VIAGENS, VINHOS, HISTÓRIA – RIOJA, ESPANHA


28 jun 2018 às 12h55


A região vinícola de Rioja é considerada a mais importante da Espanha.
Está situada ao norte e compreende cinco províncias – La Rioja, Navarra, País Basco, Castilla y Leon e Alava.São 607 bodegas e aproximadamente 18.000 viticultores.
Processam anualmente cerca de 450 milhões de quilos de uva.
A região vinícola é denominada RIOJA. A província de La Rioja faz parte da região vinícola.

O nome vem de um pequeno riacho que nasce nas montanhas, o Rio Oja, rio das pedras.
É banhada pelo importante Rio Ebro que corta toda a Espanha e deságua no mar, próximo de Barcelona.
A cidade mais importante e capital da Província é Logroño, onde há vários hotéis, lojas, restaurantes e vinícolas.
Próximo de Logroño, está a cidade histórica de Haro, também com várias vinícolas importantes.

UM POUCO DE HISTÓRIA

Como todas as regiões da Europa, os romanos foram os responsáveis pelo desenvolvimento da produção de vinhos. Nos séculos seguintes, os povos que dominaram esta região, deram continuidade.
Na dominação dos mulçumanos, o vinho era usado como remédio. Com a retomada da região pelos cristãos, voltou a ser consumido como bebida.

Do século XI ao XVIII a produção de vinhos estava concentrada na cidade medieval de La Guardia, no Reino de Navarra.
Em uma colina e cercada de muralhas, o transporte das uvas com carruagens e cavalos foi sempre muito difícil.

No século XIX, com a Revolução Industrial, a produção de vinhos saiu de La Guardia e foi para os vales, principalmente dos Rios Oja e Ebro.

Vinhedos em Briones

OS FRANCESES

Em 1865, a Filoxera atacou os vinhedos da França. Os franceses decidiram arrancar todos os vinhedos, plantar troncos americanos e fazer os enxertos com as suas principais castas de uvas.

Como iria levar um tempo para voltar a produzir, os produtores de Bordeaux decidiram investir em vinhedos na Espanha, onde a Filoxera não havia ainda atacado.
Levaram consigo toda a tecnologia e, principalmente, os recursos financeiros. A cidade escolhida foi Haro.

No fim do século XIX, toda a região floresceu. Haro foi a primeira cidade da Espanha a ter eletricidade, antes mesmo de Madri e Barcelona.
Em 1863, foi construída uma linha férrea ligando Navarra e Castilla ao porto de Bilbao, passando por Haro, o que incrementou as exportações de vinhos para França, Inglaterra e EUA, por navios.
Circulava tanto dinheiro na época, que o governo espanhol abriu uma agência do Banco de Espanha, na cidade.
Alguns anos depois, com os vinhedos na região de Bordeaux voltando a produzir, os franceses abandonaram Rioja.

FILOXERA

Em 1899, a Filoxera finalmente chegou em Rioja. 70% dos vinhedos foram perdidos. Os espanhóis, no entanto, já estavam preparados.
Como precaução, haviam feito uma grande reserva de vinhos, que os ajudou a se manter enquanto recuperavam os vinhedos.

Diferença entre uma Cepa Velha e uma Nova, na Primavera

DENOMINAÇÃO DE ORIGEM CONTROLADA – CASTAS E VINHOS

Em 1926, foi criada a Denominação de Origem Controlada, com seus critérios e padrões.
Foram escolhidas cinco castas para a produção dos tintos – Tempranillo, Garnacha, Graciano, Mazuelo e Maturana.Para os brancos foram Viura, Garnacha Branca, Verdero, Tempranillo Branca e Malvasia.

A classificação dos vinhos ficou:
Jovem – Vai direto da fermentação para as garrafas e para o mercado.
Crianza – 12 meses nos barris de carvalho + 12 meses nas garrafas.
Reserva – 12 meses nos barris de carvalho + 24 meses nas garrafas.
Gran Reserva – 24 meses nos barris de carvalho + 36 meses nas garrafas.

