a aliança, dois generais etruscos comandaram legiões romanas. Aos poucos a civilização etrusca foi sendo absorvida pela cultura romana e desapareceu. O alfabeto, semelhante ao grego, nunca foi decifrado. Sua história ficou sem registros, perdida no tempo, restando os cemitérios, as tumbas, os sarcófagos e museus. Os mais importantes ficam em Chiusi, Cortona e, principalmente, Volterra.

Os etruscos já produziam vinhos quando da aliança com os romanos. Coube a estes incrementar a qualidade. A uva Sangiovese, casta principal dos vinhos da Toscana, talvez tenha sido trazida pelos romanos de suas conquistas no Oriente Médio. Existe uma teoria que tenha sido trazida por Anibal, o Conquistador. O nome Sangiovese foi dado pelos romanos, e significa sangue de jovem. Ao espremer as uvas nas mãos acentuava a cor vermelha. Era também chamada de sangue de Júpiter – sangue dos Deuses.

Objetos, Sarcófagos e Tumbas Etruscas


VIA FRANCÍGENA NA TOSCANA

 É o caminho que foi utilizado nos séculos XI e XII pelos Cruzados vindos da Inglaterra e França com destino a Roma e depois seguindo de barco até a Terra Santa. O início oficial era na Catedral de Canterbury, Inglaterra. Passava por várias regiões da França, entrava na Itália pelos Valle d´Aosta e Monginevro no Piemonte, depois pela Toscana e seguia até Roma. Na Segunda Cruzada, o Rei Ricardo Coração de Leão da Inglaterra, o Rei Luiz VII da França e o Rei Conrad III do Sacro Império Romano-Germânico encontraram-se em Vézelay, na França, e após terem sido abençoados pelo frade Bernardo de Claraval, depois canonizado São Bernardo, seguiram pela Via Francígena até Roma e em seguida à Terra Santa.

Na Idade Média, passou a ser o caminho utilizado pelos peregrinos para ir até Roma visitar os túmulos de São Pedro e São Paulo. Várias aldeias e cidades foram se formando às suas margens, e eram pontos de parada e descanso dos viajantes. Muitas delas, que tiveram seu auge na época das Cruzadas, foram reativadas na Idade Média pela passagem dos peregrinos.

San Gimignano, Monteriggioni, Montalcino e Siena são algumas por onde passava a Via Francígena. Ainda hoje são os pontos de parada mais importantes dos peregrinos. Em San Gimignano as duas principais ruas que cortam a cidade, a Via San Matteo e Via San Giovanni fazem parte da Via Francígena.

Em Monterregioni, ela passa dentro da fortaleza, ligando as duas entradas, uma em direção a Siena e outra a Florença. Tem seu nome por vir da França. Não tem o mesmo apelo religioso e místico do Caminho de Santiago de Compostela, mas é ainda muito utilizado por viajantes que a percorrem a pé, de bicicleta e a cavalo.

Vários trechos mantêm ainda os calçamentos de pedras da época.
Nas rodovias e nas cidades há várias indicações da Via Francígena.

No site oficial www.viafrancigena.org você encontra indicações do mapa, itinerários, acomodações e agências que oferecem tours acompanhados.

Alguns peregrinos preferem experimentar e caminhar por pequenos trechos, por exemplo, de San Gimignano a Monterrigioni. Em algumas partes há variações no trajeto. O caminho se subdivide, e o peregrino pode optar pela rota que achar mais interessante.


  


  


  

Trechos da Via Francígena em Montalcino, Buoconvento e Monterregioni
   


Rota completa da Via Francígena

FLORENÇA

Florença é a principal cidade da Toscana e a capital do Renascimento. A cidade tem muitas atrações culturais, diversos museus, igrejas, pontes e a magnífica escultura de Davi, de Michelangelo. Consultando os diversos guias de turismo, tanto impressos como na internet, vai ser fácil fazer uma programação de passeios. São muitas as opções e atrações, mas eu destacaria duas delas que recomendo.

A primeira é a Basílica de Santa Croce, transformada em Panteão, onde estão sepultados Galileo Galilei, Nicolau Maquiavel, Michelangelo Buonarroti, Leonardo Bruni, Guglielmo Marconi, Gioacchino Rossini e Dante Alighieri, entre outros. A segunda é o Museo Galileo – Instituto e Museo di Storia Del La Scienza –, com espaços dedicados às descobertas de eletricidade, eletromagnetismo, química, navegação e astronomia. Como destaque, uma sala dedicada a Galileo Galilei, com seus telescópios, lunetas, mapas e outros objetos utilizados em suas pesquisas e descobertas do universo... Imperdível!

Florença foi locação de vários filmes, e destaco especialmente o segundo Hannibal, com Anthony Hopkins, cujas locações podem ser conferidas passeando pelo centro histórico.

Entre Florença e Siena está a região do vinho Chianti. De Florença saem tours diários para cidades medievais próximas, inclusive a região do vinho Chianti.

Igreja de Santa Croce
  
Museo Galileo

Túmulo de Dante AlighieriTúmulo de Michelangelo

SIENA

Siena foi fundada pelos etruscos e durante muito tempo dividiu com Florença o domínio da região. Famosa pela Corrida do Palio e também pelo vinho Chianti.

Corrida do Palio
é uma corrida de cavalos, que teve origem no século XVII e ocorre duas vezes ao ano, nos dias 2 de Julho e 16 de Agosto, na Piazza del Campo com a participação de cavaleiros representando 18 comunidades. Palio significa “estandarte”, e o ganhador, em vez de uma taça, recebe como premiação um estandarte pintado à mão com a imagem da padroeira Nossa Senhora da Assunção ou Provenzano.

Nos dias 2 de Julho e 16 de Agosto são as corridas finais, mas durante todo este período, os treinamentos e adestramentos dos cavaleiros, na Piazza del Campo,diversas atividades e solenidades, acabam movimentando a cidade. Independente de assistir às provas finais, ao visitar Siena neste período, o turista vive toda a movimentação e o clima criado pela Corrida do Palio.

