por Milton Assumpção em  17/01/2018  às 20h17

VINHOS DE ALTITUDE - VACARIA Rio Grande do Sul - SÃO JOAQUIM Santa Catarina - Inclui ESTRADA DA SERRA DO RIO DO RASTRO

Tenho postado em meu Blog referências à produção de vinhos na região chamada Campos de Cima da Serra, ou Campos de Vacaria. Além dos produtores locais, vários viticultores do Vale dos Vinhedos têm adquirido propriedades para expandir suas plantações.
É uma região onde se produz trigo, flores e principalmente frutas, como maçãs, morangos e framboesas.
A produções de vinhos e espumantes cresceu bastante nos últimos anos.
Próximo dali, já na serra de Santa Catarina, em São Joaquim, conhecida pelo turismo da neve, há uma crescente produção de Vinhos de Altitude. Os vinhedos estão acima de 1.300 metros.

PROGRAMAÇÃO DA VIAGEM
Aproveitando os feriados prolongados de Novembro fizemos uma programação de viagem bem dinâmica.
Saímos de São Paulo de avião para Caxias do Sul, em um voo de manhã que leva 75 minutos.
Alugamos um carro no aeroporto e fomos direto para a região do Vale dos Vinhedos.
Na hora do almoço, já estávamos hospedados no Castello Benvenutti entre Garibaldi e Bento Gonçalves.

Curtimos por dois dias vinícolas no Vale dos Vinhedos e Pinto Bandeira.
No meu blog de Dezembro/2017, faço um relato detalhado das visitas às vinícolas de Pinto Bandeira.

No terceiro dia, logo bem cedo, subimos a serra em direção a Vacaria, onde degustamos vinhos e seguimos para São Joaquim, para visitar vinícolas de altitude.

Saímos de São Joaquim e descemos a incrível Estrada da Serra do Rio do Rastro.
Devolvemos o carro no aeroporto de Florianópolis.

Foram cinco dias bem dinâmicos, mas que deu para fazer com tranquilidade.

Rio das Antas, Rodovia 116,Campestre da Serra

  
CAMPOS DE CIMA DA SERRA – VACARIA

O nome da cidade foi dado pelos jesuítas espanhóis que viviam na região das Missões, hoje pertencente à Argentina. Eles chamavam de Vaqueria de los Pinares, ou seja, Vacaria dos Pinhais. Era uma região de criação de gado para suprir aos jesuítas e às comunidades onde atuavam.
Mais tarde tornou-se parada e pernoite dos tropeiros que vinham da região do Sul e do rio da Prata para o Centro Oeste, tocando a boiada.


Para ir a Vacaria, saindo de Garibaldi, há de voltar a Caxias do Sul e pegar a Rodovia 116 sentido norte. O trajeto da serra é muito bonito. Vale a pena subir devagar e com cuidado, apreciando a paisagem. A mata verde compacta, rios e riachos dão um toque mágico. Eu não imaginava haver tanto verde nesta região.

Quando se atinge o planalto, já em uma altitude de 970 metros, começam a aparecer os campos de trigo e as plantações de maçãs, a perder de vista.

Esta região é reconhecida como a maior produtora de maçãs do Brasil.

O clima é propício para frutas, maçãs, morangos, framboesas, vinhedos, flores e pecuária.
É um clima subtropical com médias máximas de 27 graus no Verão e 7 de mínima no Inverno.
É propício para as uvas brancas utilizadas na produção dos espumantes.

Já há uma produção de vinhos e espumantes regulares. A maioria dos produtores ainda processa a produção em Caxias do Sul e Bento Gonçalves.

Produção de maçãs em Vacaria 

  
PRODUTORES EM VACARIA

Os mais reconhecidos são FAZENDA SANTA RITA. ARACURI VINHOS, CAMPESTRE, RAVANELLO E RAR – Raul A. Randon.

Raul R. Randon é um dos proprietários da Randon S/A que produz carrocerias e reboques de caminhões.
Em 1970 criou a empresa RASIP para investir na plantação de frutas, produção de vinhos e criação de gado para leite e corte.

Os vinhedos estão espalhados pela região, muitas vezes, ao lado de plantações de frutas e outras culturas.Aracuri Vinhos, por exemplo, tem seus vinhedos no município de Muitos Capões.