O vinho mais vendido e mais consumido, inclusive internacionalmente é o Crianza.Em português seria Criação.


SOLO E TERROIR

A região é dividida em Rioja Alta, com solo calcário e ferroso, e Rioja Baixa com mais argila e pedras. Algumas regiões da Rioja Alta recebem influência do clima mediterrâneo que vem do mar.

A amplitude térmica é bastante grande, com dias quentes e noites muito frias. O frio do Outono muitas vezes chega mais cedo e prejudica o amadurecimento das uvas mais tardias, como a Graciano. A uva tempranillo amadurece sempre em Setembro.

Vinhedos muito próximos com solos totalmente diferentes

2ª GUERRA MUNDIAL

Durante a 2ª Guerra Mundial, a Espanha se declarou neutra e com isso pôde aproveitar e exportar vinhos para a Alemanha. Até hoje, a Alemanha é uma grande importadora e consumidora dos vinhos espanhóis de Rioja.

PROGRAMAÇÃO DAS VISITAS

Na nossa programação de viagem, optamos por ficar em Haro e de lá sair para as visitas. Nos hospedamos no Hotel Los Agustinos, um edifício antigo, adaptado, muito bonito, e que fica no centro da cidade. A cidade é pequena, muito fácil de se locomover.

Quando da programação, contratamos os serviços de turismo da Riojatrek através da guia Yara Carignato. Yara é espanhola, filha de brasileiros e fala português fluentemente. Trabalha há vários anos na região, conhece tudo de vinho. Coube a ela escolher as vinícolas a fazer o roteiro.

A meu pedido, no primeiro dia foram marcadas visitas às vinícolas pequenas e familiares.
Visitar vinícolas familiares é muito importante pela oportunidade de conversar com os próprios donos ou com o agrônomo/enólogo. Saber sobre os terroirs, as castas, ouvir suas histórias e, também, degustar ótimos vinhos.

No segundo dia, programamos as grandes vinícolas, onde as visitas são feitas em grupos. Há também possibilidades de fazer perguntas e degustar com calma os vinhos.

Podem contatar a Riojatrek pelo e-mail yara.carignato@riojatrek.com. Eles programam visitas individuais e em grupos.

Briones e San Vicente de la Sonsiera

VISITAS ÀS VINÍCOLAS – Primeiro Dia

Neste primeiro dia, visitamos algumas vinícolas familiares. Além de recebermos um atendimento individual, temos mais tempos para conversar, fazer perguntas, aprender e degustar os vinhos.

FINCA LA IMPERATRIZ – Rioja Alta

A história desta vinícola começa em 1878. Foi quando, Eugenia de Montijo, esposa de Napoleão III e Imperatriz da França, apresentou, em uma Exposição Vinícola em Paris, um vinho produzido em uma Finca de sua propriedade na região de Baños de Rioja, e que foi premiado.

Nos anos que se sucederam, a vinícola passou por vários donos até que em 1996, os irmãos Eduardo e Victor Hernáiz compraram a propriedade.
Comprometidos em produzir vinhos de alta qualidade, dividiram seus 101 hectares em vários vinhedos de acordo com os terroirs. Com isso puderam plantar as uvas que melhor se adequavam a cada terroir.

Seus vinhedos estão a 570 metros de altitude, uma das mais altas da região. O solo é de argila, coberto por pedras brancas, com uma drenagem perfeita. O reflexo do sol, das pedras nos cachos, potencializa os polifenóis da uva. Polifenóis são as substâncias antioxidantes encontradas no vinho

Na visita, fomos recepcionados por Coralie Saint Martin, responsável pelo Enoturismo.
Visitamos os vinhedos, as instalações industriais e degustamos os vinhos.
Produzem tintos monocastas e mesclas com as uvas Tempranillo, Garnacha e Graciano e brancos com Viura. O fato de adequar as castas aos terroirs específicos dá uma qualidade excepcional aos seus vinhos.