Há agências especializadas para levar turistas, com locais reservados para participar e assistir às corridas finais. De Siena também saem tours diários para visitar cidades medievais próximas e a região do vinho Chianti.
  

Corrida do PalioLargada da corrida

Desfile das comunidades


Região do Vinho Chianti – A Lenda

Segundo a história ou a lenda, havia uma disputa entre Florença e Siena para a demarcação de suas fronteiras. Para resolver esta questão, criaram uma competição em que dois cavaleiros sairiam de suas cidades ao amanhecer, após o primeiro canto de um galo.

Siena escolheu um galo bonito, forte e muito bem alimentado. Florença por sua vez escolheu um galo negro, fraco e que foi deixado sem comer por três dias.

Com fome o galo negro de Florença cantou primeiro, e seu cavaleiro saiu em disparada em direção a Siena. Quando o galo bonito e forte de Siena cantou, já era tarde, seu cavaleiro correu pouco, porque já encontrou o cavaleiro de Florença a poucos quilômetros de Siena.

Assim, Florença ficou com a maior parte da região de Chianti, e o galo negro como símbolo.

Possível local de encontro dos cavaleiros

Galo Negro símbolo do Chianti

Há registro da produção de vinhos nesta região desde 1398 e, curiosamente, vinho branco.

Em 1716, o Duque da Toscana estabeleceu uma Lega Del Chianti compreendida pelas cidades de Gaiole, Castellina, Radda e Greve. Já então produzindo principalmente o vinho tinto.

Em 1932, sob a DOC – Denominação de Origem Controlada –, foram incluídas as cidades Barbenio Vale D’Elsa, Chiocchio, Robbiano, San Casciano in Val di Pesa e Strada.

Atualmente sob a DOCG – Denominação de Origem Controlada e Garantida – foram criadas sub-regiões, mantendo como cidades principais Gaiole, Radda, Castellina e Greve.

Greve in Chianti é hoje a maior de todas e considerada a capital da região. É uma cidade ainda pequena, com uma grande praça central, onde estão localizadas as lojas, restaurantes e o escritório de turismo. Ela se desenvolveu mais que as outras porque a rodovia SR222, que liga Siena a Florença, passa dentro da cidade.

Há uma autopista ligando Siena a Florença, mas para conhecer a região o melhor é utilizar a SR222. É uma rodovia de pista simples, cheia de curvas, subidas e descidas, que passa por dentro das vilas, cidades, vinhedos, e é muito bonita. A rodovia SR222 passa também dentro de Castellina-in-Chianti, uma vila de uma rua só, muito charmosa. É fácil de estacionar o carro e vale a pena parar para conhecer. As outras cidades Gaiole-in-Chianti e Radda-in-Chianti ficam a 8 e 10 quilômetros da SR222.

Há uma outra, rodovia direta de Siena para Gaiole, SP408, rodeada de vinhedos. De lá você pode também seguir para Radda, Castellina e Greve.

Vinhedos na região do Chianti

Quanto à hospedagem, onde ficar vai depender da programação da viagem e principalmente do interesse. Pode se hospedar em Florença ou Siena, aproveitar para conhecer as atrações das cidades e pegar um tour de um dia para visitar vinícolas. Tanto em Siena como Florença, há várias opções de tours diários.

De carro, o ideal é que já tenha feito reservas nas vinícolas. Ou então, ao chegar no hotel, verificar se o concierge ou a recepção podem marcar.


Greve in Chianti

Se o interesse for grande por vinho, o ideal é se hospedar pelo menos duas noites em Greve in Chianti. Há várias opções de hotéis e agroturismos. Há três castelos belíssimos muito visitados pelos turistas que, além da visita e da degustação, também oferecem acomodações de hotel. São muito especiais, porque são históricos.

O Castelo da Monna Lisa Castelo da Família Gherardini-Vignamaggio – fica muito próximo do centro de Greve e segundo a lenda foi ali que nasceu Lisa Gherardini, imortalizada na pintura La Gioconda por Leonardo Da Vinci. Acreditam que foi neste castelo que Da Vinci pintou o famoso quadro.

Você pode reservar um tour para simplesmente visitar o Castelo, provar os vinhos ou se hospedar. www.vignamaggio.com

Castelo da Monna Lisa – Vignamaggio

Com Emiliano Frilli – Vignamaggio

O Castelo Vicchiomaggio fica também muito próximo, ao norte de Greve, em direção a Florença, na vila de Greti, pela SR222, no topo de uma colina e rodeado de vinhedos. Há tours de visitação e degustação em poucos horários. O tour das 11h30 inclui visitação, degustação dos vinhos combinados com um almoço no salão principal do castelo. Vicchiomaggio é também hospedaria.

Há duas atrações a mais no castelo. Foi cenário do filme Much Ado About Nothing Muito Barulho por Nada”, baseado na comédia de Shakespeare, com Emma Thompson, Kenneth Branagh e Keanu Reeves.

No hall de entrada, há uma reprodução do quadro La Gioconda. Há registros de que Leonardo Da Vinci se hospedou neste Castelo e pode ter sido ali que pintou parte da obra. Isto porque no La Gioconda há o desenho de uma estrada sinuosa. Olhando do jardim do castelo há realmente uma estrada sinuosa muito parecida com a pintura de Da Vinci.

www.vicchiomaggio.it

Com Nadia – Castelo Vicchiomaggio
 

Terraço do filme Muito Barulho por Nada
 

Quadro La Gioconda

Estradinha sinuosa do quadro

O Castelo Verrazzano construído em 1170 pertenceu ao nobre e navegador Bernardo da Verrazzano. Em 1524, empreendeu junto com o rei Frederico I da França uma viagem marítima à América, que havia sido descoberta em 1492 por Cristóvão Colombo. Coube a ele “descobrir” a costa americana, da Carolina do Sul até o Canadá.

