por Milton Assumpção em  10/11/2016  às 12h05

SOBRE UVAS, VINHOS E HISTÓRIA... TOSCANA, ITÁLIA.

A Itália é um país pequeno, mas muito lindo, dividido em regiões, cada qual com sua geografia, clima e características próprias. Regiões como Lazio, Úmbria, D’Abruzzo, Veneto e Piemonte possuem atrações culturais e turísticas diversas e especiais.

Toscana é uma região, no centro da Itália, rica em história, artes, turismo, uvas, queijos e vinhos.

Mapa da Toscana

O desenvolvimento desta região está ligado à história da civilização etrusca, aos romanos, ao Renascimento no final da Idade Média, às artes, à cultura, ao turismo e à produção, principalmente, de vinhos.

Os Etruscos e os Romanos

Há registros da civilização etrusca desde 1700 a.C. Eles dominaram toda a Toscana e parte da Úmbria, Lazio, incluindo algumas ilhas no Mediterrâneo, como a Ilha de Elba. Eram muito evoluídos. Foram os primeiros a dominar a extração e utilização do minério de ferro.

A maioria das cidades importantes da Toscana foi construída pelos etruscos. Volterra era a capital, por ter minas de ferro, sal e alabastro. A partir de 283 a.C., aliaram-se aos romanos e com o tempo foram incorporando sua cultura. Estes, por sua vez, aprenderam a dominar a utilização do minério de ferro na construção de armamentos e artefatos de guerra e tornaram-se poderosos. As armas de bronze utilizadas pelas outras civilizações eram mais frágeis e se rompiam nas batalhas.

Durante a aliança, dois generais etruscos comandaram legiões romanas. Aos poucos a civilização etrusca foi sendo absorvida pela cultura romana e desapareceu. O alfabeto, semelhante ao grego, nunca foi decifrado. Sua história ficou sem registros, perdida no tempo, restando os cemitérios, as tumbas, os sarcófagos e museus. Os mais importantes ficam em Chiusi, Cortona e, principalmente, Volterra.

Os etruscos já produziam vinhos quando da aliança com os romanos. Coube a estes incrementar a qualidade. A uva Sangiovese, casta principal dos vinhos da Toscana, talvez tenha sido trazida pelos romanos de suas conquistas no Oriente Médio. Existe uma teoria que tenha sido trazida por Anibal, o Conquistador. O nome Sangiovese foi dado pelos romanos, e significa sangue de jovem. Ao espremer as uvas nas mãos acentuava a cor vermelha. Era também chamada de sangue de Júpiter – sangue dos Deuses.

Objetos, Sarcófagos e Tumbas Etruscas


VIA FRANCÍGENA NA TOSCANA

 É o caminho que foi utilizado nos séculos XI e XII pelos Cruzados vindos da Inglaterra e França com destino a Roma e depois seguindo de barco até a Terra Santa. O início oficial era na Catedral de Canterbury, Inglaterra. Passava por várias regiões da França, entrava na Itália pelos Valle d´Aosta e Monginevro no Piemonte, depois pela Toscana e seguia até Roma. Na Segunda Cruzada, o Rei Ricardo Coração de Leão da Inglaterra, o Rei Luiz VII da França e o Rei Conrad III do Sacro Império Romano-Germânico encontraram-se em Vézelay, na França, e após terem sido abençoados pelo frade Bernardo de Claraval, depois canonizado São Bernardo, seguiram pela Via Francígena até Roma e em seguida à Terra Santa.

Na Idade Média, passou a ser o caminho utilizado pelos peregrinos para ir até Roma visitar os túmulos de São Pedro e São Paulo. Várias aldeias e cidades foram se formando às suas margens, e eram pontos de parada e descanso dos viajantes. Muitas delas, que tiveram seu auge na época das Cruzadas, foram reativadas na Idade Média pela passagem dos peregrinos.

San Gimignano, Monteriggioni, Montalcino e Siena são algumas por onde passava a Via Francígena. Ainda hoje são os pontos de parada mais importantes dos peregrinos. Em San Gimignano as duas principais ruas que cortam a cidade, a Via San Matteo e Via San Giovanni fazem parte da Via Francígena.

Em Monterregioni, ela passa dentro da fortaleza, ligando as duas entradas, uma em direção a Siena e outra a Florença. Tem seu nome por vir da França. Não tem o mesmo apelo religioso e místico do Caminho de Santiago de Compostela, mas é ainda muito utilizado por viajantes que a percorrem a pé, de bicicleta e a cavalo.

Vários trechos mantêm ainda os calçamentos de pedras da época.
Nas rodovias e nas cidades há várias indicações da Via Francígena.

No site oficial www.viafrancigena.org você encontra indicações do mapa, itinerários, acomodações e agências que oferecem tours acompanhados.

Alguns peregrinos preferem experimentar e caminhar por pequenos trechos, por exemplo, de San Gimignano a Monterrigioni. Em algumas partes há variações no trajeto. O caminho se subdivide, e o peregrino pode optar pela rota que achar mais interessante.


  


  


  

Trechos da Via Francígena em Montalcino, Buoconvento e Monterregioni
   


Rota completa da Via Francígena

FLORENÇA

Florença é a principal cidade da Toscana e a capital do Renascimento. A cidade tem muitas atrações culturais, diversos museus, igrejas, pontes e a magnífica escultura de Davi, de Michelangelo. Consultando os diversos guias de turismo, tanto impressos como na internet, vai ser fácil fazer uma programação de passeios. São muitas as opções e atrações, mas eu destacaria duas delas que recomendo.

A primeira é a Basílica de Santa Croce, transformada em Panteão, onde estão sepultados Galileo Galilei, Nicolau Maquiavel, Michelangelo Buonarroti, Leonardo Bruni, Guglielmo Marconi, Gioacchino Rossini e Dante Alighieri, entre outros. A segunda é o Museo Galileo – Instituto e Museo di Storia Del La Scienza –, com espaços dedicados às descobertas de eletricidade, eletromagnetismo, química, navegação e astronomia. Como destaque, uma sala dedicada a Galileo Galilei, com seus telescópios, lunetas, mapas e outros objetos utilizados em suas pesquisas e descobertas do universo... Imperdível!

Florença foi locação de vários filmes, e destaco especialmente o segundo Hannibal, com Anthony Hopkins, cujas locações podem ser conferidas passeando pelo centro histórico.

Entre Florença e Siena está a região do vinho Chianti. De Florença saem tours diários para cidades medievais próximas, inclusive a região do vinho Chianti.

Igreja de Santa Croce
  
Museo Galileo

Túmulo de Dante AlighieriTúmulo de Michelangelo

SIENA

Siena foi fundada pelos etruscos e durante muito tempo dividiu com Florença o domínio da região. Famosa pela Corrida do Palio e também pelo vinho Chianti.

Corrida do Palio
é uma corrida de cavalos, que teve origem no século XVII e ocorre duas vezes ao ano, nos dias 2 de Julho e 16 de Agosto, na Piazza del Campo com a participação de cavaleiros representando 18 comunidades. Palio significa “estandarte”, e o ganhador, em vez de uma taça, recebe como premiação um estandarte pintado à mão com a imagem da padroeira Nossa Senhora da Assunção ou Provenzano.

Nos dias 2 de Julho e 16 de Agosto são as corridas finais, mas durante todo este período, os treinamentos e adestramentos dos cavaleiros, na Piazza del Campo,diversas atividades e solenidades, acabam movimentando a cidade. Independente de assistir às provas finais, ao visitar Siena neste período, o turista vive toda a movimentação e o clima criado pela Corrida do Palio.

Há agências especializadas para levar turistas, com locais reservados para participar e assistir às corridas finais. De Siena também saem tours diários para visitar cidades medievais próximas e a região do vinho Chianti.
  

Corrida do PalioLargada da corrida

Desfile das comunidades


Região do Vinho Chianti – A Lenda

Segundo a história ou a lenda, havia uma disputa entre Florença e Siena para a demarcação de suas fronteiras. Para resolver esta questão, criaram uma competição em que dois cavaleiros sairiam de suas cidades ao amanhecer, após o primeiro canto de um galo.

Siena escolheu um galo bonito, forte e muito bem alimentado. Florença por sua vez escolheu um galo negro, fraco e que foi deixado sem comer por três dias.

Com fome o galo negro de Florença cantou primeiro, e seu cavaleiro saiu em disparada em direção a Siena. Quando o galo bonito e forte de Siena cantou, já era tarde, seu cavaleiro correu pouco, porque já encontrou o cavaleiro de Florença a poucos quilômetros de Siena.

Assim, Florença ficou com a maior parte da região de Chianti, e o galo negro como símbolo.

Possível local de encontro dos cavaleiros

Galo Negro símbolo do Chianti

Há registro da produção de vinhos nesta região desde 1398 e, curiosamente, vinho branco.

Em 1716, o Duque da Toscana estabeleceu uma Lega Del Chianti compreendida pelas cidades de Gaiole, Castellina, Radda e Greve. Já então produzindo principalmente o vinho tinto.

Em 1932, sob a DOC – Denominação de Origem Controlada –, foram incluídas as cidades Barbenio Vale D’Elsa, Chiocchio, Robbiano, San Casciano in Val di Pesa e Strada.

Atualmente sob a DOCG – Denominação de Origem Controlada e Garantida – foram criadas sub-regiões, mantendo como cidades principais Gaiole, Radda, Castellina e Greve.

Greve in Chianti é hoje a maior de todas e considerada a capital da região. É uma cidade ainda pequena, com uma grande praça central, onde estão localizadas as lojas, restaurantes e o escritório de turismo. Ela se desenvolveu mais que as outras porque a rodovia SR222, que liga Siena a Florença, passa dentro da cidade.

Há uma autopista ligando Siena a Florença, mas para conhecer a região o melhor é utilizar a SR222. É uma rodovia de pista simples, cheia de curvas, subidas e descidas, que passa por dentro das vilas, cidades, vinhedos, e é muito bonita. A rodovia SR222 passa também dentro de Castellina-in-Chianti, uma vila de uma rua só, muito charmosa. É fácil de estacionar o carro e vale a pena parar para conhecer. As outras cidades Gaiole-in-Chianti e Radda-in-Chianti ficam a 8 e 10 quilômetros da SR222.

Há uma outra, rodovia direta de Siena para Gaiole, SP408, rodeada de vinhedos. De lá você pode também seguir para Radda, Castellina e Greve.

Vinhedos na região do Chianti

Quanto à hospedagem, onde ficar vai depender da programação da viagem e principalmente do interesse. Pode se hospedar em Florença ou Siena, aproveitar para conhecer as atrações das cidades e pegar um tour de um dia para visitar vinícolas. Tanto em Siena como Florença, há várias opções de tours diários.

De carro, o ideal é que já tenha feito reservas nas vinícolas. Ou então, ao chegar no hotel, verificar se o concierge ou a recepção podem marcar.


Greve in Chianti

Se o interesse for grande por vinho, o ideal é se hospedar pelo menos duas noites em Greve in Chianti. Há várias opções de hotéis e agroturismos. Há três castelos belíssimos muito visitados pelos turistas que, além da visita e da degustação, também oferecem acomodações de hotel. São muito especiais, porque são históricos.

O Castelo da Monna Lisa Castelo da Família Gherardini-Vignamaggio – fica muito próximo do centro de Greve e segundo a lenda foi ali que nasceu Lisa Gherardini, imortalizada na pintura La Gioconda por Leonardo Da Vinci. Acreditam que foi neste castelo que Da Vinci pintou o famoso quadro.

Você pode reservar um tour para simplesmente visitar o Castelo, provar os vinhos ou se hospedar. www.vignamaggio.com

Castelo da Monna Lisa – Vignamaggio

Com Emiliano Frilli – Vignamaggio

O Castelo Vicchiomaggio fica também muito próximo, ao norte de Greve, em direção a Florença, na vila de Greti, pela SR222, no topo de uma colina e rodeado de vinhedos. Há tours de visitação e degustação em poucos horários. O tour das 11h30 inclui visitação, degustação dos vinhos combinados com um almoço no salão principal do castelo. Vicchiomaggio é também hospedaria.

Há duas atrações a mais no castelo. Foi cenário do filme Much Ado About Nothing Muito Barulho por Nada”, baseado na comédia de Shakespeare, com Emma Thompson, Kenneth Branagh e Keanu Reeves.

No hall de entrada, há uma reprodução do quadro La Gioconda. Há registros de que Leonardo Da Vinci se hospedou neste Castelo e pode ter sido ali que pintou parte da obra. Isto porque no La Gioconda há o desenho de uma estrada sinuosa. Olhando do jardim do castelo há realmente uma estrada sinuosa muito parecida com a pintura de Da Vinci.

www.vicchiomaggio.it

Com Nadia – Castelo Vicchiomaggio
 

Terraço do filme Muito Barulho por Nada
 

Quadro La Gioconda

Estradinha sinuosa do quadro

O Castelo Verrazzano construído em 1170 pertenceu ao nobre e navegador Bernardo da Verrazzano. Em 1524, empreendeu junto com o rei Frederico I da França uma viagem marítima à América, que havia sido descoberta em 1492 por Cristóvão Colombo. Coube a ele “descobrir” a costa americana, da Carolina do Sul até o Canadá.

O reconhecimento veio em 1964 quando foi dado seu nome à Ponte Verrazzano, que liga Staten Island ao popular bairro do Brooklin em Nova York, por ter sido o primeiro europeu a navegar as costas da ilha de Manhattan e o Rio Hudson. Em 1528, empreendeu uma nova viagem à América, da qual não regressou. Acreditam que tenha sido aprisionado com toda sua tripulação e devorado por canibais.

Este castelo é muito procurado por turistas e tem uma programação de visita e degustação de vinhos contínua. É também hospedaria. Neste castelo, além do vinho Chianti de ótima qualidade produzem um Vinagre Balsâmico – Aceto– de uma qualidade extraordinária. O vinagre é colocado em grandes barricas de carvalho e fica maturando por 8 anos. Neste período, há uma perda de 85% do líquido, que então é transferido para pequenas barricas de carvalho por mais 2 anos, ou seja, um total de 10 anos de maturação. Por todo este tempo e cuidado, o preço de um frasco pequeno é de Euros $ 48,00. Na prova dos vinhos, você pode provar uma colherinha de café deste líquido precioso.

www.verrazzano.com

Com Matteo Vanoni no Castelo Verrazzano
 

Adegas seculares no castelo
 

Secagem de uvas brancas para licores

Válvula de escape de gases dos tonéis criada por Leonardo da Vinci

Recomendo fazer reservas com antecedência nos três palácios, para as visitas, degustações e hospedagem. Os sites são muito bem desenhados e muito fáceis de interagir. Eu recomendo fortemente visitar estes palácios. Os guias são muito bons, e é um passeio ótimo.

Há também várias opções de hospedagem, mais simples, mais baratas e com uma qualidade ótima. Muito próximo de Greve há os agroturismos Il Santo, Patrizia Falciani e Belvedere. São todos espaçosos, super tranquilos, no meio dos vinhedos, com chalés independentes. Todos eles com acomodações que incluem cozinha completa para que os hóspedes façam o próprio café da manhã. Ao fazer o check in, você recebe as chaves das acomodações e fica por conta própria. A segurança é total. Na cidade há também várias opções de hotéis de todos os níveis.

Na praça principal de Greve in Chianti há uma grande loja/armazém com uma variedade enorme de vinhos, queijos, presuntos, salames, pães e outras iguarias.

A região de Chianti é cheia de colinas e pequenos morros. O TERROIR desta região apresenta um solo de argila e calcário. Há várias áreas de matas que tornam o clima mais úmido. Mesmo assim é quente durante o dia, e a temperatura cai bastante à noite.


CHIANTI TRADICIONAL – GRAN SELEZIONE – RISERVA – CLASSICO – IGT

 Chianti Tradicional é aquele com a garrafa em formato arredondada revestido com palha. Algumas vinícolas ainda produzem, para o turismo. Na época do seu lançamento, foi considerada a garrafa padrão obrigatória. A palha foi incluída porque o vidro era branco transparente e a claridade prejudicava a longevidade do vinho. O formato arredondado, no entanto, causava problemas para os despachos e a armazenagem. Aos poucos, pelas exigências de padronização do mercado nacional e internacional, foram substituídas por garrafas com vidro mais escuro e pelos formatos padrões utilizados em todo o mundo.

Garrafas do vinho Chianti Tradicional

Gran Selezione, Riserva e Classico são vinhos produzidos dentro da DOCG, que é composta de quatorze municípios. Obrigatoriamente, os tintos devem ter 80% de uva Sangiovese e 20% de outras castas, que podem ser Canaiolo, Colorino, Cabernet Sauvignon ou Merlot.
O Classico fica em barris de carvalho por 12 meses, o Riserva, de 18 a 24 meses e o Gran Selezione, acima de 24 meses. Isto não é uma regra rígida, depende da decisão do enólogo, que acompanha a fermentação e maturação do vinho. Após ficarem nos barris, fermentam ainda um tempo nas garrafas antes de ir para o mercado. Os Chiantis Classico, Riserva e Gran Selezione levam o selo vermelho, com o galo negro em dourado.