TURISMO DE VISITAÇÃO

Não há Enoturismo regular. Uma estrutura para visitação de turistas está ainda em fase de organização.
Quando fiz minha programação de viagem incluindo Vacaria, contatei por telefone e email alguns produtores para marcar visitações. Foram todos muito atenciosos. Informaram que na cidade há neste momento somente duas lojas para degustação e venda de vinhos.

Se seu plano de viagem tem como foco o Enoturismo, minha recomendação é que dedique somente algumas horas para visitar as lojas especializadas, degustar e comprar alguns vinhos e seguir viagem. Foi o que fizemos.

Dependendo de seu planejamento pode ser um bom lugar para pernoitar.
Há várias opções de hotéis e restaurantes. Vacaria é uma cidade histórica e muito bonita.

FAZENDA SANTA RITA tem sua loja na cidade à Av. Militar 808, onde é possível fazer a degustação e comprar seus vinhos. Recentemente inauguraram na vinícola um espaço para eventos e recepção de turistas. Neste momento, funciona somente com eventos especiais. No futuro, deverá tornar-se um centro de atendimento de turistas regular.

O SPACCIO RAR no KM 33 da Rodovia 116 oferece degustação e venda de seus vinhos.
Nesta loja, além dos vinhos há degustação de queijos, manteigas e azeites produzidos por eles.
Uma das maiores atrações é o queijo italiano Grana.
Visitei a Spaccio e degustei, entre outros, o seu Espumante Brut.
Posso afirmar sem dúvida que é muito bom. Intenso, mas leve, elegante, passa uma sensação de frescor muito boa. Gostei bastante. O atendimento no local é muito profissional.

Degustando vinhos no Spaccio RAR, Vacaria

 
SÃO JOAQUIM, Santa Catarina

De Vacaria guiamos em direção a Lages, já em Santa Catarina. A estrada é muito boa, e tem pouco movimento de caminhões.
De Lages sai uma estrada também de pista simples, mas bem pavimentada para São Joaquim.
Chegamos no início da noite, para pernoitar.
Há várias opções de hotéis e pousadas na cidade.

SÃO JOAQUIM é conhecida pelos brasileiros pela neve que cai durante o Inverno. Neste período, a cidade fica cheia de turistas, curtindo o frio.

Igreja matriz de Vacaria
  
Tábua meteorológica em São Joaquim


VINHOS DE ALTITUDE

Não estando no Inverno e não havendo a possibilidade de neve, a cidade, muito pequena, tem poucas atrações.

Passa a ser quase obrigatório visitar as vinícolas.

O vinho é classificado com sendo “De Altitude”, porque os vinhedos estão a mais de 1.300 metros de altura.
O solo é argila com muita pedra, uma umidade média, mas com possibilidade de chuvas de granizo.
A amplitude térmica é muito elevada. Dias quentes moderados e noites muito frias.


VISITA ÀS VINÍCOLAS

Há várias vinícolas, e as mais conhecidas são Villa Francioni, D’Alture, Villagio Barsetti e Leone de Veneza.

VILLA FRANCIONI é a mais importante de todas. É a maior atração turística de São Joaquim, depois da neve!

No início dos anos 2.000, o empresário Manoel Dilor de Freitas idealizou uma vinícola ao estilo das mais bonitas da Europa.
Em 2002, plantou os primeiros vinhedos, e começou a construção de uma Cantina de 4.400 m² para produzir o vinho e receber visitantes.
Faltando poucos meses para inauguração, faleceu de um enfarte.
Coube aos seus filhos continuarem a obra do Pai, e inaugurar a vinícola.

É uma das mais lindas do Brasil.
Construída na parte alta do terreno, o projeto de arquitetura privilegiou o visual de toda a região.
A produção do vinho obedece à utilização de níveis gravitacionais proporcionando uma facilidade para a circulação das uvas sem que haja qualquer sofrimento.
O sistema de engarrafamento é todo maquinizado, seguro e limpo.

Além da visita às instalações e da degustação, há uma Galeria de Artes, com quadros de Juarez Machado e Camille Claudel.
Há também um espaço gastronômico para lanches e refeições.

Não é uma simples vinícola, é uma atração turística completa.

Como há um fluxo grande de turistas, é obrigatória a reserva antecipada.
Pode ser feita pela Internet ou pelo Hotel onde está hospedado em São Joaquim.

Vinícola Francioni, São Joaquim


A VISITA E OS VINHOS

VILLA FRANCIONI

Há vários guias fazendo os tours simultâneos. Fui recebido pelo responsável pelo Turismo, José Bernardo Carvalho Junior.
Contou a história do lugar, descreveu as características dos vinhos e conduziu a degustação.