O reconhecimento veio em 1964 quando foi dado seu nome à Ponte Verrazzano, que liga Staten Island ao popular bairro do Brooklin em Nova York, por ter sido o primeiro europeu a navegar as costas da ilha de Manhattan e o Rio Hudson. Em 1528, empreendeu uma nova viagem à América, da qual não regressou. Acreditam que tenha sido aprisionado com toda sua tripulação e devorado por canibais.

Este castelo é muito procurado por turistas e tem uma programação de visita e degustação de vinhos contínua. É também hospedaria. Neste castelo, além do vinho Chianti de ótima qualidade produzem um Vinagre Balsâmico – Aceto– de uma qualidade extraordinária. O vinagre é colocado em grandes barricas de carvalho e fica maturando por 8 anos. Neste período, há uma perda de 85% do líquido, que então é transferido para pequenas barricas de carvalho por mais 2 anos, ou seja, um total de 10 anos de maturação. Por todo este tempo e cuidado, o preço de um frasco pequeno é de Euros $ 48,00. Na prova dos vinhos, você pode provar uma colherinha de café deste líquido precioso.

www.verrazzano.com

Com Matteo Vanoni no Castelo Verrazzano
 

Adegas seculares no castelo
 

Secagem de uvas brancas para licores

Válvula de escape de gases dos tonéis criada por Leonardo da Vinci

Recomendo fazer reservas com antecedência nos três palácios, para as visitas, degustações e hospedagem. Os sites são muito bem desenhados e muito fáceis de interagir. Eu recomendo fortemente visitar estes palácios. Os guias são muito bons, e é um passeio ótimo.

Há também várias opções de hospedagem, mais simples, mais baratas e com uma qualidade ótima. Muito próximo de Greve há os agroturismos Il Santo, Patrizia Falciani e Belvedere. São todos espaçosos, super tranquilos, no meio dos vinhedos, com chalés independentes. Todos eles com acomodações que incluem cozinha completa para que os hóspedes façam o próprio café da manhã. Ao fazer o check in, você recebe as chaves das acomodações e fica por conta própria. A segurança é total. Na cidade há também várias opções de hotéis de todos os níveis.

Na praça principal de Greve in Chianti há uma grande loja/armazém com uma variedade enorme de vinhos, queijos, presuntos, salames, pães e outras iguarias.

A região de Chianti é cheia de colinas e pequenos morros. O TERROIR desta região apresenta um solo de argila e calcário. Há várias áreas de matas que tornam o clima mais úmido. Mesmo assim é quente durante o dia, e a temperatura cai bastante à noite.


CHIANTI TRADICIONAL – GRAN SELEZIONE – RISERVA – CLASSICO – IGT

 Chianti Tradicional é aquele com a garrafa em formato arredondada revestido com palha. Algumas vinícolas ainda produzem, para o turismo. Na época do seu lançamento, foi considerada a garrafa padrão obrigatória. A palha foi incluída porque o vidro era branco transparente e a claridade prejudicava a longevidade do vinho. O formato arredondado, no entanto, causava problemas para os despachos e a armazenagem. Aos poucos, pelas exigências de padronização do mercado nacional e internacional, foram substituídas por garrafas com vidro mais escuro e pelos formatos padrões utilizados em todo o mundo.

Garrafas do vinho Chianti Tradicional

Gran Selezione, Riserva e Classico são vinhos produzidos dentro da DOCG, que é composta de quatorze municípios. Obrigatoriamente, os tintos devem ter 80% de uva Sangiovese e 20% de outras castas, que podem ser Canaiolo, Colorino, Cabernet Sauvignon ou Merlot.
O Classico fica em barris de carvalho por 12 meses, o Riserva, de 18 a 24 meses e o Gran Selezione, acima de 24 meses. Isto não é uma regra rígida, depende da decisão do enólogo, que acompanha a fermentação e maturação do vinho. Após ficarem nos barris, fermentam ainda um tempo nas garrafas antes de ir para o mercado. Os Chiantis Classico, Riserva e Gran Selezione levam o selo vermelho, com o galo negro em dourado.

Os tintos IGT Indicazione Geográfica da Toscana–, produzidos nas sub-regiões ou fora da região demarcada, podem utilizar 50% de Sangiovese e completar com as outras castas.

Os vinhos brancos são produzidos com as uvas Trebbiano e Malvasia.

Na região há aproximadamente 500 produtores de Chianti. Estes são alguns dos principais produtores que recomendo visitar: Azienda Agricola Querciabella, Antinori, Brancaia, Barone Ricasoli, Il Molinodi Grace e Castello di Volpaia.

Em Greve in Chianti, o Consorzio del Vino Chianti Classico controla a qualidade e quantidade da produção dos vinhos desde 1924. Algumas vinícolas estabeleceram uma produção média de uma garrafa para cada cepa de uva.

Uva Sangiovesi e Vinhedos em Montepulciano

MONTEPULCIANO

Não há registros históricos precisos sobre sua fundação. É certo, no entanto, que foi uma aldeia etrusca, e que se desenvolveu a partir da dominação dos romanos. Fica no alto de uma colina e é totalmente rodeada de muralhas, que podem ser vistas de muito longe.

Circundando as muralhas, a vista dos vales ao seu redor é também muito bonita. A Porta principal de entrada na cidade é pela estrada que vem de Sinalunga. Ao atravessar as muralhas, inicia a rua principal, a Via di Gracciano-nel Corso. Ali estão restaurantes, butiques, bazares, lojas para degustação e compra de vinhos, queijos, algumas igrejas e bancos.

