SOBRE UVAS, VINHOS E HISTÓRIA... MENDOZA...ARGENTINA


03 mar 2016 às 11h15


Santiago del Estero, capital da província de mesmo nome, foi fundada em 1553 pelo espanhol Francisco de Aguirre. Está localizada no centro-norte e é considerada a primeira cidade da Argentina, Madre de Ciudades.

Entre 1550 e 1560, trazidos por padres mexicanos, foram plantados os primeiros vinhedos em solo argentino.

O vinho produzido tinha como destino principal a utilização nas missas e o consumo dos religiosos.

Com o objetivo de estabelecer uma ligação para o Oceano Pacífico, em 2 de março de 1561, o espanhol Pedro de Castilho fundou Mendoza.

Mendoza estava subordinada ao comando espanhol de Santiago, no Chile.

Na região, já havia uma povoação e era habitada pelos índios Huarpes, de natureza pacífica, que tinham absorvido cultura e conhecimentos dos Incas.

Os Huarpes haviam construído quilômetros de canais de irrigação, a partir de um rio formado por águas de degelo dos Andes.

A região era um oásis na imensidão do deserto.

Como os Incas no Chile, quando os espanhóis chegaram com suas armaduras e espadas, os índios pensaram que eram Deuses e facilitaram a conquista.

A cidade foi sendo construída acompanhando o traçado dos canais de irrigação, dos Huarpes.

Os primeiros vinhedos em Mendoza foram plantados também pelos padres.

Como utilizavam sementes para o plantio, a cepa que nascia nem sempre era a mesma casta da planta-mãe.

Isso deu origem a várias castas criollas.

Trezentos anos depois, em 20 de março de 1861, um terremoto destruiu a cidade inteira.

A cidade foi reconstruída ao lado da cidade velha, a partir de 1863, dentro de um planejamento urbano bem rigoroso, seguindo ainda os traçados dos canais de irrigação.

Tendo ao centro um grande jardim, a Praça da Independência, foi a primeira cidade da América Latina a ser desenhada com o sistema métrico decimal.

Mendoza está no meio do deserto e é ainda hoje um oásis, graças aos canais de irrigação.

Ao caminhar pela cidade, no que seria a sarjeta, na beira das calçadas, estão os canais conduzindo a água do degelo.

O sistema de esgoto é todo canalizado. A água que corre é limpa.

A cidade tem milhares de árvores, que usufruem dessa irrigação e têm a finalidade de tornar a temperatura mais agradável.

É uma cidade bonita, muito arborizada, com ótimos restaurantes, lojas e passeios.

Mendoza está distante 369 quilômetros de Santiago e 1.050 de Buenos Aires.

Além das razões históricas, a proximidade faz com que os mendocinos estejam mais ligados a Santiago que a Buenos Aires.

É mais conveniente e prático atravessar a Cordilheira dos Andes para passeios e compras no Chile.

A economia da Província de Mendoza é baseada principalmente em petróleo, vinhos, frutas e turismo.

Canais de irrigação conduzindo a água limpa do degelo

TERRA DO FOGO E PATAGÔNIA

O nome Terra do Fogo foi criado pela expedição do português Fernão de Magalhães em 1520.

Ao chegar com suas caravelas a essa região, ficaram surpresos como fogo que viam ao longe, no meio da neve e do gelo.

Eram as fogueiras que os índios Tehuelches/Onas, habitantes desta região, acendiam para se aquecer.

Os Tehuelches eram altos e grandes. As marcas de seus pés na praia e na neve chamou a atenção dos navegadores que passaram a chamá-los de os patas grandes.

Mais tarde, os espanhóis passaram a se referir a eles, também, como los patagones.


Índios Tehuelches e Onas da Patagonia e da Terra do Fogo

Os espanhóis se fixaram em Mendoza e pouco exploraram o sul da Argentina.

Algumas vezes que tentaram, tiveram de enfrentar índios mais violentos, que os desencorajaram.

Na região sul, não havia nada que fosse de seu interesse.

