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por Milton Assumpção em  17/01/2018  às 20h17

VINHOS DE ALTITUDE - VACARIA Rio Grande do Sul - SÃO JOAQUIM Santa Catarina - Inclui ESTRADA DA SERRA DO RIO DO RASTRO

Tenho postado em meu Blog referências à produção de vinhos na região chamada Campos de Cima da Serra, ou Campos de Vacaria. Além dos produtores locais, vários viticultores do Vale dos Vinhedos têm adquirido propriedades para expandir suas plantações.
É uma região onde se produz trigo, flores e principalmente frutas, como maçãs, morangos e framboesas.
A produções de vinhos e espumantes cresceu bastante nos últimos anos.
Próximo dali, já na serra de Santa Catarina, em São Joaquim, conhecida pelo turismo da neve, há uma crescente produção de Vinhos de Altitude. Os vinhedos estão acima de 1.300 metros.

PROGRAMAÇÃO DA VIAGEM
Aproveitando os feriados prolongados de Novembro fizemos uma programação de viagem bem dinâmica.
Saímos de São Paulo de avião para Caxias do Sul, em um voo de manhã que leva 75 minutos.
Alugamos um carro no aeroporto e fomos direto para a região do Vale dos Vinhedos.
Na hora do almoço, já estávamos hospedados no Castello Benvenutti entre Garibaldi e Bento Gonçalves.

Curtimos por dois dias vinícolas no Vale dos Vinhedos e Pinto Bandeira.
No meu blog de Dezembro/2017, faço um relato detalhado das visitas às vinícolas de Pinto Bandeira.

No terceiro dia, logo bem cedo, subimos a serra em direção a Vacaria, onde degustamos vinhos e seguimos para São Joaquim, para visitar vinícolas de altitude.

Saímos de São Joaquim e descemos a incrível Estrada da Serra do Rio do Rastro.
Devolvemos o carro no aeroporto de Florianópolis.

Foram cinco dias bem dinâmicos, mas que deu para fazer com tranquilidade.

Rio das Antas, Rodovia 116,Campestre da Serra

  
CAMPOS DE CIMA DA SERRA – VACARIA

O nome da cidade foi dado pelos jesuítas espanhóis que viviam na região das Missões, hoje pertencente à Argentina. Eles chamavam de Vaqueria de los Pinares, ou seja, Vacaria dos Pinhais. Era uma região de criação de gado para suprir aos jesuítas e às comunidades onde atuavam.
Mais tarde tornou-se parada e pernoite dos tropeiros que vinham da região do Sul e do rio da Prata para o Centro Oeste, tocando a boiada.


Para ir a Vacaria, saindo de Garibaldi, há de voltar a Caxias do Sul e pegar a Rodovia 116 sentido norte. O trajeto da serra é muito bonito. Vale a pena subir devagar e com cuidado, apreciando a paisagem. A mata verde compacta, rios e riachos dão um toque mágico. Eu não imaginava haver tanto verde nesta região.

Quando se atinge o planalto, já em uma altitude de 970 metros, começam a aparecer os campos de trigo e as plantações de maçãs, a perder de vista.

Esta região é reconhecida como a maior produtora de maçãs do Brasil.

O clima é propício para frutas, maçãs, morangos, framboesas, vinhedos, flores e pecuária.
É um clima subtropical com médias máximas de 27 graus no Verão e 7 de mínima no Inverno.
É propício para as uvas brancas utilizadas na produção dos espumantes.

Já há uma produção de vinhos e espumantes regulares. A maioria dos produtores ainda processa a produção em Caxias do Sul e Bento Gonçalves.

Produção de maçãs em Vacaria 

  
PRODUTORES EM VACARIA

Os mais reconhecidos são FAZENDA SANTA RITA. ARACURI VINHOS, CAMPESTRE, RAVANELLO E RAR – Raul A. Randon.

Raul R. Randon é um dos proprietários da Randon S/A que produz carrocerias e reboques de caminhões.
Em 1970 criou a empresa RASIP para investir na plantação de frutas, produção de vinhos e criação de gado para leite e corte.

Os vinhedos estão espalhados pela região, muitas vezes, ao lado de plantações de frutas e outras culturas.Aracuri Vinhos, por exemplo, tem seus vinhedos no município de Muitos Capões.


TURISMO DE VISITAÇÃO

Não há Enoturismo regular. Uma estrutura para visitação de turistas está ainda em fase de organização.
Quando fiz minha programação de viagem incluindo Vacaria, contatei por telefone e email alguns produtores para marcar visitações. Foram todos muito atenciosos. Informaram que na cidade há neste momento somente duas lojas para degustação e venda de vinhos.

Se seu plano de viagem tem como foco o Enoturismo, minha recomendação é que dedique somente algumas horas para visitar as lojas especializadas, degustar e comprar alguns vinhos e seguir viagem. Foi o que fizemos.

Dependendo de seu planejamento pode ser um bom lugar para pernoitar.
Há várias opções de hotéis e restaurantes. Vacaria é uma cidade histórica e muito bonita.