São várias as opções de Tintos, Brancos e Espumantes.

Nos Tintos, predominam as uvas Cabernet Sauvignon e Merlot.
Nos Brancos e Espumantes predominam a Chardonnay e Sauvignon Blanc.

Possuem algumas linhas, como Aparados, São Joaquim e VF. Esta última com uma sublinha dedicada ao Pintor Juarez Machado.
O espumante leva a marca JOAQUIM – Brut Blanc de Blancs.

Uma característica do Vinho de Altitude é a acidez da uva, que obriga um tempo maior de fermentação. Por outro lado, o vinho fica mais leve, intenso, mas relativamente moderado.
Percebe-se claramente a diferença de intensidade de um Cabernet Sauvignon de altitude, de outros, produzidos em altitudes menores.
O mesmo se dá com os Espumantes.

A produção é de 300.000 garrafas ao ano. Há uma certa dificuldade de colocar os vinhos no mercado do Centro-Oeste, pelo excesso de competição.

Vinhos de Altitude são um diferencial competitivo que poderia ser trabalhado.

Se for a São Joaquim, a visita nesta vinícola é obrigatória, pela história, pelos vinhos, pela beleza.

Com Jose Bernardo Carvalho Jr na Vinícola Francioni
   

Vinhedos na Vinícola Francioni protegidos de chuvas de granizo

D’ALTURE

Fica praticamente em frente à Villa Francioni, do outro lado da estrada.
Seus vinhedos estão plantados em maior altitude, por isso o nome D’Alture.
O proprietário é boliviano e é um negócio pequeno de família.
É o oposto da Francioni. As instalações são rústicas, e o local é bem simples.
Atendem normalmente quem chegar.
Não há um tour pelos vinhedos. Fazem um passeio pelas instalações e em seguida a degustação.
A estrada até o alto, onde está a sede, é íngreme, de terra, pelo meio dos vinhedos.
Em alguns cortes desta estrada dá para ver a composição de terra e pedras características desta região.

Produzem mais vinhos tintos, predominando as uvas Cabernet Sauvignon e Merlot.

Na Villa Francioni, o grande número de visitantes são turistas que fazem o tour e depois compram algumas garrafas.

Já na D’Alture são pessoas da própria região ou que vem a São Joaquim com mais frequência e compram caixas de vinhos para consumo próprio, consumidores mais fiéis.
O preço do vinho aqui também é mais barato, e o vinho é muito bom.


Degustando vinhos na Vinícola D’Alture
   

Solos de argila e pedrasVinhedos a 1.300 metros de altitude


ESTRADA DO RIO DO RASTRO

Fica entre as cidades de Bom Jardim da Serra e Lauro Muller e faz parte da Rodovia SC 390.
É considerada uma das estradas mais incríveis do Brasil e do Mundo.
Desce de uma altitude de 1.421 metros até praticamente o nível do mar.
São 34 quilômetros com 284 curvas sinuosas e acentuadas.
A descida é no sentido de Bom Jardim da Serra para Lauro Muller.

HISTÓRIA DA ESTRADA

Por volta de 1870, os habitantes da região, abriram uma trilha na mata, serra abaixo, para buscar gêneros de primeira necessidade na cidade de Laguna. Na época, a trilha era conhecida como da Serra do Doze.
Posteriormente passou a ser chamada de Serra do Rio do Rastro.
Para percorrer o trajeto, que levava dias, utilizavam burros para transportar os produtos.

Na metade do século passado, transformaram a trilha em uma estrada de terra, com a circulação de pequenos carros.
Na década de 80, a estrada foi pavimentada e é hoje de grande circulação, ligando Laguna e Tubarão a São Joaquim e Lages, na Serra Catarinense.


A INCRÍVEL ESTRADA

De São Joaquim, pela Rodovia 390, você passa por Bom Jardim da Serra, uma cidade de turismo rural, e chega na beira do canyon, onde começa a descida.
No local há um Mirante, várias lojas de artesanato, bares e restaurante.
Do outro lado da estrada, também à beira do canyon está o Eco Resort do Rio do Rastro. Um hotel fazenda de alto nível.

Uma dica, entre a cidade de Bom Jardim da Serra e o Mirante há um restaurante, do lado esquerdo da estrada, na beira do rio Barrinha, com uma cachoeira, que vale a pena parar para almoçar ou mesmo para um lanche.
Dá para caminhar pela beira do rio e chegar bem perto da queda d’água.
O Restaurante da Cascata é self-service, come-se bem e não é caro.