Na época do frio, principalmente, mais ao sul, de longe eles viam as fogueiras que os índios faziam e se referiam, também, àquela região como a La Tierra Del Fuego.

Com o tempo, passaram a se referir à região como Patagonia, tierra de los Patagones.

Patagonia, Tierra de los Patagones Terra do Fogo

Imagens da Patagonia

Durante o tempo que estiveram nessa região, os espanhóis pouco a exploraram, porque não havia ouro e prata. A estadia foi, na verdade, logística de dominação. Tanto é que, quando das Guerras da Independência da Argentina, não ofereceram muita oposição, concentrando a resistência no Chile.


SAN MARTIN

Em 1814, o general San Martin foi nomeado Governador da Província de Mendoza, com o objetivo de criar um exército.

Como a capital do domínio espanhol era Lima, no Peru, seria pelos Andes que poderiam tentar voltar.

San Martin montou um exército de aproximadamente 5.000 homens, convocados e voluntários.

Desse total, 800 eram negros, a quem ofereceu a liberdade em caso de vitória.

Em 1817, Bernardo O’Higgins após ter sido derrotado pelos espanhóis, atravessou os Andes e veio a Mendoza pedir a San Martin que o ajudasse na Independência do Chile.

Juntos, em um local chamado La Consulta, no Vale de Uco, desenvolveram as estratégias para chegar com os 5.000 homens no Chile.

General San Martin

San Martin pediu autorização aos índios para passar com seu exército por suas terras.

Para confundir os espanhóis, dividiu a travessia em seis diferentes lugares, o que surpreendeu os espanhóis.

O’Higgins comandou um destes pelotões.

No post anterior, sobre o Chile, eu abordo esse tema.

Completando a informação sobre San Martin, ele retornou a Mendoza, principalmente porque sua jovem esposa havia morrido e ele queria participar diretamente da educação da sua filha única.

Após pressões dos partidos políticos vindos de Buenos Aires, ele decidiu abster-se da política local e foi viver na Europa.

Ele voltou uma só vez à América do Sul, no Rio de Janeiro, para encontrar velhos camaradas e saber as notícias da Argentina.

Não há tour para visitar os lugares relacionados com a história de San Martin em Mendoza, mas algumas agências de turismo têm guias especializados e conhecedores, que podem programar especificamente esses passeios.

Uma opção é solicitar para seus passeios um guia com conhecimentos de história.

O PROGRESSO

Em 1880, chegou a Mendoza a ferrovia, o trem. Com ele, chegaram os imigrantes italianos, franceses e espanhóis. Chegaram as mudas de uva, que iriam mudar e definir a economia da cidade e da região.

Rutini, Trapiche, Luigi Bosca, Pulenta e outros imigrantes chegaram nesta época.

Com a ferrovia em 1895, veio o engenheiro inglês Sir Edmund James Palmer Norton, que começou importando vinhos da França e depois fundou a Bodega Norton, utilizando uvas de castas francesas.

Hoje, a Norton pertence a empresários austríacos, segundo dizem, da família proprietária da Swarovski.

De 1900 a 1970, o vinho era de baixa qualidade, produzido para consumo próprio, vendas locais e para Buenos Aires.

A opção era o tinto e o branco, em garrafões.

A qualidade era definida como “aqueles que dão dor de cabeça”, ou não.


CHARLES DARWIN

No diário de Charles Darwin, há registros de que, em março de 1835, quando seu navio de expedição H.M.S.Beagle ancorou no porto de Valparaiso no Chile, ele atravessou a Cordilheira dos Andes até o Valle de Uspallata para estudos geológicos e biológicos.

Neste vale, está localizada a primeira floresta fossilizada da América do Sul.

O Valle de Uspallata fica próximo de Mendoza, no caminho para o Aconcágua.

AS CRISES DE 1970 e 1980

Nessa época, os habitantes de Mendoza consumiam 90 litros de vinho per capita.

Com a chegada da cerveja e dos refrigerantes, principalmente a Coca-Cola, o consumo per capita caiu para 83 litros em 1980, e para 55 litros per capita em 1990.

Várias vinícolas fecharam suas portas nesse período.

