TAIN L’HERMITAGE E TOURNON


18 dez 2018 às 10h11


Separadas pelo Rio Rhone, estas duas cidades agregam ao redor de si uma produção de vinhos da mais alta qualidade, classificada pelos especialistas entre os três melhores tintos de toda a França.

Aqui o reino é da casta Syrah. A uva Grenache entra na composição dos vinhos como blend.
Ficam a cerca de 90 quilômetros ao sul de Lyon, pela rodovia A7, que liga Lyon-Marselha.

Seguindo o curso do Rio Rhone, Tain l’Hermitage fica na margem esquerda do rio, o que seria ao norte. Tournon fica na margem direita, o que seria o sul. Duas pontes ligam as duas cidades, uma de trânsito de veículos e a outra de pedestres.

Seguindo pela rodovia A7 em direção ao sul, a 144 quilômetros você chega a Avignon, muito próximo de Chateauneuf-du-Pape.

Como roteiro, você pode ir de Lyon para Tain e Tournon e depois seguir para Avignon e Chateauneuf-du-Pape, ou vice-versa, sair de Marselha, e subir para o norte.

Tain L’Hermitage, Tournon e Vinhedos

 
TAIN L’HERMITAGE

Como em várias regiões da Europa, a presença dos Romanos foi comprovada por vasos, cerâmicas, medalhas, moedas cunhadas com a esfinge de Cesar e pequenas ruínas de edifícios encontrados em pesquisas arqueológicas.
Não foi uma cidade importante na época dos Romanos.

Os primeiros registros são do século X, quando era conhecida pelo nome de Tegna. Nos séculos seguintes, mudou de nome por cerca de vinte vezes, e somente em 1920 recebeu o nome definitivo de Tain l’Hermitage.
É uma cidade pequena, espremida entre os morros cobertos de vinhedos e o Rio Rhone. A rua principal e de comércio é parte da Rodovia N7 que corta a cidade de leste a oeste.

A sua volta estão algumas poucas lojas, bancos, restaurantes e hotéis.
As mais importantes atrações da cidade são as lojas de degustações de vinhos das vinícolas M. Chapoutier e P. Jaboulet, a La Cité du Chocolat, loja e fábrica do chocolate Valrhona, e o Escritório de Turismo.

Há também um passeio de trenzinho que visita os vinhedos ao redor da cidade, e é preciso confirmar no Escritório de Turismo os dias e horários.

Paisagens de Tain, Tournon e Rio Rhône

 
Visitas a Lojas de Degustações

P. Jaboulet e M. Chapoutier são as duas vinícolas mais importantes de Tain l’Hermitage.
Suas lojas de atendimento ao público estão no centro.
Abrem normalmente às 10h da manhã atendendo vendas, degustação e o enoturismo.

 

Paul Jaboulet Ainé

Ou simplemente P. Jaboulet como é conhecida, foi fundada em 1834 por Antoine Jaboulet.
Passou por três gerações e em 2005 foi comprada por dois investidores franco-suíços, Caroline Frey e Denis Dudorbien.
Seu vinho Hermitage La Chapelle 1961, de vinhedos de Crozes-Ermitage, foi considerado pela Wine Spectator, um dos 12 melhores vinhos tintos do Século XX.

Além dos vinhedos na região de Tain l’Ermitage, possuem também vinhas em Chateauneuf- du-Pape.
São cerca de 125 hectares de vinhedos, com cepas de 45 anos de idade média. As principais uvas são Syrah e Grenache.

Produzem em média 3 milhões de garrafas por ano.Caroline Frey é a enóloga oficial da P.Jaboulet
O site da Maison P.Jaboulet é www.jaboulet.com .

Loja de vinhos da Paulo JabouletEstação do Trem


Michel Chapoutier

Ou simplesmente M. Chapoutier como é reconhecida.
Fundada em 1879 por Polydor Chapoutier passou por três gerações até que em 1990, Michel Chapoutier, neto do fundador, assumiu a vinícola, colocou o seu nome e passou a comandá-la.
Autodidata e apaixonado pelo vinho passou a pregar e valorizar os terroirs.
Implantou uma cultura de respeito ao solo, ao clima e a valorização do ser humano.

