SOBRE UVAS, VINHOS E HISTÓRIA... ALENTEJO... PORTUGAL


15 set 2015 às 17h30


Portugal é um país que se orgulha de ter sido um importante protagonista nos Grandes Descobrimentos dos séculos XV e XVI, da riquíssima Língua Portuguesa e de seus Vinhos.

Um país pequeno, espremido entre a Espanha e o Oceano Atlântico, com microrregiões e microclimas que proporcionam uma variedade grande de terroirs propícios ao plantio da uva e da produção do vinho.

Eu vivi em Lisboa dois anos, em 1983 e 1984, e depois voltei a cada ano, por razões de negócios.

Neste período todo pude aprender, visitar e conhecer as diversas regiões de vinho.

Portugal produz excelentes vinhos Tintos em diversas regiões. Produz o vinho do Porto no Alto Douro, o vinho Verde próximo do Minho, o vinho da Madeira na ilha de mesmo nome, Espumantes no Dão e um ótimo Bagaço.

Nos últimos anos, já com o foco do blog, coloquei três regiões como prioritárias.

 

Se pensarmos uma visita a Portugal como simples turismo, tudo começa em Lisboa e Porto.

E de lá sair conhecendo as cidades e os lugares dentro da sua programação.

Eu aconselho programar o roteiro em Portugal a partir dos lugares históricos.

Quando vivi em Portugal, aprendi muito sobre a sua história e sempre que programava um passeio, ou uma viagem, buscava saber que fato histórico havia acontecido no lugar, e assim o passeio ganhava uma dimensão maior.

 

UM POUCO DE HISTÓRIA

Como em outros países da Europa, estiveram por aqui os romanos que também introduziram a cultura da uva e o vinho.

Existem vários sítios arqueológicos em todo o país, como Conímbriga, próximo de Coimbra, e Braga, a importante cidade romana Bracara Augusta.

Quem nasce em Braga é chamado de bracarense.

Depois vieram os visigodos, uma pequena invasão de Vikings e finalmente os Árabes.

Até 1128, Portugal não existia como país.

O Ducado Portucalense, em Guimarães, e o Ducado da Galícia eram subordinados ao Ducado de Leão em Toledo na Espanha.

A Duquesa D.Teresa de Leão, viúva, cai de amores pelo Duque da Galícia, Fernão Peres de Travas.

O nobre Afonso Henriques, filho e herdeiro, do Ducado Portucalense, orientado por seu educador e mentor Egas Moniz, declara guerra a ambos.

Sua mãe fica do lado do amante.

Afonso Henriques vence a ambos na batalha de São Mamede, em Guimarães, em 24 de junho de 1128.

Este dia é considerado por muitos como a data da fundação de Portugal.

A partir daí, Afonso Henriques inicia as conquistas dos territórios ao sul e depois, com ajuda de seu filho e guerreiro Sancho I, estabelece as divisas territoriais do país.

Em 1140, ele mesmo se declara Rei e passa a assinar documentos com este título.

Em 1179, o Papa Henrique III reconhece Afonso Henriques como Rei de Portugal.

Ele sempre teve boas relações com os judeus, tanto que nomeou para Ministro das Finanças, com a função de coletar impostos, o Grão-Rabino Yahia Ben Yahia.

Esta tradição de nomear judeus para a área financeira foi mantida por vários Reis.

 

A história de Portugal é heroica e romântica. Seria necessário um livro todo. Mas vale a pena enfatizar algumas personagens e lugares relacionados aos fatos.

A trágica e romantica história de Dom Pedro I e Inês de Castro. A Fonte das Lágrimas em Coimbra, onde ela foi executada. E os túmulos, um de frente para o outro, em Alcobaça.

Dom Diniz foi fundador da Universidade de Coimbra, e sua esposa era Izabel, a Rainha Santa. Seu esquife de ouro na Igreja de Santa Clara, em Coimbra, é aberto pelos religiosos de tempos em tempos e seu corpo permanece intacto.

Rainha Felipa de Lancastre, inglesa e mãe de uma geração de grandes portugueses, entre eles, o Infante Dom Henrique, que criou a Escola de Sagres e deu início aos Grandes Descobrimentos.