Restaurante à beira do rio Barrinha 


A DESCIDA

A descida da estrada da serra é especial. As curvas são acentuadas e há de guiar com muito cuidado.
Há caminhões descendo e subindo o tempo todo. Há curvas em que é preciso esperar os caminhões passarem para poder continuar.
Fiquem atentos às buzinas, eles sempre avisam quando estão chegando próximo das curvas, em sentido contrário.
Logo no início, nos primeiros cinco quilômetros, há uma série de curvas em declive e muito acentuadas. Depois continuam as curvas, mas um pouco mais tranquilas, até chegar lá em baixo, na cidade de Lauro Muller.


Estrada da Serra do Rio do Rastro
   

Eco Resort do Rio do Rastro, à esquerda e o Mirante à direitaCom a Ruth conferindo a beleza do lugar


FINAL DA VIAGEM

Nossa programação de viagem foi devolver o carro no aeroporto de Florianópolis. Foi o que fizemos. Após Lauro Muller chegamos na BR 101 na altura de Tubarão. De lá seguimos para Florianópolis onde pernoitamos.
No dia seguinte, pela manhã, devolvemos o carro no aeroporto de Floripa, e pegamos o voo de volta para São Paulo.

Foi uma viagem de praticamente cinco dias inteiros, meio corridos, por que era o tempo que tínhamos para fazê-la.
Se tiver mais alguns dias disponíveis, vale a pena ficar um pouco mais em algum destes lugares que descrevi.

Se desejar alguma dica ou sugestão extra, por favor, contate-me pelo e-mail:
miltonassumpcao@terra.com.br

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por Milton Assumpção em  05/12/2017  às 18h11

VIAGENS...VINHOS... HISTÓRIA - PINTO BANDEIRA, Rio Grande do Sul

PINTO BANDEIRA, Rio Grande do Sul

Fica muito próximo de Bento Gonçalves e Garibaldi, e tem se tornado uma importante região de produção de vinhos e principalmente espumantes.
Quem for visitar o Vale dos Vinhedos, minha recomendação é que programe e dedique um dia para Pinto Bandeira, vai valer a pena.

Como fica tudo relativamente perto, você pode se hospedar nos diversos hotéis de toda a região.
No texto de Garibaldi e Bento Gonçalves eu faço referências aos hotéis.
Há bons hotéis nas duas cidades, dentro do Vale dos Vinhedos e no entorno.

Nesta última viagem, como eu pretendia circular muito de carro pela região, optei por me hospedar no Castello Benvenutti, às margens da Rodovia 470, entre Garibaldi e Bento Gonçalves, muito próximo da entrada do Vale dos Vinhedos.

A vinícola Don Giovanni em Pinto Bandeira tem uma ótima pousada, que requer reserva com antecedência. São poucos quartos e é bem procurada.
Bem tranquila e ideal para quem deseja explorar mais esta região.

É muito bonita, totalmente arborizada, com rios, cachoeiras e muitos vinhedos.
É prazeroso, de carro, guiar pelas estradas sinuosas, as famosas “linhas”, contemplando esta beleza.

CachoeiraVinhedos


Até 31 de Dezembro de 2012 era um distrito de Bento Gonçalves. Tornou-se oficialmente município em 1º de Janeiro de 2013.
O nome homenageia Rafael Pinto Bandeira, militar brasileiro, que participou na época do Brasil colonial de inúmeras batalhas defendendo a Capitania de São Pedro do Rio Grande de invasões espanholas.
Considerado um herói militar, é citado na trilogia de Érico Veríssimo O Tempo e o Vento.

A altitude de Pinto Bandeira, 800 metros é praticamente o dobro do Vale dos Vinhedos. Os terroirs também são muito semelhantes. Eu acredito que, há mais morros e menos regiões planas. Com isto, o sol beneficia mais as encostas nas faces norte. Algumas vinícolas têm seus vinhedos nas faces norte, mantêm as matas nas faces sul, tornando a região um pouco mais úmida.

As castas de uvas plantadas são as mesmas utilizadas no Vale dos Vinhedos e toda a região.
Para os tintos, as francesas Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec, Tannat, Carménère e algumas italianas, Sangiovese e Montepulciano.
Para os espumantes Chardonnay e Pinot Noir.
Aqui também, o terroir é propício às experimentações, e alguns viticultores cultivam várias e diferentes castas.