Com Coralie Saint Martin e Yara Carignato, em La Emperatriz

BODEGAS GOMEZ CRUZADO

Fundada em 1886 por D. Angel Gomes de Arteche, um nobre mexicano, durante o período em os franceses estavam investindo na região. Foi a primeira vinícola a ser construída ao lado da Estação do Trem em Haro.
Em 1916, os espanhóis D. Augusto e D. Jesus Gomez Cruzados, compraram e deram o nome à Bodega, que conserva até hoje.
Em 2001, foi comprada pela Família mexicana Baños Carrera.

Como muitas bodegas em Rioja, possuem vinhedos, aqui chamados de parcelas, em vários lugares. Há sempre uma preocupação em adequar as uvas cultivadas às especificidades dos terroirs de cada vinhedo. Esta cultura é um legado dos franceses.
O entrosamento entre o agrônomo e o enólogo é sempre muito importante.
Quando se visita a Gomez Cruzado valorizam e fazem sempre muitas referências aos seus enólogos David Gonzalez e Juan Antonio Leza, que se tornaram sócios na bodega.

A Gomez Cruzado é considerada uma bodega boutique. Produzem 200.000 garrafas por ano. Exportam principalmente para os EUA e México.
Nossa visita foi na histórica sede, próxima da Estação do Trem, recepcionados por Casilda Dominguez.
O tour foi o padrão, pelas instalações industriais, os salões das barricas de inox e carvalho.
Depois tivemos uma degustação de vinhos superinteressante, com o David San Roman narrando as histórias da Gomez Cruzado e da região de Rioja.
A presença de um historiador foi uma solicitação minha.

Com Casilda Dominguez, na Gomez Cruzado

Os vinhos da Gomez Cruzado oferecem duas categorias de vinho.
A primeira chamada de Família Gomes Cruzado, com as classificações Crianza, Reserva e Gran Reserva, com uvas Tempranillo. Na lista inclui um branco com uma mescla de Viura e Tempranillo branco.
A segunda categoria, chamada de Terroirs Especiais com dois vinhos específicos, Pancrudo e Cierro Las Cuevas, com uvas Garnacha.
O vinho Pancrudo tem sido premiado internacionalmente.
Nesta segunda categoria, inclui um branco com uma mescla de Viura e Tempranillo branco.

Na degustação provei alguns deles e gostei muito do Pancrudo. É feito com 100% de uvas Garnacha, de vinhas velhas. Foi o vinho que escolhi para trazer.

Com Casilda Dominguez, Yara Carignato e David San Roman, na Gomez Cruzado

BODEGA MIGUEL MERINO

É uma história de empreendedorismo. Em 1994, Miguel Merino, depois de trabalhar vários anos como exportador de vinhos, decidiu abrir a sua própria bodega.

O conceito era produzir um número relativamente pequeno de garrafas, mas com muita qualidade, utilizando principalmente uvas de vinhas velhas.
Aos poucos foi adquirindo vinhedos com essas características. Em relativamente pouco tempo já estava produzindo 40.000 garrafas por ano e exportando para 30 países.
Seu relacionamento comercial da época que era exportador ajudou bastante.

A bodega é bem enxuta. Os trabalhos nos vinhedos, as colheitas, a separação das uvas, são feitos pelos donos e os poucos funcionários que dispõem.
O filho Miguel Merino e a nora Erika Du Baele Meeser são os responsáveis pela operacionalidade da bodega. Miguel Merino (Pai) é responsável pela parte comercial. A sede está localizada na pequena vila de Briones, entre Haro e Logroño.

Com Erika Du Baele Meeser na Bodega Miguel Merino

Em nossa visita, fomos recepcionados pela Erika e pelo Miguel (Filho). As instalações são pequenas, mas muito bem distribuídas e organizadas. Ficamos um bom tempo conversando sobre o foco de mercado de seus vinhos e da preocupação quem eles têm em sempre surpreender seus clientes.