Com a queda do consumo, a partir de 1980, os proprietários já em 2ª e 3ª gerações, com mais conhecimentos, iniciaram uma pequena produção de vinhos em garrafas, com uma maior preocupação com a qualidade.

É quando, entre 1983 e 1984, um Banco aparece comprando e financiando propriedades e produções de vinhos, e acaba dando um tombo geral na economia dos produtores, provocando um Crash.

Novamente, vários produtores vão à falência.

Nos anos seguintes até 1990, a produção sofre um grande baque.

1990 – O RENASCIMENTO

Em Mendoza, dizem que o grande propulsor da produção de qualidade e do sucesso do vinho foi Nicolas Catena, herdeiro da Catena-Zapata.

Doutor em Economia, deixou os negócios da família para trabalhar em Buenos Aires e depois nos EUA. Quando era professor na Universidade de Berkeley, se aproximou dos produtores de vinhos do Vale de Napa e aprendeu técnicas de plantio, administração e produção de vinhos que o entusiasmaram.

Por razões de família regressou a Mendoza e decidiu assumir a vinícola dando uma guinada na produção que estimulou todos os outros produtores locais.

Segundo dizem em Mendoza, os produtores, apesar de concorrentes, sempre que precisam decidir para o bem comum, se unem.

Também, são sócios entre si em várias vinícolas.

Mendoza tem hoje aproximadamente 920 vinícolas produzindo vinho, e um número grande de agricultores que só plantam e vendem suas uvas.

Duzentas estão preparadas para receber visitantes e turistas.


ÁREAS VINÍCOLAS DE MENDOZA

A região tem cinco áreas bem definidas.

Na cidade de Mendoza e arredores estão: Maipu, Guaymallen e Lujan de Cuyo.

Produzem vinhos tintos com uvas Malbec, Cabernet Franc, Petit Verdot e Cabernet Sauvignon.

Ao norte Salta e ao sul o Vale de Uco.

Uco produz vinhos tintos com as mesmas castas de Mendoza.

Salta produz brancos com Torrontés, Chardonnay e PinotMeunier.

O terroir de todas é muito parecido.

São solos de pedras e areia, e algumas áreas próximas de Mendoza apresentam um pouco de argila e pedregulhos.

Há uma variação de temperatura grande entre o dia e a noite. Os dias são claros, ensolarados e secos, o que potencializa o açúcar. A queda brusca de temperatura à noite potencializa o tanino.

A irrigação é feita no processo de gotejamento, com água armazenada do degelo.

O Departamento de Controle de Armazenamento de Água libera de maneira gradativa e proporcional água para todos os produtores.

Dependendo da altitude que estão plantados os vinhedos, há uma diferença significativa no terroir.

Em Maipu, Guaymallen e Lujan de Cuyo, os vinhedos estão plantados a 1.000 metros de altitude. Em Salta e Vale de Ucoacima de 1.300 metros chegando até 1.600 metros de altitude.

Chove muito pouco em toda região, e às vezes a chuva cai em forma de granizo. As vinícolas para protegerem os vinhedos mais importantes colocam telas, no sentido vertical, nas cepas.

Chamam de “varietal”, o vinho produzido com apenas uma casta de uva, e blend, utilizando a combinação de várias castas.

Solo de argila e pedregulho em MaipuRiacho de degelo no Vale Uco

Os vinhos tintos de Mendoza são identificados sempre com a uva Malbec. É onde melhor se adaptou.

Há uma tendência na região de investir no Cabernet Franc.

Seria uma nova bandeira, com intuito de não depender só da força do Malbec.

Muitas vinícolas estão produzindo seus vinhos “varietais” e blends focalizando o Cabernet Franc.

Alguns produtores disseram que é modismo, mas eu acredito que seja uma estratégia de negócios.

Foi o que aconteceu no Chile, onde o Cabernet Sauvignon era ícone, e hoje tem também e já consolidada a uva Carménère e como uma grande opção.

Uvas Cabernet Franc no Vale de Uco

A região de Salta, ao norte, por sua altitude, terroir, solo e clima, é propícia às castas destinadas ao vinho branco.