Rosas e VinhedosVinhedos da Cave Geisse


Visita às Vinícolas

Na minha programação dediquei um dia inteiro para visitar Pinto Bandeira. Escolhi algumas vinícolas que considerei importantes. Por serem relativamente diferentes em suas origens e organizações proporcionam uma imagem da diversidade da região.


DON GIOVANNI

É uma vinícola e pousada. Está a 12 quilômetros do centro de Bento Gonçalves.
Contatei-os diretamente pelo e-mail turismo@dongiovanni.com.br
e fui muito bem atendido. São muito profissionais e respondem rapidamente.


Um Pouco de História

Em 1827 chegou ao Brasil o imigrante italiano Karl Dreher. Um de seus filhos, Carlos Dreher Filho, em 1910 iniciou no porão de sua casa, em Bento Gonçalves, a produção de vinhos tintos.

Depois de uma viagem à Europa, com conhecimentos adquiridos iniciou e tornou-se um dos pioneiros na produção do vinho branco na região.

Em 1950 surgiu o famoso Conhaque Dreher, produzido a partir da destilação do vinho.
Foi um grande sucesso e logo passou a ser consumido em todo Brasil.

Em 1970 a transmissão pela TV da Copa do Mundo do México, em que o Brasil se sagrou Tricampeão do Mundo, teve o patrocínio do Conhaque Dreher – “De pai para filho, desde 1910!”

Em 1973, já com a proibição de utilização da denominação de origem controlada Cognac, a empresa foi vendida para a americana Heublin, que comprou também na mesma época a Drury’s e a Old Eight.

O local onde hoje está instalada a Don Giovanni era um centro de experimentação e desenvolvimento de uvas viníferas e vinificação.


Em 1980 D. Beatriz Dreher Giovannini e seu esposo Ayrton Giovannini recompraram a propriedade e transformaram em um lugar de veraneio. Estavam ali lembranças de sua infância.

D.Beatriz em sua juventudeD.Beatriz e Sr.Ayrton


Algum tempo depois decidiram voltar a produzir vinhos. Reformaram toda a propriedade e transformaram a casa principal em uma pousada.

No entorno da casa estão ainda os vinhedos de 60 anos, de uvas americanas, utilizadas na produção do Conhaque Dreher.

D. Beatriz recuperou a receita antiga de família, e voltou a produzir com as mesmas uvas, um brandy excepcional, que pode ser degustado na visita à vinícola.



Visita e Degustação

Em nossa visita fomos muito bem recebidos pela enóloga Giulia Trucolo Martinelli.
Giulia é a gerente de turismo e administradora do varejo, pousada e restaurante.
Ela nos levou a conhecer as instalações, a pousada, e contou a história da vinícola.

A pousada mantém a decoração tradicional. Todos os ambientes, inclusive os quartos são de muito bom gosto. O lugar privilegia a tranquilidade e a convivência entre os hóspedes.

Com a enóloga Giulia Trucolo MartinelliSala de estar da Pousada


A degustação foi feita em um amplo e lindo salão.
Produzem tintos com as castas Merlot, Cabernet Sauvignon e Tannat.
Os brancos e espumantes com Chardonnay e Cabernet Franc.
Produzem espumantes Brut, Rosé Brut, Nature, Serie Ouro Extra Brut e um especial Dona Bita Brut, em homenagem a D. Beatriz.

O lendário brandy Dreher pode também ser degustado durante a visita.

Vinhedos de 60 anos



Vindo a Pinto Bandeira, a Don Giovanni é uma visita obrigatória, pelos vinhos, pelos espumantes, pela história.
Dependendo da sua programação e tempo de viagem, é um lugar especial, tranquilo e romântico para se hospedar.


VINÍCOLA GEISSE

Seus espumantes estão sendo considerados entre os melhores do Brasil, neste momento. Recentemente em uma avaliação de especialistas em São Paulo, tiveram três de seus espumantes classificados entre os 10 melhores, sendo um deles o 1º colocado.

Em 1976 o enólogo chileno Mario Geisse recebeu a missão de implantar a Möet et Chandon em Garibaldi.
Especialista, estudioso e conhecedor que era percebeu que a região, devido à qualidade e especificação de seu terroir tinha uma vocação para espumantes.

Em pouco tempo os espumantes da Möet et Chadon passaram a ser reconhecidos como de ótima qualidade e proporcionaram um reconhecimento dos consumidores.
Isto fez com que outros viticultores do sul decidissem investir na produção de espumantes.