Já no início no número 82, há uma atração imperdível, a Azienda Agrícola e Vinícola ERCOLANI, um grande armazém para degustação e compra de vinhos, queijos, óleos e outras iguarias. Mas a atração maior é que esta loja está sobre uma Citta Sotterranea. Descendo as escadas, há uma série de corredores, túneis, salas e tumbas, que fazem parte das ruínas da cidade antiga dos etruscos. É considerado um museu etrusco. A entrada é gratuita, e funciona o dia inteiro. Ercolani é uma combinação perfeita de turismo gastronômico e cultural, imperdível!

É proibido entrar de carro pela entrada principal, a Via di Gracciano-nel Corso, mas circundando as muralhas há várias outras entradas que levam até estacionamentos dentro e próximo ao centro e à praça central, no topo da colina. É uma cidade que, pelo fato de estar construída no alto de um morro, possui ruas íngremes que requerem um certo esforço para caminhar. Mas vale muito a pena.

Em todas as ruas há lojas e restaurantes. O Caffe Poliziano é um dos lugares típicos obrigatórios. Tradicional, mantém ainda uma atmosfera romântica dos velhos tempos. É um lugar especial para café da manhã, happy hour, almoço e jantar. Se possível escolha uma mesa próxima da varanda. A vista é maravilhosa.
Na praça central, ao lado da catedral, está a casa do cardeal Roberto Belarmino, inquisidor de Galileo Galilei. Natural de Montepulciano, o cardeal Belarmino foi uma figura importante no período da Inquisição. Sua influência política colaborou para o desenvolvimento de Montepulciano no seu tempo. A catedral é simples e despojada.

No mês de Agosto, há a competição tradicional Corrida do Barril. Dois representantes de cada comunidade rolam um barril de vinho vazio rua acima até a praça principal no topo da colina. Os vencedores recebem como prêmio uma bandeira decorada com referências ao evento, que passa a ser orgulhosamente exibida na comunidade.

O Escritório de Turismo fica na praça da catedral, em frente ao Pozzo dei Grifi e dei Leoni. De lá saem pela manhã tours diários para visitar vinícolas. É preciso marcar com antecedência.
A cidade tem alguns hotéis dentro das muralhas, mas a grande a maioria está fora. Há uma grande opções de agroturismos, como o Etruria Resort & Natural Spa, muito próximo da entrada principal, tranquilo, ótimas acomodações e serviços.

Os filmes O Paciente Inglês e O Crepúsculo, série de vampiros, tiveram cenas rodadas nas ruas e na praça central.

Catedral de Montepulciano
  

Praça Central
  

Pozzo dei Grifi e dei Leoni
 

Placa na casa do Cardeal Belarmino
 

Interior da casa do Cardeal Belarmino

Visitas às Vinícolas

O ideal para visitar vinícolas em Montepulciano é através de um guia que pode fazer a marcação das visitas. Recomendo contatar o Emanuelle na info@tuscanytransfer.it
Há também uma opção econômica pelo tour diário do Escritório de Turismo, que sai todas as manhãs da praça central, em frente à Catedral. O tour sai logo cedo, e o ideal é que se reserve no dia anterior.
Já visitei vinícolas das duas maneiras e a melhor, sem dúvida, é o tour privado. Mesmo porque o guia já tem os contatos e o atendimento é diferenciado.

Visitamos, em uma manhã, três vinícolas muito importantes e de ótimos vinhos, Boscarelli, Poliziano e Valdipiatta. A visita e o atendimento na Boscarelli e Valdipiatta foram mais personalizados. Além da degustação pudemos visitar os vinhedos e toda a área industrial.
Poliziano é um dos mais importantes produtores do vino nobile. Moderna, rodeada de vinhedos, com um atendimento profissional. A visita ficou concentrada na degustação dos vinhos.

Existem hoje cerca de 70 produtores de vinho na região de Montepulciano. Um número relativamente pequeno para a importância do vino nobile.
Além das que visitei, recomendo Azienda Casale, Carpineto, Fassati, Castellani Filicheto, Fattoria del Cerro, Il Machione, entre outras.

Com Miriam Caporali na Tenuta Valdipiatta
 

Com Svetlana e funcionários na Valdipiatta
 

Com Francesca na Boscarelli

Propriedades e vinhedos da Tenuta Valdipiatta

Vino Nobile

O vinho tinto de Montepulciano é um dos mais antigos da Itália. Há referências a ele em citações de textos dos anos 789, 1350 e 1605. Era conhecido como o Vino Rosso de Montepulciano.
Em 1925, para uma Feira em Siena, o viticultor Adam Faretti chamou seu vinho tinto de Nobile, para destacar sua qualidade. O vinho foi premiado e, a partir daí, os produtores de Montepulciano começaram também a se referir a seus próprios vinhos como Nobile.

O Vino Nobile de Montepulcino é produzido com 100% de uva Sangiovese e fica 12 meses nas barricas de carvalho e um tempo mais nas garrafas, antes de ir para o mercado.
O Nobile Riserva, 100% Sangiovese, fica 24 meses maturando nas barricas e alguns meses mais nas garrafas, antes de ir para o mercado.
O Rosso de Montepulciano, um vinho jovem, é feito com Sangiovese, Canaiolo, Merlot ou Cabernet Sauvignon. Após a fermentação, fica ainda alguns meses maturando nas garrafas antes de ir para o mercado.
Novello
é um vinho frisante, rosé, produzido com uma uva local de mesmo nome, para ser bebido fresco, com sobremesa e frutas.
Na década de 90, foi reconhecido com DOC – Denominação de Origem Controlada – e o Consorzio del Vino Nobile de Montepulciano controla a qualidade e a quantidade produzidas. Em seguida, foi reconhecido com DOCG.

Muitos produtores preferem se referir à uva Sangiovese como Prugnolo Gentile. A justificativa é que a uva de Montepulciano é uma derivação da Sangiovese, mais leve, menos encorpada, mas com muito tanino e sabores que dão um toque mais refinado e elegante ao vinho.
Como tanto em Montalcino como na região do Chianti a referência à Sangiovese é muito intensa, referir-se à uva como Prugnolo Gentile acaba sendo uma maneira de destacar a uva de Montepulciano.