Eles conseguiram passar a um nicho importante de mercado, uma imagem de sofisticação e qualidade. E mantêm clientes fieis na Espanha e em vários países. Como produzem poucas garrafas, seus vinhos são procurados e disputados.

Na degustação, provamos vários vinhos tintos, entre eles o Miguel Merino Gran Reserva, 96% Tempranillo e 4% Graciano. Graciano é uma uva tardia que potencializa a longevidade e a cor do vinho. O Gran Reserva fica 28 meses em barricas de carvalho americano e francês.

Os outros vinhos são produzidos com as castas Tempranillo, Garnacha e Mazuelo e ficam nos barris vários meses, dependendo da programação e orientação do enólogo. O vinho Miguel Merino Reserva fica 22 meses nos barris, já o Crianza fica 16 meses.

A produção de seus vinhos está sempre em sintonia com a expectativa de seus clientes. Estão sempre preocupados em surpreendê-los com vinhos de qualidade excepcional. E têm sido muito bem-sucedidos.

Degustando vinhos com a Família Miguel Merino

As visitas às Bodegas La Imperatriz, Gomez Cruzados, Miguel Merino são para as pessoas que desejam além da degustação, mais conhecimentos. Vá preparado para fazer perguntas, tirar dúvidas e usufruir de uma atmosfera mais intimista.

As reservas são feitas com bastante antecedência. Ao contratar a Agência de Turismo, você pode indicar as vinícolas que gostaria de visitar.


VISITAS ÀS VINÍCOLAS – Segundo dia

Neste segundo dia, optamos por visitar as grandes vinícolas e que participaríamos dos tours em grupos. Os tours geralmente são padrões. O guia conta a história da vinícola, às vezes há um pequeno vinhedo, o passeio pela parte industrial, e ao fim a degustação.

BODEGAS CAMPO VIEJO

É a maior de Rioja. Produzem cerca de 30 milhões de garrafas por ano.
Pertence ao Grupo Pernot Ricard, multinacional francesa, uma das líderes em bebidas de todo o mundo. O maior cliente é a Inglaterra, onde, com seu vinho Campo Viejo – Crianza, domina este mercado.

Vendem também para os EUA, Alemanha, Rússia e Brasil.

Possuem vinhedos espalhados por toda a região de Rioja. Os controles dos vinhedos são feitos por satélite e drones.
Assim, podem acompanhar a evolução das cepas, dos cachos e do amadurecimento das uvas.
É uma vinícola com tecnologia de ponta.

Vinhedos e loja na Campo Viejo

A Visita e o Tour

Há tours o dia todo, em várias línguas. Não há necessidade de marcar com antecedência, mas na alta temporada é sempre conveniente.
O tour segue o padrão tradicional, mas com uma grande surpresa, um salão enorme com 70.000 barris de carvalho, com vinhos da categoria Crianza. É impressionante a visão desta quantidade imensa de barris, e o aroma que fica no ar. A sala de degustação é muito bonita, com uma vista para os vinhedos.

Os Vinhos

Possuem marcas importantes como Campo Viejo, Azpilicueta, Alcorta, nas categorias, Jovem, Crianza, Reserva e Gran Reserva, com uvas Tempranillo, Garnacha e Mazuelo.
O vinho Campo Viejo – Crianza representa 70% da venda total da empresa.

Fiz questão de selecionar esta vinícola para visitar, pela importância que tem no mercado consumidor de todo o mundo.

70.000 barricas em estágioDegustando vinhos em grupo, com o guia Alvaro Garcia Ogara

BODEGAS MARQUÊS DE RISCAL

Também escolhida pela sua importância, e por ser uma das mais conhecidas no Brasil. Foi fundada em 1858 pelo Marques de Riscal VI, um apaixonado pelos vinhos de Bordeaux. Implantou em sua bodega técnicas francesas.

A sede principal está na cidade de Elciego, na região de Alava. Lá estão os edifícios originais antigos e os novos. A partir de 1883, aproveitaram o crescimento da produção local, a chegada da linha férrea, e expandiram a vinícola. Já em 1895 um de seus vinhos tintos recebeu um Diploma de Mérito em uma Exposição em Bordeaux. Desde então a Marques de Riscal só cresceu.