Durante todo tempo que esteve à frente da Möet et Chandon, Mario Giesse continuou seu trabalho de pesquisas e estudos dos terroirs. Era muito comum vê-lo embrenhar-se pelas matas da regiãoconhecida como Vinhedos da Montanha, para analisar os solos e a qualidade dos nutrientes.

Foi em uma destas pesquisas que descobriu uma região em Pinto Bandeira que considerou muito especial, uma boa altitude de 800 metros, solo de argila e pedras, subsolo com uma ótima drenagem e infiltração, amplitude térmica e posição solar ideal.

Foi quando decidiu montar sua própria vinícola. Ele percebeu que naquele lugar conseguiria uvas de muita qualidade para fazer osespumantes.

Não foi fácil a negociação com os antigos proprietários. Estavam lá há várias gerações. O que decidiu foi que, os descendentes não tinham na verdade uma vocação para o campo.

Mario GiesseEntrada da Cave Geisse


Optou pelas castas Chardonnay e Pinot Noir para os espumantes e Cabernet Sauvignon e Carménère para os tintos. Plantou todos seus vinhedos nas faces nortes, no sistema de espaldeiras.

Em pouco tempo, os espumantes Geisse adquiriram o reconhecimento dos consumidores brasileiros.

Mario Geisse recebeu a Honra ao Mérito da Vitivinícola do Chile, e o reconhecimento como o enólogo mais premiado do Chile neste século.
Foi agraciado também, em 2013, com o Troféu Vittis, outorgado pela Associação Brasileira de Enologia, por sua contribuição no desenvolvimento do setor vitivinícola do Brasil.


Visita e Degustação

Fizemos a reserva pelo e-mail turismo@vinicolageisse.com.br
Eles oferecem três opções.

Visita & Degustação: passeio tradicional pelas instalações, com a guia contando a história, falando da produção, das características e especificidades do espumante Geisse, terminando na degustação.

Geisse Experience: Em um veículo 4x4, com um guia fazendo as narrações, percorrem os vinhedos, antigas trilhas, as matas e terminam com a degustação na beira de cachoeira.
Só atende aos sábados e domingos e requer reserva com bastante antecedência

Open Lounge: é um espaço aberto, muito bonito, como um bar, para que os visitantes possam curtir e apreciar as bebidas, ao ar livre.

Com Daniel Giesse


Fizemos o tour regular e depois fomos muito bem recepcionados pelo Diretor de Marketing Daniel Geisse.
Conversamos por cerca de duas horas sobre história, sobre terroir, castas, a preocupação e o comprometimento com a produção de um espumante de alta qualidade.

Uma das diferenças na qualidade é que, em função do terroir, todos vinhedos são plantados nas faces nortes, em uma posição solar ideal, a uva é colhida madura e mantém um grau de acidez perfeito para a produção do espumante.
Na maioria das vinícolas, para manter o grau de acidez necessário, a uva é colhida ainda um pouco verde.
Com isto a Geisse consegue uma qualidade diferenciada em seus espumantes.

Falamos também sobre o reconhecimento que os espumantes Geisse estão conquistando em todo Brasil. É fruto de um trabalho profissional e competente de marketing e distribuição.
   
Por último não deixei de mencionar a dificuldade da pronúncia da marca Geisse. Já ouvi pessoas falando de várias maneiras. O correto é “Gaiss”.
Segundo o Daniel está indefinição pode até ajudar na promoção.

Open Lounge na Cave GiesseCave Geisse


Principais Espumantes e Tintos

Os espumantes são identificados nos rótulos, visualmente ótimos, pela marca Cave Geisse.
Os tintos, produzidos na Cave Geisse do Chile, são identificados pela marca Mario Geisse.

As castas utilizadas são para os espumantes Chardonnay e Pinot Noir, e para os tintos Cabernet Sauvignon e Carménère.

O nome que dão aos espumantes são bem criativos.
Além dos tradicionais Brut, Brut Rosé, Extra Brut, nomeiam alguns especiais como Blanc de Noir Brut, Blanc de Blanc, Brut e Nature, Terroir Rosé Brut.
Alguns espumantes têm 30 meses de guarda. O Nature leva 42 meses de guarda.
Os tintos levam 12 meses de guarda.

O site é www.cavegeisse.com.br



Vinícola Valmarino

Todas as vinícolas em Pinto Bandeira ficam muito próximas. O contato para visitar a Valmarino foi feito através do site www.vinicolavalmarino.com.br, e pelo telefone (54) 3455 7474.