Torronté é uma casta de uva “criolla”, ou seja, nativa. É a mais utilizada na produção do vinho branco.

Na apresentação que fazem desse vinho, chamam a uva de “mentirosa” ou o vinho produzido por essa uva de “vinho mentiroso”.

Isso porque o aroma é doce e suave, e ao beber é seco e levemente encorpado.

A maioria das vinícolas que produzem vinhos brancos utiliza a Torronté.

Chadornay é utilizado principalmente em espumantes, muitas vezes compondo um blend com Petit Meneur.

Não há um padrão estabelecido para classificar nos rótulos um vinho Reserva ou Reserva Especial.

A identificação é sempre pelas castas utilizadas, e o nome da vinícola.

Há vinícolas que também identificam o local do vinhedo.

Mendoza é responsável por 70% da produção de vinhos na Argentina. Exporta para o mundo todo, principalmente para EUA, Europa e Brasil.

Por serem vinhos encorpados, com altos taninos e vermelhos intensos, têm recebido notas altas na pontuação Parker.

É sabido que Robert Parker aprecia mais os vinhos encorpados com altos taninos.

A distribuição no Brasil é muito boa e é fácil encontrar bons vinhos nos supermercados e lojas especializadas. São normalmente mais baratos pelo Mercosul.

Se puder sugerir, ao comprar um vinho argentino, escolha um Malbec ou Cabernet Franc, ou ainda um blend produzido com estas uvas.

Mapas da região (clique nas imagens para ampliar)

A UVA MALBEC E MIGUEL AIMÉ POUGET

O agrônomo francês Miguel Aimé Pouget imigrou para o Chile onde desenvolveu importantes projetos nas áreas de horticultura, jardinagem e arborização.

Introduziu a cultura do mel, com abelhas trazidas de Milão, e uvas francesas para produção de vinho.

Em 1852, o governador da Província de Mendoza Pedro Pascual Segura contratou-o para desenvolver seus projetos agrícolas na região.

Ele introduziu e instruiu técnicas de plantio e cultivo aos agricultores.

Iniciou um projeto de apicultura, complementado com a plantação de muitas árvores frutíferas e flores, como as acácias.

Plantou vinhedos com diversas castas francesas.

Malbec foi a que melhor se adaptou ao terroir local.

Historiadores do Chile dizem que os governantes da época erraram ao deixar Miguel Pouget ir para Mendoza, e levar consigo todo seu conhecimento, suas técnicas, seu dinamismo e a uva Malbec

Mendoza deve a Pouget muito do sucesso das culturas de uvas, frutas e mel.

No início do século XX, no entanto, vários vinhedos de uvas francesas foram substituídos por castas criollas por apresentarem melhores rendimentos nos vinhos de baixa qualidade ,que se faziam na época.

A partir de 1980 com o início da produção do vinho de mais qualidade, a casta Malbec foi escolhida pelos novos produtores para a ser a uva principal dos novos vinhos.

Os vinhedos foram replantados e há hoje cerca de 30.000 hectares desta uva.

Por esta razão os vinhos de Mendoza são reconhecidos e identificados com a Malbec.

Quando Miguel Pouget trouxe as primeiras cepas de Malbec para Mendoza, não havia acontecido ainda a Filoxera, na França.

Os enxertos que os franceses tiveram que fazer para recuperar suas uvas, provocou mudança nas características da Malbec. Por isso a uva Malbecda Argentina, ainda original, apresenta algumas características melhores do que as plantadas hoje na França

PROGRAMANDO UMA VIAGEM A MENDOZA

Mendoza é um destino importante de turistas brasileiros.

Há várias agências de turismo tanto no Brasil como em Mendoza muito bem estruturadas para programar os passeios e atender os visitantes.

A grande maioria das pessoas vai para visitar vinícolas e, principalmente, degustar vinhos.

Os brasileiros representam 70% deste turismo.

AVIÃO

Há 2 voos diretos por semana, quarta-feira e sábado pela Gol e leva cerca de quatro horas.