Em 2006 inaugurou o Marques de Riscal Luxury Hotel, projeto do arquiteto canadense, Prêmio Pritzker (1989), Frank Gehry. O hotel está dentro das instalações da vinícola e é uma atração à parte. Em 2011, Marques de Riscal foi escolhida por uma importante revista americana, como uma das 10 marcas de vinhos mais admiradas no mundo.

Produz atualmente cerca de 5 milhões de garrafas por ano, e exporta 60% sua produção para 151 países, inclusive para o Brasil.

Marques de Riscal Luxury Hotel e a loja

A Visita e o Tour

Há vários tours durante o dia. É recomendável que faça reserva com antecedência, mas pode chegar e entrar em algum, que esteja saindo. O tour é o tradicional, inclui um pequeno vinhedo e um passeio pela parte externa do hotel. A degustação é feita em uma sala confortável ao lado da loja.

Os Vinhos

As uvas mais utilizadas na produção dos vinhos são tempranillo, garnacha e mazuelo. A tempranillo sempre em uma porcentagem bem grande, acima de 80%. O vinho Marques de Riscal Reserva estagia dois anos na barrica de carvalho, mais um ano na garrafa, antes de ir para o mercado.
O vinho Marques de Riscal Gran Reserva, três anos no carvalho, mais três anos na garrafa. Marques de Riscal 150 Aniversário, fica 32 meses na barrica de carvalho.Possuem um vinho da categoria Crianza, Arienzo que fica 18 meses no carvalho e mais 12 meses antes de ir para o mercado.

Nesta região de Rioja, os produtores estagiam seus vinhos um tempo bastante grande, tanto nas barricas de carvalho como nas garrafas, antes de colocarem no mercado.
Considero a visita à Marques de Riscal obrigatória, pelo que ela representa em Rioja e, também, no Brasil.

Com Ruth Assumpção, degustando vinhos na Marques Riscal

BODEGAS CONDE VALDEMAR

Fiz questão de visitar esta vinícola porque já conhecia e apreciava seus vinhos.
Em nossa visita, tivemos uma atenção muito especial da Marisa Alonso, responsável pelo Enoturismo, e do guia Francisco Fraguas. Francisco é argentino de Mendoza, muito simpático, e está terminando um curso de Enologia em Rioja. Durante o tour, falamos muito de enologia que é um tema que eu gosto muito.

A história desta vinícola começa no século XIX. Em 1889, Joaquim Martinez Bujunda fundou em Oyon, uma pequena vinícola. Nos anos seguintes, as gerações que vieram deram sequência à produção de vinhos.
Em 1982, Jesus Martinez Bunjunda, já na 4ª geração, aproveitando o crescimento do mercado de vinhos e sua visão de negócios, adquiriu novos vinhedos e fez a empresa se desenvolver.

A partir de 2008, os filhos Ana e Jesus Martinez Bujunda se incorporaram à empresa e iniciaram novos projetos.

Barricas de vinhos CrianzaBarricas separadas por regiões e vinhedos

A Visita e o Tour

Nossa visita foi à sede principal, onde estão as instalações industriais, o salão dos barris de carvalho, as garrafas em estágios, e a loja. Já de saída, fiquei surpreendido com a limpeza e a organização de todos os ambientes. É de chamar a atenção.
É uma das exigências do proprietário, limpeza total.

Garrafas em estágio na Conde ValdemarDegustando vinhos com Ruth Assumpção e Francisco Fraguas

Tours para Pessoas Especiais

Conde Valdemar oferece tours para pessoas com necessidades especiais, como cadeirantes e cegos. Para estes tours, foram desenvolvidos materiais específicos, como tabelas de aromas em braile. Francisco fez uma demonstração do tour oferecido aos cegos, mostrando como através do toque e do teste de aromas eles usufruem.