Na região, há várias aziendas familiares e empresariais. Com o crescimento do mercado mundial de vinhos, várias empresas estão adquirindo terras e comprando os negócios de pequenos e médios viticultores.

O Terroir de Montepulciano é seco, com pouca chuva, e solo composto de argila e granizo. Nas regiões mais baixas, o solo é composto de mais argila, com um pouco de pedras. O Verão com dias quentes e o Inverno com noites frias são próprios para o plantio de uvas de qualidade.

Uva Sangiovese e vinhedos em Montalcino

Montepulciano D’Abruzzo

Este vinho tem uma excelente distribuição no Brasil e é encontrado em vários pontos de vendas e supermercados a bons preços. D’Abruzzo é uma região importante da Itália, a nordeste de Roma, banhada pelo Mar Adriático, tendo como capital a cidade de L’Aquila. Há referências à produção do vinho em Abruzzo desde 247a.C.
O famoso general e estrategista Anibal, de Cartago, dominou por 10 anos esta região, e há registros de que oferecia a seu exército e a seus cavalos vinho D’Abruzzo. Acredita-se que a uva Montepulciano tenha sido trazida da Grécia.
Há uma polêmica entre D’Abruzzo e Montepulciano com relação à origem de suas uvas.

Em D’Abruzzo dizem que a uva Sangiovese é uma derivação da uva Montepulciano. Montepulciano diz exatamente o contrário. Os registros históricos, no entanto, atestam que há citações antigas do vinho de D’Abruzzo.
Toda essa polêmica acaba promovendo o consumo do vinho nessas regiões.

Mapa de D’Abruzzo
 

Vinhedos em D’Abruzzo
  

L’Aquila, capital de D’Abruzzo
 

Vinho Montepulciano D’Abruzzo
  

PIENZA

Perto de Montepulciano, a 20 quilômetros a oeste, fica a cidade de Pienza, que pelo desenho e urbanismo foi considerada a cidade ideal do Renascimento.
É reconhecida nacional e internacionalmente pelo queijo Pecorino di Pienza.
Como fica no caminho de Montalcino, vale muito a pena parar para visitar. Leva no máximo de duas a três horas. É praticamente só uma rua, com lojas, restaurantes e muita degustação do famoso Pecorino.
É proibido circular de carro dentro das muralhas. Há estacionamentos a sua volta.
Como fica no alto de uma colina, a vista do vale é muito bonita.
Em um dos cantos da muralha, há um mirante dedicado aos namorados. Chega-se lá por ruas estreitas. Casais ainda hoje trocam juras de amor na Via del Bacio e Via Dell’Amore.

Via dell’ Bacio e dell’Amore in Pienza

Para quem aprecia queijo Pecorino, no caminho de Montepulciano a Pienza, há uma propriedade rural com criação de ovelhas, produção e venda de queijo pecorino, geléias, mel e outros produtos locais. Há uma placa grande à direita da estrada indicando o local, Pecorino di Pienza – CUGUSI. Fazem embalagem climatizada para viagem.

Pecorino é o queijo feito com leite de ovelha (pecora).
A vista de Montepulciano de lá é muito bonita.

Montepulciano

Placa indicativa de venda do Pecorino

MONTALCINO

Famosa pelo vinho Brunello, foi fundada pelos etruscos em 814a.C. Montalcino desenvolveu-se nos séculos XI e XII por fazer parte da Via Francígena e ser um ponto de parada e descanso dos cruzados em direção a Roma e à Terra Santa.
Com o término das Cruzadas, Montalcino, como várias outras cidades, entrou em decadência. Na Idade Média, a Via Francígena foi reativada com a passagem dos peregrinos que vinham da França, Inglaterra e Holanda em direção a Roma para visitar os túmulos de São Pedro e São Paulo.
A cidade é pequena, medieval, com prédios e construções muito bonitas, ruas estreitas com lojas, butiques, restaurantes, igrejas e muitos pontos de venda e degustação de vinhos.
No centro da cidade, há uma grande loja Enoteca di Piazza com vinhos de praticamente todas as vinícolas a preços muito bons. Os atendentes conhecem tudo sobre Brunello para bem recomendar. O melhor lugar para comprar um Brunello é na própria vinícola. Se for comprar na cidade, a Enoteca é a melhor opção.
A cidade fica em uma colina e pode ser vista de muito longe. No alto, há um castelo em ruínas, de onde se tem uma vista bonita de todo o vale.

Em Montalcino há uma competição em Agosto de Arco e Flecha, que é realizada dentro do castelo. Quatro comunidades indicam seus representantes. No sábado, ocorrem as preliminares. O alvo é colocado a uma primeira distância, e depois vai recuando à medida que os competidores vão acertando ou errando. Os que erram vão sendo eliminados. Ao fim sobram os dois últimos, o vencedor e o segundo colocado das preliminares vão para as finais no domingo. O vencedor da preliminar escolhe a primeira distância, e partir daí o alvo vai sendo afastado até que saia um vencedor. Ele ganha, em nome da comunidade, uma bandeira decorada e vinhos Brunellos.

Próximo ao centro, há um museu histórico e uma igreja recentemente restaurada, que foi locação de uma cena do filme Romeu e Julieta, de Franco Zeffirelli.
O filme O Gladiador, com Russel Crowell, teve cenas externas filmadas na região.