O imigrante italiano Antonio Domenico Salton, oriundo da cidade Cison de Valmarino, da região de Treviso, na Itália, chegou ao Brasil em 1878 e foi um dos pioneiros no plantio da uva e produção de vinho na Colônia Dona Izabel, hoje Bento Gonçalves.
É o fundador da Vinícola Salton.
Em 1997, o enólogo Orval Salton, da 3ª geração da família, fundou em Pinto Bandeira a vinícola Valmarino, em homenagem à terra natal do Patriarca.
Hoje a vinícola é gerida pelos irmãos Marco Antonio, Guilherme e Rodrigo Salton.

Seus vinhedos cobrem hoje 16 hectares.

Tem suas produções focadas em vinhos tintos, brancos, moscatel e espumantes.

Como grande parte dos produtores de vinhos de Bento Gonçalves e Garibaldi, plantam e produzem vinhos, monocasta e blends, com uma variedade grande de castas.

É o conceito de que o brasileiro bebe a uva e não o vinho. Com isto é estratégico oferecer mais opções para seus consumidores.
Por outro lado, há também, a veia criativa do agrônomo e do enólogo, buscando fazer experiências com castas de renome internacional.

Visita e Degustação

Na visita fomos recebidos e ciceroneados pelo agrônomo e enólogo Marco Antonio Salton.
Caminhamos pelos vinhedos que circundam a sede principal, onde deu explicações de seu terroir, das castas que estavam plantando, e de algumas experiências que estavam fazendo com algumas uvas especiais.
Fiquei curioso do resultado com a uva Sangiovese, porque na Toscana, uma região mais seca e com um solo menos úmido, obtém-se um vinho excepcional da qualidade de um Brunello, que eu aprecio muito.

Perguntei também sobre a preferência de utilizar parreirais ao invés de espaldeiras.
Aí ele mostrou todo seu conhecimento e amor pela agricultura.
Para ele, a poda direcionada que fazem dá abertura suficiente para uma incidência solar necessária. Também canaliza os nutrientes para a formação e tamanho dos cachos.

Aprendi também que o mato, a vegetação embaixo dos parreirais, além de dar um equilíbrio nas condições do solo, objetiva criar uma concorrência com a videira na captação da água.
Ou seja, as plantas embaixo dos parreirais bebem a água que seria um excesso para a videira.

Com Marco Antonio Salton na ValmarinoDegustando na Valmarino


Degustamos vários tintos, Sangiovese Cabernet Franc, Tannat, Cabernet Sauvignon. Depois experimentamos alguns espumantes produzidos com Chardonnay.
Produzem as versões Nature, Brut, Extra Brut. Brut Tinto, Brut Rosé, Brut Prosecco e Moscatel, entre outros.


Como são muito próximas, é muito fácil programar e visitar estas três vinícolas no mesmo dia.

Simone e Sandra no Empório Castellamare


No caminho entre as vinícolas na Linha 28, próximo da igrejinha há o Empório Castellamare.
Eles oferecem vinhos da própria Castellamare, queijos, azeites, geleias e outras iguarias.
Vale a pena parar para visitar. O atendimento é muito bom.

Na programação de sua viagem para o Vale dos Vinhedos, Garibaldi, Bento Gonçalves, Caminhos de Pedra, coloque um tempo para Pinto Bandeira.
Vai degustar bons tintos e ótimos espumantes!

Se quiserem outras dicas contatem-me pelo e-mail:
miltonassumpcao@terra.com.br

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por Milton Assumpção em  28/08/2017  às 12h25

Guia de VIAGENS...VINHOS ...e Muitas Histórias - Rocamadour

A região de Bordeaux é considerada uma das mais importantes na produção de vinhos da França e de todo o mundo.
No Medoc, em Saint Emilion, Pomerol e Sauternes estão muitos produtores com reconhecimento mundial.

O ideal é dedicar no mínimo três dias inteiros para visitar esta região vinícola.
Ali próximo, às margens do rio Dordogne, há várias cidades históricas e vilas medievais.

Se visitar esta região de Bordeaux eu recomendo programar mais dois dias para conhecer estes lugares.

Rocamadour, vista da estrada velha

ROCAMADOUR

Rocamadour é considerada uma das cinco vilas medievais mais lindas da França.
É uma vila incrustada em um paredão de pedras, que parece estar suspensa no ar.