Os tintos IGT Indicazione Geográfica da Toscana–, produzidos nas sub-regiões ou fora da região demarcada, podem utilizar 50% de Sangiovese e completar com as outras castas.

Os vinhos brancos são produzidos com as uvas Trebbiano e Malvasia.

Na região há aproximadamente 500 produtores de Chianti. Estes são alguns dos principais produtores que recomendo visitar: Azienda Agricola Querciabella, Antinori, Brancaia, Barone Ricasoli, Il Molinodi Grace e Castello di Volpaia.

Em Greve in Chianti, o Consorzio del Vino Chianti Classico controla a qualidade e quantidade da produção dos vinhos desde 1924. Algumas vinícolas estabeleceram uma produção média de uma garrafa para cada cepa de uva.

Uva Sangiovesi e Vinhedos em Montepulciano

MONTEPULCIANO

Não há registros históricos precisos sobre sua fundação. É certo, no entanto, que foi uma aldeia etrusca, e que se desenvolveu a partir da dominação dos romanos. Fica no alto de uma colina e é totalmente rodeada de muralhas, que podem ser vistas de muito longe.

Circundando as muralhas, a vista dos vales ao seu redor é também muito bonita. A Porta principal de entrada na cidade é pela estrada que vem de Sinalunga. Ao atravessar as muralhas, inicia a rua principal, a Via di Gracciano-nel Corso. Ali estão restaurantes, butiques, bazares, lojas para degustação e compra de vinhos, queijos, algumas igrejas e bancos.

Já no início no número 82, há uma atração imperdível, a Azienda Agrícola e Vinícola ERCOLANI, um grande armazém para degustação e compra de vinhos, queijos, óleos e outras iguarias. Mas a atração maior é que esta loja está sobre uma Citta Sotterranea. Descendo as escadas, há uma série de corredores, túneis, salas e tumbas, que fazem parte das ruínas da cidade antiga dos etruscos. É considerado um museu etrusco. A entrada é gratuita, e funciona o dia inteiro. Ercolani é uma combinação perfeita de turismo gastronômico e cultural, imperdível!

É proibido entrar de carro pela entrada principal, a Via di Gracciano-nel Corso, mas circundando as muralhas há várias outras entradas que levam até estacionamentos dentro e próximo ao centro e à praça central, no topo da colina. É uma cidade que, pelo fato de estar construída no alto de um morro, possui ruas íngremes que requerem um certo esforço para caminhar. Mas vale muito a pena.

Em todas as ruas há lojas e restaurantes. O Caffe Poliziano é um dos lugares típicos obrigatórios. Tradicional, mantém ainda uma atmosfera romântica dos velhos tempos. É um lugar especial para café da manhã, happy hour, almoço e jantar. Se possível escolha uma mesa próxima da varanda. A vista é maravilhosa.
Na praça central, ao lado da catedral, está a casa do cardeal Roberto Belarmino, inquisidor de Galileo Galilei. Natural de Montepulciano, o cardeal Belarmino foi uma figura importante no período da Inquisição. Sua influência política colaborou para o desenvolvimento de Montepulciano no seu tempo. A catedral é simples e despojada.

No mês de Agosto, há a competição tradicional Corrida do Barril. Dois representantes de cada comunidade rolam um barril de vinho vazio rua acima até a praça principal no topo da colina. Os vencedores recebem como prêmio uma bandeira decorada com referências ao evento, que passa a ser orgulhosamente exibida na comunidade.

O Escritório de Turismo fica na praça da catedral, em frente ao Pozzo dei Grifi e dei Leoni. De lá saem pela manhã tours diários para visitar vinícolas. É preciso marcar com antecedência.
A cidade tem alguns hotéis dentro das muralhas, mas a grande a maioria está fora. Há uma grande opções de agroturismos, como o Etruria Resort & Natural Spa, muito próximo da entrada principal, tranquilo, ótimas acomodações e serviços.

Os filmes O Paciente Inglês e O Crepúsculo, série de vampiros, tiveram cenas rodadas nas ruas e na praça central.

Catedral de Montepulciano
  

Praça Central
  

Pozzo dei Grifi e dei Leoni
 

Placa na casa do Cardeal Belarmino
 

Interior da casa do Cardeal Belarmino

Visitas às Vinícolas

O ideal para visitar vinícolas em Montepulciano é através de um guia que pode fazer a marcação das visitas. Recomendo contatar o Emanuelle na info@tuscanytransfer.it
Há também uma opção econômica pelo tour diário do Escritório de Turismo, que sai todas as manhãs da praça central, em frente à Catedral. O tour sai logo cedo, e o ideal é que se reserve no dia anterior.
Já visitei vinícolas das duas maneiras e a melhor, sem dúvida, é o tour privado. Mesmo porque o guia já tem os contatos e o atendimento é diferenciado.

Visitamos, em uma manhã, três vinícolas muito importantes e de ótimos vinhos, Boscarelli, Poliziano e Valdipiatta. A visita e o atendimento na Boscarelli e Valdipiatta foram mais personalizados. Além da degustação pudemos visitar os vinhedos e toda a área industrial.
Poliziano é um dos mais importantes produtores do vino nobile. Moderna, rodeada de vinhedos, com um atendimento profissional. A visita ficou concentrada na degustação dos vinhos.

Existem hoje cerca de 70 produtores de vinho na região de Montepulciano. Um número relativamente pequeno para a importância do vino nobile.
Além das que visitei, recomendo Azienda Casale, Carpineto, Fassati, Castellani Filicheto, Fattoria del Cerro, Il Machione, entre outras.

Com Miriam Caporali na Tenuta Valdipiatta
 

Com Svetlana e funcionários na Valdipiatta
 

Com Francesca na Boscarelli

Propriedades e vinhedos da Tenuta Valdipiatta

Vino Nobile

O vinho tinto de Montepulciano é um dos mais antigos da Itália. Há referências a ele em citações de textos dos anos 789, 1350 e 1605. Era conhecido como o Vino Rosso de Montepulciano.
Em 1925, para uma Feira em Siena, o viticultor Adam Faretti chamou seu vinho tinto de Nobile, para destacar sua qualidade. O vinho foi premiado e, a partir daí, os produtores de Montepulciano começaram também a se referir a seus próprios vinhos como Nobile.

O Vino Nobile de Montepulcino é produzido com 100% de uva Sangiovese e fica 12 meses nas barricas de carvalho e um tempo mais nas garrafas, antes de ir para o mercado.
O Nobile Riserva, 100% Sangiovese, fica 24 meses maturando nas barricas e alguns meses mais nas garrafas, antes de ir para o mercado.
O Rosso de Montepulciano, um vinho jovem, é feito com Sangiovese, Canaiolo, Merlot ou Cabernet Sauvignon. Após a fermentação, fica ainda alguns meses maturando nas garrafas antes de ir para o mercado.
Novello
é um vinho frisante, rosé, produzido com uma uva local de mesmo nome, para ser bebido fresco, com sobremesa e frutas.
Na década de 90, foi reconhecido com DOC – Denominação de Origem Controlada – e o Consorzio del Vino Nobile de Montepulciano controla a qualidade e a quantidade produzidas. Em seguida, foi reconhecido com DOCG.

Muitos produtores preferem se referir à uva Sangiovese como Prugnolo Gentile. A justificativa é que a uva de Montepulciano é uma derivação da Sangiovese, mais leve, menos encorpada, mas com muito tanino e sabores que dão um toque mais refinado e elegante ao vinho.
Como tanto em Montalcino como na região do Chianti a referência à Sangiovese é muito intensa, referir-se à uva como Prugnolo Gentile acaba sendo uma maneira de destacar a uva de Montepulciano.

Na região, há várias aziendas familiares e empresariais. Com o crescimento do mercado mundial de vinhos, várias empresas estão adquirindo terras e comprando os negócios de pequenos e médios viticultores.

O Terroir de Montepulciano é seco, com pouca chuva, e solo composto de argila e granizo. Nas regiões mais baixas, o solo é composto de mais argila, com um pouco de pedras. O Verão com dias quentes e o Inverno com noites frias são próprios para o plantio de uvas de qualidade.

Uva Sangiovese e vinhedos em Montalcino

Montepulciano D’Abruzzo

Este vinho tem uma excelente distribuição no Brasil e é encontrado em vários pontos de vendas e supermercados a bons preços. D’Abruzzo é uma região importante da Itália, a nordeste de Roma, banhada pelo Mar Adriático, tendo como capital a cidade de L’Aquila. Há referências à produção do vinho em Abruzzo desde 247a.C.
O famoso general e estrategista Anibal, de Cartago, dominou por 10 anos esta região, e há registros de que oferecia a seu exército e a seus cavalos vinho D’Abruzzo. Acredita-se que a uva Montepulciano tenha sido trazida da Grécia.
Há uma polêmica entre D’Abruzzo e Montepulciano com relação à origem de suas uvas.

Em D’Abruzzo dizem que a uva Sangiovese é uma derivação da uva Montepulciano. Montepulciano diz exatamente o contrário. Os registros históricos, no entanto, atestam que há citações antigas do vinho de D’Abruzzo.
Toda essa polêmica acaba promovendo o consumo do vinho nessas regiões.

Mapa de D’Abruzzo
 

Vinhedos em D’Abruzzo
  

L’Aquila, capital de D’Abruzzo
 

Vinho Montepulciano D’Abruzzo
  

PIENZA

Perto de Montepulciano, a 20 quilômetros a oeste, fica a cidade de Pienza, que pelo desenho e urbanismo foi considerada a cidade ideal do Renascimento.
É reconhecida nacional e internacionalmente pelo queijo Pecorino di Pienza.
Como fica no caminho de Montalcino, vale muito a pena parar para visitar. Leva no máximo de duas a três horas. É praticamente só uma rua, com lojas, restaurantes e muita degustação do famoso Pecorino.
É proibido circular de carro dentro das muralhas. Há estacionamentos a sua volta.
Como fica no alto de uma colina, a vista do vale é muito bonita.
Em um dos cantos da muralha, há um mirante dedicado aos namorados. Chega-se lá por ruas estreitas. Casais ainda hoje trocam juras de amor na Via del Bacio e Via Dell’Amore.

Via dell’ Bacio e dell’Amore in Pienza

Para quem aprecia queijo Pecorino, no caminho de Montepulciano a Pienza, há uma propriedade rural com criação de ovelhas, produção e venda de queijo pecorino, geléias, mel e outros produtos locais. Há uma placa grande à direita da estrada indicando o local, Pecorino di Pienza – CUGUSI. Fazem embalagem climatizada para viagem.

Pecorino é o queijo feito com leite de ovelha (pecora).
A vista de Montepulciano de lá é muito bonita.

Montepulciano

Placa indicativa de venda do Pecorino

MONTALCINO

Famosa pelo vinho Brunello, foi fundada pelos etruscos em 814a.C. Montalcino desenvolveu-se nos séculos XI e XII por fazer parte da Via Francígena e ser um ponto de parada e descanso dos cruzados em direção a Roma e à Terra Santa.
Com o término das Cruzadas, Montalcino, como várias outras cidades, entrou em decadência. Na Idade Média, a Via Francígena foi reativada com a passagem dos peregrinos que vinham da França, Inglaterra e Holanda em direção a Roma para visitar os túmulos de São Pedro e São Paulo.
A cidade é pequena, medieval, com prédios e construções muito bonitas, ruas estreitas com lojas, butiques, restaurantes, igrejas e muitos pontos de venda e degustação de vinhos.
No centro da cidade, há uma grande loja Enoteca di Piazza com vinhos de praticamente todas as vinícolas a preços muito bons. Os atendentes conhecem tudo sobre Brunello para bem recomendar. O melhor lugar para comprar um Brunello é na própria vinícola. Se for comprar na cidade, a Enoteca é a melhor opção.
A cidade fica em uma colina e pode ser vista de muito longe. No alto, há um castelo em ruínas, de onde se tem uma vista bonita de todo o vale.

Em Montalcino há uma competição em Agosto de Arco e Flecha, que é realizada dentro do castelo. Quatro comunidades indicam seus representantes. No sábado, ocorrem as preliminares. O alvo é colocado a uma primeira distância, e depois vai recuando à medida que os competidores vão acertando ou errando. Os que erram vão sendo eliminados. Ao fim sobram os dois últimos, o vencedor e o segundo colocado das preliminares vão para as finais no domingo. O vencedor da preliminar escolhe a primeira distância, e partir daí o alvo vai sendo afastado até que saia um vencedor. Ele ganha, em nome da comunidade, uma bandeira decorada e vinhos Brunellos.

Próximo ao centro, há um museu histórico e uma igreja recentemente restaurada, que foi locação de uma cena do filme Romeu e Julieta, de Franco Zeffirelli.
O filme O Gladiador, com Russel Crowell, teve cenas externas filmadas na região.

Montalcino
 

Mapa das vinícolas
 

Via Francígena em Montalcino

Vinhedos em Montalcino

Vino Brunello di Montalcino

Montalcino, assim como algumas cidades da região, vivia no século XIX uma certa estagnação com a redução do movimento da Via Francígena. Nesse período, já se produzia vinho tinto para consumo local.
Em 1850, Clemente Santi, químico e farmacêutico, iniciou sua produção de vinho a partir da seleção de uvas de uma casta local denominada Brunello, chamada assim por sua cor vermelho-escura. Em 1865, apresentou ao mercado a primeira garrafa de seu vinho, com a marca Brunello di Montalcino.
Em 1870, ganhou um importante prêmio na Feira de Siena e seu vinho ficou conhecido.
Em 1879, o Consórcio do Vinho de Siena, concluiu que a uva chamada de Brunello era uma derivação da Sangiovese, e passou a exigir que os vinhos produzidos em Montalcino tivessem como referência a casta Sangiovese. Decidiram então manter o nome Brunello como sendo a marca do vinho.
Por volta de 1888, eram produzidos uma média anual de 900 garrafas, e o vinho era raro e caro. Assim continuou nos anos seguintes.
Os pioneiros foram Biondi-Santi, Fattoria dei Barbi, Padelletti e Constanti.
A produção sofreu muito com a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. Neste período, a cidade empobreceu. A partir de 1945, com o término da Segunda Guerra, a produção do Brunello voltou, devagar. Muito pequena, era difícil conseguir encontrar e comprar uma garrafa. O preço era muito alto.
À medida que a demanda aumentou, a produção foi crescendo e já havia cerca de 60 produtores em 1968, quando então foram agraciados com o título de DOC – Denominação de Origem Controlada. Em 1980, recebeu a classificação de DOCG – Denominação de Origem Controlada e Garantida.
A partir de 1995, com o crescimento e consolidação do mercado de vinhos em todo o mundo, viticultores, produtores, investidores e artistas escolheram Montalcino para investir.

Neste período, houve um grande incremento com a vinda para a região do Castello di Banfi.
O Brunello já era reconhecido como um vinho da mais alta qualidade.

Em 1969, o presidente da Itália em um jantar na Embaixada Italiana de Londres em homenagem à Rainha Elizabeth II, ofereceu a ela e a seus convidados um Brunello Biondi-Santi Riserva 1955.

Clemente Santi

Vinhedos em Montalcino

Biondi-Santi Riserva 1955 foi considerado pela Wine Spectator um dos 12 Melhores Vinhos do Mundo do século XX.
Em 1986, um Brunello Casanova di Neri ganhou o Grand Prix e Medalha de Ouro em um evento em Bordeaux.
Desde então, o reconhecimento mundial aconteceu naturalmente. Vários outros produtores de Brunellos receberam prêmios. A marca e a qualidade do vinho se consolidaram.
Hoje há cerca de 250 produtores de Brunellos.
Segundo especialistas, o pico de qualidade de um Brunello é atingido após 12 anos da safra, que é identificada na garrafa. A partir daí, a qualidade pode cair gradativamente. Você pode beber e apreciar a qualquer momento, mas o melhor sabor é por volta dos 12 anos.
São considerados, junto com os Barolos, os vinhos mais longevos do mundo.

A altura máxima para os vinhedos nesta região deve ser de 600 metros do nível do mar. O solo é de argila e calcário. Clima seco, com pouca chuva, quente durante o dia e frio à noite. O mesmo terroir de Montepulciano, com uma pequena diferença, Montalcino fica relativamente mais próxima do Mediterrâneo.

Triagem manual das uvas na Poggio Antico

Triagem manual dos cachos na Poggio Antico

Variedades dos Vinhos 

Há alguns anos, dentro de todas as obrigatoriedades da produção do Brunello era exigido que o vinho ficasse em barricas de carvalho por 45 meses.
Aos poucos, pelas exigências do mercado e com o cumprimento da manutenção das quantidades e qualidades, os produtores conseguiram reduzir para 36 e depois 24 meses na barrica e mais 12 meses na garrafa.

O Brunello di Montalcino é produzido com 100% de uva Sangiovese e deve ficar em barris de carvalho no mínimo 24 meses e mais 12 meses nas garrafas, antes de ir para o mercado.
Brunello di Montalcino Riserva
fica no mínimo 36 meses em barris de carvalho e mais seis meses na garrafa.
Rosso di Montalcino
fica obrigatoriamente 12 meses em barris.
Há vinícolas que, em anos especiais, mantêm o vinho 45 meses em barris de carvalho.