Dom Manuel, O Venturoso, que teve uma importância tremenda nas conquistas de além-mar.

Dom Sebastião, que desapareceu na Batalha de Alcácer Quibir, levando consigo a espada e o escudo de Afonso Henriques.

Sua irmã, casada como rei Felipe da Espanha e herdeira do trono, fez com que Portugal ficasse sob o domínio da Espanha de 1580 a 1640.

D.Maria, Dom João VI, Carlota Joaquina e Dom Pedro IV (nosso Pedro I).

Se for a Portugal há referencias a todos eles, incluindo Pedro Álvares Cabral, Vasco da Gama, Luiz Vaz de Camões, Marques de Pombal, rei Dom José (do terremoto), Fernando Pessoa, Eça de Queiroz, Jose Maria de Bocage, Amália Rodriguese José Saramago.

Eu poderia recomendar vários roteiros, mas meu foco são as regiões vinícolas.

 

Apesar de conhecer e apreciar vinhos tintos da Bairrada, Catanhede, Cartaxo, Colares e Setubal, preferi focar três regiões nobres, com características, inclusive sociais, e terroirs completamente diferentes.

Eu escolhi o Alentejo, a região do Rio Dão, e a linda região do Douro.

Este primeiro texto é então dedicado ao Alentejo.

 

O Rio Tejo nasce na Espanha, um pouco acima de Toledo, cruza Portugal, passa por Lisboa e desemboca no Oceano Atlântico, na altura do Estoril e Caiscais.

As terras do outro lado do rio, as mais distantes, o interior, foram chamadas então de além Tejo, ou seja, Alentejo.

Diferente de outras regiões de vinhos, que são cercadas de vinhedos, a paisagem do Alentejo é constituída por olivais, nogueiras e sobreiros, a árvore que produz a cortiça.

Uma das cidades mais importantes é Évora, considerada a referência do vinho tinto alentejano.

Já estive nesta região muitas vezes e me hospedei em pousadas de agro turismo, e em diversos hotéis. Nesta última viagem, como pretendia visitar várias vinícolas, fiz uma programação especial.

Évora em termos de geografia fica no centro de toda região.

As vinícolas ficam em cidades menores à sua volta, com estradas saindo para norte, sul, leste e oeste.

Évora é uma cidade da época dos romanos, cercada de muralhas e com algumas portas de entrada.

Há vários hotéis, inclusive alguns antigos edifícios medievais e conventos super atraentes no centro da cidade.

Preferi ficar em um hotel/pousada na principal entrada da cidade, a Porta da Lagoa, também conhecida como Porta Nova, pela qual era fácil entrar e sair das muralhas, de carro.

A Albergaria do Calvário é aconchegante e tem um serviço da mais alta qualidade. O segredo é a simplicidade, a atenção e o carinho que dedicam aos hóspedes.

Não é um lugar ideal para crianças. Há outras opções na cidade.

Possui estacionamento próprio para os carros dos hóspedes.

 

Eu havia programado três dias e estava buscando um hotel que pudesse me ajudar a marcar com antecedência as visitas às vinícolas, e o pessoal da Albergaria do Calvário fez toda a marcação para mim.

O ideal é marcar as visitas às vinícolas por localização.

Se for em direção a Estremoz, onde está a vinícola Dona Maria, que fica a nordeste, programe o dia inteiro vinícolas nesta região.

A mesma coisa se for para o sudeste, para Reguengos de Monsaraz, onde está o Esporão.

Não há estradas secundárias interligando a região. É preciso voltar sempre a Évora, para tomar outra direção.

 

Dedique no mínimo três dias para o Alentejo. Dois para visitar vinícolas e um para conhecer a cidade.

 

Évora é uma povoação pré-romana, toda cercada de muralhas.

No centro histórico há um muito bem preservado Templo dedicado a Diana, Termas Romanas e ruínas de um Aqueduto.

O Castelo de Dom Manuel, o Venturoso, onde planejou com Vasco da Gama a viagem às Índias.

Vasco da Gama, apesar de ter nascido à beira-mar em Sines, vivia na cidade de Vidigueira, muito próximo de lá.

Nós sabemos pouco de Dom Manuel no Brasil, mas foi um Rei ativo e importante nos Grandes Descobrimentos.