Montalcino
 

Mapa das vinícolas
 

Via Francígena em Montalcino

Vinhedos em Montalcino

Vino Brunello di Montalcino

Montalcino, assim como algumas cidades da região, vivia no século XIX uma certa estagnação com a redução do movimento da Via Francígena. Nesse período, já se produzia vinho tinto para consumo local.
Em 1850, Clemente Santi, químico e farmacêutico, iniciou sua produção de vinho a partir da seleção de uvas de uma casta local denominada Brunello, chamada assim por sua cor vermelho-escura. Em 1865, apresentou ao mercado a primeira garrafa de seu vinho, com a marca Brunello di Montalcino.
Em 1870, ganhou um importante prêmio na Feira de Siena e seu vinho ficou conhecido.
Em 1879, o Consórcio do Vinho de Siena, concluiu que a uva chamada de Brunello era uma derivação da Sangiovese, e passou a exigir que os vinhos produzidos em Montalcino tivessem como referência a casta Sangiovese. Decidiram então manter o nome Brunello como sendo a marca do vinho.
Por volta de 1888, eram produzidos uma média anual de 900 garrafas, e o vinho era raro e caro. Assim continuou nos anos seguintes.
Os pioneiros foram Biondi-Santi, Fattoria dei Barbi, Padelletti e Constanti.
A produção sofreu muito com a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. Neste período, a cidade empobreceu. A partir de 1945, com o término da Segunda Guerra, a produção do Brunello voltou, devagar. Muito pequena, era difícil conseguir encontrar e comprar uma garrafa. O preço era muito alto.
À medida que a demanda aumentou, a produção foi crescendo e já havia cerca de 60 produtores em 1968, quando então foram agraciados com o título de DOC – Denominação de Origem Controlada. Em 1980, recebeu a classificação de DOCG – Denominação de Origem Controlada e Garantida.
A partir de 1995, com o crescimento e consolidação do mercado de vinhos em todo o mundo, viticultores, produtores, investidores e artistas escolheram Montalcino para investir.

Neste período, houve um grande incremento com a vinda para a região do Castello di Banfi.
O Brunello já era reconhecido como um vinho da mais alta qualidade.

Em 1969, o presidente da Itália em um jantar na Embaixada Italiana de Londres em homenagem à Rainha Elizabeth II, ofereceu a ela e a seus convidados um Brunello Biondi-Santi Riserva 1955.

Clemente Santi

Vinhedos em Montalcino

Biondi-Santi Riserva 1955 foi considerado pela Wine Spectator um dos 12 Melhores Vinhos do Mundo do século XX.
Em 1986, um Brunello Casanova di Neri ganhou o Grand Prix e Medalha de Ouro em um evento em Bordeaux.
Desde então, o reconhecimento mundial aconteceu naturalmente. Vários outros produtores de Brunellos receberam prêmios. A marca e a qualidade do vinho se consolidaram.
Hoje há cerca de 250 produtores de Brunellos.
Segundo especialistas, o pico de qualidade de um Brunello é atingido após 12 anos da safra, que é identificada na garrafa. A partir daí, a qualidade pode cair gradativamente. Você pode beber e apreciar a qualquer momento, mas o melhor sabor é por volta dos 12 anos.
São considerados, junto com os Barolos, os vinhos mais longevos do mundo.

A altura máxima para os vinhedos nesta região deve ser de 600 metros do nível do mar. O solo é de argila e calcário. Clima seco, com pouca chuva, quente durante o dia e frio à noite. O mesmo terroir de Montepulciano, com uma pequena diferença, Montalcino fica relativamente mais próxima do Mediterrâneo.

Triagem manual das uvas na Poggio Antico

Triagem manual dos cachos na Poggio Antico

Variedades dos Vinhos 

Há alguns anos, dentro de todas as obrigatoriedades da produção do Brunello era exigido que o vinho ficasse em barricas de carvalho por 45 meses.
Aos poucos, pelas exigências do mercado e com o cumprimento da manutenção das quantidades e qualidades, os produtores conseguiram reduzir para 36 e depois 24 meses na barrica e mais 12 meses na garrafa.

O Brunello di Montalcino é produzido com 100% de uva Sangiovese e deve ficar em barris de carvalho no mínimo 24 meses e mais 12 meses nas garrafas, antes de ir para o mercado.
Brunello di Montalcino Riserva
fica no mínimo 36 meses em barris de carvalho e mais seis meses na garrafa.
Rosso di Montalcino
fica obrigatoriamente 12 meses em barris.
Há vinícolas que, em anos especiais, mantêm o vinho 45 meses em barris de carvalho.

Apesar de ser reconhecido pelo vinho tinto, produzem um ótimo vinho frisante, licoroso e aromático, Moscadello di Montalcino. No passado, utilizavam a uva moscadella que foi dizimada pela Filoxera. Hoje é produzido com a casta moscato bianco.
Sant’Antimo
é um vinho local, mais barato, que é produzido com Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir ou a local Novello.
O vinho branco, com Chardonnay.

Tonéis de inox prontos para fermentação – Poggio Antico

O Biondi-Santi continua um ícone e é, seguramente, o mais famoso de todos. Sua produção passou de geração por geração. O nome Biondi foi adicionado à marca quando a filha de Clemente Santi casou-se com Jacopo Biondi. O neto Ferrucio Biondi-Santi deu um grande impulso na produção no século XIX. As gerações seguintes mantiveram o nível e até melhoraram. O Brunello Biondi-Santi Riserva 1970 é considerado um ícone da Enologia Mundial.

Seus vinhedos Il Greppo são considerados um dos melhores terroirs do mundo.
Nos pontos de vendas e lojas, há Biondi-Santi de vários anos e vários preços, a iniciar por Euro$ 90,00 a garrafa.
Hoje Poggio Antico, Casanova di Neri, Fattoria dei Barbi, Castello di Banfi, Constanti, Castello Tricerchi, Podere Le Ripi tem seus vinhos sendo reconhecidos como da mais alta qualidade em todo mundo.

Todas estas vinícolas têm recebido premiações nacionais e internacionais, regularmente.