Apesar de ser reconhecido pelo vinho tinto, produzem um ótimo vinho frisante, licoroso e aromático, Moscadello di Montalcino. No passado, utilizavam a uva moscadella que foi dizimada pela Filoxera. Hoje é produzido com a casta moscato bianco.
Sant’Antimo
é um vinho local, mais barato, que é produzido com Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir ou a local Novello.
O vinho branco, com Chardonnay.

Tonéis de inox prontos para fermentação – Poggio Antico

O Biondi-Santi continua um ícone e é, seguramente, o mais famoso de todos. Sua produção passou de geração por geração. O nome Biondi foi adicionado à marca quando a filha de Clemente Santi casou-se com Jacopo Biondi. O neto Ferrucio Biondi-Santi deu um grande impulso na produção no século XIX. As gerações seguintes mantiveram o nível e até melhoraram. O Brunello Biondi-Santi Riserva 1970 é considerado um ícone da Enologia Mundial.

Seus vinhedos Il Greppo são considerados um dos melhores terroirs do mundo.
Nos pontos de vendas e lojas, há Biondi-Santi de vários anos e vários preços, a iniciar por Euro$ 90,00 a garrafa.
Hoje Poggio Antico, Casanova di Neri, Fattoria dei Barbi, Castello di Banfi, Constanti, Castello Tricerchi, Podere Le Ripi tem seus vinhos sendo reconhecidos como da mais alta qualidade em todo mundo.

Todas estas vinícolas têm recebido premiações nacionais e internacionais, regularmente.

Entrada da Biondi-Santi

Vinhedos da região

Visitas às Vinícolas

Visitar vinícolas em Montalcino requer uma programação muito especial, isso porque elas ficam em quatro estradas que saem da cidade em diferentes direções. E não há estradas menores ou vicinais interligando-as.
Então, se for visitar, por exemplo, a Poggio Antico e Castello di Banfi, que ficam na estrada para o sudoeste, e depois quiser ir a Fattoria dei Barbi, Biondi Santi e Museu do Brunello, que ficam a sudeste, é preciso voltar a Montalcino. As distâncias são pequenas, mas o passeio requer planejamento.
Das primeiras vezes que fui por conta própria, visitei a Castello di Banfi, Poggio Antico e Fattoria dei Barbi. Acabou sendo mais degustação e compras. A Fattoria dei Barbi tem um ótimo restaurante. O Castello di Banfi tem agroturismo e hospedagem.

Nesta última viagem contratei os serviços de uma guia muito especializada, info@artemisiaviaggi.it ou nadiabindi@artemisiaviaggi.it. Nadia tem um ótimo relacionamento com todas as vinícolas. Fez uma programação muito dinâmica, visitamos cinco vinícolas em um dia, com direito a almoço em uma delas. Em todas, fomos recebidos de uma maneira muito especial.

Visitamos a Podere Le Ripi, que fica em uma vila próxima Castelnuovo dell’Abate, onde fomos recebidos pelo enólogo Sebastian Nasello. Essa vinícola fica na mesma estrada da Biondi-Santi, Fattoria dei Barbi, Museu do Brunello e da turística Abazzia di Sant’Antimo, um convento medieval.

Abadia de Sant’Antimo

Vinhedos da região

Em seguida, a Poggio-Antico, muito linda, fica em uma região alta, dos jardins avista-se o mar.
Como era época da colheita, havia uma atividade intensa. Visitamos todas as instalações e pudemos acompanhar o trabalho de seleção manual das uvas e a entrada nos tonéis de inox para a fermentação. A qualidade dos vinhos da Poggio Antico está ligada ao respeito que seus produtores têm por reconhecerem que o vinho tem uma natureza viva.

No Castello Tricerchi tivemos uma ótima surpresa. Participamos do almoço que os proprietários oferecem aos empregados que participaram da colheita. A degustação dos vinhos foi durante o almoço, comum delicioso penne ao pesto.

De lá fomos para a icônica Casanova Di Neri.
O nome está relacionado a uma casa nova da família Neri, que havia sido construída na época da instalação da vinícola.
Eles possuem vinhedos em várias regiões de Montalcino.
Casanova Di Neri fica bem próximo da entrada da cidade, na estrada para Pienza e San Quirico D’Orcia.

A última visita foi à uma vinícola pequena e familiar Villa Le Prata.
Após visitar as instalações e vinhedos,a degustação foi no casarão e residência da família.

Com Paola Gloder na Poggio Antico
 

Com Borjana Bosnjak na Casanova di Neri
 

Com Anna Vittoria Brookshaw na Villa le Prata
 

Com Mario Machetti no Albergo Il Giulio
 

Com Tommaso Squarcia e Nadia Bindi no Castello Tricerchi

Com Gianlorenzo Neri na Casanova di Neri
 

Biondi-Santi estava fechada por causa da colheita. Só iriam abrir para os visitantes após encerrarem todas as atividades do processo de vinificação. Pudemos conversar com funcionários que nos disseram que apreciam muito os brasileiros, principalmente depois que a novela Terra Nostra foi toda gravada no local.

Em Montalcino, ficamos no agroturismo Canalicchio di Sopra, que fica a 5 quilômetros da cidade, na estrada que vai para Siena. São poucos apartamentos, espaçosos, muito bem decorados, confortáveis, todos de frente para a piscina e os vinhedos. Servem um café da manhã simples. O atendimento é muito bom. A partir das 18 horas, o hóspede fica por conta própria.
Na porta do Canalicchio di Sopra passa a Via Francígena.
Há também uma boa opção de ficar em hotel dentro da cidade.
Uma das vezes, ficamos hospedados próximo ao centro no Albergo Il Giulio de propriedade de Mario Machetti, considerado um dos maiores conhecedores de Brunello. Um hotel simples, confortável, com bom preço, bom papo, uma adega muito especial e boas recomendações de visitas e compras.

  
San Giovanni D’Asso

Muito próximo de Montalcino está a cidade medieval de San Giovanni D’Asso famosa pela trufa branca (tartufo bianco).
Como Alba no Piemonte, recebe regularmente turistas interessados em conhecer e degustar esta iguaria.
A vila tem somente cerca 900 habitantes. Montalcino e San Giovanni estão discutindo a possibilidade tornarem-se um único município. Há inclusive a programação de um plebiscito para decidir.
A Festa da Trufa ocorre, como em Alba, na última quinzena de Outubro e na primeira quinzena de Novembro. Recomendo confirmar as datas exatas pela Internet.


Cidades Medievais na rota da Via Francígena

Já saindo de Montalcino em direção a Siena, a 20 quilômetros está a cidade de Buonconvento. Pequena, simples e medieval, era uma das importantes paradas dos peregrinos. Mantém ainda uma hospedaria para os peregrinos, a preços muito econômicos.
Próximo de Montalcino em San QuiricoD’Orcia há também em funcionamento uma hospedaria a preços simbólicos para os peregrinos.

Via Francígena em Buonconvento

San Gimignano foi fundada pelos etruscos em 300a.C. Hoje, tombada pelo Patrimônio Histórico, é uma dessas cidades que conservam ainda toda a magia do período medieval.
Em seu apogeu, chegou a ter 50 torres-casas, hoje são cerca de 14 torres.
A cidade se desenvolveu aos lados da Via Francígena. Era um dos locais mais importantes de parada dos cruzados e depois dos peregrinos.
As duas principais ruas – Via San Matteo e Via San Giovanni – são partes da Via Francígena.
No fim da Via San Giovanni, existe ainda uma hospedaria da época dos cruzados e dos peregrinos.
Em San Gimignano, é produzido o lendário vinho branco Vernaccia. Um dos mais antigos vinhos da Itália, citado por Dante Alighieri em sua obra épica A Divina Comédia, na parte do Purgatório, Canto XXIV.
É produzido hoje com a predominação das uvas Traminer, Moscato Bianco ou Malvasia, com 10% de Riesling ou Sauvignon Blanc. Harmoniza muito bem com peixes e carnes brancas.
O Museo del Vino Vernaccia abre de Abril a Outubro.
Fattoria San Donato e Vagnoni são dois bons produtores deste vinho.

San Gimigniano e o vinho Vernaccia

Monteriggioni, no topo de uma colina, foi uma importante fortaleza durante as disputas entre Siena e Florença. Estrategicamente localizada, era também um lugar seguro para descanso e pernoite dos cruzados e peregrinos.
A Via Francígena passa dentro da fortaleza ligando as portas em direção a Florença e em direção a Siena.
Atualmente, nos dois primeiros finais de semana de Julho, ocorrem as Festas Medievais com atrações, música, shows e personagens típicos.
Sugiro, ao programar sua viagem, confirmar antes as datas pesquisando na internet.

Monterregioni
 

Porta de entrada da fortaleza
 

Festa Medieval em Monterregioni

Volterra, a capital dos etruscos, foi fundada no século IV a.C. Localizada no centro da Toscana, era rica em veios metálicos, ferro, salinas e alabastro.
Os etruscos foram os primeiros povos a dominar a extração e utilização do ferro. Rodeada de muralhas, era uma cidade relativamente grande para aquela época. As ruas são estreitas; as construções, muito bem conservadas, igrejas, museus, hotéis, lojas, restaurantes. É, sem dúvida, uma cidade que, se puder, vale muito a pena conhecer.
O Museo Etrusco Guarnacci é um dos mais completos da Toscana.
Foi importante também durante a dominação dos romanos, e conserva ainda ruínas dessa época.

As festas medievais são realizadas desde 1398 e uma das atrações é a Corrida do Queijo pela Via Franceschini, em que competidores eleitos por sua comunidade rolam os queijos rua abaixo.
A cidade fica no alto de uma colina, mas dá para chegar de carro quase até o topo, onde há um grande estacionamento subterrâneo.
É uma cidade mais atraente que San Gimigniano, inclusive maior, com mais atrações históricas e uma variedade grande de lojas e restaurantes.

Volterra
 

Objetos de ferro forjados pelos etruscos
 

Sarcófagos do museu etrusco
 

Ruínas romanas em Volterra

ILHA DE ELBA 

Muito conhecida por ter sido em 1814 o cativeiro de Napoleão Bonaparte por 10 meses, hoje faz parte da Toscana e está ligada ao município de Livorno.
Há várias barcas diárias que saem do Porto de Piombino em direção a Portoferrario, e que levam no máximo uma hora. O ideal é atravessar com o carro para poder circular melhor pela ilha, que é rodeada de praias belíssimas.
Em 1500a.C., os etruscos já extraíam e exploravam minério de ferro e comercializavam para todo o Mediterrâneo. A ilha é citada em textos gregos da época.
Na Ilíada e na Odisséia, de Homero, há referência a uma ilha no Mediterrâneo da qual dos barcos se avistava fogo no topo da montanha. Acreditam ser Elba, com os etruscos trabalhando o ferro nas fornalhas durante a noite.
Conhecida pelos gregos e cartaginenses, na mitologia grega é citada como sendo a ilha onde Jasão e os Argonautas passaram na busca pelo tosão de ouro.
Durante a dominação dos romanos, floresceu como fornecedora de matéria-prima para confecções de armamentos, o que lhes deu uma vantagem sobre povos que lutavam com armamentos de cobre.
As minas hoje estão desativadas, depois de terem sido bombardeadas na Segunda Guerra Mundial, mas há tours para visitação.

Praias da Ilha de Elba

Portoferrario

Portoferrario é a capital da ilha, voltada para o lado do continente. Movimentada pelo porto, é o centro de negócios. À sua volta, há praias com um mar azul e transparente do Mediterrâneo.
Capoliveri
, construída em 1000 a.C., é uma pequena cidade no interior da ilha, próxima das minas de ferro e que, apesar de ter hoje uma arquitetura mais medieval, guarda a história daqueles tempos.
Capolíbero, ou Capolivri,
como era conhecida até o século XIII,era uma espécie de cidade livre para pessoas que tivessem cometido algum delito e estivessem fugindo da lei no continente. Hoje a ilha vive totalmente do turismo, atraindo principalmente alemães, austríacos, nórdicos e, claro, italianos.

Aleatico Dell’ Elba é um vinho licoroso produzido com a uva aleática, secada ao sol, que harmoniza muito bem com doces, chocolates e frutas, principalmente o pêssego.
Elba produz vinhos tintos de muito boa qualidade. O solo é arenoso e granítico, o clima é seco, com umidade, maresia e ventos do mar. A maioria dos tintos é produzida com 80% de Sangiovese e 20% de Syrah. O Aleatico Dell’ Elba está dentro de uma DOC – Denominação de Origem Controlada. Duas marcas muito recomendadas são Aleatico Passito Dell’ Elba e Aleatico Sapereta Dell’ Elba. O Passito era o preferido de Napoleão Bonaparte.

Uva aleática ao sol

A Toscana é rica em história, beleza natural e vinhos da mais alta qualidade. Você pode iniciar uma viagem por Florença, Milão ou Roma, todas têm voos diários de várias partes do mundo. As cidades são próximas umas das outras, as estradas são pequenas, muito bem conservadas e com pouco movimento, o que facilita a circulação. Há várias opções de hotéis e agroturismo. É uma região muito linda.

Estou à disposição para dicas ou recomendações:
miltonassumpcao@terra.com.br

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por Milton Assumpção em  26/09/2016  às 13h25

MACHU PICCHU, CUZCO, VALE SAGRADO E LIMA... PERU.

Machu Picchu é o mais importante destino turístico da América do Sul. Sua fama é maior que a de seu próprio País, o Peru. As pessoas quando programam a viagem dizem –Eu vou para Machu Picchu. E ao chegarem descobrem que há também Cuzco, o Vale Sagrado, Ollantaytambo, além da história e cultura dos Incas, que são ricas e devem fazer parte da programação da viagem.

Resolvi escrever sobre a minha viagem porque sei que é o sonho de muita gente, como foi o meu. E mostrar que ao se programar bem, é relativamente fácil e não exige muitos dias.

Estatua do Inca Pachacutec -Águas CalientesMachu Picchu

Um pouco de história

É importante começar falando da história para que você possa acompanhar melhor a descrição da viagem.

A civilização que conhecemos como os Incas, na verdade, eram os Quéchuas, que viviam no altiplano da Cordilheira dos Andes. No início do século XIII, com a união da cultura e dos costumes de dois povos, surgiram os Quéchuas.

O líder dos quéchuas tinha o título de INCA. Ou seja, INCA era um título de liderança, como o Rei, o Imperador.

Esta civilização que durou aproximadamente três séculos foi governada por 16 Incas oficiais e 2 nomeados pelos espanhóis. O primeiro e criador do povo quéchua o legendário Manco Capac. Este povo foi exterminado pelos espanhóis, no século XVI, com a execução do último Inca, Tupac Amaru II.

Não há registros históricos sobre este povo. Tudo que se sabe é proveniente de textos escritos por historiadores espanhóis da época. Foram eles que passaram a referir-se aos quéchuas como sendo os Incas.

Do início dos anos 1200 até 1438, os Incas dominaram um território no altiplano do Andes, com o poder central em Cuzco, a 3.400 metros acima do nível do mar.

De 1438 a 1471, governou o nono e mais importante dos Incas, Pachacuti ou Pachacutec. Junto com seu filho Tupac Yupangui estenderam a dominação do Equador até o Chile. A estratégia da anexação dos territórios passava pelo alto nível de conhecimento de agricultura que possuíam. A primeira abordagem a outros povos era sempre política, quando prometiam facilitar a obtenção de alimentos. Em uma segunda etapa, ofereciam uma de suas filhas ou uma jovem da nobreza para desposar o outro líder, e assim consolidar a anexação. Caso isso não funcionasse, a dominação era pela força.

Quando um povo aceitava a dominação Inca, o líder deste povo tornava-se um parceiro e continuava a liderar sua gente.

Os Incas tinham uma índole pacífica.

Seus Deuses eram ligados à natureza. Pacha Mama – Mãe Terra ou Mãe Natureza – era a maior divindade. O cultivo dos alimentos – principalmente batatas, cevada, milho, quinoa e chá – era a base da agricultura. O Sol, a Lua, as estrelas eram também muito cultuados pelas informações das estações do ano, do equinócio, do solstício, importantes para a agricultura.

Era o Inca que dominava os conhecimentos e os segredos da agricultura. Era ele e alguns colaboradores fiéis e próximos que sabiam interpretar o movimento dos astros, anunciando as estações e o clima. A língua falada por todos era a quéchua, no entanto, para que mantivessem estes segredos, o Inca e os nobres utilizavam um dialeto próprio.

Todas as pessoas tinham direitos aos alimentos que eram produzidos. Eram o Inca e seus colaboradores responsáveis pela produção e distribuição. A dominação era exercida basicamente por estes conhecimentos e pela garantia do fornecimento do alimento. Todas as pessoas a partir de uma certa idade eram obrigadas a se dedicar e trabalhar durante um período do ano, para a produção dos alimentos. Havia um escalonamento que fazia com que sempre houvesse trabalhadores colaborando para um bem comum.

Representação dos 18 IncasCelebração e representação em Cuzco

A Chegada dos Espanhóis

Os espanhóis começaram a dominação pelo México e América Central. Estabeleceram uma importante base no Panamá, e daí saíram para a dominação da América do Sul.