“Dê a palavra ao solo, ao terroir, e ele vai se expressar através de uvas de qualidades excepcionais.”

M.Chapoutier possui propriedades no total de 760 hectares em várias regiões da França, Austrália e Portugal (Douro), 240 hectares dos vinhedos estão em Hermitage.

É o maior produtor de vinhos local. Produzem cerca de 8 milhões de garrafas por ano, em 240 rótulos. O site da Maison M. Chapoutier é www.chapoutier.com .

Com Marie Roche, Responsable Sommelier da M.Chapoutier

 
TOURNON

Está do lado direito do Rio Rhone e se desenvolveu simultaneamente a sua co-irmã Tain l’Ermitage.
Há registro de que o Imperador Carlos Magno visitou a cidade na sua época.
É uma cidade também pequena, com alguns morros cobertos de vinhedos, e é mais charmosa e atraente que Tain.

Umas das suas atrações é o Castelo de Saint Just do século X que, apesar de não ter uma história tão significativa, é umas das visitas obrigatórias.
Do terraço, no alto do castelo, a visão da cidade e do Rhône é muito bonita. Muito perto do castelo, há uma outra atração, o Jardim do Eden. É uma combinação de paisagismo natural com plantas , fontes e flores.

Outras atrações de Tournon são: o Cais Fluvial, de onde saem os barcos para os passeios pelo rio, o trenzinho pelos vinhedos, e a Fromagerie Lambert, com uma variedade de queijos excepcionais.

Tournon possui também um calçadão central de comércio com uma boa variedade lojas.
A Escola de 2º Grau Gabriel Faure é a mais antiga da França.
As opções de hotéis são melhores que Tain, incluindo o Hotel de La Citté.

Castelo de Tournon, Rio Rhone e Família

 
HOTÉIS

Eu sempre recomendo consultar o Trip Advisor para escolher o hotel de acordo com seu gosto e principalmente bolso. Ficamos hospedados no Hotel Pavillon de l’Hermitage. É bem antigo, na rua principal, com acomodações e café da manhã bem simples.

A vantagem é estar a poucos passos das principais atrações, as lojas das vinícolas, o Museu de Chocolat, a estação do trem e os vinhedos.

Na beira do rio, junto à passarela, fica o pequeno Hotel Les 2 Coteaux. Muito bem localizado, e que requer reservas com muita antecedência.
Uma outra opção é o Hotel Le Castel.
Do outro lado do Rhône, em Tournon há mais opções de hotéis, Hotel de La Citté, Hotel de la Vileon, Inter Hotel de les Anadies, Le Château e o charmoso Casa mARTa.
Todos muito bem localizados.

Da próxima vez, vamos nos hospedar em Tournon. Há mais opções de restaurantes, lojas, bares e é uma cidadezinha mais atraente.

 
Terroir

Erguem-se vários morros cobertos de vinhedos no entorno de Tain l’Hermitage e Tournon. O solo é de argila com pedras e pedregulhos. Em alguns lugares mais baixos, nos pequenos vales há sempre mais pedras, como em Chateauneuf-du-Pape.

Apesar da proximidade do Rhône, o clima não tem muita umidade, principalmente pelo vento que sopra do norte acompanhando o curso do rio. Aqui também o vento Mistral ajuda a manter o ar seco e livre de insetos predadores.

A amplitude térmica é perfeita, noites frias potencializando o tanino e dias ensolarados potencializando o açúcar. Em Hermitage, há uma conscientização e um respeito muito grande à natureza. Há uma interferência mínima, somente a necessária. O solo é tratado com muito carinho.

“Porque não há grandes vinhas sem grandes uvas. Cada videira deve poder amadurecer suas uvas nas melhores condições de clima e extrair o sabor do solo.”

Tenho visitado várias regiões vinícolas na Europa e América do Sul, e foi em Hermitage que encontrei o maior respeito e a maior valorização dos terroirs!