Entrada da Biondi-Santi

Vinhedos da região

Visitas às Vinícolas

Visitar vinícolas em Montalcino requer uma programação muito especial, isso porque elas ficam em quatro estradas que saem da cidade em diferentes direções. E não há estradas menores ou vicinais interligando-as.
Então, se for visitar, por exemplo, a Poggio Antico e Castello di Banfi, que ficam na estrada para o sudoeste, e depois quiser ir a Fattoria dei Barbi, Biondi Santi e Museu do Brunello, que ficam a sudeste, é preciso voltar a Montalcino. As distâncias são pequenas, mas o passeio requer planejamento.
Das primeiras vezes que fui por conta própria, visitei a Castello di Banfi, Poggio Antico e Fattoria dei Barbi. Acabou sendo mais degustação e compras. A Fattoria dei Barbi tem um ótimo restaurante. O Castello di Banfi tem agroturismo e hospedagem.

Nesta última viagem contratei os serviços de uma guia muito especializada, info@artemisiaviaggi.it ou nadiabindi@artemisiaviaggi.it. Nadia tem um ótimo relacionamento com todas as vinícolas. Fez uma programação muito dinâmica, visitamos cinco vinícolas em um dia, com direito a almoço em uma delas. Em todas, fomos recebidos de uma maneira muito especial.

Visitamos a Podere Le Ripi, que fica em uma vila próxima Castelnuovo dell’Abate, onde fomos recebidos pelo enólogo Sebastian Nasello. Essa vinícola fica na mesma estrada da Biondi-Santi, Fattoria dei Barbi, Museu do Brunello e da turística Abazzia di Sant’Antimo, um convento medieval.

Abadia de Sant’Antimo

Vinhedos da região

Em seguida, a Poggio-Antico, muito linda, fica em uma região alta, dos jardins avista-se o mar.
Como era época da colheita, havia uma atividade intensa. Visitamos todas as instalações e pudemos acompanhar o trabalho de seleção manual das uvas e a entrada nos tonéis de inox para a fermentação. A qualidade dos vinhos da Poggio Antico está ligada ao respeito que seus produtores têm por reconhecerem que o vinho tem uma natureza viva.

No Castello Tricerchi tivemos uma ótima surpresa. Participamos do almoço que os proprietários oferecem aos empregados que participaram da colheita. A degustação dos vinhos foi durante o almoço, comum delicioso penne ao pesto.

De lá fomos para a icônica Casanova Di Neri.
O nome está relacionado a uma casa nova da família Neri, que havia sido construída na época da instalação da vinícola.
Eles possuem vinhedos em várias regiões de Montalcino.
Casanova Di Neri fica bem próximo da entrada da cidade, na estrada para Pienza e San Quirico D’Orcia.

A última visita foi à uma vinícola pequena e familiar Villa Le Prata.
Após visitar as instalações e vinhedos,a degustação foi no casarão e residência da família.

Com Paola Gloder na Poggio Antico
 

Com Borjana Bosnjak na Casanova di Neri
 

Com Anna Vittoria Brookshaw na Villa le Prata
 

Com Mario Machetti no Albergo Il Giulio
 

Com Tommaso Squarcia e Nadia Bindi no Castello Tricerchi

Com Gianlorenzo Neri na Casanova di Neri
 

Biondi-Santi estava fechada por causa da colheita. Só iriam abrir para os visitantes após encerrarem todas as atividades do processo de vinificação. Pudemos conversar com funcionários que nos disseram que apreciam muito os brasileiros, principalmente depois que a novela Terra Nostra foi toda gravada no local.

Em Montalcino, ficamos no agroturismo Canalicchio di Sopra, que fica a 5 quilômetros da cidade, na estrada que vai para Siena. São poucos apartamentos, espaçosos, muito bem decorados, confortáveis, todos de frente para a piscina e os vinhedos. Servem um café da manhã simples. O atendimento é muito bom. A partir das 18 horas, o hóspede fica por conta própria.
Na porta do Canalicchio di Sopra passa a Via Francígena.
Há também uma boa opção de ficar em hotel dentro da cidade.
Uma das vezes, ficamos hospedados próximo ao centro no Albergo Il Giulio de propriedade de Mario Machetti, considerado um dos maiores conhecedores de Brunello. Um hotel simples, confortável, com bom preço, bom papo, uma adega muito especial e boas recomendações de visitas e compras.

  
San Giovanni D’Asso

Muito próximo de Montalcino está a cidade medieval de San Giovanni D’Asso famosa pela trufa branca (tartufo bianco).
Como Alba no Piemonte, recebe regularmente turistas interessados em conhecer e degustar esta iguaria.
A vila tem somente cerca 900 habitantes. Montalcino e San Giovanni estão discutindo a possibilidade tornarem-se um único município. Há inclusive a programação de um plebiscito para decidir.
A Festa da Trufa ocorre, como em Alba, na última quinzena de Outubro e na primeira quinzena de Novembro. Recomendo confirmar as datas exatas pela Internet.


Cidades Medievais na rota da Via Francígena

Já saindo de Montalcino em direção a Siena, a 20 quilômetros está a cidade de Buonconvento. Pequena, simples e medieval, era uma das importantes paradas dos peregrinos. Mantém ainda uma hospedaria para os peregrinos, a preços muito econômicos.
Próximo de Montalcino em San QuiricoD’Orcia há também em funcionamento uma hospedaria a preços simbólicos para os peregrinos.

Via Francígena em Buonconvento

San Gimignano foi fundada pelos etruscos em 300a.C. Hoje, tombada pelo Patrimônio Histórico, é uma dessas cidades que conservam ainda toda a magia do período medieval.
Em seu apogeu, chegou a ter 50 torres-casas, hoje são cerca de 14 torres.
A cidade se desenvolveu aos lados da Via Francígena. Era um dos locais mais importantes de parada dos cruzados e depois dos peregrinos.
As duas principais ruas – Via San Matteo e Via San Giovanni – são partes da Via Francígena.
No fim da Via San Giovanni, existe ainda uma hospedaria da época dos cruzados e dos peregrinos.
Em San Gimignano, é produzido o lendário vinho branco Vernaccia. Um dos mais antigos vinhos da Itália, citado por Dante Alighieri em sua obra épica A Divina Comédia, na parte do Purgatório, Canto XXIV.
É produzido hoje com a predominação das uvas Traminer, Moscato Bianco ou Malvasia, com 10% de Riesling ou Sauvignon Blanc. Harmoniza muito bem com peixes e carnes brancas.
O Museo del Vino Vernaccia abre de Abril a Outubro.
Fattoria San Donato e Vagnoni são dois bons produtores deste vinho.