Francisco Pizarro, natural da Extremadura, na Espanha, veio para a América Central trazido por Hernan Cortés. Por volta de 1530, teve autorização para explorar lugares na América do Sul, onde diziam haver muita riqueza. Quando chegou com um pequeno grupo de soldados e cavalos em Lima, ficou maravilhado com os objetos de ouro e prata que os nativos ostentavam. Tomou conhecimento de que havia no alto dos Andes uma cidade com edifícios adornados com ouro e prata, onde vivia o grande líder deste povo. Ambicioso, marchou em direção a Cuzco.

Os Incas tinham uma lenda de que os Deuses iriam chegar vestidos com roupas de gala. Quando Pizarro chegou com seus soldados, com armaduras, elmos e cavalos, pensaram que eram os Deuses e foram muito amistosos.

Com a confirmação da existência de muita riqueza, de ouro e prata em abundância, em pouco tempo Pizarro mandou vir vários contingentes de soldados para dar suporte e estabelecer a dominação.

Quadros de Francisco Pizzarro 

Os Últimos Incas e o Extermínio de um Povo

Com a descoberta de ouro, prata e muitos alimentos, a Espanha decidiu estabelecer em Lima um Vice-Reinado, de onde podia controlar todos os seus territórios. A cidade de Cuzco, e toda a região andina ao seu redor, passou a ter uma importância fundamental.

No início, os espanhóis trataram os Incas como parceiros, respeitando sua cultura e tradições. Com o fortalecimento do contingente militar, iniciaram um processo de dominação e implantação da cultura espanhola.

Percebendo o que estava ocorrendo, o Inca Atahualpa iniciou uma resistência e conseguiu juntar cerca de 80.000 guerreiros. Os espanhóis eram em número menor, mas tinham as armas e os cavalos.

Francisco Pizarro, ardiloso e estratégico, armou uma emboscada. Convida Atahualpa para um jantar, com o objetivo de celebrar a paz. O Inca chegou com uma comitiva pequena de guerreiros e foi surpreendido e aprisionado.

Para sua libertação Atahualpa ofereceu a Pizarro uma quantidade de ouro e prata que coubesse na cela da sua prisão. Pizarro estava com tendência de aceitar, mas por ordens superiores e, principalmente, pela importância estratégica de eliminar o grande líder, decidiram executá-lo.

No dia 16 de Novembro de 1532, Atahualpa, o 13º Inca, o último a governar em Cuzco, foi executado em praça pública. Ele iria ser queimado vivo e no último momento foi convencido por um Padre a se batizar cristão, e a pena de morte foi convertida para enforcamento por garrote.

A partir, daí os espanhóis nomearam dois Incas, irmãos de Atahualpa, que não foram reconhecidos como líderes pelo povo. A partir de 1537, os Incas formaram uma resistência, primeiro em Ollantaytambo e depois em Vilcabamba.Um líder emergiu sob o nome de Manco Inca, em homenagem ao lendário Manco Capac. De 1570 a 1581, a resistência dos Incas foi conduzida por Tupac Amaru I e por Tupac Amaru II, que acabaram sendo os últimos líderes. Em 1581, Tupac Amaru II foi executado em praça pública, em Cuzco, junto com sua esposa, filhos e principais colaboradores.

Durante os anos 1960, um grupo de guerrilheiros do Uruguai criou uma facção com o nome de Tupamaros, homenageando os dois Tupac Amaru, heróis da resistência Inca.

Os espanhóis trataram de eliminar toda a cultura quéchua. O povo e sua língua passaram a ser tratados com inferioridade. Aos poucos, o aculturamento espanhol ocorreu normalmente, os edifícios, inclusive os religiosos, foram tomados e a resistência se acabou. Várias ordens religiosas cristãs se instalaram na cidade.

Durante muito tempo falar a língua quéchua era sinal de que a pessoa vinha de um nível inferior. A língua, no entanto, foi preservada pelos nativos e passou através das gerações. Hoje, poucas pessoas falam quéchua, mas há uma nova tendência de recuperar e valorizar. Os Incas não dominavam a escrita e não criaram um alfabeto. Há vários desenhos e símbolos que foram reproduzidos principalmente nos vestuários que estão sendo objetos de estudos.

 

Cuzco – Vale Sagrado – Ollantaytambo – Machu Picchu

Ao programar sua viagem para Machu Picchu, é importante levar em consideração incluir na programação lugares históricos e religiosos importantes da civilização Inca.

Cuzco
Fundada possivelmente entre os séculos XI e XII, foi o local escolhido pelo primeiro Inca Manco Capac, no século XIII, para ser a sede do povo quéchua. Foi durante três séculos a capital da civilização Inca. Está situada a 3.400 metros de altitude.

A Plaza de las Armas é uma das atrações da cidade. No centro, há uma grande estátua do Inca Pachacutec. À sua volta, estão importantes edifícios históricos, museus, a catedral, vários restaurantes e lojas. Nesta praça foi executado o último dos Incas Tupac Amaru II.

A cidade é dividida em duas partes, a histórica e a moderna. Na parte histórica, está ainda muito bem conservado o edifício Qoricancha que, segundo a lenda, foi desenhado pelo Inca Pachacutec e era onde estava centralizado todo o poder político e religioso. Depois da invasão dos espanhóis, foi transformado em convento religioso cristão.

Nos arredores de Cuzco, no alto da colina, estão as ruínas de Sacsayhuaman, o Templo do Sol e os altares de sacrifício de animais e crianças. Quando queriam agradar aos Deuses, principalmente nos períodos de secas ou de pouca produção agrícola, além de animais, sacrificavam um menino perfeito. Ele era conduzido pelos sacerdotes em uma procissão até o topo da colina. Ele não podia chorar ou se lamentar. Quando isso acontecia, e era na maioria das vezes, davam-lhe uma bebida para adormecer.

Eu recomendo programar dois dias inteiros para Cuzco. Sobre a questão da dificuldade de respirar a 3.400 metros de altitude, vou abordar mais à frente quando contar sobre a minha viagem.

Plaza de las ArmasNativos com roupas típicas

Estátua de Pachacutec no centro da praça 


Chinceros – Moray – Salinas de Maras

Saindo de Cuzco em direção ao Vale Sagrado, que fica a 80 quilômetros aproximadamente, há algumas atrações que são imperdíveis.

Chinceros é uma cidade pequena que conserva muito a tradição quéchua. A principal atração é uma fabrica artesanal de tapetes e rendas. Os turistas podem acompanhar o trabalho das tecelãs, com uma demonstração de onde se obtém e são extraídas as cores utilizadas nos tecidos.

Demonstração das coresDemonstração das tecelãs

No caminho de Moray, a uma altitude de 3.800 metros, a estrada passa por campos de plantações de cevada, trigo e quinoa. Ao fundo, a Cordilheira dos Andes com seus picos nevados a 6.000 metros de altitude formam um contraste belíssimo.

Campos de cevadas a 3.800 de altitudeAo fundo a Cordilheira dos Andes a 6.000 metros de altitude

Moray, para mim foi uma das descobertas mais surpreendentes. Os espanhóis quando se apoderaram das riquezas, não prestaram muita atenção, ou os próprios Incas talvez tenham escondido este lugar. Quando das escavações, os arqueólogos pensaram tratar-sede altares religiosos. Os estudos mostraram depois que se tratava de um laboratório de desenvolvimento e obtenção de sementes de cereais.

São grandes buracos em forma circular,com degraus em níveis decrescentes. Cada degrau, cada nível, representava uma diferença de temperatura de 1°C. O desenvolvimento era feito da seguinte maneira: o último degrau, o mais alto, representava a altitude local, ou seja 3.500 metros do nível do mar. Ali eram plantadas diversos tipos de batatas e cereais, como cevada, quinoa e milho. Dois anos depois, as sementes obtidas eram replantadas, no degrau abaixo que representava uma altitude de 2.500 metros, para adaptação. Após outros dois anos, as sementes obtidas na altitude de 2.500 metros eram replantadas, no degrau abaixo que representava a altitude de 1.800 metros, de novo para adaptação e assim sucessivamente até chegarem ao nível do mar.

Quando os Incas dominavam ou aculturavam uma nova tribo, as sementes fornecidas para plantio eram aquelas obtidas no degrau correspondente à altitude onde habitava esta nova tribo. E a adaptação era perfeita. Há pouco tempo, pesquisadores americanos que estão armazenando sementes de todos os alimentos do mundo, descobriram, no Peru, o cultivo de quinoa ao nível do mar. O que comprova o sucesso do projeto incaico de adaptação e climatização das sementes dos cereais.

Moray é chamado e considerado o Umbigo do Mundo.

Laboratórios agrícolasO ultimo círculo abaixo, representava à nível do mar

Salinas de Maras
Ficam relativamente próximas de Moray. Na altitude de 3.500 metros, uma montanha inteira de sal, recoberta de vegetação natural, com um pequeno riacho de água muito salgada, que alimenta 4.000 tanques/poças. Cada tanque produz cerca de 300 quilos de sal por mês. O sistema, que vem da época dos Incas, é comunitário entre famílias. Cada família tem os direitos sobre 40 tanques. A produção é individual, e a comercialização é em forma de cooperativa. O sal produzido é direcionado para a alimentação, para fins medicinais e banhos. Os maiores clientes são os orientais, japoneses e chineses.

No local, há diversas lojas com uma variedade grande de produtos que levam sal. Os sais para banhos e as bananinhas secas salgadas são compras obrigatórias.

4.000 tanques na encosta da montanha.O veio de água que alimenta os tanques

Urubamba é uma cidade mais moderna, que fica ao pé do altiplano a 2.790 metros do nível do mar e é banhada pelo rio do mesmo nome, Rio Urubamba. Com várias opções de bons hotéis e restaurantes, é onde tem início o Vale Sagrado dos Incas. É também de onde sai o trem para Aguas Calientes e Machu Picchu. Muitas agências preferem colocar os turistas nos hotéis de Urubamba, e de lá saírem para os passeios.

O Rio Urubamba nasce na Cordilheira Vilcanota, segue com este nome até chegar na cidade de Urubamba, passa por Ollantaytambo e segue até Aguas Calientes, formando o Vale Sagrado. Com muita correnteza e pedras, desce de uma altitude de 2.790 metros em Urubamba até 2.100 em Aguas Calientes, já dentro da Floresta Amazônica. Seguindo encontra o Rio Tombo e formam o Rio Ucayali. O Ucayali corre por 724 quilômetros até Puerto Atalaya e muda de nome para Amazonas. Oficialmente é onde começa o Rio Amazonas. Na fronteira com o Brasil, em Tabatinga, muda de nome para Solimões, e em Manaus quando encontra o Rio Negro, volta a chamar Amazonas. De Tabatinga até a foz, ou seja, no território brasileiro, o rio tem 1.700 quilômetros.

Rio Urubamba em OllantaytamboVale Sagrado e o rio Urubamba

Ollantaytambo é a cidade histórica mais importante do Vale Sagrado. Está situada ao lado de Urubamba. É a única cidade da era Inca ainda habitada pelos descendentes da nobreza. Construída por Pachacutec para ser um centro militar, administrativo, religioso e observatório dos astros. Era chamada de Fortaleza em virtude da altura de seus muros e servia de alojamento militar (tambo) para proteção do Vale Sagrado. Pachacutec utilizava como Palácio Real e estudos da movimentação dos astros para fins da agricultura. A cidade mantém ainda diversas construções, palácios e principalmente o sistema de captação de água. A água que vem das montanhas corre ainda em canais pela cidade e nas ruínas dos edifícios incaicos. No início do domínio espanhol, foi o primeiro centro de resistência dos Incas.

Canais de água corrente na cidadeÁgua corrente no Templo do Sol

O Templo do Sol é uma construção magnífica levando-se em consideração como foi projetado e construído com pedras enormes, monólitos trazidos de longe. O curioso é que as pedras que utilizaram para construção vieram de algum lugar não identificado, e são enormes, deixando no ar como foram transportadas e levadas até o alto. O Templo foi construído tendo a sua frente uma grande montanha, e de frente para o sol. Quando o sol nascia, dependendo de onde ele surgia atrás desta montanha, o Inca podia saber qual a época do ano. Os raios eram refletidos em um grande painel de pedra que ajudava a identificar as estações do ano. Este era um conhecimento que somente o Inca e alguns colaboradores fiéis dominavam. O domínio do Inca sobre seu povo era estabelecido pelo conhecimento.

Sol da manhã refletindo no painel no Solstício de Inverno – 21 de JunhoPainel onde reflete o sol

Solstício de Verão – a sombra se encaixa no vão da pedraTemplo do Sol com degraus para plantio

Nesta montanha que servia de base para identificar o nascer do sol, há uma construção no alto, que pensavam se tratar de uma prisão. Posteriormente, descobriram que eram silos de alimentos. Ficava no alto para que, em dias quentes, o vento constante refrescasse o lugar. Há também nesta montanha, o desenho de um rosto, esculpido em uma de suas laterais, causado pela movimentação de rochas após um terremoto.

Dependendo de onde o sol nascia atrás desta montanha sabiam das estações do anoSol da manhã no Solstício de Inverno

Nascer do sol no Equinócio da Primavera – 21 de SetembroAs Pleyades no amanhecer do Solstício de Inverno – 21 de Junho

A cidade tem vários pequenos hotéis, pousadas e restaurantes de comida crioula. O trem para Aguas Calientes faz uma parada na estação da cidade. De Ollantaytambo, sai uma Trilha Inca de 8 dias e 7 noites para Machu Picchu.

Muitos turistas preferem se hospedar em Ollantaytambo ou Urubamba e de lá saírem para visitar as atrações do Vale Sagrado e Machu Picchu.

 
Aguas Calientes
tem este nome porque é um lugar de águas quentes termais. Fica situada à margem do Rio Urubamba, a 2.100 metros do nível do mar. Foi originariamente um acampamento de trabalhadores para construção de uma ferrovia. A cidade fica espremida entre montanhas, já na umidade da mata amazônica e se olharmos para cima, quase não se vê o céu. A região é muito úmida, com muita chuva.

Em Aguas Calientes fica a estação final do trem que vem de Urubamba e Ollantaytambo trazendo os turistas, e é de onde saem os ônibus para levá-los até Machu Picchu. Somente os ônibus autorizados sobem a serra. Alguns aventureiros sobem a pé.

A cidade é muito pequena, com alguns hotéis, pousadas, restaurantes e muitas lojas de artesanato.

Estação de UrubambaO trem é bem confortável

Machu Picchu está a 2.438 metros de altitude, ou seja, abaixo de Ollantaytambo e Urubamba que estão a 2.790 metros e Cuzco a 3.500 metros do nível do mar.

A história da sua origem, construção e descoberta é muito controversa. Não se sabe quando e quem construiu, e há três teorias:

- Teria sido um local onde o Inca, seus familiares e principais colaboradores ,vindos de Cuzco e Ollantaytambo, utilizavam para descanso e veraneio.

-Era um centro de estudos de astronomia, interpretação dos movimentos do Sol, da Lua e das estrelas, para aplicação na agricultura. O objetivo era preparar jovens da nobreza Inca. Era também o lugar onde melhor se comunicavam com os Deuses, através do Condor, uma ave de rapina dos Andes que voa muito alto. Eles acreditavam que a ave pudesse levar aos Deuses suas preces e pedidos. Deixavam em um lugar determinado, uma espécie de templo, restos de animais para atraí-lo, e os pedidos de proteção.

- Segundo a terceira teoria, era simplesmente um ponto de parada de viajantes que transitavam pela Mata Atlântica. As construções mostram claramente um prédio central e várias salas, que poderiam ser quartos individuais, parecendo uma espécie de pousada, ou então, aposentos individuais de estudantes, da teoria anterior.

Rio Urubamba por entre as montanhasMachu Picchu e a Huayna Picchu

Antes da sua “descoberta” oficial em 1911, entre os anos de 1867 e 1870 o alemão Augusto Berns, ligado à empresa que construía a ferrovia, explorou o local. Com autorização do governo peruano, vendeu a colecionadores americanos e europeus objetos e relíquias encontrados. E em contrapartida repassava ao governo peruano parte do lucro.

Em 1874, o alemão Herman Gohring localizou e desenhou as ruínas da cidade perdida em um mapa na época.

Em 24 de Julho de 1911, professor da Universidade Yale, Hiram Bingham, explorava a região em busca da mítica Vilcabamba, lugar da resistência Inca aos espanhóis. Subindo o Rio Urubamba, foi informado pelo campesino Melchior Arteaga da existência das ruínas de uma cidade Inca, no topo da montanha. O lugar estava todo coberto de vegetação. Era habitado por duas famílias, que plantavam milho e criavam cabras. Um dos filhos do casal conduziu e apresentou as ruínas ao pesquisador.

Bingham registrou em seu diário: Would anyone beleive what I have found?

Bingham voltou a Yale e fez um relato da descoberta e conseguiu uma grande verba de pesquisa para explorar o local. Em 1912, com a autorização do governo peruano, retornou com um grupo de arqueólogos e colaboradores. O local estava todo coberto pelo mato; e a maioria dos prédios, destruída pelo tempo. No local, foram encontrados vasos, objetos de bronze, cobre, prata e cerâmicas, que identificavam a época. Após anos de trabalho, a vegetação que cobria as ruínas foi removida e as construções, restauradas.