Terroirs de Argila, Pedras e Pedregulhos

  
OS VINHEDOS

Os vinhedos compõem a paisagem. Eles estão em todos os morros a sua volta. É um festival de tons de verde. Estão praticamente dentro da cidade. Dá para visitar a pé.

Caminhando ao lado esquerdo da Estação de Trem, você passa por baixo do pontilhão da linha férrea e já está dentro dos primeiros vinhedos. Você pode caminhar e subir o morro por uma estradinha de terra, até uma pequena igreja, bem no alto, La Chapelle. A vista das duas cidades e do Rio Rhône é linda.

Este é um passeio para três horas. A subida não é tão íngreme, mas exige um certo esforço físico. Você pode também subir pelo meio dos vinhedos, até uma certa altura que lhe convier, curtir o passeio e a paisagem.

Há uma outra opção, mais cômoda de ir até o alto da montanha, de carro. É por uma estrada estreita, asfaltada que vai em direção as Crozes-Hermitage, e o topo da montanha. É só seguir as setas de direção.
O caminho é muito lindo, também rodeado de vinhedos. Como a estrada é estreita, sinuosa e com movimento, não dá para estacionar o carro para fotografar.
A compensação é chegar lá no alto e ter uma visão longa e completa de toda a paisagem.

Do outro lado da montanha, fica a vila de Crozes-Hermitage, cujo terroir e vinhedos estão considerados como os melhores de Hermitage, entre os melhores do mundo, e em 2013 foram declarados Patrimônio Nacional.

Para quem vai visitar regiões vinícolas com o objetivo de não simplesmente degustar vinhos, mas curtir a natureza, é um dos lugares mais especiais que conheço. Há vinícolas e vinhedos espalhados pelos vales do Rio Rhône e pelas montanhas à sua volta.

Vinhedos em Espalda e Arcos

  
VINHEDOS NA REGIÃO

A região conta com cerca de 11 vilas, e todas elas com vinhedos produzindo ótimos vinhos.
Além de Crozes-Hermitage, as vilas mais importantes e que merecem visitas específicas são Cornas e Saint-Péray, e Saint Joseph.
O nome de Saint Joseph foi dado pelos jesuítas que desenvolveram os vinhedos, a partir do século XV.
Produzidos exclusivamente com a uva Syrah, os vinhos de Saint Joseph ganharam grande notoriedade e tornaram-se os preferidos da corte de Luiz XII (1498-1515).

Em 1956, a região recebeu a certificação de DOC – Denominação de Origem Controlada.
A região cresceu rapidamente. Em 1971, eram 100 hectares plantados de vinhedos, hoje são cerca de 920 hectares. As terras que pertenciam aos jesuítas foram adquiridas pela GUIGAL.

Se puder e tiver tempo, na sua programação de viagem, vale a pena visitar. É uma região muito bonita, com vinhedos a perder de vista.
É um daqueles lugares em que se pode caminhar pelos vinhedos, pisar e sentir o cheiro da terra ou então, de carro, descobrir pequenas vilas com vinhos excepcionais.

Cepa antiga e Vinhedos em Arco


VICTOR HUGO E OS MISERÁVEIS

No livro Os Miseráveis, o Bispo da pequena cidade de Digne dá abrigo ao personagem Jean Valjean e lhe oferece comida, vinho e pousada. Na história, ele rouba peças de ouro do Bispo, foge, mas é preso.
Trazido pelos policiais, o Bispo diz que ele havia oferecido as peças de ouro de presente e o livra da prisão.
É a partir daí que Jean Valjean recupera sua dignidade, e com as peças de ouro, reinicia sua vida.

No livro, o vinho servido pelo Bispo a Jean Valjean é um Vin de Mauves, uma pequena vila ao sul de Tournon.
Os estudiosos afirmam que na verdade ao escrever o livro, Victor Hugo estava se referindo aos vinhos de Saint Joseph, muito conhecidos na época.