Rua Principal
Há duas estradas para chegar à vila. Uma antiga, cheia de curvas, que chega do outro lado do vale e dá uma visão magnífica da vila. A outra, mais nova, que chega por cima e já sai dentro da vila.
  
Se chegar pela estrada nova, sugiro guiar até o outro lado, da estrada velha. A visão da vila, de lá, é magnífica. No meio do vale, corre o Rio Alzou que é afluente do Rio Dordogne.

Rocamadour é um santuário religioso consagrado a Nossa Senhora Negra.
Há só uma rua, onde estão as lojas, restaurantes e poucos hotéis.

Estrada Velha de RocamadourÚnica rua, lojas restaurantes e hotel

 
O Santuário fica na parte superior, com a nave principal, algumas capelas e a sala dos milagres.
Há duas opções para subir até o Santuário, um elevador encravado nas pedras e uma escadaria.
Peregrinos pagam promessas subindo de joelhos.
  
No topo da montanha há um pequeno castelo medieval e um grande jardim que pode ser visitado.

Rocamadour é cheio de histórias e lendas.

             “Se a lenda é melhor do que a história, eu fico com a lenda”
               John Ford no filme “O Homem que Matou o Facínora”

A LENDA DE ZAQUEU E VERÔNICA

A lenda religiosa remete a Zaqueu e Verônica personagens da Bíblia e da história cristã.
  
Zaqueu era um coletor de impostos que vivia em Jericó, e um dia, para ver Jesus passar, como era muito pequeno, subiu em uma árvore.
Jesus vendo-o disse: “Zaqueu, desce da árvore porque hoje eu vou à sua casa!”.
  
Zaqueu se converteu e doou parte de sua riqueza aos pobres.
Verônica, esposa de Zaqueu, foi a mulher que enxugou o rosto de Jesus, no caminho do Calvário, e a imagem de Cristo ficou estampada na toalha.
  
Diz a lenda que os dois assistiram à morte de Jesus na cruz e, perseguidos pelos romanos, com a ajuda de um Anjo tomaram um barco que os levou até a Aquitânia, no sul da França.
Lá Zaqueu e sua esposa Verônica começam a pregar o cristianismo.
  
Indo a Roma, presenciaram os martírios de São Pedro e São Paulo.

Na volta para a Aquitânia sua esposa, que depois seria canonizada como Santa Verônica, morreu.
Ele mudou seu nome para Amadour e decidiu viver como um eremita em uma caverna. 
Esculpiu, em uma madeira escura,  a imagem da Virgem Maria, para homenagear e cultuar a mãe de Jesus.
  
O lugar passou a ser procurado pelos cristãos e, após muitos milagres, se tornou um santuário religioso, com o nome de Rocamadour.
Após sua morte, em 70 d.C., o santuário continuou sendo procurado por peregrinos em busca de milagres.
  
A partir do século X, os beneditinos construíram um mosteiro, assumindo a condução e preservação da religiosidade.
A sepultura e o corpo de Zaqueu nunca foram encontrados.
No Santuário, há uma capela destinada a ser, simbolicamente, a cripta de Amadour.
  
A vila recebe regularmente milhares de peregrinos, e é uma das etapas obrigatórias do caminho de Santiago de Compostela.

Virgem Maria Negra de RocamadourZaqueu desce da árvore, que hoje eu vou a sua casa.
Lucas 19


LENDA DA ESPADA DURANDAL
   
Uma outra lenda conta que Carlos Magno, o mais importante rei dos Francos, recebeu das mãos de um Anjo a mítica espada Durandal, que pertenceu a Heitor, ao maior guerreiro de Troia. E que ele, Carlos Magno, ofereceu-a a seu melhor e leal cavaleiro Rolando.
  
Antes de uma grande e importante batalha, Rolando foi a Rocamadour para orar e pedir proteção, e prometeu que se vencedor traria a espada de volta para o santuário.

Fincado nas pedras há um pedaço de lâmina de uma espada que segundo a lenda é o que sobrou, com o passar do tempo, da mítica Durandal de Rolando.

Mítica espada Durandal de Heitor de Troia

Além das histórias, religiosidade e lendas, Rocamadour oferece ainda passeios, trilhas, rafting e cachoeiras.

Fica também muito próxima, 12 quilômetros, da Gouffre de Padirac, a maior e mais linda gruta da França.

Este texto faz parte do meu blog e vai estar no meu livro a ser lançado em Outubro.

Se quiserem outras dicas contatem-me pelo e-mail:
miltonassumpcao@terra.com.br

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