Prédio e alojamentosDegraus para plantio

O turismo ainda levou um certo tempo para ser incrementado, principalmente pelas dificuldades de acesso. Aos poucos, foi ganhando corpo, sendo a cidade visitada por pessoas ligadas a religiosidade, esoterismo e espiritualidade. Foi quando o governo peruano viu uma grande oportunidade e decidiu investir, construindo a ferrovia de Urubamba a Aguas Calientes. A imagem de esoterismo e espiritualidade foi bastante focada em seu marketing de turismo e Machu Picchu se tornou o mais importante destino turístico da América do Sul.

Visitar Machu Picchu é realizar um sonho!


Programando a Viagem

Há 3 maneiras de ir para Cuzco, Vale Sagrado e Machu Picchu. De avião para Lima e fazendo uma conexão direta para Cuzco.

Pela Bolívia, saindo através de Corumbá, no Mato Grosso do Sul, do outro lado da fronteira, em Puerto Quijarro, pegar o famoso Trem da Morte para Santa Cruz de La Sierra. De lá, seguir de ônibus até a cidade de Copacabana, na margem do Lago Titicaca. Atravessar de balsa até Puno, já no Peru, e de lá seguir de ônibus até Cuzco ou Urubamba. Leva no mínimo 3 dias.

A terceira via é pelo Acre. Saindo de Rio Branco, de carro até Porto Maldonado já no Peru, e de lá, por uma espécie de transamazônica, chegar em Cuzco. São dois dias de viagem e muita aventura.

Eu fui com minha esposa Ruth pela mais fácil, de avião, via Lima. No aeroporto de Lima, como havia um tempo para a conexão, fomos caminhar e em uma loja, a vendedora perguntou se estávamos indo para Cuzco e se já tínhamos tomado o chá de coca.

Não? Vocês vão sentir falta de ar, chupem pelo menos algumas pastilhas de coca. Pensamos sinceramente que ela estava querendo só vender. Mesmo assim compramos e decidimos chupar uma na saída e outra na chegada. Ao desembarcar no aeroporto de Cuzco, no caminho de pegar as malas, já sentimos o mal-estar. O choque é incrivelmente forte. No hotel, já no check-in, nos ofereceram uma xícara do chá de coca e recomendaram que, em Cuzco, é necessário beber de 3 a 4 xícaras do chá por dia e muita água. Todo o tempo que ficamos em Cuzco, sentimos a diferença. Durante a noite, a gente acorda com a boca seca e tem de beber água. Os movimentos ficam lentos e cansativos.


Programação dos Passeios

Nossa programação foi ficar 4 dias e 3 noites em Cuzco e de lá sair para visitar o Vale Sagrado e Machu Picchu. Como tinha o objetivo de escrever este texto para o blog contratei um tour privado, com uma guia com muito conhecimento em história. Recomendo sem dúvida a www.colturperu.com .

Ficamos hospedados no centro de Cuzco, a duas quadras da Plaza de Las Armas, no Belmond Hotel Monasterio. Na cidade, há vários bons hotéis de nível internacional. Minha recomendação é ficar em um deles próximo da praça central. As agências que promovem os tours oferecem preços especiais, às vezes mais baratos que diretamente através da Internet. Eu recomendo ir com uma programação já contratada de tours, privado ou em grupos, que inclua o hotel. Há várias opções de hotéis e pousadas mais econômicas, para todos os bolsos.

No primeiro dia, visitamos as atrações em Cuzco, o palácio Qoricancha, no centro da cidade, e as ruínas de Sacsayhuaman, com seu altar de sacrifícios em uma colina próxima. Na parte da tarde, visitamos a catedral, Igreja da Sagrada Família, e o museu Inca. Neste último, o guia local fez uma ótima narrativa da história dos Incas.

Ruínas de SacsayhuamanAltar de sacrifícios de animais e meninos

Palácio Qoricancha – sala do SolMuros com encaixes perfeitos

No segundo dia, saímos cedo de Cuzco, de carro direto para a estação do trem em Urubamba. Este trecho de carro leva cerca de uma hora. A viagem até Aguas Calientes leva cerca de duas horas. O trem pára na estação de Ollantaytambo, para a entrada dos turistas que se hospedaram ali. Depois pára novamente no quilometro 104. Ali descem pessoas que vão fazer a Trilha Inca de 1 dia e 1 noite.

O trem margeia todo o tempo o Rio Urubamba. No trajeto, é nítida e clara a mudança da vegetação de altitude para a mata amazônica.

Na estação de Aguas Calientes estava nos esperando um guia local, também com ótimos conhecimentos da história Inca.

Os ônibus que sobem até Machu Picchu saem um em seguida ao outro, assim que os lugares são completados. A estrada em aclive é cheia de curvas, sem guardrail, mas sobem com cuidado e passa uma certa segurança. O caminho e a vista são lindos.

Chegar a Machu Picchu é um sonho. É muito emocionante quando a gente vê pela primeira vez as ruínas.

Durante três horas percorremos todos os locais, ouvindo as histórias e as explicações do guia e tirando fotos.

Observatórios astronômicosAltar de oferendas e sacrifícios

Maquete de Machu PicchuUm alojamento individual

O Templo do CondorPássaro chocando

A montanha de Huayna Picchu com 2.720 metros de altitude, é uma das atrações. Nas fotos ela aparece imponente compondo o cenário lindo do lugar. Há uma trilha para subir até o topo. São autorizados 400 pessoas por dia, 200 no horário das 7h00 e outras 200 pessoas no horário da 10h00. A preferência é pelo horário das 10h00 porque muitas vezes há nevoeiro no topo e quem sobe não consegue ver as ruínas do alto. Durante os dias chuvosos e com nevoeiros intensos a subida não é permitida. Dizem que a vista de lá de cima é muito bonita. Por outro lado tem que subir com muito cuidado porque a trilha é rústica, com degraus muito pequenos e íngremes e requer muito cuidado, principalmente na descida. Sem pressa, o tempo para subir e descer é de 2:30. Se for fazer a trilha é importante pernoitar em Águas Calientes. Como a minha programação em Machu Picchu era de um dia, preferi utilizar mais meu tempo para caminhar e conhecer as ruínas. Se tiverem duvidas sobre subir ou não, entre no Google e há vários depoimentos sobre pessoas que subiram.

Machu Picchu e a Huayna Picchu 

Almoçamos, mais tarde, em um restaurante self service lá no alto, voltamos de ônibus, passeamos um pouco por Aguas Calientes. Compramos algumas lembranças, pegamos o trem, o carro em Urubamba e voltamos para Cuzco já perto das 22 horas. Foi um dia puxado.

O terceiro dia foi dedicado a Chinceros, onde visitamos a fábrica artesanal de tapetes, acompanhando o trabalho das artesãs e a demonstração das origens das cores aplicadas nos trabalhos. Os preços dos tapetes são melhores que em Cuzco.

Em Moray, visitamos o laboratório agrícola e adaptação de sementes.

Nas Salinas de Maras, passeamos por entre tanques, provamos a água salgada do riacho e compramos sais medicinais.

Ollantaytambo foi onde dedicamos a maior parte do dia, subindo as escadarias do Templo do Sol e passeando por todo o local.

No caminho, passamos por um altiplano extenso com plantações de cevada e de quinoa a 3.800 metros de altitude. O lugar é mesmo muito lindo. O contraste da Cordilheira dos Andes com seus picos nevados a 6.000 metros de altitude com os campos de cereais é exuberante.

Picos nevados da Cordilheira dos AndesPastores de ovelhas a 3.800 metros de altitude

Plantação de quinoa no altiplanoCampos de milho e cevada

Nesta nossa viagem, fixamos nossa base em Cuzco, dormimos ali 4 noites e de lá saímos para os passeios.

Uma sugestão que eu daria – e que, se eu voltar, vou fazer – é: chegar de avião em Cuzco e já descer para Urubamba. Ficar em um hotel por 3 noites e de lá sair para visitar Moray, Salinas, Vale Sagrado, Ollantaytambo, Aguas Calientes e Machu Picchu. Todas essas atrações ficam mais próximas de Urubamba, do que de Cuzco. Conta com ótimos hotéis e restaurantes. Inclusive, como a altitude é de 2.790 metros, sente-se menos mal-estar comparativamente a Cuzco, que está a 3.400 metros.

Após fazer todos os passeios do Vale Sagrado, subir então para Cuzco. Eu recomendaria dois dias inteiros para conhecer Cuzco.

Continuando, voltamos de avião para Lima onde ficamos dois dias.

Lima, capital do Peru, foi a sede do Vice-Reinado da Espanha durante a dominação dos espanhóis, e foi libertada pelo general argentino San Martin em 1821.

Restam poucas referências históricas desta época.

É uma cidade grande, com um bom centro comercial, lojas e restaurantes.

Recomendo fazer um tour para conhecer o centro histórico. Umas das atrações são às catacumbas no subsolo da catedral, que são realmente assustadoras pela quantidade de ossos humanos expostos. O ar lá dentro é úmido e pesado.

Não deixe de conferir o altar onde está sepultado Francisco Pizarro. Foi morto em 26 de Junho de 1541, pelo também espanhol Diego de Almagro em uma disputa pelo poder. Seus restos mortais foram recentemente encontrados e identificados quando da reforma da catedral.

Em Lima, ficamos hospedados na região do Molecom, onde estão os melhores hotéis e é bem próximo do centro comercial. Dá para ir caminhando.

Na cidade há duas pirâmides pré-Inca, Huaca Huallamanca e Huaca Pucillana. Depois de visitar Cuzco, Ollantaytambo e Machu Picchu, estas duas pirâmides têm um impacto bem menor. Na Huaca Pucillana, há um bom restaurante de comida local e crioula, com vistas para a pirâmide.

Pirâmide Huaca PuccilanaTúmulo de Francisco Pizarro

Como disse no início, é uma viagem dos sonhos. Não é preciso muitos dias, e é relativamente fácil de fazer. É preciso alguns cuidados. Nos lugares a serem visitados há sempre muitas escadarias, íngremes que requerem um certo esforço físico. Há também o problema da falta de ar, principalmente em Cuzco. O chá de coca é uma bebida natural como qualquer outro. Em Cuzco no café da manhã do hotel e nos restaurantes é oferecido normalmente junto com os outros chás. A recomendação é que bebamos 4 xícaras de chá por dia e muita água. Evitar bebidas alcoólicas e carne vermelha. Há uma variedade muito boa de peixes, frutos do mar, frutas e legumes. Os lugares são lindos. Se for sabendo da história do Incas, vai aproveitar mais. Uma civilização de pouco mais de 300 anos, mas que deixou marcas profundas nos povos andinos.

     

Estou à disposição para dicas ou recomendações: miltonassumpcao@terra.com.br

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por Milton Assumpção em  18/05/2016  às 10h59

SOBRE UVAS, VINHOS E HISTÓRIA... GARIBALDI, BENTO GONÇALVES E REGIÕES

A região de maior produção de vinhos no Brasil está situada no Rio Grande do Sul, e tem como cidades mais importantes: Bento Gonçalves, Garibaldi, Caxias do Sul, Farroupilha, Pinto Bandeira e Monte Belo do Sul.

Além do Vale dos Vinhedos, onde estão concentradas importantes vinícolas, ou Cantinas, como dizem por lá, outras cidades e regiões participam da produção do vinho, como a Campanha Gaúcha, Serra do Sudeste e Campos de Cima da Serra.

O Rio Grande do Sul contribui com 90% da produção de vinhos do Brasil.

No Século XIX, durante o Segundo Império, o sul do Brasil teve uma intensa movimentação política que influenciou e determinou o desenvolvimento da região.

Em 1828, através do conflito Guerra da Cisplatina, o Uruguai, território que pertencia ao Brasil, proclamou sua Independência, com a ajuda da Argentina e da Inglaterra.

Incentivados pelos gritos de liberdade dos uruguaios em 1835, a província de São Pedro do Rio Grande do Sul, proclamou sua Independência, criando a República Rio-grandense.

A província de São Pedro do Rio Grande do Sul era formada por donatários, com vínculos não tão próximos da Coroa Brasileira sediada no Rio de Janeiro e muito influenciada pela proximidade das regiões dominadas pelos hispânicos.

A Guerra Farroupilha ou dos Farrapos durou 10 anos, foi dominada pela intervenção militar do exército comandado pelo Duque de Caxias, e deixou marcas profundas e sentimentos de nacionalidade no povo gaúcho, que persistem até hoje.

Nos anos seguintes, entre 1864 e 1870, o Brasil, a Argentina e o Uruguai firmaram a Tríplice Aliança, para combater Solano Lopez na Guerra do Paraguai.

Pela proximidade regional, o Rio Grande do Sul teve participação estratégica importante. E foi quando a Coroa Brasileira consolidou e estabeleceu suas atenções e controles sobre esta região.

O Rio Grande do Sul sempre foi um grande produtor de grãos e criador de gado.

Giuseppe GaribaldiBento Gonçalves

Para promover o desenvolvimento da região, o governo do estado criou algumas colônias com o objetivo de assentar famílias e estimular a produção de bens.

Em 1870, foram criadas a colônia Dona Isabel, em homenagem à filha de D.Pedro II, a colônia Conde D’Eu, herói da Guerra do Paraguai, e a colônia Santa Tereza de Caxias.

A colônia Dona Isabel foi depois rebatizada com o nome do herói da Guerra Farroupilha, Bento Gonçalves. Conde D’Eu mudou para Garibaldi, também importante participante da Guerra dos Farrapos. Santa Tereza de Caxias tornou-se Caxias do Sul, em homenagem ao Duque de Caxias.

OS IMIGRANTES E AS PRIMEIRAS UVAS

Sete Povos das Missões eram sete aldeamentos indígenas fundados por jesuítas espanhóis à margem leste do Rio Uruguai.

Em 1626, o jesuíta espanhol Roque Gonzales de Santa Cruz plantou, na aldeia São Nicolau, os primeiros vinhedos para produzir vinho para as cerimônias religiosas.

Os jesuítas espanhóis trouxeram as sementes do México e já haviam desenvolvido em 1553, os primeiros vinhedos da Argentina, próximo dali em Santiago del Estero.

Em 1737, portugueses das Ilhas do Açores fundadores de Porto Alegre plantaram vinhedos com cepas trazidas de Portugal, para utilização própria, sem disseminação desta cultura.

Para estimular o desenvolvimento do estado, o governo iniciou uma propaganda em toda Europa para atrair imigrantes.

Os primeiros a chegar foram os alemães, poloneses e austríacos por volta de 1824 para as regiões de São Leopoldo e São Marcos.

A uva americana Isabel, trazida de Washington, chegou à Serra Gaúcha em 1839.

Os primeiros imigrantes italianos vindos das regiões italianas do Vêneto e Tirol Austríaco chegaram em 1875.

Conta a história que a propaganda para atraí-los dizia que iriam encontrar ótimas condições de moradia e plantio, e ao chegar foram surpreendidos. A região era totalmente selvagem que precisava ser desbravada. Moradias teriam de ser construídas e campos serem abertos para plantio.

Além disso, havia na região alguns índios bugres, o que dificultou um pouco a fixação.

A terra, o clima, no entanto, eram muito bons, e lhes deu muita esperança e confiança.

Muitos dos imigrantes chegaram com algumas profissões, como marceneiros, ferreiros, sapateiros, carpinteiros e alfaiates, o que ajudou na formação das comunidades.

Entrada em Bento GonçalvesGaribaldi

O governo dividiu toda a região em Linhas e Lotes.

À medida que os lotes foram sendo distribuídos e as famílias, assentadas, eram construídas igrejinhas para integração e socialização.

Ainda hoje as linhas e as capelas são referências para a identificação, como em Bento Gonçalves, as linhas Santo Antão, Salsedo, Pradel, Barracão.

No Vale dos Vinhedos, as linhas Graciema, Leopoldina, Zemith, e as capelas N. Sª das Neves, N. Sª das Almas, N. Sª da Glória, Santa Lucia.

Em Garibaldi, as linhas Garibaldina, Graciema, Araripe, e as capelas São Roque, São Miguel, São Gabriel.

Em Farroupilha, a capela de N. Sªde Caravaggio tornou-se um santuário religioso.

Os imigrantes italianos no início criavam ovelhas, porcos, vacas, produziam queijo e plantavam feijão e trigo.

Não trouxeram da Itália cepas de uvas.

Foi quando desceram a serra para fazer as trocas de suas produções, por outros mantimentos, que tomaram contato com a uva Isabel, que estava sendo plantada pelos alemães.

A uva se adaptou muito bem no alto da serra.

Em 1890, o vinho estava sendo produzido em alta escala. Já eram um importante produto de troca para a obtenção de mantimentos, ferramentas agrícolas, querosene, tecido, café e açúcar.

Vinhedos na Serra Gaúcha

OS PIONEIROS

Em 1898, o imigrante italiano da cidade de Luca, Antonio Pierucini, empreendeu uma verdadeira aventura, e levou algumas barricas de vinho em lombos de burros até São Simão, no interior do Estado de São Paulo.

São Simão é uma pequena cidade próxima de Ribeirão Preto, que recebeu, na mesma época, imigrantes italianos para trabalhar nas lavouras de café. É bem provável que a escolha da cidade por Antonio Pierucini esteja ligada ao reencontro de pessoas da família ou da mesma região de origem.