Há opções de voos com escala em Buenos Aires ou Santiago, que leva aproximadamente sete horas, incluindo a parada.

A decisão pode estar no preço, ou na possibilidade de ficar alguns dias nessas duas cidades.

Na penúltima viagem, fui via Buenos Aires e, na volta, aproveitei para curtir a cidade. Em fevereiro compensou ir por Santiago.

Alguns brasileiros vão de carro. A viagem leva cerca de 3 dias. Muitos aproveitam e atravessam a Cordilheira até Santiago. De lá, podem voltar por uma rodovia que atravessa os Andes mais ao sul, ou pelo Deserto de Atacama, através da Bolívia.

Esta rota do Atacama é muito utilizada pelos motoqueiros.

HOTÉIS

Há uma oferta boa de hotéis, com destaque para Park Hyatt, Diplomatic, Mod Motel, Entre Cielos, Villaggioe Aconcagua, todos dentro da cidade, e Hotel Intercontinental, fora da cidade.

O Hyatt fica em frente à Praça da Independência, na região central. Próximo de vários restaurantes, das principais ruas de comércio, da Avenida San Martin, do Mercado Central e de alguns museus.

Tem 3 restaurantes e o Casino.

Todos os outros hotéis ficam também no centro, próximos dos restaurantes, e muito bem avaliados no Trip Advisor.

Como a cidade é pequena, e não há problemas de trânsito, é rápido sair dos hotéis para os passeios.

O Intercontinental fica fora da cidade, ao lado de um Shopping Center. Tem também restaurantes e Casino.

Como fica na Rodovia, a poucos quilômetros da entrada da cidade, ganha-se algum tempo para sair para os passeios.

Por outro lado, se quiser sair para jantar fora do hotel há de tomar táxi para leva-lo à cidade.

O prédio é alto, e há quartos com uma vista linda para as Cordilheiras.

Os preços são condizentes com o que oferecem.

Minha sugestão é que faça a programação através de agência de viagens ou de turismo.

Em agências que operam com pacotes é possível negociar preços e prazos.

PROGRAMAÇÃO E OBJETIVO DOS PASSEIOS

A grande maioria dos turistas de Mendoza não tem conhecimentos específicos de vinhos e vai despreocupada para curtir os passeios, as visitas às vinícolas e, principalmente, a degustação dos vinhos.

Alguns poucos vão para aprender e apreciar.

É muito comum ao visitar uma vinícola, principalmente as mais conhecidas, ver grupos de 15 a 20 pessoas fazendo tour com um guia.

Há, no entanto, em muitas vinícolas tours privados para até duas pessoas, e específicos para profissionais.

Por isso é muito importante, ao programar os passeios, especificar o que você deseja fazer.

Além disso, em algumas vinícolas o lugar da degustação para um grupo de 15 pessoas é uma sala grande, ampla, ou uma espécie de bar com balcão, e o guia explicando em voz alta para que todos possam ouvir.

Em um tour privado, ou específico, a degustação é em um lugar mais atraente, um sofá, uma mesa debaixo de uma árvore ou um caramanchão.

Por tudo isso é MUITO IMPORTANTE, ao contratar a agência em Mendoza, que isso seja bem especificado, POR ESCRITO.

Uma outra recomendação é que, ao contratar um tour privado, você pode solicitar um guia com conhecimentos específicos de vinhos, vinícolas ou história.

Como você vai ficar com ele o dia inteiro, pode conversar e aprender muito.

Outra recomendação é exigir do guia que não seja só um motorista. Ao chegar na vinícola, ele tem de conduzir e apresentar o visitante e verificar se as condições tratadas serão observadas.

Nessa última viagem, contatei a agência NOSSA MENDOZA. Solicitei para o primeiro dia um guia com conhecimentos de história e, no seguinte, um expert em vinhos e vinícolas.

Não tenho dúvida em indicar a NOSSA MENDOZA. Mas recomendo que deixe bem claro os objetivos da sua visita.

Tanques de inoxBarris de carvalho

PARQUE NACIONAL DO ACONCAGUA E A PUENTE DEL INCA

O Aconcágua é a mais alta montanha das Américas, com 6.962 metros.