San Gimigniano e o vinho Vernaccia

Monteriggioni, no topo de uma colina, foi uma importante fortaleza durante as disputas entre Siena e Florença. Estrategicamente localizada, era também um lugar seguro para descanso e pernoite dos cruzados e peregrinos.
A Via Francígena passa dentro da fortaleza ligando as portas em direção a Florença e em direção a Siena.
Atualmente, nos dois primeiros finais de semana de Julho, ocorrem as Festas Medievais com atrações, música, shows e personagens típicos.
Sugiro, ao programar sua viagem, confirmar antes as datas pesquisando na internet.

Monterregioni
 

Porta de entrada da fortaleza
 

Festa Medieval em Monterregioni

Volterra, a capital dos etruscos, foi fundada no século IV a.C. Localizada no centro da Toscana, era rica em veios metálicos, ferro, salinas e alabastro.
Os etruscos foram os primeiros povos a dominar a extração e utilização do ferro. Rodeada de muralhas, era uma cidade relativamente grande para aquela época. As ruas são estreitas; as construções, muito bem conservadas, igrejas, museus, hotéis, lojas, restaurantes. É, sem dúvida, uma cidade que, se puder, vale muito a pena conhecer.
O Museo Etrusco Guarnacci é um dos mais completos da Toscana.
Foi importante também durante a dominação dos romanos, e conserva ainda ruínas dessa época.

As festas medievais são realizadas desde 1398 e uma das atrações é a Corrida do Queijo pela Via Franceschini, em que competidores eleitos por sua comunidade rolam os queijos rua abaixo.
A cidade fica no alto de uma colina, mas dá para chegar de carro quase até o topo, onde há um grande estacionamento subterrâneo.
É uma cidade mais atraente que San Gimigniano, inclusive maior, com mais atrações históricas e uma variedade grande de lojas e restaurantes.

Volterra
 

Objetos de ferro forjados pelos etruscos
 

Sarcófagos do museu etrusco
 

Ruínas romanas em Volterra

ILHA DE ELBA 

Muito conhecida por ter sido em 1814 o cativeiro de Napoleão Bonaparte por 10 meses, hoje faz parte da Toscana e está ligada ao município de Livorno.
Há várias barcas diárias que saem do Porto de Piombino em direção a Portoferrario, e que levam no máximo uma hora. O ideal é atravessar com o carro para poder circular melhor pela ilha, que é rodeada de praias belíssimas.
Em 1500a.C., os etruscos já extraíam e exploravam minério de ferro e comercializavam para todo o Mediterrâneo. A ilha é citada em textos gregos da época.
Na Ilíada e na Odisséia, de Homero, há referência a uma ilha no Mediterrâneo da qual dos barcos se avistava fogo no topo da montanha. Acreditam ser Elba, com os etruscos trabalhando o ferro nas fornalhas durante a noite.
Conhecida pelos gregos e cartaginenses, na mitologia grega é citada como sendo a ilha onde Jasão e os Argonautas passaram na busca pelo tosão de ouro.
Durante a dominação dos romanos, floresceu como fornecedora de matéria-prima para confecções de armamentos, o que lhes deu uma vantagem sobre povos que lutavam com armamentos de cobre.
As minas hoje estão desativadas, depois de terem sido bombardeadas na Segunda Guerra Mundial, mas há tours para visitação.

Praias da Ilha de Elba

Portoferrario

Portoferrario é a capital da ilha, voltada para o lado do continente. Movimentada pelo porto, é o centro de negócios. À sua volta, há praias com um mar azul e transparente do Mediterrâneo.
Capoliveri
, construída em 1000 a.C., é uma pequena cidade no interior da ilha, próxima das minas de ferro e que, apesar de ter hoje uma arquitetura mais medieval, guarda a história daqueles tempos.
Capolíbero, ou Capolivri,
como era conhecida até o século XIII,era uma espécie de cidade livre para pessoas que tivessem cometido algum delito e estivessem fugindo da lei no continente. Hoje a ilha vive totalmente do turismo, atraindo principalmente alemães, austríacos, nórdicos e, claro, italianos.

Aleatico Dell’ Elba é um vinho licoroso produzido com a uva aleática, secada ao sol, que harmoniza muito bem com doces, chocolates e frutas, principalmente o pêssego.
Elba produz vinhos tintos de muito boa qualidade. O solo é arenoso e granítico, o clima é seco, com umidade, maresia e ventos do mar. A maioria dos tintos é produzida com 80% de Sangiovese e 20% de Syrah. O Aleatico Dell’ Elba está dentro de uma DOC – Denominação de Origem Controlada. Duas marcas muito recomendadas são Aleatico Passito Dell’ Elba e Aleatico Sapereta Dell’ Elba. O Passito era o preferido de Napoleão Bonaparte.

Uva aleática ao sol

A Toscana é rica em história, beleza natural e vinhos da mais alta qualidade. Você pode iniciar uma viagem por Florença, Milão ou Roma, todas têm voos diários de várias partes do mundo. As cidades são próximas umas das outras, as estradas são pequenas, muito bem conservadas e com pouco movimento, o que facilita a circulação. Há várias opções de hotéis e agroturismo. É uma região muito linda.

Estou à disposição para dicas ou recomendações:
miltonassumpcao@terra.com.br

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