Minha avó paterna Maria de Jesus Mira, imigrante do Vêneto, chegou em São Simão em 1880 para trabalhar na lavoura de café, e deve ter sido contemporânea deste fato.

Em 1900, foi a vez do imigrante de Vicenza, Abramo Eberle, chegar com o primeiro carregamento de vinhos da Serra Gaúcha na capital de São Paulo.

Em 1910, com a chegada de um ramal do trem em Caxias do Sul, o vinho dos imigrantes passou a chegar com assiduidade em Porto Alegre.

Em 1919, o trem chegou em Bento Gonçalves. Na época, o vinho era comercializado em barricas e depois em garrafões.

PRIMEIROS GRANDES PRODUTORES

PETERLONGO

Em 1899, chegou ao Brasil o imigrante italiano, engenheiro e agrimensor, Manoel PETERLONGO, contratado para trabalhar no traçado da cidade de Garibaldi.

Em 1915, produziu-se o primeiro Champagne no Brasil.

Na época, a região demarcada de Champagne, na França, não havia ainda questionado no Comércio Internacional a Denominação de Origem para os espumantes.

Anos mais tarde, o Supremo Tribunal Federal outorgou a Peterlongo o direito de utilizar a denominação Champagne sob a justificativa de que esta titulação estava ligada ao método Champenoise e não à origem.

A partir de 1930, o CHAMPAGNE PETERLONGO tornou-se reconhecido nacionalmente. O Presidente Getúlio Vargas, amigo pessoal da família Peterlongo, passou a utilizá-lo em cerimônias políticas.

O champagne passou a ser obrigatório em festas, casamentos e outras celebrações, como batismos de aviões e navios.

Em 1942, PETERLONGO realizou a primeira exportação para a loja de departamentos Macy’s em Nova York.

Em 1968, quando da visita da Rainha da Inglaterra Elizabeth II e seu esposo Príncipe Phillip a São Paulo, o Governador Abreu Sodré ofereceu um jantar regado ao Champagne Peterlongo.

Consta que os convidados apreciaram muito sua qualidade.

A Peterlongo continua sendo muito bem-sucedida na produção e venda desta bebida, e tem utilizado a denominação de Espumante para algumas variedades.

Edifício antigo da Peterlongo


COOPERATIVA AURORA

Em 1931, 16 famílias de imigrantes uniram-se e fundaram a COOPERATIVA AURORA, para a produção e a venda de vinhos.

Além das uvas fornecidas pelas famílias, abriram a possibilidade de compra da safra de outros imigrantes. A certeza da venda incentivou o plantio e o cultivo de vinhedos.

Em 1980, atendendo as tendências do mercado e do turismo, abriu suas instalações à visitação.

A Vinícola Aurora é hoje uma das mais importantes produtoras de vinhos da região e do Brasil. Continua comprando a produção de vários produtores individuais para fazer seu vinho. Seu portfólio de produtos acumula mais de 200 itens.

Em 2016, celebrou 85 anos de existência, e acumula dezenas de premiações, de ouro e prata, em concursos de vinhos ligeiros e espumantes.

Foi e tem sido uma das maiores responsáveis pela disseminação do consumo de vinho no Brasil.

Cooperativa Aurora

VINÍCOLA SALTON

Em 1878, chegou ao Brasil o imigrante italiano, Antonio Domênico SALTON, da cidade Cisondi di Valmarino, no Vêneto.

Em 1910, seus sete filhos, Paulo, Ângelo, João, José, Cezar, Luiz e Antonio iniciaram juntos um negócio de “secos e molhados” sob a denominação de Paulo Salton & Irmãos.

Com a expansão dos negócios, em 1922 mudaram a razão social para Paulo Salton Armazéns Gerais.

Até então, a venda de vinhos era uma parte dos negócios.

A partir de 1933, quando produziram seu primeiro vinho espumante, o foco dos negócios foi sendo alterado para a produção e a comercialização de vinhos.

A produção de tintos veio logo a seguir.

Em 1948, estrategicamente abriram uma filial na cidade de São Paulo, que facilitou a distribuição e a consolidação da liderança.

A SALTON tornou-se uma referência do vinho tinto no Brasil a partir de 1950. Seus garrafões eram reconhecidos e vendidos em todo o território nacional.

O Conhaque Presidente, lançado em 1951, ampliou sua rede de negócios.

Em 1990, com o início da consolidação do vinho como um produto de consumo de alta qualidade, promoveram uma total reestruturação em seus vinhedos e na produção industrial.

Em 2004, inauguraram o novo e lindo edifício no Distrito de Tuiuty, no Vale do Rio das Antas.

Mas as consagrações definitivas vieram a seguir.

Em 2007, quando da visita do Papa Bento XVI para a Conferência Episcopal Latino Americana em Aparecida do Norte, o vinho servido foi o tinto Salton Talento 2004.

Em 2013, quando da visita do Papa Francisco para a Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro o vinho servido foi o tinto Salton Talento 2007.

Os dois cálices utilizados pelos Papas estão à exposição no edifício novo.

Prédio da SaltonVinhos servidos aos Papas



Cálices dos Papas Bento XVI e Francisco, diferença dos estilos


O TERROIR E AS UVAS

Uma dúvida que sempre tive em relação à produção do vinho da Serra Gaúcha foi o fato de utilizarem diversas castas de uvas, independentemente do terroir.

Há varias opções de vinhos varietais (casta única), com uvas, como Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Cabernet Franc, Merlot, Tannat, Touriga Nacional e muitas outras.

Há uma regra que diz que o terroir determina a melhor uva, para o melhor vinho.

Na Borgonha, todos os vinhos são produzidos com a uva Pinot Noir, é obrigatório. Ou seja, é a uva que melhor se adaptou ao seu terroir.

No Barolo, são as uvas Nebiolo, Barbaresco e Barbera.

Na Toscana, Itália, utilizam a Sangiovesi, tanto para o Brunello de Montalcino como o Vino Nobile de Montepulciano.

Em Montalcino, você escolhe um Biondi-Sancti ou Castelo de Banfi, e a uva será sempre a Sangiovesi.

Nas outras regiões vinícolas acontece o mesmo, a escolha é pela vinícola.

Há duas explicações simples para a grande variedade de castas nos vinhos gaúchos.

A primeira é uma explicação técnica. O solo, na sua maioria, é composto de argila, e em alguns lugares, um pouco de pedra e cascalho.

Toda a Serra Gaúcha é ainda muito arborizada, com matas preservadas, e muitos riachos.

O clima é úmido, temperado e quente, com noites temperadas, o que dá uma característica própria aos vinhos da região. Diferente da Argentina e do Chile, onde a umidade é muito baixa.

Na Serra, a umidade chega a 78 por cento.

Os vinhedos estão na sua maioria a 400 e 600 metros de altitude.

Estas características oferecem possibilidades para plantar várias uvas, com uma vantagem um pouco maior para os Merlot e Pinot Noir, espumantes e vinhos mais leves.

A segunda explicação é de marketing. “O brasileiro não bebe vinho, ele bebe a uva!”

O brasileiro escolhe o vinho pela casta da uva.

Como o terroir não é determinante para definir a melhor casta, e os produtores têm obtido bons resultados com várias delas, é estratégico produzir várias opções para atingir um público consumidor maior. Ou seja, atender a todos os gostos.

Eu concordo plenamente com isso. Tenho consumido regularmente vinhos das vinícolas Don Laurindo e Pizzato, seus Merlot, Tannat e Cabernet são de muita qualidade.

Isso é plenamente possível. Em Mendoza, na Vinícola Luigi Bosca provei um Pinot Noir que não deve nada a um Borgonha.

Do mesmo modo que em Santa Cruz, no Chile, na vinícola Viu Manet, bebi um Malbec tão bom como de Mendoza.

A verdade é que o terroir da Serra Gaúcha é peculiar e único. Muito diferente de Argentina, Chile, Espanha, Austrália e África do Sul.

E os produtores entenderam e estão tirando de lá o melhor. Estão cada vez mais investindo em espumantes, com excelentes resultados, coisas do terroir!

Mapa do Vale dos Vinhedos

OS NOVOS VINHEDOS

Com a escassez de espaço disponível, preços altos, em Bento Gonçalves, Garibaldi e toda a região do Vale do Rio das Antas, um grande número de produtores estão adquirindo propriedades e plantando seus novos vinhedos na Campanha Gaúcha, Serra do Sudeste e Campos de Cima da Serra.

CAMPANHA GAÚCHA

É a região mais ao sul do Rio Grande, que se limita com o Uruguai e um pequeno pedaço da Argentina.

São os Pampas, segundo os gaúchos, onde se produz a melhor carne do mundo. É uma combinação perfeita de produção de carnes e vinhos.

A altitude média é de 100 a 300 metros do nível do mar. O clima tem uma ótima amplitude térmica, muito propício ao plantio de uvas. Os dias são quentes e secos; e as noites, mais frias.

O solo é arenoso e com ótima drenagem.

Um dado muito interessante é que a região se situa próximo do paralelo 31, o mesmo das regiões vinícolas da África do Sul e Austrália.

Não é uma região nova de vinhos. A primeira vinícola, a Quinta do Seival foi fundada em 1888.

Hoje são mais de 200 produtores.

As cidades mais importantes são Candiota, Bagé, Don Pedrito, Santana do Livramento, Rosário do Sul, Uruguaiana, Itaqui, Macambará, entre outras.

A região foi escolhida pelos produtores da Serra Gaúcha para suas expansões, por várias razões.

Já estavam lá, outros produtores, produzindo vinhos de muito boa qualidade.

O preço das terras ainda era acessível.

E, tecnicamente, porque o terroir além de ser propício a várias castas, tanto para tintos como para brancos, proporciona alto rendimento.

Muitos produtores que visitei já compraram terras nesta região. O preço das terras hoje já é muito alto.

A princípio, o planejamento é colher as uvas e processar o vinho na Serra Gaúcha, onde estão suas indústrias, no entanto, alguns produtores já estão fixando operações naquela região.

A Campanha Gaúcha já é uma atração de turismo. Além de visitar Bento Gonçalves, Garibaldi e Vale dos Vinhedos, os amantes de vinhos têm esta nova opção na região mais ao sul.

É ótimo, porque está muito próximo de Montevidéu e Buenos Aires.


SERRA DO SUDESTE

A região sudeste, na latitude de 29 graus, tem sido também uma opção para os novos vinhedos. Alguns produtores importantes como Casa Valduga e Chandon estão plantando seus novos vinhedos nesta região.

A Serra do Sudeste fica entre a Lagoa dos Patos e o leste da Campanha Gaúcha.

A serra tem topografia ondulada, solo granítico e altitude média de 600 metros do nível do mar. O clima é seco, com pouca umidade e noites mais frias.

Aqui estão sendo plantadas castas européias objetivando vinhos tintos e espumantes de alta qualidade.

As duas cidades de referência desta região são Encruzilhada do Sul e Pinheiro Machado.


CAMPOS DE CIMA DA SERRA

É também conhecida como Campos de Vacaria. Está localizada na divisa com Santa Catarina e engloba entre outras cidades, Cambará do Sul, Bom Jesus, São Francisco de Paula e Vacaria.

A área é propícia para os vinhedos. Está a uma altitude média acima de 900 metros. O solo é calcário e argiloso. Tem ventos constantes que ajudam a reduzir a umidade. Os verões são relativamente secos, com calor de dia e noites amenas, propício a uma lenta maturação das uvas. O que é muito bom para a qualidade do vinho.

Na região já existiam algumas vinícolas, mas principalmente produtores de frutas, sobretudo de maçãs.

Atualmente há uma migração de produtores de vinhos, adquirindo propriedades e plantando novos vinhedos.

Tanto na Campanha Gaúcha como em Campos de Cima da Serra e Serra do Sudeste, as uvas plantadas são das mesmas variedades da região da Serra Gaúcha.

Regiões dos vinhedos

AS CASTAS DE UVAS

O Vale dos Vinhedos foi a primeira região do Brasil a obter a Indicação de Procedência, podendo colocar nas garrafas de seus vinhos tintos e espumantes o Selo de Controle.

O reconhecimento geográfico foi outorgado pelo INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) em 2002.

O trabalho de demarcação foi efetuado pela Universidade de Caxias do Sul e técnicos da EMBRAPA.

A Denominação de Origem do Vale dos Vinhedos estabeleceu normas para cultivo e processamento das bebidas.

Só poderão colocar o Selo de Procedência os vinhos produzidos dentro das especificações abaixo:

TINTOS – Merlot, como uva principal, mínimo de 85%. As uvas Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Tannat como variedades para corte ou blend.

BRANCOS – Chardonnay como uva principal, mínimo de 85%. A Reisling Itálico como variedade para corte ou blend.

ESPUMANTES – Chardonnay ou Pinot Noir como uvas principais, mínimo 85%. A Riesling Itálico para corte ou blend.

Obrigatória a utilização do método Champenoise na produção dos espumantes.

Somente vinhos dentro destas composições podem aplicar o Selo nas garrafas.


Em todo Rio Grande do Sul são cultivados um número muito grande de castas de uvas.

As vinícolas em sua maioria têm em seus catálogos vinhos produzidos com uma variedade de uvas, que o produtor ou o enólogo pensam ser mais convenientes.

A maioria dos produtores tem um vinho varietal com a uva Merlot, que é a casta reconhecida. Produzem outros varietais com uvas que pensam ser melhor para seus negócios, e vários vinhos com cortes ou blends bem variados.

Como expliquei anteriormente, o terroir da região não reconhece uma casta específica. A uva Merlot foi escolhida para o Selo de Origem, de comum acordo entre os produtores.

A Merlot é uma casta importante, mas não a mais importante para muitos.

A escolha da uva a ser cultivada e do vinho a ser produzido está mais ligada a marketing e vendas. A estratégia é oferecer ao cliente várias opções que atendam suas preferências e gostos.

O brasileiro bebe a uva!

Relação de castas para os tintos que pude anotar: Merlot, Tannat, Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Pinot Noir, Pinotage, Touriga Nacional, Barbera, Tempranillo, Malbec e Afrocheiro.

Para os vinhos brancos: Chardonnay, Riesling Itálico, PinotGrigio, Sauvignon Blanc, Sémillon, Trebbiano, Malvasia, Peverella, Vernaccia e Gewürztraminer.


Uma mudança que fizeram há algum tempo foi utilizar os sistemas de espaldeira nos vinhedos. Este sistema é utilizado em praticamente todo o mundo e proporciona melhor ventilação, insolação e facilidade de circulação pelos carreadores.

Até então o sistema era de parreiral, ainda utilizado em vinhedos com castas destinadas aos sucos e vinhos a granel.

Sistema de espaldeiras e parreirais


A uva Isabel é ainda muito plantada na Serra Gaúcha, principalmente pelos agricultores que vendem suas colheitas para os grandes produtores. É uma uva de alto rendimento, e que requer menos cuidados que as castas mais nobres.

Alguns viticultores dizem que há vinhedos de Isabel em terrenos de alta qualidade, que poderiam estar cultivando uvas européias.

Para quem conhece outras regiões onde há uma seleção mais específica de castas, a Serra Gaúcha é uma verdadeira fonte de inovação e criatividade.


PROGRAMANDO A VIAGEM

Uma das opções é de avião direto até Caxias do Sul, e lá seguir de carro até Bento Gonçalves ou Garibaldi.

O voo saindo de São Paulo leva cerca de 1hora e 20 minutos, e de Caxias a Bento Gonçalves, de carro no máximo mais 45 minutos.

A estrada, movimentada, mas relativamente tranquila, passa por Farroupilha.

Esta opção é muito boa porque leva pouco tempo. O único senão, dizem por lá, é que o Aeroporto de Caxias fecha às vezes com nevoeiro. Sugiro então viajar durante o dia. A chance de nevoeiro é menor.

Outra opção é ir via Porto Alegre, com mais opções de vôos, e um aeroporto com mais condições de pouso e decolagem.

De Porto Alegre a Bento Gonçalves são cerca de duas horas, passando por cidades periféricas grandes e movimentadas como Canoas e São Leopoldo. O trânsito é intenso, com grande circulação de caminhões.

Já fiz a viagem nas duas opções e penso que direto a Caxias é mais tranquilo.

Em ambos os casos recomendo alugar um carro, mesmo porque vai ser fundamental para sua circulação pelos passeios.

O ideal é retirar e devolver no aeroporto.


Uma outra opção é ir de carro direto. Vai levar uns dois dias, parando para dormir e descansar em algum ponto do trajeto. Vale pelo passeio, o grande inconveniente é que as estradas para o sul são muito movimentadas com uma circulação muito grande de caminhões. Mas não deixa de ser uma opção.

HOTÉIS

Para escolher o hotel é importante definir em que cidade você quer ficar.

Tanto em Bento Gonçalves como em Garibaldi entrar e sair da cidade com o carro não é grande problema.

Há também opções de hotéis no Vale dos Vinhedos e no entorno das duas cidades.

Nas duas últimas viagens, em uma delas fiquei no Lagheto Viveroni, em Bento Gonçalves, e na outra no Hotel Casacurta de Garibaldi.

O Lagheto é moderno, um ótimo atendimento, quartos confortáveis, mas na esquina de duas avenidas relativamente movimentadas e dá para ouvir um pouco de barulho nos quartos.