Há ainda na cidade vários museus, igrejas e prédios do período medieval.

No museu da Catedral, há um relicário com um pequeno fragmento de madeira trazido por Dom Afonso Pires Farinha, que seria da cruz de Cristo.

Na igreja dos Lóios, transformada em museu, está o túmulo de Rui de Sousa,representante português que, em 1494, assinou o Tratado de Tordesilhas, na cidade do mesmo nome, Tordesilhas, próximo de Valladolid.

Uma das maiores atrações de Évora é a Capela dos Ossos, construída no século XVII na Igreja de São Francisco e decorada com ossos retirados de um antigo cemitério.

O objetivo é mostrar a transitoriedade da vida, reforçada com uma mensagem já na entrada:

Nós Ossos Que Aqui Estamos, Pelos Vossos Esperamos!

A cidade tem muitos bons restaurantes, lojas de artesanatos em cortiça e vinhos.

 

O ELEFANTE BRANCO

Durante as Festas Juninas, celebram, com um desfile, personagens de época e música, o presente que o rei Dom Manuel ofereceu ao Papa Leão X, um ELEFANTE BRANCO.

Em 1514, Afonso de Albuquerque, então Governador Português na Índia, enviou de presente a Dom Manuel um elefante branco.

Era o primeiro paquiderme a chegar à Europa e foi uma atração incrível em Portugal.

O Rei então decidiu presentear o Papa Leão X.

O elefante foi levado a Roma, em comitiva por uma nau comandada pelo navegador Tristão da Cunha.

Ao receber presente, o Papa riu muito e teria dito:

“O que eu faço com este ELEFANTE BRANCO?”

Pesquisei no Google e encontrei uma outra explicação para a expressão Elefante Branco. Quem sabe esta pode ter sido a razão.

A celebração que se faz todos os anos em Évora, no início de julho, representa o desfile do elefante pelas ruas de Roma, com a presença do Papa.

 

REFORMA AGRÁRIA E A PRODUÇÃO DO VINHO

Na formação do país Portugal, a região central e norte foram naturalmente constituídas de pequenos e médios agricultores e proprietários de terras.

Já na região sul, onde está o Alentejo, estavam os grandes latifúndios. Os grandes proprietários com muitas terras improdutivas.

A partir do século XVIII, iniciou-se uma pequena produção de vinhos nesta região.

Portugal viveu durante muitos anos um regime forte, ditatorial, controlado por Antonio de Oliveira Salazar.

Com sua morte, foi instalado o Estado Novo.

Em 25 de Abril de 1974, este regime foi derrubado com a Revolução dos Cravos.

Durante alguns anos, o país viveu um período de transição, até que a democracia foi finalmente instalada.

Neste período de transição, no Alentejo,os trabalhadores do campo fizeram por conta própria uma Reforma Agrária, expulsando os proprietários e tomando posse das terras.

Muitas vinícolas foram tomadas pelos trabalhadores.

Algumas cooperativas foram formadas e continuam até hoje produzindo vinho.

Em algumas propriedades, os trabalhadores, reconhecendo a incapacidade de produzir e gerar receitas, devolveram as terras aos antigos donos, pois assim teriam como receber um valor pelo trabalho.

Hoje, a região está consolidada.

É muito interessante, ao visitar as vinícolas, saber suas histórias, principalmente após todo este movimento social e político.

 

CASTAS DAS UVAS

Até bem pouco tempo nos rótulos dos vinhos não havia a identificação das castas.

O vinho sempre foi reconhecido pela região, pela herdade e pela marca estampada no rótulo.

Como a maioria dos vinhos é produzida com no mínimo três castas, nunca foi importante saber.

Por outro lado, há em Portugal um número tão grande de castas que, na verdade, deixa de ser mesmo importante.

Segundo especialistas, são 166 castas para os vinhos tintos e 152 para os brancos.

Para os tintos, as mais utilizadas são Touriga Nacional, Trincadeira, Alicante Bouschet, Touriga Franca, Tinta Roriz ou Aragonez.

Para os brancos, Alvarinho, Arinto, Antão Vaz, Fernão Pires e Malavasia.

Algumas castas têm nomes diferentes como Aragonez, Tempranillo e Tinta Roriz, que são todas a mesma uva.