Fizemos duas degustações, a primeira durante o tour e a segunda na loja.

Os Vinhos da Conde Valdemar

Sob a marca Conde Valdemar, produzem a classificação Crianza, Reserva e Gran Reserva, com as uvas Tempranillo, Garnacha e Graciano. Tempranillo sempre dominante, com mais de 85%. Ficam estagiando nos barris de carvalho 13 meses, 27 meses e 30 meses, respectivamente.

Um outra linha importante é a Conde Valdemar Magnun, também Crianza, Reserva e Gran Reserva. Também a Tempranillo, com mais de 80%, e em quantidade menor Graciano e Maturana. Estagiam em barris de carvalho 13 meses, 26 meses e 30 meses.
Produzem 500.000 garrafas por ano.

Se em sua programação de viagem tiverem tempo e puderem incluir a Conde Valdemar, vai valer a pena. É muito bonita, bem organizada, ótimos vinhos e atendem muito bem.
É preciso fazer reserva antecipada.

Com Marisa Alonso, Ruth Assumpção e Francisco Fraguas na Conde Valdemar

Nestas viagens é sempre uma ótima oportunidade para comprar vinhos a preços muito bons, comparados com os do Brasil.
Eu sempre levo pelo menos uma garrafa de cada vinícola que visito, de preferência o melhor vinho. Comprar estes vinhos no Brasil seria quase proibitivo.


PROGRAMAÇÃO DA VIAGEM

A melhor maneira de vir para a região de Rioja é por Madri.
Recomendo alugar um carro e guiar em direção a Logroño, capital da província de La Rioja, ou Haro, a cidade histórica. As vinícolas e os vinhedos estão em sua maioria nesta região.

Logroño é uma cidade de porte médio, com boa opções de hotéis, lojas e restaurantes. Haro é bem menor, com menos opções de restaurantes, lojas, mas com um ótimo hotel, Los Agustinos.
Agência de Turismo pode também recomendar ou reservar o hotel.
Nós optamos por ficar em Haro, no Hotel Los Agustinos e de lá, pela manhã, saíamos para as visitas.

A guia nos apanhava em seu próprio carro às 10 horas e voltávamos no fim da tarde. O almoço estava dentro da programação das visitas.

Cidades Importantes Próximas

Logroño e Haro ficam relativamente próximas de várias cidades interessantes, como Bilbao, S.Sebastian, Burgos, Valladolid, Ávila, Pamplona e Biarritz, no sul da França.

Com tempo e de carro, dá para incluir algumas destas cidades em seus roteiros. Pelo site do Guia Michelin você pode ter uma ideia de distância e tempo.

CIDADES MEDIEVAIS – E O CAMINHO DE SANTIAGO DE COMPOSTELA

Como sempre faço em minhas viagens para regiões vinícolas, aproveito para conhecer lugares e pequenas cidades ou vilas que tenham alguma história, ou que são simplesmente bonitas.
Há duas cidades medievais muito próximas de Haro que valem a pena visitar, San Millan de La Cogolla e Santo Domingo de La Calzada.
Ambas fazem parte do Caminho de Santiago de Compostela.

É impressionante o número de peregrinos, de todas as idades, com seus cajados, caminhando entre estas duas cidades.

Como estas duas cidades são muito próximas, saindo logo cedo do hotel, é possível visitá-las em meio dia. Se tiver mais tempo, eu diria que um dia inteiro seria o ideal.

SAN MILLAN DE LA COGOLLA

São dois monastérios da Ordem dos Agostinianos Recoletos. O mais antigo chamado de Suso, que fica em cima da montanha. E o mais novo, do século VI, chamado de Yuso, em baixo, no centro da cidade. Ambos são considerados Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.

Segundo a tradição, foi o berço do castelhano, a língua espanhola que é falada hoje na Espanha.
No convento, estão os documentos com os primeiros registros escritos em castelhano. Na região, hoje, falam também o basco.

San Millan ou Santo Emiliano foi um eremita que viveu nas montanhas e que pregava a fé cristã. Após alguns milagres a ele atribuídos, uma comunidade foi sendo instalada a seu redor.