O Casacurta é antigo, tradicional, reformado, ótimo atendimento e muito tranquilo. O restaurante no térreo é considerado um dos melhores de Garibaldi. Oferece uma combinação de culinária francesa e a tradicional italiana, com uma ótima Carta de Vinhos.

Em Bento Gonçalves, há as opções do Dall’Onder Grande Hotel e o Dall’Onder Vittoria Hotel

Em Garibaldi, a segunda opção é o Hotel Mosteiro São José.

No Vale dos Vinhedos, há dois hotéis conhecidos, o Spa do Vinho, em frente à Vinícola Miolo, e Hotel Villa Michelon, atrás do restaurante Mamma Gema.

No entorno, as opções são o Castelo Benvenutti na Rodovia 470 e o Farina Park Hotel, na Rodovia 453, ambos muito próximos das duas cidades.

A opção de hotel é muito particular e depende da programação e bolso de cada um. Tenho por hábito consultar no Trip Advisora avaliação de outros hóspedes.


No Vale dos Vinhedos, há várias opções de restaurantes Mamma Gema Trattoria, Casa da Madeira, Churrascaria Zandonai, Maria Valduga, Primo Camilo, Valle Rústico e outros. Recomendo que peça sugestão no hotel.

Hoteis Lagheto Vivaroni, Hotel Casacurta e Spa do Vinho

VISITAS ÀS VINÍCOLAS

Minha sugestão é, antes de viajar, tente fazer uma programação das visitas.

As vinícolas, no Vale dos Vinhedos, ficam em uma sequência na Rodovia 444, que torna muito fácil programar.

Na internet, você encontra o mapa do Vale com a indicação das localizações.

Há também vinícolas, como a Salton na estrada para Veranópolis, Rodovia 470, não longe de Bento Gonçalves.

Se tiver dois dias, programe um dia inteiro para o Vale e outro dia para a região da Salton.

Há também outras boas vinícolas na região de Pinto Bandeira.

Normalmente, antes de viajar faço contato através dos sites para marcar as visitas.

A maioria das vinícolas tem em seus sites um campo específico para este fim.


MIOLO – Vale dos Vinhedos

Na visita fui muito bem recepcionado por Raiane Tondo, gerente de Marcas e Marketing, que fez uma detalhada apresentação da Miolo, sua história, marketing, distribuição e posicionamento competitivo.

Falamos sobre o estágio atual do mercado de vinhos no Brasil e em todo o mundo, e da participação dos vinhos brasileiros. Um papo interessante e esclarecedor.

Em seguida, o enólogo Daniel Siqueira nos conduziu para uma visita mais técnica às instalações e a um canteiro de vinhedo, onde estão diversas castas.

Um dos temas mais abordados foi justamente o fato de as vinícolas produzirem vinhos com diversas castas, independentemente do terroir. Fiquei bem satisfeito com sua explicação.

Raiane Tondo, gerente de Marcas e MarketingDaniel de Siqueira, enólogo

Em 1897, quando o imigrante italiano Giuseppe Miolo chegou à região da Serra Gaúcha, foi lhe conferido o lote 43.

Tão logo assumiu a propriedade, iniciou o plantio de vinhedos.

Durante muitos anos, as uvas colhidas eram vendidas para os grandes produtores da época.

Somente em 1989, que familiares na 3ª geração fundaram a Vinícola Miolo.

O primeiro vinho produzido foi um Reserva Merlot safra 1990.

A partir daí, a vinícola ganhou um grande impulso.

Até então na região sudeste e sul do Brasil, principalmente nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, os vinhos tintos conhecidos e respeitados eram os europeus, os chilenos e os argentinos.

Os tintos Miolo foram os primeiros vinhos brasileiros, produzidos na Serra Gaúcha, que ganharam respeito e admiração dos amantes do vinho.

Passaram a fazer parte das Cartas de Vinhos de muitos bons restaurantes das grandes cidades com uma grande vantagem no preço.

O vinho Miolo conquistou em pouco tempo uma imagem de qualidade.

Com o passar do tempo, várias outras vinícolas empreenderam ações de marketing e distribuição para colocação de seus vinhos no maior mercado consumidor.

Algumas conseguiram um bom espaço, mas outras estão ainda buscando.

A Miolo está consolidada e tem seus produtos na maioria dos supermercados, em lojas e pontos de vendas e revendas de vinhos.

Possui vinhedos no próprio Vale, no icônico Lote 43, na Campanha Gaúcha, Campos de Cima da Serra e no Vale do São Francisco.

Tem também joint ventures em vários países.

Classificam seus vinhos como Premium – Miolo Reserva; como Básico Luxo – Miolo Seleção e Básico Semi Luxo– Almadén.

Almadén foi adquirida pela Miolo há pouco tempo.

Os vinhos Almadén estiveram relativamente bem posicionados no mercado, mas perderam espaço.

O Almadén Rose era bem conhecido 20 anos atrás.

Estão trabalhando forte o marketing para a recuperação desta marca, focando os espumantes.

Aliás, há um movimento forte em direção à produção de espumantes.

Isto porque há um reconhecimento estabelecido em todo o Brasil de que o espumante brasileiro é muito bom e não deve nada aos chilenos e, principalmente, aos argentinos.

Para produzir o espumante top de linha Miolo Premium Vale dos Vinhedos é utilizado o método champenoise.

Para os espumantes produzidos na Campanha Gaúcha e no Vale do São Francisco é utilizado o método charmat.

Produzem também vários vinhos tintos varietais, ou seja, casta única.

O tinto Miolo Reserva existe nas opções Cabernet Sauvignon, Tempranillo, Merlot, Tannat, Pinot Noir.

O tinto Miolo Seleção já vem em forma de blend, Cabernet Sauvignon/Merlot; Tempranillo/Touriga.

Os espumantes e brancos utilizam as uvas Chardonnay, PinotGrigio, Riesling, Sauvignon Blanc e Gewürztraminer.

Produzem ainda vinhos frisantes, sucos de uva e destilados.

Exportam para mais de 32 países.

Oferecem uma variedade grande de opções em seu portfólio, incluindo alguns vinhos importados do Chile, Argentina, Espanha e Itália.

É o maior produtor de vinhos do Brasil.

Pela importância recomendo incluir na sua programação de visitas.

Vinícola Miolo


DON LAURINDO – Vale dos Vinhedos

Há 15 anos quando fui a Gramado com minha família, no jantar em um restaurante de muito bom nível, perguntei ao garçom que nos atendia qual era o melhor vinho para me recomendar.

Na época não havia ainda o conceito de sommelier.

“Sem dúvida, o Don Laurindo!”

Devia ser mesmo o melhor.O preço era o dobro de todos os outros vinhos.

“É que eles produzem vinho com uvas do próprio vinhedo.”

Com um fondue de carne, em uma noite muito fria, o vinho combinou muito bem.

No dia seguinte, fizemos um passeio até o Vale dos Vinhedos e a primeira vinícola que fiz questão de visitar foi a Don Laurindo.

Aproveitei e fiz a encomenda de várias garrafas, com várias opções de castas, para serem entregues em São Paulo. O frete ficou por conta da vinícola.

A partir daí passei a receber as malas diretas e comprar diretamente.

Todos os anos, recebo e-mails no dia do meu aniversário e no Natal.

A Vinícola Don Laurindo foi fundada em 1991 por Ademir Brandelli.

O nome da vinícola é uma homenagem a seu pai Laurindo Brandelli.

Família Don Laurindo Brandelli

Em 1887, o imigrante Marcelino Brandelli, oriundo de Zevio, pequeno povoado da região de Verona, chegou à Serra Gaúcha e iniciou o plantio de vinhedos com o objetivo de produzir vinhos para consumo da família.

Em 1946, seu filho Cezar Brandelli adquiriu terras em Oito de Graciema e expandiu os vinhedos.

As uvas produzidas eram vendidas para os grandes produtores da região e uma parte era para produção do vinho da família, sempre muito elogiado.

Laurindo Brandelli, filho de Cezar, deu continuidade ao cuidado com os vinhedos junto com seus irmãos.

Em 1991, Ademir Brandelli, filho de Laurindo, que havia se formado em Enologia, decidiu fundar sua vinícola.

Ademir vinha de uma bem-sucedida experiência como enólogo no Vale do São Francisco e havia também trabalhado em vinícolas da própria região.

Seguro de sua competência, adquiriu parte das terras de seus tios, que preferiram continuar fornecendo uvas para os grandes produtores, e fundou a Don Laurindo.

O objetivo era produzir um vinho de alta qualidade com uvas dos próprios vinhedos.

E tem conseguido com muito sucesso. Os vinhos Don Laurindo têm um reconhecimento nacional de alta qualidade.

Como estratégia de negócios oferecem diversos vinhos monocastas: Merlot, Cabernet Sauvignon, Tannat, Malbec, Ancellota entre outras.

O Merlot leva o Selo de Origem.

Há alguns anos lançaram seu espumante produzido pelo método Champenoise.

Atualmente Ademir conta com a colaboração e participação de seus dois filhos no negócio. O filho mais velho Lucas é agrônomo e o Moisés é enólogo. Uma sucessão familiar bem planejada.

Ademir Brandelli e seus filhos Lucas e MoisésVinhedos da Don Laurindo

Na minha visita fui muito bem recepcionado pelo Ademir, e tivemos um longo papo sobre vinhos e sobre a região. Muito atencioso, visitamos as instalações e parte dos vinhedos.

Após a degustação fiz o pedido de algumas garrafas para serem entregues em São Paulo.

Don Laurindo tem algumas opções de vinhos tintos na garrafa de 375 ml, que muitas vezes é mais adequado para beber sozinho.


Pelo fato de produzirem vinhos com uvas do seu próprio quintal, o número de garrafas não é tão grande, e a distribuição para o Sudeste, São Paulo e Rio, é controlada.

Você pode encontrar Vinhos Don Laurindo em lojas e distribuidores especiais, ou seja, de alto nível. Ou então comprar direto pelo Site www.donlaurindo.com.br

Compras a partir de um certo valor têm o frete pago. Confira no site.

É visita obrigatória no Vale dos Vinhedos. Oferecem degustação de todos os seus vinhos e um tour por suas instalações.


PIZZATO – Vale dos Vinhedos

A história da Família Pizzato no Rio Grande do Sul começou com o imigrante italiano Antonio Pizzato. Oriundo de uma família de produtores de vinhos, trouxe para o Brasil esta tradição.

O amor pelos vinhedos e pelos vinhos passou por gerações e chegou até o atual patriarca, Plínio Pizzato.

Em 1960, a família adquiriu terras no Vale dos Vinhedos e passou a investir na região.

Em 1998, em conjunto com seus filhos Flavio, Flavia, Jane e Ivo (in memoriam) fundaram a Vinícola Pizzato para produzir vinhos de alta qualidade, utilizando uvas de seus próprios vinhedos.

Pizzato possui vinhedos em Doutor Fausto de Castro, Dois Lajeados, próximo de Guaporé, desde 1985.

Flavia e Plinio Pizzato

A Pizzato é reconhecida pelos vinhos de alta qualidade principalmente os tintos, que incluem monocastas entre outras Merlot, Cabernet Sauvignon, PinotNoir, Tannat e um ótimo Alicante Bouschet.

Recomendo também o DNA 99 Simple Vineyard Merlot Colheita 2011. A marca DNA 99 é uma referência ao primeiro vinho produzido pela Pizzato, um Merlot 1999.

Para os vinhos brancos, a Pizzato tem utilizado as uvas Chardonnay, Sémillon, Moscato e Malvasia Branca.

PinotNoir tem sido a uva base para os espumantes.

Vinhos Pizzato

Marquei a visita à vinícola com antecedência. Fui recepcionado pela Flavia Pizzato, que me apresentou seu pai Plínio.

Plínio é o responsável pelos vinhedos. É dele a responsabilidade pela seleção das castas a serem cultivadas e utilizadas na produção dos vinhos.

Juntos, fizemos um tour pelas instalações.

Tive a oportunidade de conversar com Plínio, longamente. Uma conversa saborosa, regada à degustação de vários vinhos. Fiquei muito sensibilizado com seu conhecimento e com amor que tem pelos vinhedos e pela terra.

Com os seus filhos, formam um parceria perfeita para os negócios. Cada um é responsável por uma área.

Plínio cuida dos vinhedos, Flavio é o enólogo e cuida da exportação, Flavia é responsável pela administração, e Jane pela área comercial e de marketing. Um time unido e perfeito.

A Pizzato está muito bem posicionada em São Paulo, de onde atua para todo o Brasil e exterior.

Exportam para países da Europa e EUA.

A degustação dos vinhos em sua sede no Vale dos Vinhedos é uma atração à parte.

Há várias opções individuais e em grupos, que você pode conferir no site.

Minha recomendação é que programe um bom tempo para visitar e curtir a degustação.

Flavia e Plinio Pizzato



Jane Pizzato Mesa de degustação


ALMA ÚNICA – Vale dos Vinhedos

Fundada em 2008 pelos irmãos gêmeos Magda e Marcio Brandelli é uma nova e atraente vinícola do Vale dos Vinhedos.

Magda e Marcio são irmãos mais novos do Ademir Brandelli, filhos de Don Laurindo.

Ao entrar pela Rodovia 444, é uma das primeiras vinícolas do lado esquerdo da estrada.

Tem um visual muito bonito, com um prédio imponente e lindos vinhedos a sua frente.

Oferecem uma interessante variedade de tintos, inclusive um ótimo Super Premium 4 Castas.

Os espumantes são produzidos pelo método tradicional champenoise

O atendimento na degustação é muito bom.

Pelo fato de ser a primeira vinícola na rota do Vale dos Vinhedos, recomendo visitar.

Jeferson Ethal, recepção e degustação


CHANDON

Chandon do Brasil faz parte de uma multinacional, LUMH Moët Hennessy, especializada em artigos de alto luxo, que engloba marcas mundiais importantes como Louis Vuitton, TagHeuer, Bulgari, Fendi, Givenchy, Kenzo, Christian Dior, Moët & Chandon, Dom Pérignon, Veuve Clicquot, Mercier e muitas outras.

Moët & Chandon é sinônimo de champagnes e espumantes da mais alta qualidade.

A Chandon do Brasil foi criada em 1973 no município de Garibaldi.

A primeira garrafa de espumante Brut foi produzida em 1977.

A partir daí iniciou uma produção regular e em 1978 lançou o primeiro espumante Demi-Sec.

A diferença da Brut para a Demi-Sec está na dosagem de açúcar que se usa na segunda fermentação. A Brut leva menos açúcar.

Os espumantes Brut levam de 7 a 14 g/Lde açúcar, enquanto os Demi-Sec,35 g/L.

Vinícola Chandon

Por razões de estratégia, a partir de 1997 a Chandon decidiu produzir no Brasil somente os espumantes. Os vinhos tintos e brancos são produzidos em Mendoza, na Argentina.

Além dos vinhedos próprios, a Chandon adquire uvas de produtores independentes, com os quais mantém um relacionamento muito rígido nos controles do plantio e da colheita das uvas.

Seus novos vinhedos estão na região da Serra Sudeste, em Encruzilhada do Sul. A serra tem um terroir propício às castas de uvas para os espumantes, como a Pinot Noir, Chardonnaye Riesling Itálico.

Estrategicamente, a Chandon tem no seu catálogo um número de opções de espumantes que considera ideal, e que atende aos interesses comerciais da empresa.

Para os espumantes Brut Reserve e a Brut Rosé utilizam três castas, Pinot Noir, Chardonnay e Riesling Itálico, com uma variação de 30 a 35% de cada uma.

Já os Excellence Brut e Excellence Rosé levam uma porcentagem maior de Pinot Noir, e um pouco menor de Chardonnay,65% - 35%.

O espumante Excellence Rosé Curvé e tem 74% de Pinot Noir e 26% de Chardonnay.

É importante enfatizar que a uva Pinot Noir deu-se muito bem com os terroirs do Rio Grande de Sul.

A Chandon utiliza os métodos Charmat e Champenoise de acordo com cada linha de produto.


Até pela marca internacional que carrega, a Chandon passa ao consumidor uma marca forte de qualidade. Os preços são bastante competitivos com os outros espumantes no mercado.

A maioria das vinícolas do Sul já lançou seus espumantes como estratégia de negócios. O reconhecimento conquistado pelo consumidor brasileiro, aliado ao preço competitivo, tem ajudado bastante nas vendas.

A Chandon tem também uma excelente distribuição. Podemos encontrar seus espumantes em vários supermercados e pontos de vendas de todo Brasil.

A sede da Chandon fica no Km 224 da Rodovia 470, no meio do caminho entre Garibaldi e Bento Gonçalves.

Na minha visita fui muito bem recepcionado por Daniela Chesini, com uma excelente apresentação da empresa, um agradável passeio pelas dependências e degustação de várias opções de espumantes.

Daniela Chesini, visitação e varejo - Chandon

Para visitar entre no site www.chandon.com.br

Chandon é a mais importante produtora de espumantes do Brasil e recomendo visitar.


No texto do meu blog sobre a região de Champagne, na França, incluo as visitas que fiz a Moët & Chandon e Mercier, em Épernay.