Trincadeira tem nove nomes diferentes.

Alvarinho é a principal casta do vinho verde.

Há vinhedos que têm uma mistura tão grande de castas que não dá para colocar nos rótulos. Acabam sendo rotuladas como Vinhas Velhas.

Os vinhos continuam a ser reconhecidos pelas origens e pelas marcas.

 

 

VISITA ÀS VINÍCOLAS

Programei junto com o pessoal da Albergaria do Calvário visitas a diversas herdades.

Fundação Eugenio Almeida é o produtor dos vinhos Cartuxa e do lendário Pêra Manca.

O prédio para visita e degustação de vinhos fica mesmo em Évora, muito próximo da cidade.

Era um convento jesuíta do século XVI, e que está em poder da família de Eugenio Almeida desde o século XIX.

A reserva pode ser feita pela internet.

O tour inclui visitas às instalações, ao pequeno museu histórico, explicações sobre a produção dos vinhos, apresentação de dois vídeos e a degustação.

Só é permitido comprar uma garrafa de Pêra Manca por pessoa.

Pêra Manca é uma marca de vinho produzida há mais de 500 anos e citada em correspondências de Reis desde o século XV.

Presume-se que possa ter sido o vinho que Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral tenham levado em suas viagens.

Deixou de ser produzido no início do século XX por desinteresse dos herdeiros em continuar no negócio do vinho.

Voltou a ser produzido a partir de 1963, quando o herdeiro da marca cedeu-a à Fundação Eugenio Almeida.

Entre outras receitas, a produção e venda do vinho é uma das mais importantes.

O objetivo da Fundação é promover a cultura e o conhecimento em Évora.

 

O Pêra Manca só é produzido em anos de uma safra de uva de qualidade excepcional.

Em anos normais o vinho produzido é o Cartuxa, Reserva ou Colheita, e recentemente a marca EA.

Sobre a marca EA, fiz uma anotação no livro de visitantes, de que esta marca não dá uma boa identificação de marketing.

Não só no Brasil, como também em Portugal, poucas pessoas relacionam o EA com a Eugenio Almeida e com um vinho de qualidade.

A identificação deveria ser com as marcas Cartuxa e Pêra Manca.

Mencionei também que o design do rótulo não destaca o vinho na prateleira da loja.

Estando em Évora, a Fundação Eugenio Almeida é visita obrigatória.

 

ARRAIOLOS

Ao norte, a trinta minutos de Évora fica a cidade de Arraiolos, conhecida pelos tapetes.

Ali perto, na vila de Igrejinha, fica a Herdade dos Coelheiros.

Há algum tempo, ofereciam também hospedagem.

Há dois anos, nos hospedamos lá.

Foi bom, mas ficava um pouco fora de mão para visitar as outras vinícolas e voltar todas as noites.

Neste ano, fomos informados que a pousada está em reformas.

Rodeada de vinhedos, a visita e a degustação são completadas com um teste de aromas muito divertido.

Além dos vinhedos, a propriedade possui uma reserva fechada para caça de veados e coelhos.

Em época específica, um caçador pode “comprar” a autorização para a caça de um veado e três coelhos.

Eles também plantam oliveiras, nogueiras e têm alguns hectares de sobreiros.

Há uma opção de passeio pelo coutada de jipe. Com sorte, dá para ver os animais.

Coelheiros produzem um dos melhores vinhos do Alentejo.

Os rótulos das garrafas são também de extremo bom gosto.

Fica a vinte minutos de carro de Évora, e recomendo visitar.

 

Na direção norte, atravessando Arraiolos, há uma outra herdade muito especial, Sociedade Agrícola D.Diniz, Monte da Ravasqueira.

Foi uma das propriedades tomadas pelos empregados na Reforma Agrária.

Na época, eram importantes produtores de frutas.

O proprietário era também reconhecido por suas ações sociais, tanto que, após alguns anos voltou, e, com a concordância dos antigos empregados, reassumiu o controle da propriedade.

Foi quando decidiu mudar a produção de frutas para uvas e vinho.

A visita a esta herdade, além dos vinhedos e degustação, inclui um museu com uma coleção de aproximadamente cinquenta coches e uma criação de cavalos.