FAZENDA SANTA RITA tem sua loja na cidade à Av. Militar 808, onde é possível fazer a degustação e comprar seus vinhos. Recentemente inauguraram na vinícola um espaço para eventos e recepção de turistas. Neste momento, funciona somente com eventos especiais. No futuro, deverá tornar-se um centro de atendimento de turistas regular.

O SPACCIO RAR no KM 33 da Rodovia 116 oferece degustação e venda de seus vinhos.
Nesta loja, além dos vinhos há degustação de queijos, manteigas e azeites produzidos por eles.
Uma das maiores atrações é o queijo italiano Grana.
Visitei a Spaccio e degustei, entre outros, o seu Espumante Brut.
Posso afirmar sem dúvida que é muito bom. Intenso, mas leve, elegante, passa uma sensação de frescor muito boa. Gostei bastante. O atendimento no local é muito profissional.

Degustando vinhos no Spaccio RAR, Vacaria

 
SÃO JOAQUIM, Santa Catarina

De Vacaria guiamos em direção a Lages, já em Santa Catarina. A estrada é muito boa, e tem pouco movimento de caminhões.
De Lages sai uma estrada também de pista simples, mas bem pavimentada para São Joaquim.
Chegamos no início da noite, para pernoitar.
Há várias opções de hotéis e pousadas na cidade.

SÃO JOAQUIM é conhecida pelos brasileiros pela neve que cai durante o Inverno. Neste período, a cidade fica cheia de turistas, curtindo o frio.

Igreja matriz de Vacaria
  
Tábua meteorológica em São Joaquim


VINHOS DE ALTITUDE

Não estando no Inverno e não havendo a possibilidade de neve, a cidade, muito pequena, tem poucas atrações.

Passa a ser quase obrigatório visitar as vinícolas.

O vinho é classificado com sendo “De Altitude”, porque os vinhedos estão a mais de 1.300 metros de altura.
O solo é argila com muita pedra, uma umidade média, mas com possibilidade de chuvas de granizo.
A amplitude térmica é muito elevada. Dias quentes moderados e noites muito frias.


VISITA ÀS VINÍCOLAS

Há várias vinícolas, e as mais conhecidas são Villa Francioni, D’Alture, Villagio Barsetti e Leone de Veneza.

VILLA FRANCIONI é a mais importante de todas. É a maior atração turística de São Joaquim, depois da neve!

No início dos anos 2.000, o empresário Manoel Dilor de Freitas idealizou uma vinícola ao estilo das mais bonitas da Europa.
Em 2002, plantou os primeiros vinhedos, e começou a construção de uma Cantina de 4.400 m² para produzir o vinho e receber visitantes.
Faltando poucos meses para inauguração, faleceu de um enfarte.
Coube aos seus filhos continuarem a obra do Pai, e inaugurar a vinícola.

É uma das mais lindas do Brasil.
Construída na parte alta do terreno, o projeto de arquitetura privilegiou o visual de toda a região.
A produção do vinho obedece à utilização de níveis gravitacionais proporcionando uma facilidade para a circulação das uvas sem que haja qualquer sofrimento.
O sistema de engarrafamento é todo maquinizado, seguro e limpo.

Além da visita às instalações e da degustação, há uma Galeria de Artes, com quadros de Juarez Machado e Camille Claudel.
Há também um espaço gastronômico para lanches e refeições.

Não é uma simples vinícola, é uma atração turística completa.

Como há um fluxo grande de turistas, é obrigatória a reserva antecipada.
Pode ser feita pela Internet ou pelo Hotel onde está hospedado em São Joaquim.

Vinícola Francioni, São Joaquim


A VISITA E OS VINHOS

VILLA FRANCIONI

Há vários guias fazendo os tours simultâneos. Fui recebido pelo responsável pelo Turismo, José Bernardo Carvalho Junior.
Contou a história do lugar, descreveu as características dos vinhos e conduziu a degustação.

São várias as opções de Tintos, Brancos e Espumantes.

Nos Tintos, predominam as uvas Cabernet Sauvignon e Merlot.
Nos Brancos e Espumantes predominam a Chardonnay e Sauvignon Blanc.

Possuem algumas linhas, como Aparados, São Joaquim e VF. Esta última com uma sublinha dedicada ao Pintor Juarez Machado.
O espumante leva a marca JOAQUIM – Brut Blanc de Blancs.

Uma característica do Vinho de Altitude é a acidez da uva, que obriga um tempo maior de fermentação. Por outro lado, o vinho fica mais leve, intenso, mas relativamente moderado.
Percebe-se claramente a diferença de intensidade de um Cabernet Sauvignon de altitude, de outros, produzidos em altitudes menores.
O mesmo se dá com os Espumantes.

A produção é de 300.000 garrafas ao ano. Há uma certa dificuldade de colocar os vinhos no mercado do Centro-Oeste, pelo excesso de competição.

Vinhos de Altitude são um diferencial competitivo que poderia ser trabalhado.