Minha recomendação é que programe um bom tempo para visitar e curtir a degustação.


DAL PIZZOL – Faria Lemos

Fundada em 1974, fica na região de Faria Lemos, na Rodovia 470, na estrada para Veranópolis, na Rota das Cantinas Históricas.

“Cantina” como sinônimo de “vinícola”.

Há placas indicativas na rodovia, mas exatamente no trevo de saída não há uma placa muito clara. Por isso, é preciso prestar atenção.

O local é bonito. Há um pequeno museu com garrafas, ferramentas e objetos antigos.

Há também um pequeno vinhedo, como um mostruário das diversas castas de uvas utilizadas pela vinícola.

Produzem diversos vinhos monocastas, recomendo especial atenção a um tinto PinotNoir e um Touriga Nacional.

O atendimento deixa um pouco a desejar. Com dois meses de antecedência tentei marcar uma visita, através de e-mails, sem muito sucesso. Não consegui a confirmação.

Mesmo assim fui até lá conferir.

Tanto no museu como no vinhedo mostruário, o visitante não tem um acompanhamento.

O foco do atendimento é no espaço da degustação.

O local lembra um bar, com bastante movimento e agitação.

Acredito que ideal para aqueles visitantes que gostam de beber vários vinhos.

É um ambiente alegre e descontraído.

No site eles anunciam alguns tipos de degustação, mas não pude conferir.

Museu Dal Pizzol

SALTON – Distrito de Tuiuty

No texto anterior sobre OS PIONEIROS falei da Vinícola Salton.

Visitar a Salton foi como cumprir um momento de muita emoção.

Desde o início na minha infância, o vinho esteve relacionado com os garrafões da Salton. Meu pai, Milton Mira de Assumpção, de pai português e mãe italiana, tinha por hábito beber muito vinho, e o Salton era o preferido.

O tour na Salton é uma mistura de voltar no tempo, na história, e conhecer a realidade de hoje.

O passeio é bem dinâmico, tem início na parte externa onde há um pequeno vinhedo, com um mostruário de castas, depois segue dentro do edifício a parte histórica, as instalações industriais, os jardins e, finalmente, a degustação.

Quando pensamos em Salton, vem à nossa mente os garrafões. Hoje produzem vinhos tintos, brancos e espumantes em garrafas, da mais alta qualidade.

Um dos pontos fortes é a distribuição. É possível encontrar seus vinhos no Brasil inteiro.

Decorações na Vinícola Salton

A Salton fica no Distrito de Tuiuty. Saindo de Bento Gonçalves, pela Rodovia 470, em direção a Veranópolis, a 12 Km, há uma placa à direita da estrada indicando a Salton. Dali são no máximo 2 km.

tour a cada meia hora, e leva cerca de 40 minutos. O ideal é reservar a visita pelo site, mas se chegar lá não há problema também.


Ali perto há duas opções de almoço.

Saindo da Salton, virando à direita em direção de novo à Rodovia 470, a poucos metros, está o restaurante Pignatella, especializado em culinária da região italiana do Tirol.

O cardápio único sugerido pelo Chef é composto de uma sequência de pratos, que incluem massas e carnes. Não há cardápio a la carte. O preço é fixo por pessoa; bebidas, à parte.

Uma outra opção é, saindo da Salton e virando à esquerda, na pequena estrada, cerca de 5 Km adiante você vai encontrar a vinícola Casa Postal, que além da degustação tem um muito bom restaurante. Simples, tocado pela esposa do proprietário, oferece duas opções no cardápio, sendo uma delas de carne.


Vinícola CASA POSTAL – Orgânicos e Biodinâmicos

Acabei visitando esta vinícola porque na Salton recomendaram-me os dois restaurantes que mencionei anteriormente. Optei pela Casa Postal principalmente pela singeleza do lugar. Enquanto o Pignatella é um restaurante profissional de bom nível, a Casa Postal é familiar, mais intimista e mais singela.

Em 1956, Ernesto Postal, descendente de imigrantes italianos, realizou um sonho. Junto com familiares e amigos fundou a Sociedade Bento Gonçalves Ltda., para produção de vinhos.

Por ter sido sua a ideia da sociedade, foi eleito o Presidente.

Tempos difíceis, falta de capital financeiro, problemas de distribuição, falta de colaboração efetiva de todos, Ernesto então decidiu e, com muito esforço, acabou comprando a parte dos outros sócios.

Em 2008, seu filho Elison Postal formou-se em Enologia e passou a colaborar efetivamente na produção dos vinhos.

Elison além do conhecimento técnico trouxe consigo um conceito de produtos Orgânicos e Dinâmicos, que decidiu implementar.

A produção dos vinhos estrategicamente ganhou um diferencial competitivo, o foco em vinhos Orgânicos e Dinâmicos.

Nos vinhedos são aplicados somente produtos homeopáticos compostos por minerais, esterco bovino e plantas medicinais. O agrotóxico é totalmente descartado.

O controle do plantio obedece ao Calendário Astronômico Agrícola, conceito da cultura biodinâmica, que leva em consideração o conhecimento ciclo cósmico.

Seus novos vinhedos estão em Caçapava do Sul, Serra do Sudeste, com o foco estreito em uvas viníferas orgânicas e biodinâmicas.

Se puder visitar a Casa Postal, recomendo que entre no site e marque com o Elison para recepcioná-lo. O lugar é simples, despojado, mas o papo é muito interessante e agradável. Este conceito de orgânico e biodinâmico ganha cada vez mais espaço na preferência das pessoas.

Além disso, é muito saber que estamos bebendo um vinho livre de agrotóxicos e com uma força energética maior da Mãe Natureza.

Os Incas de Machupicchu e Cusco iriam aplaudir a Pacha Mama.

Elison Postal, Casa Postal

VINÍCOLA DO VILMAR BETTÚ

Deixei esta vinícola por último porque ela merece uma avaliação diferenciada.

Não é uma visita para todos.

Só visitam esta vinícola amantes do vinho que dominam um mínimo de conhecimento e apreciam de fato uma boa degustação.

Estou dizendo isso porque tenho visto em minhas viagens, em todo lugar, mas principalmente aqui no Brasil, no Chile e na Argentina, pessoas que visitam as vinícolas para beber muito vinho e curtir o passeio.

O próprio Bettú me disse que este tipo de turismo não interessa para ele.

Lendário Vilmar Bettú e fotos de família

Não tinha ouvido falar do Bettú até que cheguei em Garibaldi. Foi o pessoal do Hotel Casacurta que, sabendo do meu blog, disse que eu precisava conhecê-lo e marcaram para eu visitá-lo às 18h30 do mesmo dia.

Ele estava atendendo um grupo de profissionais indicados por um figurão da rede Globo e só poderia me receber no início da noite.

A vinícola fica a 20 minutos de Garibaldi, em uma estrada de terra, sem iluminação.

O lugar é muito bonito. A casa da família, o pomar de frutas, o barracão da vinícola e um riacho passando no fundo.

Vilmar Bettú é meio que uma lenda na região. Quando falei para algumas pessoas que iria visitá-lo, disseram que era um enólogo cientista, pesquisador, que fazia vinhos muitos especiais. Disseram também que, como experimentos, enterrava garrafas de vinhos no quintal e só retirava tempos depois da fermentação.

Bettú é formado em Engenharia Mecânica e foi professor de Física. Como todo descendente de italiano, tem um lado religioso e uma grande paixão pelo vinho.

Já viajou várias vezes para a Europa, principalmente para a Itália. Inclusive participou de uma convenção de vinhos na região do Tokaji na Hungria.

Seu vinhedo tem no máximo 1 hectare e cerca de 20 diferentes castas de uva, incluindo Merlot, Nebiolo, Malbec, Tannat, Cabernet France Sangiovese.

Seu prazer é fazer experiências e combinações de uvas. Em primeiro lugar desenvolve vinhos varietais, monocasta até obter uma qualidade excelente. Só aí então vai trabalhar os blends.

Quando o visitei tinha cerca de 80 vinhos diferentes, entre monocastas e cortes.

Como seu vinhedo é pequeno, compra uvas de ótimas qualidades, de fornecedores especiais.

Produz no máximo 5.000 garrafas por ano e, muitas vezes, quando não consegue as uvas que considera ideais, produz menos.

Há vinhos que ele produz somente de 80 a 100 garrafas.

Os rótulos são feitos a mão e assinados por ele.

A degustação custa R$ 100 por pessoa e leva em média 3 horas. Ele faz questão de apresentar vários vinhos e castanhas de tira-gostos. Cada vinho que você degusta parece melhor que o outro.

Essas 3 horas passam muito rapidamente. O papo é muito bom. Conversamos muito sobre viagens e regiões de vinho.

É interessante o sabor especial que ele consegue com as uvas. Experimentei um Tannat que é muito diferente dos outros que já provei. Um Nebiollo, que lembra muito os Barolos.

O segredo está no cuidado com a produção, totalmente artesanal. Seu maquinário é antigo. As uvas são pisadas pelo próprio, pela família e, às vezes, por alguns amigos convidados.

A fermentação é em garrafões, ele não usa carvalho. Ou seja, não pega sabores adicionais da madeira. O vinho tem o sabor único das uvas.

Com isso, o vinho do Bettú tem um preço especial, que varia de R$80 a R$ 800.

Importante, não aceita Cartão de Crédito, tem de ser em dinheiro.

Bettú oferece ao visitante a possibilidade de fazer seu próprio blend. Ele traz vários garrafões de vinhos monocastas e, junto com o visitante, vai fazendo misturas e experimentações até chegar a um sabor que considerem o melhor. O visitante compra um mínimo de garrafas deste seu blend, pagando no ato. Nos próximos dias, o Bettú vai então preparar as garrafas e enviar para o cliente. Um vinho personalizado e de alto nível.

Texto de Vilmar Bettú

Saímos de lá as 20h30 depois de ele fazer questão de mostrar sua casa.

A noite escura e o céu estrelado deram um toque mágico no fim da visita.

Para marcar a visita use o e-mail:vilmarbettu@gmail.com ou o telefone(54) 3462-6807.

Se tiver dificuldade, vale a pena insistir.


MUITAS OUTRAS VINÍCOLAS

A região da Serra Gaúcha e do Vale do Rio das Antas tem muitas vinícolas para serem visitadas e vai depender do gosto e da programação de cada um.

No Vale dos Vinhedos recomendo visitar ainda a CASA VALDUGA, que além dos vinhos possui um ótimo e grande restaurante. É bem concorrido e visitado nos finais de semana.

DON CÂNDIDO, LÍDIO CARRARO, COOPERATIVA AURORA, MICHELE CARRARO, MARCO LUIGI, TORCELLO E TOSCANA são algumas das outras vinícolas no Vale que se puder vale a pena visitar, pois estão produzindo ótimos vinhos e espumantes.


OUTRAS ATRAÇÕES– BENTO GONÇALVES E GARIBALDI

A região tem várias atrações de trilhas, cachoeiras, fazendas e passeios. Se entrar na Internet e pesquisar o que fazer na região, independentemente dos vinhos, vai encontrar várias opções.

Vou sugerir quatro delas que considero muito boas e que dá para fazer combinando com as visitas às vinícolas.


ROTEIRO TURÍSTICO CAMINHOS DE PEDRA

É um projeto de turismo rural, histórico e cultural.

Em um trecho de aproximadamente 7 km na rodovia VRS 855, você encontra uma série de casas de pedras e de madeira, que remonta à época da colonização por parte dos imigrantes italianos.

São casas de comércio, pequenos produtores, vinícolas, ateliês de arte e restaurantes, que registram a história da região.

No Século XIX, com a criação das Linhas de demarcação, era uma picada na mata que ligava as Colônias D.Isabel e Caxias. Com o tempo tornou-se uma via carroçável e posteriormente uma estrada para automóveis e caminhões.

Até os anos 60, era a ligação entre Bento Gonçalves e Caxias do Sul.

À sua volta foram construídas casas, comércio, restaurantes e até uma pousada.

Com a construção das novas rodovias, a VRS 855 foi sendo deixada de lado, e os negócios a sua volta entraram em declínio.

No início da década de 90, o Engenheiro Francisco Vasco Michelon e o Arquiteto Julio Posenato criaram um projeto para restauração e recuperação das propriedades, criando um Roteiro Turístico.

Em Setembro de 1992,o Caminhos de Pedra recebeu o primeiro grupo de turistas.

Em 2009, foi declarado Patrimônio Histórico e Cultural do Rio Grande do Sul.

O ideal é que programe um dia inteiro para visitar e de preferência com carro próprio. Porque aí você poderá parar e visitar o local que quiser.

Os dois primeiros lugares a serem visitados são: o Restaurante Nona Ludia e Casa do Tomate, no início da rota.

O restaurante Nona Ludia é uma construção de 1880, e foi a primeira a ser restaurada em 1994. No pátio, há uma enorme árvore com uma espécie de gruta no seu pé. Segundo a tradição, os primeiros imigrantes se abrigaram neste local.

A Casa do Tomate vem logo a seguir e tem um comércio de produtos derivados do tomate. Como atração, um narrador conta a história dos imigrantes e das casas de pedras.

Casa da Ovelha e show de pastoreio Monica Motta, treinadora e apresentadora

A Casa da Ovelha é visita obrigatória. Há uma apresentação da história da casa e degustação de produtos e queijos de leite de ovelha. Os visitantes podem participar da ordenha do leite e assistirem a um show de pastoreio de ovelhas conduzido por cachorros treinados. Essas apresentações têm horários determinados. Na loja, há diversos produtos incluindo várias opções de queijos.

Cantina Strapazzon, local utilizado para cenas do filme O Quatrilho. Vinhedos de uvas Isabel decoram o local. Na época da colheita, em Fevereiro, o tour inclui participar da vindima e comer uvas à vontade, debaixo do parreiral.

Cristiane Strapazzon – Ruth AssumpçãoCasa do filme O Quatrilho

Outras atrações são Casa da Tecelagem, Casa do Mate, Vinícola Salvati e Sirena, Casa dos Doces, Casa das Massa e Artesanato, Casa das Cucas, Casa da Confecção e outras.

Há vários restaurantes, entre eles o tradicional Casa Vanni Espaço Gastronômico e um mais atual, Ristorante Del Pomodoro.

Atrações do roteiro Caminhos de Pedra

EPOPEIA ITALIANA

Um passeio pela história dos imigrantes italianos que chegaram no Século XIX para povoar e desenvolver a Serra Gaúcha.

Um parque temático, com cenários e audiovisuais retratando a epopeia dos imigrantes desde a saída da terra natal, a viagem de navio, a chegada ao Brasil, as dificuldades encontradas no início da colonização até os dias gloriosos de hoje.

O tour inclui degustação de vinho, suco de uva, biscoito colonial e polenta na chapa.

É uma atração singela e emocionante, principalmente para nós, descendentes de italianos.

Fica em Bento Gonçalves, próximo da Estação da Maria Fumaça.

Fomos visitar em um dia normal, e não houve necessidade de reservas. Acredito que nos feriados e no fim de semana seja melhor reservar.

A atração funciona diariamente das 8h00 às 17h45, com horários específicos para início dos tours.


MARIA FUMAÇA

O trem sai da Estação de Bento Gonçalves, passa por Garibaldi e vai até Carlos Barbosa.

O passeio passa por campos, vinhedos e a paisagem é muito bonita.

No trajeto, oferecem degustação de vinho, suco de uva, moscatel, animados com a apresentação de tarantela, coral típico italiano, músicas gaúchas e teatro.

Esta atração é muito concorrida, e é preciso fazer reserva com muita antecedência.Por isso, recomendo que faça através de uma agência de turismo.

Confira os horários dos tours da Epopeia Italiana e Maria Fumaça pelo site reservas@giordaniturismo.com.br

Maria Fumaça

PONTE SOBRE O RIO DAS ANTAS – Ernesto Dornelles

Este é um passeio que vai levar no máximo 1 hora se você fizer logo após a visita a Salton ou a Casa Postal.

Continuando pela Rodovia 470 em direção Veranópolis, 10 km abaixo está a ponte sobre o Rio das Antas, também conhecida como Ponte dos Arcos.

A descida pela rodovia é uma serra em curvas, e se deve tomar muito cuidado porque é rota movimentada de caminhões.

No trajeto há um quiosque e um bar em um mirante, de onde dá para ver a “ferradura” do Rio das Antas. O visual é muito bonito para fotografias.

No caminho, há também vários quiosques com produtos e frutas do local.

Ponte dos Arcos e Ferradura do Rio das Antas

Tenho visitado regiões de vinho em vários países. Cada uma com suas atrações e peculiaridades. Em todas, o amor, a dedicação à natureza, à terra, aos vinhedos, à produção de vinhos são comuns. O prazer de apresentar e degustar cada vinho está no semblante e nas ações de todos.

No Vale dos Vinhedos, tanto quanto em Portugal, França, Itália, Chile, Argentina, encontrei os mesmos valores, as mesmas devoções.

O vinho é sem dúvida um produto único, vivo, que une pessoas e traz muita alegria.

O segredo é escolher um bom vinho, uma variedade boa de tira-gostos, ótimo papo, e deixar a vida nos levar!

Estou à disposição para dicas ou recomendações: miltonassumpcao@terra.com.br

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