Victor Hugo – Vinhos de Saint Joseph

  
Os Vinhos

Estão considerados entre os três melhores vinhos tintos da França. Aqui como o terroir é determinante, e a uva Syrah se manifesta com toda sua exuberância, é imprescindível a identificação da localização dos vinhedos nos rótulos das garrafas.
Os vinhos são todos ótimos, mas dependendo da localização dos vinhedos são excepcionais.

Um amigo de Chateauneuf-du-Pape confidenciou-me que, para ele, é sem dúvida o melhor vinho tinto da França, principalmente, os Crozes-Hermitage.

Os vinhos são, então, identificados e escolhidos pela vinícola, pela localização do vinhedo e pela classificação.
Aqui é como na Borgonha, Grand Crus, Premiers Crus, Communale, que equivale ao Village, e Regional.

A classificação Regional é para os vinhos de vinhedos localizados nas margens e nos vales do Rhône.
Os Communales ou Village são de vinhedos dos entornos das cidades e vilas.
Os Premiers Crus e Grand Crus são vinhos de vinhedos das encostas dos morros.
Normalmente, os Premiers Crus e Grand Crus evoluem de dois a três anos nas barricas de carvalho, enquanto os Communales estagiam 12 meses.

De uma maneira geral, os vinhos Hermitage em todas as classificações são muito bons, vai depender da sua boca, ou seja, do que você gosta e principalmente do seu bolso.

Vou relacionar alguns vinhos desta região, com alguns deles disponíveis no Brasil.

Vinhos M. Chapoutier e P.Jaboulet


Vinhos da P. Jaboulet

Hermitage La Chapelle DOC
Hermitage La Petit Chapelle DOC
Les Crozes Thalabert
Les Crozes Vieilles Vignes
Magnun Crozes Hermitage Domaine de Thalabert
Magnun Parallele 45 – Côtes du Rhône
Domaine La Croix de Vignes
Domaine de Saint-Pierre

Vinhos da M.Chapoutier

Crozes-Ermitage Varronier
Crozes-Ermitage Guer Van – Alleno et Chapoutier
Crozes-Ermitage Les Meysonniers
Crozes-Ermitage Les Moniers
Ermitage L’Ermite
Ermitage Le Meal
Ermitage Le Pavillon
Ermitage Greffieux
Ermitage Monier de Sizeranne
Saint Joseph Le Clos
Saint Joseph Les Granits
Chateauneuf du Pape Barb Rac
Chateauneuf du Pape Croix di Bois

As duas vinícolas têm vinhedos e produzem vinhos em várias regiões da França, na Austrália, África do Sul, e Portugal.
A região é reconhecida pelos vinhos tintos, mas produzem também bons vinhos brancos.
As castas mais utilizadas são a Roussanne e Marsanne.

Tanto P. Jaboulet como M. Chapoutier têm em suas listas várias opções de brancos.
Muitos deles com o mesmo nome dos tintos.

Na degustação, você pode solicitar para experimentar vinhos brancos, eles também os terão para atender.Mas enfatizo que, nesta região, o reino é dos tintos.


ROTEIRO DE VIAGEM

Tain l’Hermitage/Tournon ficam relativamente próximas de Lyon, Avignon, Chateauneuf-du- Pape, Beaune, Marselha, Carcassone e Geneve.

Você pode chegar e sair por várias direções.

Em uma viagem mais curta pelos aeroportos de Marselha, Lyon e Geneve. E em uma viagem mais longa, pelos aeroportos de Paris e Bordeaux.

Um roteiro bem feito na França, de carro, dá para visitar várias regiões vinícolas.

Conheço muito bem a maioria delas e se desejar entre em contato comigo que eu posso lhe ajudar a fazer o roteiro de sua viagem.


Deixe aqui o Seu Comentário

Total de Comentários: 1
OK
Informe o seu nome.
OK
Informe o seu e-mail.
OK
Informe o seu site.
OK
Informe o seu comentário.
André - 02/03/2019 às 05h35
Belo post, muito informativo e com ótimas fotos. Parabéns e obrigado por compartilhar!
Conteúdo Relacionado