A Ordem dos Agostinianos Recoletos construiu um pequeno convento no alto da montanha no século I. No século VI, o Rei de Navarra mandou construir um grande convento para abrigar os restos mortais de San Millan.

A principal visita é ao Convento Yuso, no centro da cidade. São dois tours pela manhã, e dois na parte da tarde. Como o convento está habitado pelos religiosos, os tours são rigorosos nos horários. As instalações internas do convento são muito bonitas.
Há uma coleção de Hinários, do século XV, que eram utilizados para os cânticos religiosos.
Em uma capela está a urna com os restos mortais de San Millan.

É possível visitar o Convento Suso, na montanha. Alguns sobem caminhando. Mas a atração maior é mesmo o Convento de baixo, Yuso.

Interior e exterior do Convento de San Millan

SANTO DOMINGO DE LA CALZADA

Com um centro histórico totalmente preservado é a cidade que recebe os peregrinos que se destinam a Santiago de Compostella, vindos da França, Alemanha, Aústria e outros países do norte e leste europeu.
De lá, os peregrinos seguem uma única rota, de aproximadamente 600 quilômetros. São cerca de 25 dias de caminhada.

A cidade possui vários pequenos hotéis, hospedarias e albergues. Tudo muito simples, sem qualquer sofisticação. É considerado um santuário cristão-católico.

Domingo Garcia foi um ermitão que se instalou às margens do pequeno Rio Oja, e que passou a dar assistência aos peregrinos que passavam pela região.
Com o tempo, construiu uma ponte rústica de madeira sobre o rio, um pequeno hospital para assistir os que chegavam enfermos na viagem, e uma pequena igreja.
Para facilitar a caminhada dos peregrinos, restaurou parte da estrada e das calçadas romanas.

Daí o nome Santo Domingo de La Calzada. Em 1106, fundou a Casa da Confraria do Santo que existe até hoje. Morreu em 1109 com 90 anos.
Em 1158, iniciaram a construção da Catedral em sua homenagem, onde está sepultado.

Rua e interior da catedral de Santo Domingo

Albergue dos Peregrinos e o símbolo do Caminho de Santiago de Compostela

A Lenda do Galo e da Galinha

Diz a lenda que um casal de peregrinos alemães hospedou-se com seu filho na cidade. A filha do dono da hospedaria se apaixonou pelo rapaz. Como não foi correspondida, com ódio, colocou uma taça de prata nos pertences do rapaz. Descoberto, foi preso, julgado e enforcado.

Os pais muito tristes oraram e pediram a Santo Domingo por um milagre. Seguiram viagem a Santiago de Compostela e na volta decidiram passar pelo local do enforcamento. Encontraram o filho vivo. Correram para contar para o Juiz da cidade.
O Juiz estava almoçando e respondeu: “Ele está vivo como este galo e galinha assados aqui no meu prato!”. Neste momento, o galo e a galinha saíram voando.

Dentro da catedral em frente ao mausoléu de Santo Domingo há um galinheiro, em uma linda arquitetura gótica, com um galo e uma galinha de verdade. É uma atração à parte.
A catedral é muito bonita e grandiosa para o tamanho da cidade.
Anexo há um pequeno, mas muito bonito museu com objetos, obras e quadros sacros.

Galinheiro na Catedral em Santo Domingo e o Caminho de Santiago de Compostela

A região de Rioja não é muito visitada por brasileiros.
Em nossas visitas não encontramos ninguém falando Português.
O foco das exportações dos vinhos são para os mercados da Inglaterra, EUA, México, Alemanha e outros países. Mas há bons vinhos de Rioja no Brasil.

Se puder, em uma viagem à Europa, combinar com uma passagem pela região vinícola de Rioja, você vai com certeza se surpreender. É muito linda!

Se desejar alguma dica ou sugestão extra, por favor, contate-me pelo e-mail:
miltonassumpcao@terra.com.br


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