Em épocas anteriores, os proprietários participavam de corridas de coches nacionais e internacionais.

 

 

REGUENGOS DE MONSARAZ

Esta cidade fica a sudeste de Évora é onde se concentra grandes e importantes produtores de vinho.

Reguengos de Monsaraz significa Terras do Rei, e ali a Reforma Agrária foi bastante forte. Vários proprietários perderam suas terras. Alguns voltaram e reassumiram, outras viraram cooperativas e estão produzindo até hoje, algumas os donos não regressaram e as vinhas ficaram abandonadas.

O que aconteceu foi que ao assumirem os empregados não souberam tocar o negócio e ao fim de um tempo, perceberam que não tinham renda para sobreviver, então pediram aos patrões que regressassem.

Alguns se organizaram em cooperativas e produzem bons vinhos, como a Adega Cooperativa de Reguengos de Monsaraz – Carmim,que representa um número grande de pequenos agricultores.

Produz 15 milhões de litros de vinho por ano, e é um dos lugares a ser visitado.

 

A Herdade Ervideira produz vinhos desde o século XIX.

De propriedade da Família Leal da Costa, descendentes diretos do Conde da Ervideira, foi tomada pelos empregados durante a Reforma Agrária.

Após alguns anos, os empregados solicitaram aos antigos proprietários que reassumissem.

Tiveram, praticamente, de começar do zero, replantando , iniciando novos vinhedos, renovando instalações e máquinas.

Estão já produzindo ótimos vinhos, inclusive fazendo experiências com castas francesas e vinhos monocasta.

No espaço da degustação, há uma exposição de antigas garrafas de vinhos produzidos pela Ervideira em 1880.

 

Esporão foi talvez o vinho tinto do Alentejo que, depois da Reforma Agrária, primeiro se destacou em Portugal.

Na década de 80, era considerado o melhor vinho do país.

Até então, o domínio havia sido dos vinhos do Dão.

A visita pode ser agendada pela internet.

Oferecem também passeios de jipe pelos vinhedos e olivais.

Como há tours a cada hora, não é difícil fazer a visita sem a marcação antecipada.

 

Há muitas outras herdades na região de Reguengos de Monsaraz.

 

Próximo, no alto de uma montanha, a vila medieval de Monsaraz, rodeada de muralhas, é um lugar a ser visitado. De lá se vê a Espanha.

 

CORTIÇADAS E SÍTIOS ARQUEOLÓGICOS

A oeste de Évora pela rodovia N 114, em direção a Montemor-o-Novo, na aldeia de S.Sebastião da Giesteira fica a Herdade das Cortiçadas.

Produzem vinho desde o século XIX.

De todas que visitei, é a herdade mais simples.

Estão em um processo de renovação de todas as instalações e substituição das vinhas velhas.

Diferente dos outros lugares, fomos atendidos e ciceroneados pelo Engenheiro Agrônomo, responsável pelos vinhedos e pela produção do vinho.

Visitamos os vinhedos, tivemos uma apresentação mais técnica da produção e degustamos além do tinto, um bom branco seco, produzido com a uva Fernão Pires.

Na visita, pudemos apreciar os antigos lagares, barris e maquinários do século XIX.

 

Sítios Arqueológicos

Próximo da Cortiçadas, na vila de Nossa Senhora de Guadalupe há o sítio arqueológico Cromeleques dos Almendres com mais de 8.000 anos, que inclui cerca de 80 megalíticos em círculos, um Menir, e a anta de Zambujeiro.

Este sítio arqueológico é considerado o mais antigo de toda a Europa, sendo 2.000 anos mais velho que Stonehenge na Inglaterra.

 

ESTREMOZ

Estremoz fica a meia hora de Évora, na direção norte.

A cidade fica na rodovia N4, antiga estrada Lisboa-Badajoz, na Espanha.

É rodeada de muralhas, no alto, há um castelo transformado em hotel, museus, pequenas lojas e restaurante.

Dentro das muralhas é uma cidade de porte médio, bem movimentada.

 

A primeira visita foi a belíssima Quinta do Carmo, com seu palácio do século XVIII, que pertencia a Dona Maria, na época, amante do Rei de Portugal.