O Parque Nacional fica a 191 quilômetros de Mendoza, na estrada que atravessa os Andes em direção a Santiago, no Chile.

Na entrada do Parque há um edifício para recepção dos turistas, com um mural de fotos da região.

A montanha fica a cerca de 30 quilômetros dali.

Os turistas podem passear até um mirante, de onde se vê a montanha ao longe.

Há uma agência que oferece a possibilidade de um tour especial para chegar aos pés da montanha.

Próximo ao Parque, estão as ruínas da Puente del Inca, e do vilarejo que compunha a estação do Trem Transandino, desativado há muito anos.

Durante as obras da ferrovia transandina, foi construída neste lugar uma estação com pátios de movimentação, manutenção e parada dos trens que faziam a rota Mendoza-Santiago.

Em volta da estação, cresceu um vilarejo.

O Rio Cuevas com suas águas medicinais já atraia pessoas para virem se banhar e tratar suas doenças.

O nome Puente del Inca deve-se à lenda de um jovem rei Inca que se curou de uma enfermidade ao banhar-se no rio.

Durante a implantação da estação do trem, foi construído um hotel com termas.

Era regularmente frequentado por personalidades da Argentina e do Chile.

Hoje só há ruínas.

A ferrovia foi desativada há muitos anos, e um terremoto destruiu o vilarejo e o hotel à beira do rio.

Sobrou em pé somente a igrejinha.

Como atração há no local uma colorida feira de artesanato dos Andes.

tours regulares programados pelas agências e levam cerca de três horas.

Com transporte privado, um remís/táxi, há a vantagem de poder parar no caminho, para fotografar.

Se contratar um motorista bom de papo, com conhecimentos de história, melhor ainda.

No caminho há a opção de conhecer o belo vilarejo de Uspallata, com lojas e um bom comércio. É aqui que fica a última bomba de gasolina antes de atravessar os Andes.

Este passeio é bom para quebrar um pouco a programação de vinícolas.

Parque Provincial Aconcagua

Puente del Inca e a ferrovia transandina

PROGRAMANDO AS VISITAS ÀS VINÍCOLAS

São cinco as regiões em Mendoza que devem ser visitadas: Maipu, Guaymallen, Lujan de Cuyo, Vale de Uco e Salta.

Maipu, Guaymallen e Lujan de Cuyo ficam praticamente dentro do município de Mendoza, estão muito próximas umas das outras.

É uma questão, pura e simplesmente, de escolha.

Normalmente o tour é composto de uma visita às instalações industriais, barris de inox, barris de carvalho, passeio pelas instalações e termina na degustação.

Não há qualquer contato com vinhedos. Uma ou outra tem uma espécie de “mostruário de cepas” plantado ao lado.

A escolha das vinícolas a serem visitadas geralmente é feita pela agência e obedece a seus interesses de logística e acertos com os produtores.

Na maioria das vezes, programam aquelas mais conhecidas, Catena-Zapata, Zuccardi, Trapiche, Pulenta, Salentien...

Vale a pena visitá-las, sem dúvida, mas o visitante pode escolher as vinícolas que gostaria de conhecer.

Nas primeiras vezes, conheci as mais importantes.

Depois, solicitei que marcassem em vinícolas menores, mais familiares.

Se for viajar para lá pela primeira vez, eu recomendaria visitar as mais importantes.

Esta é a relação das vinícolas mais importantes da região de Maipu, Guaymallen, e Lujan de Cuyo: Catena-Zapata, Pulenta, Norton, El Enemigo, Trapiche, Carinae, Cepas Elegidas, Finca Agostino, Don Manuel Villafañe, Trivento, Cecchin, Altavista, Chandon, Luigi Bosca, Tapiz, RucaMalen, Neto Senetier, Cruzat, ViañaCobos.

Há muitas outras que recebem turistas e que também vale a pena conhecer.

Um referência especial à Vinícola Luigi Bosca, um italiano de Piemonte, na Itália, terra do Barolo, que chegou em Mendoza junto com os imigrantes no século XIX.

