SOBRE UVAS, VINHOS E HISTÓRIA... CHABLIS


23 jun 2015 às 17h43


Chablis é uma pequena cidade da Borgonha, que vive exclusivamente da produção de um vinho branco seco, muito especial e de alta qualidade.
 
Na França e em todo o mundo, os vinhos Chablis têm uma multidão de fãs e consumidores fiéis.
 
Pelas suas características tem sido referendado como o melhor vinho para acompanhar frutos do mar e peixes, e existe uma razão especial para isso.

 
O que diferencia o vinho branco seco de Chablis dos demais é o Terroir.
 
Há cerca de 150 milhões de anos, uma grande parte desta região era coberta por um mar quente e pouco profundo.
 
Em seu subsolo ainda são encontrados fósseis, pequenas ostras, caramujos e conchas que preservam os nutrientes marinhos.
 
As raízes dos vinhedos absorvem esses nutrientes que dão uma característica muito especial à uva e, consequentemente, ao vinho.
 
Essa é a razão porque o vinho Chablis cabe muito bem com frutos do mar e peixes.
 

O nome Chablis vem da junção de duas palavras celtas, Cab que significa casa e Leya que significa próximo da floresta. Há registros de que os Gaulios já plantavam uvas nessa região. O desenvolvimento dos vinhedos aconteceu durante a dominação dos Romanos nos séculos I a III d.C.
 
No século XII, monges cistercienses da Abadia de Pontigny ajudaram a desenvolver a viticultura em toda essa região. A Ordem de Cister fundada em 1098 por Roberto de Champagne e Bernardo de Claraval (1090-1153, depois São Bernardo) teve uma destacada atuação em toda a região da Borgonha.
 
Os monges das diversas ordens religiosas foram muito importantes no desenvolvimento da produção de vinho de toda a França.
 
Foi no século XVI, a partir de uma estratégia de distribuição, que o vinho Chablis teve reconhecimento nacional e internacional.

 
A localização da cidade, relativamente próxima de Paris, facilitou a distribuição e comercialização. O vinho era transportado através do Rio Yonne, que, por sua vez, é afluente do Sena. Assim, chegava às mesas de Reis e Nobres mais facilmente.

Daí, conquistar o mundo foi um salto.
Em meados do século XIX, toda a região foi afetada e quase dizimada pela Filoxera.
 
A praga que dizimou mais de 60% dos vinhedos da França, Portugal, Espanha e Itália, também fez estragos em Chablis. A maioria das videiras teve de ser replantada.


Em 1955 com a implantação da mecanização e a solução do problema do aquecimento dos vinhedos, a produção ganhou reforços adicionais.
 
Chablis sofre com um inverno muito rigoroso e em várias ocasiões teve a produção de um ano todo perdida por geadas que ocorrem geralmente na primavera. Exatamente no período do aparecimento dos brotos.
 
Hoje está resolvido com um sistema especial de calefação através de fios elétricos diretos nas videiras.

 
Os vinhos Chablis são produzidos exclusivamente com a casta Chardonnay, mas alertam... Chablis é Chardonnay, mas nem todo Chardonnay é Chablis.
 
Toda a região é demarcada e categorizada pela qualidade do vinho que cada uma produz.
 
Há somente 7 vinícolas que produzem o Grand Cru, que são:Bougros, Preuses, Vaudésir, Grenouilles, Valmur, Les Clos e Blanchot, e representam 2% da produção local.
 
O terroir e, principalmente, a concentração de subsolo marinho proporcionam a produção dos, considerados por muitos,melhores vinhos brancos secos do mundo.
 
A seguir vem os Premier Cru, representados por 17 vinícolas, e depois os Chablis e Petit Chablis, em um total de 300 viticultores, produzindo de 35 a 40 milhões de garrafas por ano.

 
Durante o ano, há várias festas na cidade e nas pequenas localidades próximas. A principal festa do vinho em Chablis é no fim de outubro.
 

Chablis é uma cidade pequena, simples, com poucos hotéis e restaurantes. O charme está ao seu redor, nas diversas vinícolas que a circundam.
 
No centro há uma agência de turismo para ajudar a programar visitas e passeios.
 
As vinícolas ficam todas muito próximas e é fácil circular pela cidade e pelos vinhedos.
 
É possível visitar várias delas, sem fazer reservas.
 
Como o vinho branco seco é leve, dá para degustar vários vinhos, sem grandes problemas.
 
A topografia é composta de pequenos morros, com os vinhedos nas encostas. A paisagem é deslumbrante. É um festival de cores. Dependendo da época do ano, as cores variam do verde na primavera ao amarelo e vermelho no outono.
 
O melhor período para visitar Chablis é de junho a outubro.
 

Chablis fica próxima de Beaune/Côte D’Or/Côte de Nuits,regiões importantes da Borgonha e produtoras de vinhos tintos de ótima qualidade. Próxima de Troyes e Epernay, cidades produtoras de champagne. E de cidades históricas, como Vezelay, Semur-en-Auxoias, FlavignysurOzerain, Alésia, e da Abadia de Fontenay.
 

De Paris a Chablis são 186 quilômetros pela ótima rodovia A6, pista dupla. De carro, leva no máximo 2 horas e 10 minutos.
 
Recomendo vir a Chablis, programando a viagem com visitas a essas cidades. Ficam todas relativamente próximas uma das outras e é possível combinar visitas a vinícolas, degustação de vinhos e passeios por cidades históricas.
 
Nos próximos posts,vou abordar em detalhes a região da Côte D’Or/Côte de Nuits/Beaune,que inclui os famosos Romanees.
 
Vou falar também sobre Troyes e Epernay, cidades que agregam os principais produtores de champagne.
 
E falar das cidades históricas que ficam na região e que vale a pena serem visitadas. Como a vila medieval Flavigny sur Ozerain do filme Chocolate,comJuliete Binoche e Johnny Depp.

 
Quero agradecer FRANÇOISE ROURE, Gerente de Comunicação e Marketing do Bureau Interprofessionnel de Vins de Bourgogneen Chablis pela recepção, atenção e atendimento quando da nossa visita a Chablis.

 
Estou à disposição para dúvidas ou dicas:miltonassumpcao@terra.com.br

Foto: © BIVB/ J. GesvresFoto: © BIVB/ J. Gesvres
   
Foto: © BIVB/ A. IbanezFoto: © BIVB/ J. Gesvres

  
Foto: © BIVB/ A. IbanezFoto: © BIVB/ A. Ibanez

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