Se for a São Joaquim, a visita nesta vinícola é obrigatória, pela história, pelos vinhos, pela beleza.

Com Jose Bernardo Carvalho Jr na Vinícola Francioni
   

Vinhedos na Vinícola Francioni protegidos de chuvas de granizo

D’ALTURE

Fica praticamente em frente à Villa Francioni, do outro lado da estrada.
Seus vinhedos estão plantados em maior altitude, por isso o nome D’Alture.
O proprietário é boliviano e é um negócio pequeno de família.
É o oposto da Francioni. As instalações são rústicas, e o local é bem simples.
Atendem normalmente quem chegar.
Não há um tour pelos vinhedos. Fazem um passeio pelas instalações e em seguida a degustação.
A estrada até o alto, onde está a sede, é íngreme, de terra, pelo meio dos vinhedos.
Em alguns cortes desta estrada dá para ver a composição de terra e pedras características desta região.

Produzem mais vinhos tintos, predominando as uvas Cabernet Sauvignon e Merlot.

Na Villa Francioni, o grande número de visitantes são turistas que fazem o tour e depois compram algumas garrafas.

Já na D’Alture são pessoas da própria região ou que vem a São Joaquim com mais frequência e compram caixas de vinhos para consumo próprio, consumidores mais fiéis.
O preço do vinho aqui também é mais barato, e o vinho é muito bom.


Degustando vinhos na Vinícola D’Alture
   

Solos de argila e pedrasVinhedos a 1.300 metros de altitude


ESTRADA DO RIO DO RASTRO

Fica entre as cidades de Bom Jardim da Serra e Lauro Muller e faz parte da Rodovia SC 390.
É considerada uma das estradas mais incríveis do Brasil e do Mundo.
Desce de uma altitude de 1.421 metros até praticamente o nível do mar.
São 34 quilômetros com 284 curvas sinuosas e acentuadas.
A descida é no sentido de Bom Jardim da Serra para Lauro Muller.

HISTÓRIA DA ESTRADA

Por volta de 1870, os habitantes da região, abriram uma trilha na mata, serra abaixo, para buscar gêneros de primeira necessidade na cidade de Laguna. Na época, a trilha era conhecida como da Serra do Doze.
Posteriormente passou a ser chamada de Serra do Rio do Rastro.
Para percorrer o trajeto, que levava dias, utilizavam burros para transportar os produtos.

Na metade do século passado, transformaram a trilha em uma estrada de terra, com a circulação de pequenos carros.
Na década de 80, a estrada foi pavimentada e é hoje de grande circulação, ligando Laguna e Tubarão a São Joaquim e Lages, na Serra Catarinense.


A INCRÍVEL ESTRADA

De São Joaquim, pela Rodovia 390, você passa por Bom Jardim da Serra, uma cidade de turismo rural, e chega na beira do canyon, onde começa a descida.
No local há um Mirante, várias lojas de artesanato, bares e restaurante.
Do outro lado da estrada, também à beira do canyon está o Eco Resort do Rio do Rastro. Um hotel fazenda de alto nível.

Uma dica, entre a cidade de Bom Jardim da Serra e o Mirante há um restaurante, do lado esquerdo da estrada, na beira do rio Barrinha, com uma cachoeira, que vale a pena parar para almoçar ou mesmo para um lanche.
Dá para caminhar pela beira do rio e chegar bem perto da queda d’água.
O Restaurante da Cascata é self-service, come-se bem e não é caro.

Restaurante à beira do rio Barrinha 


A DESCIDA

A descida da estrada da serra é especial. As curvas são acentuadas e há de guiar com muito cuidado.
Há caminhões descendo e subindo o tempo todo. Há curvas em que é preciso esperar os caminhões passarem para poder continuar.
Fiquem atentos às buzinas, eles sempre avisam quando estão chegando próximo das curvas, em sentido contrário.
Logo no início, nos primeiros cinco quilômetros, há uma série de curvas em declive e muito acentuadas. Depois continuam as curvas, mas um pouco mais tranquilas, até chegar lá em baixo, na cidade de Lauro Muller.


Estrada da Serra do Rio do Rastro
   

Eco Resort do Rio do Rastro, à esquerda e o Mirante à direitaCom a Ruth conferindo a beleza do lugar


FINAL DA VIAGEM

Nossa programação de viagem foi devolver o carro no aeroporto de Florianópolis. Foi o que fizemos. Após Lauro Muller chegamos na BR 101 na altura de Tubarão. De lá seguimos para Florianópolis onde pernoitamos.
No dia seguinte, pela manhã, devolvemos o carro no aeroporto de Floripa, e pegamos o voo de volta para São Paulo.

Foi uma viagem de praticamente cinco dias inteiros, meio corridos, por que era o tempo que tínhamos para fazê-la.
Se tiver mais alguns dias disponíveis, vale a pena ficar um pouco mais em algum destes lugares que descrevi.

Se desejar alguma dica ou sugestão extra, por favor, contate-me pelo e-mail:
miltonassumpcao@terra.com.br

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