O produtor Júlio Bastos, atual proprietário, iniciou em 2003 uma muita bem-sucedida produção de vinhos tintos e brancos e homenageou a antiga dona, nomeando a herdade Dona Maria Vinhos.

Fica na saída de Estremoz para Porto alegre, pela rodovia N245.

Pode ser visitada sem marcação, durante a semana, no horário comercial.

A visita consiste em conhecer o palácio, a capela do século XVIII,os jardins, os lagares de mármore, os tonéis de carvalho e a degustação.

Há também uma visita muito especial, que pode ser programada com antecedência, que inclui um almoço no palácio para no máximo oito pessoas.

Normalmente, um dos proprietários recepciona os visitantes.

O preço por pessoa é Euros $120.

O pessoal da Albergaria nos apresentou a possibilidade e marcamos para duas pessoas.

Fomos recebidos pela proprietária D. Isabel Bastos que nos acompanhou na visita, contando a história do palácio, da antiga proprietária Dona Maria, da capela do século XVII, de como a Quinta do Carmo foi adquirida, e do início da bem-sucedida produção de vinhos.

O almoço com sua presença foi servido na sala de jantar do palácio com toda elegância e formalidade do local.

O vinho servido foi um tinto Dona Maria Reserva.

Foi uma visita muito especial, diferente de todas as outras, principalmente pela recepção e simpatia da anfitriã.

Vale a pena conhecer a Quinta do Carmo.

Se puder programar um almoço, vai ser inesquecível.

 

JP RAMOS, José Portugal Ramos, fica na rodovia N4, próximo de Estremoz.

É um produtor relativamente novo, iniciou em 1991, mas já se tornou um dos mais importantes do Alentejo.

Seu carro-chefe é o Marquês de Borba.

A visita, também reservada com antecedência, funciona como todas as outras, ou seja, visita às instalações, ao espaço para os tonéis de carvalho, e a degustação.

Fiquei impressionado como número de tonéis no espaço reservado ao estágio dos vinhos. São 2.000 tonéis de carvalho!

 

HERDADE DAS SERVAS fica também na N4, próximo da JP Ramos.

É muito bonita porque fica no alto de um morro, rodeada de vinhedos.

Na frente do prédio, há um vinhedo com as diversas castas de uva para que o visitante possa conhecer e identificar as diferenças dos formatos das folhas.

Aqui também a visita é com marcação antecipada.

Nosso tour foi especial. Fomos recebidos pelo enólogo que, agregou explicações mais técnicas sobre as características da produção de vinho.

Esta herdade além da visita normal oferece também passeios a pé, de jipe ou de trator pelas vinhas.

Na época da vindima é possível fazer a pisa da uva.

Em domingos especiais, há cursos vínicos e culinários da região.

 

O Alentejo pode ser visitado o ano todo.

A partir de abril, com a Primavera, começam a aparecer as folhas e os cachos de uva.

Em abril também, os campos de sobreiros ficam cobertos de flores.

Em junho e julho, início do Verão, os termômetros variam de 30 a 40 graus centígrados.

Recomendo programar as visitas pela manhã e após as 15 horas.

Agosto e setembro, além de ter a temperatura mais agradável, é a época da vindima.

Setembro, em algumas herdades é possível participar da pisa da uva nos lagares.

 

Hospedaria do Calvário, agradecimento especial a todos.


 
Estou à disposição para dúvidas ou dicas:miltonassumpcao@terra.com.br

  

Templo de Diana no centro de ÉvoraVisita a Fundação Eugenio Almeida com Vitor Nunes
   

Vinhedos na Herdade das Cortiçadas

Degustação no museu da Cortiçadas com Carlos Ramos

    

Herdade Ravasqueira com Pedro Pereira

Museu de coches na Herdade Ravasqueira

   

Herdade dos Coelheiros com Patricia Cunha

Castelo em Arraiolos

   

Degustando vinho na Herdade Ervideira com Mafalda Silva

Megalíticos nos arredores de Évora

   

Fragmento de madeira da Cruz de Cristo

Capela dos Ossos em Évora

   

Herdade das Servas com Tiago Garcia

Almoço no palácio com D. Isabel Bastos


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Fernando Santin - 21/09/2015 às 21h55
Que aula, Miltão! Muito bom!! Parabéns pelo Blog. Forte abraço