O tour teve uma excelente apresentação de história e das características das uvas e de seus vinhos. Experimente o tinto Pinot Noir, não deve nada a um Borgonha.

Com Juan Burgoa na Luigi BoscaCom o casal Matias e Julieta Cadolin, e Viviana Vega da Gimenez Riili

ALMOÇO GOURMET

Algumas vinícolas oferecem um almoço gourmet com degustação de vinhos simultânea.

Geralmente, são cinco pratos e cinco vinhos diferentes, sendo brancos nas entradas e tintos para os pratos quentes.

À medida que vão servindo a comida, um sommelier vai apresentando os vinhos.

É muito agradável, a comida é sempre muito boa, e os vinhos, de alta qualidade. Os pratos e os vinhos vão sendo servidos gradativamente e um almoço leva de duas horas e meia a três horas.

É não se preocupar com o tempo, aproveitar e desfrutar do momento.

Importante também é checar antes o preço para ver se está dentro do seu bolso.

Nessa última viagem, almoçamos neste formato em duas vinícolas, El Enemigoem Maipu e La Azul no Vale de Uco.

Vou dedicar um texto específico a essas duas vinícolas.

Minha programação diária eram 3 vinícolas. A primeira visita às 10h30, a segunda às 11h30 e a terceira com o almoço gourmet às 13h30.

Após o almoço, às 15h30 ou 16 horas, voltava para o hotel.

Esta programação é sem correria.

Sem grandes paradas para almoço, dá para visitar 4 vinícolas por dia.

Algumas vinícolas têm almoço a La Carte. Você escolhe o prato e a garrafa de vinho que vai beber. É como se fosse um restaurante normal.

As agências podem recomendar, programar e reservar o local do almoço.

VALE DE UCO

O Vale de Uco fica a 80 quilômetros ao sul de Mendoza, Tunuyan, Tupungato e San Carlos.

Do hotel até a primeira vinícola a ser visitada leva cerca de uma hora e meia. A estrada vai na direção sul e, se o tempo estiver claro, vê-se à direita o vulcão Tupungato, com 6.560 metros de altitude e neve perene, muito lindo.

Lá também o ideal é programar de 3 a 4 visitas, com um tempo para o almoço.

O Vale de Uco é o futuro de Mendoza. Os grandes produtores estão plantando seus novos vinhedos nesta área. Com isso, o preço do hectare disparou.

É uma região muito bonita, com várias plantações de frutas, muito próxima da Cordilheira dos Andes, com terroir, solo, clima e altitude melhores que Mendoza.

É aqui que as vinícolas estão plantando mais Cabernet Franc.

Pelo fato de estar a uma hora e meia de Mendoza, há a opção de dormir aqui por um ou dois dias.

Algumas vinícolas já oferecem hospedagem, com restaurante de alto nível.

A desvantagem é não ter outras opções de restaurantes na região.

Aqui as principais vinícolas a serem visitadas são: Pulenta Estate, Salentein, La Azul, Domaine Bousquet, Andeluna, O.Fournier, Gimenez Riili, Atamisque, Ojo de Vino, Diamandes, Rutini.

As agências podem sugerir outras a serem visitadas.

Vulcão Tupungato, 6.650 metrosRiacho de água do degelo para irrigação

VINÍCOLA LA AZUL – EZEQUIEL FADEL

De propriedade da família Fadel Hinojosa, a La Azul é pequena, simples e despojada.

É comandada por um dos herdeiros, Ezequiel Fadel Hinojosa, que, por sua simpatia e comunicação, faz com que os visitantes se sintam no quintal da sua casa.

Ezequiel é formado em veterinária. Quando voltou para casa e teve de assumir a vinícola, aprendeu na raça tudo sobre vinhos.

O almoço gourmet com degustação de vinhos é em um ambiente quase rural. Um galpão aberto e chão de terra.

A comida é excelente, e os vinhos melhores ainda.

Ezequiel comanda diretamente o almoço recepcionando, servindo, conversando com os clientes, e explicando sobre o vinho.

Um lugar pequeno muito disputado, e que tem de ser reservado com muita antecedência.

Na primavera e verão, aos domingos o almoço é ao som de cuyana, música caipira autêntica da região, tocada em uma guitarra criolla, pelo próprio Ezequiel.

Seu irmão mais velho, Alejandro Fadel, é diretor, escritor e roteirista de cinema.

O caçula, Tomas Fadel, é poeta e dono de editora em Buenos Aires.

Além da vinícola e do restaurante, sua mãe Shirley Hinojosa tem ali na propriedade uma Casa de Hóspedes, de alto nível, para receber turistas que queiram se hospedar na região.

No ano passado, fui sem reserva e não consegui almoçar, o lugar é pequeno e estava cheio.

Neste ano, solicitei à agência e reservamos com antecedência.

Alguns turistas que chegaram disseram que tentaram reservar pela internet e não conseguiram. Ficaram sem almoço.

Almoço Gourmet no restaurante La AzulFamília Vieiro de Passo Fundo, RS

Com Ezequiel FadelVinho para degustação direto do barril

EL ENEMIGO– ALEJANDRO VIGIL

Esta vinícola é claramente “de enólogo”, apesar do Alejandro se considerar mais um viticultor.

Alejandro Vigil, reconhecido mundialmente, é tambémo chefe do departamento de enologia da Catena-Zapata há uma década,com resultados magníficos.

Alejandro viaja frequentemente e está em sintonia permanente com o que está acontecendo no mundo dos vinhos.

Segundo me disse, os vértices de seu “Triângulo das Bermudas” são Borgonha, Barolo e Bairrada (Portugal).

Há alguns anos, em sociedade com Adrianna, filha mais nova de Nicolas Zapata, montou a vinícola Aleanna, com o objetivo de produzir vinhos de alta qualidade.

Uma espécie de boutique de bons vinhos.

A visita à vinícola foge dos padrões. O local é muito bonito, alamedas, com um grande pomar de frutas, e um pequeno tour contando um pouco da história.

O foco da visita é mesmo o almoço gourmet, com a degustação dos vinhos.

Há um restaurante principal pequeno, com ar condicionado e algumas mesas fora, ao ar livre.

Há mais dois pequenos espaços envidraçados, com algumas mesas e ar condicionado, no meio do pomar.

O menu é único e são servidos cinco pratos.

Para os pratos de entrada servem vinhos brancos, e tintos para os pratos quentes.

O ideal é reservar este almoço para as 13h30 ou 14 horas, leva cerca de duas horas e meia a três horas e, depois de tanto vinho, é prazeroso voltar para o hotel.

Um dos pontos altos é quando o Alejandro circula pelas mesas, conversando com os visitantes, trazendo sempre nas mãos um novo vinho para ser apreciado.

Nesse almoço, além dos vinhos programados, ele nos ofereceu um Catena-Zapata varietal Malbec 2006, que obteve excelentes 97 pontos Parker, e um blend da El Enemigo – 85% Cabernet Franc e 15% Malbec, também, 97 pontos.

O que comprova o jogo de cintura do enólogo, excelentes resultados tanto com um monocasta como um blend.

A comida estava excelente, salada, petiscos, empanadas, um ótimo bife de chorizo e uma sobremesa para encerrar.

Eu recomendo fortemente almoçar na La Azul e no El Enemigo.

Com Alejandro Vigil na El Enemigo

Mendoza é um destino internacional próximo e que você pode combinar com alguns dias a mais em Buenos Aires ou Santiago. Além disso, por ter várias agências de turismo que operam nestas cidades, é possível obter e negociar preços e prazos. Muito importante é definir o objetivo da sua viagem.

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Uma homenagem final aos índios da Argentina

Passeata e protestos dos índios em Buenos Aires


Se desejar mais informações e dicas, contate-me diretamente pelo e-mail: miltonassumpcao@terra.com.br


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Flávio - 18/05/2016 às 12h24
Muito interessante!
Ary - 05/03/2016 às 18h13
Milton adorei sua descrição da região. Pretendo passar uns dias aí. Vou copiar o blog para amigos. Abraço forte do ARY.
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